Episódios de Casos Reais

ASSASSINADA: Sylvia Likens

10 de junho de 202628min
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Quando os pais de Sylvia Likens deixaram ela e a irmã sob os cuidados de Gertrude Baniszewski, eles acreditavam que as meninas estariam seguras em uma casa de família. Mas, por trás daquelas portas, o que parecia ser um lugar de acolhimento se transformou em um cenário de crueldade, silêncio e horror. Neste episódio, vamos contar a história de Sylvia Likens, uma adolescente de 16 anos que foi traída por quem prometeu protegê-la — e mostrar como a omissão de tantas pessoas ao redor também fez parte dessa tragédia.Sugira casos: casosreaispodcast.com.brApoie e receba episódios antes: apoia.se/casosreaisSiga: @casosreaisoficial | @erikamirandasRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeos

Participantes neste episódio2
E

Erika Mirandas

HostJornalista
L

Lucas

Co-hostFotógrafo
Assuntos9
  • Caso Isabela NardoniSylvia Likens · Gertrude Baniszewski · Paula Baniszewski · Jenny Likens · Tortura e assassinato · Omissão e negligência · Julgamento e condenações · Liberdade condicional e repercussões
  • Tortura e ViolenciaSylvia Likens · Gertrude Baniszewski · Paula Baniszewski · Adolescentes da vizinhança · Agressões físicas e psicológicas · Humilhações e tortura · Fome e comida estragada · Marcação com agulha quente
  • Legado e ConsequênciasGertrude Baniszewski · Paula Baniszewski · Jenny Likens · Anulação de condenações · Liberdade condicional · Mudança de nome e local · Trabalho de Paula como auxiliar de professora · A importância de denunciar
  • A tentativa de fuga e a morte de SylviaSylvia Likens · Gertrude Baniszewski · Carta falsa · Tentativa de fuga · Últimos momentos de Sylvia · Causa da morte
  • Politica CarcerariaSylvia Likens · Gertrude Baniszewski · Incontinência urinária · Cárcere privado no porão · Condições desumanas
  • Karen: O Abuso e SequestroGertrude Baniszewski · Sylvia Likens · Jenny Likens · Atraso no pagamento · Primeiras agressões físicas
  • A vida de Sylvia LikensSylvia Likens · Família Likens · Infância e dificuldades financeiras · Apelido 'Cookie'
  • Julgamento e CondenaçãoGertrude Baniszewski · Paula Baniszewski · Jenny Likens · Richard Hobbs · Coy Herbert · Investigação policial · Confissão de Jenny · Julgamento e condenações
  • A família BaniszewskiGertrude Baniszewski · Paula Baniszewski · Filhos de Gertrude · Situação financeira precária
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Voz B:E se a pessoa que prometeu cuidar da sua filha fosse justamente quem destruiria a vida dela? Em 1965, os pais de Sylvia Linkens precisaram viajar a trabalho e deixaram ela e a irmã Jenny aos cuidados de Gertrude Bunny Zewiski, uma mulher que parecia confiável, mãe de várias filhas e que prometeu tratar as meninas como se fossem da família. Mas quando a porta daquela casa se fechou, Sylvia entrou em um pesadelo. O que deveria ser uma estadia temporária acabou se transformando em meses de violência, tortura e humilhação. E o mais revoltante: muita gente percebeu que algo tava acontecendo, mas quase ninguém fez nada. Como que uma adolescente de 16 anos foi torturada dentro de uma casa comum, em uma vizinhança comum, sem que ninguém percebesse ou a salvasse? Essa é a história de Sylvia Linkens. Então, para quem não me conhece, meu nome é Erika Miranda. Eu toda quarta-feira eu trago um episódio novo para o podcast, e se você quiser ficar por dentro de tudo vai lá no meu Instagram, @erikakmirandas, com S no final, porque lá eu sempre posto quando tem um episódio novo, posto Reels sobre os casos, trago sempre alguma novidade, e também você ficar por dentro da minha vida, para quem quiser. Se não quiser, também não tem problema, tá bom? Se você quiser saber todas as fontes desse caso, tá sempre lá no site do Casos Reais, junto com o link na descrição do nosso Apoia.se. Lá no Apoia.se você tem acesso a todos os episódios antecipadamente, e eu também sempre faço sorteios de livros. Então, se você quiser ficar mais próximo aí, me mandar mensagem diretamente no WhatsApp, É pelo Apoia.se. Então vamos lá pro caso. E esse é o caso da Sylvia Likens. Sylvia Marie Likens nasceu no dia 3 de janeiro de 1949 em Lebanon, que é uma cidade pequena de apenas 14 mil habitantes que fica no interior de Indiana, nos Estados Unidos. Imagina ali aquele clima de cidade pequena, todo mundo se conhece, ruas tranquilas, ainda mais nos Estados Unidos, né? A Sylvia nasceu numa família grande, mas com muitas dificuldades financeiras. O pai dela, o Lester, era um homem que precisava fazer muitas coisas para sobreviver e sustentar todo mundo. Para você ter uma noção, em 65, que é quando esse caso aconteceu, ele tinha trabalhado em fábricas, lavanderias, e nesse ano, em 1965, o Lester tava trabalhando em barraquinhas de parque de diversões, vendendo doces, refrigerantes. Ou seja, ele era pau por toda obra, né, fazia o que tinha que fazer, o que conseguisse. E como o dinheiro nunca era suficiente, todo mundo acabava ajudando de alguma forma. A própria Sylvia, por exemplo, trabalhava como babá e passava roupas de vez em quando para poder contribuir ali com a renda da casa. Só que esse trabalho do Lester e da Elizabeth no parque de diversões tinha uma característica complicada, porque o parque vivia mudando de cidade. Então toda Toda vez que esse parque ia para um outro lugar, a família também tinha que colocar a vida inteira deles dentro de uma mala e pôr o pé na estrada. Eu imagino que eles deviam ficar um mês numa cidade, 2 meses na outra. Era uma rotina sem residência fixa, eles eram quase que nômades mesmo. E eventualmente os pais começaram a sentir que essa vida de estrada não era mais adequada para os filhos. No total eram 5 crianças, a Silvia e mais 4 irmãos. Os mais velhos eram um casal de gêmeos, o Daniel e a Diana, e aí no meio nasceu a Silvia, que em 1965 tinha 16 anos, e depois nasceram mais dois irmãos gêmeos, os caçulas Benny e Jenny. E nesse cenário não dava para os cinco filhos estarem acompanhando os pais o tempo todo, né, nessa correria. Imagino que devia ser uma vida super instável, né. Eles deviam não conseguir ficar na mesma escola por mais de algumas semanas, eles não deviam ter um grupo fixo de amigos. Enfim, faltava aquela rotina que uma criança precisa, né, uma estabilidade que as crianças precisam, né. E só um lugar fixo acaba permitindo. E foi nesse cenário que o Lester e a Elizabeth chegaram à conclusão de que não dava mais. Eles decidiram que precisavam deixar os filhos Principalmente a Sylvia e a Janie, com alguém pra tomar conta enquanto eles trabalhavam. Pra vocês conhecerem melhor as duas, a Janie era a irmã mais tímida. E pelo que tudo indica, ela era tímida porque quando criança ela teve poliomielite, que é a paralisia infantil. Então por causa disso ela mancava de uma perna e tinha que usar um suporte de aço pra andar melhor. E já a Sylvia era meio que o oposto, ela era super confiante, amigável, cheia de vida. Ela era a mais expansiva das duas. Ela amava os Beatles e todo mundo chamava ela pelo apelido carinhoso de Cookie. Só que tinha uma coisa que deixava a Sylvia insegura: o sorriso. Quando ela era menor, ela acabou batendo a boca enquanto brincava com os irmãos e perdeu um dos dentes da frente. E desde então, a Sylvia passou a sorrir só com a boca fechada, pra ninguém notar que ela tinha um dente faltando. E parece que as duas irmãs eram bem unidas. Elas tinham o costume de ir juntas em uma pista de patinação. E por conta da paralisia de Jenny, a Sylvia ficava ali dando a mão pra ela o tempo todo, ajudando a irmã a se equilibrar. Para que ela pudesse patinar também. Então dava para ver que tinha uma união, uma conexão, carinho imenso entre as duas. Uma cuidava da outra. E essa era a vida ali dos Lincolns. Só que em julho de 1965 tudo mudou. Por algum motivo, a mãe das meninas, a Elizabeth, furtou uma loja. A gente não sabe exatamente por qual motivo. E por conta disso, a polícia pegou ela e Elizabeth acabou sendo presa. Ela não ficou muito tempo na prisão. Pouco tempo depois, os policiais soltaram Elizabeth. Só que muito provavelmente, por conta dessa prisão, e junto com o fato de que o Lester e precisavam trabalhar viajando, eles finalmente arranjaram alguém para tomar conta das meninas. Foi quando eles conheceram uma mulher chamada Gertrude Baniszewski. Gertrude tinha 37 anos e era uma mãe experiente. Ela tinha 7 filhos com idades que variavam entre um bebê com 18 meses de idade e adolescentes de 16 anos, 17 anos. Ou seja, uma bela diferença de idade entre os filhos, né? Ela é bem experiente. E além disso, a Gertrude era mãe de duas meninas que estavam estudando na mesma escola onde a Sylvia tava frequentando naquele momento. Então vocês imaginam essa cena, né? Gertrude tinha ali uma casa cheia de 7 meninos e meninas e nenhuma renda, porque pelo que parece, né, pelo que deu para entender, a Gertrude não tinha emprego fixo. Ela até tinha algum auxílio financeiro por conta do ex-marido, mas naquela época esse dinheiro não devia ajudar tanto, né, ainda mais para sustentar 7 filhos. E eles moravam em uma casa alugada grande com espaço suficiente para abrigar mais 2 pessoas, Sylvia e Jane. E como Gertrude precisava de dinheiro, ela acabou aceitando tomar conta das meninas. Ou seja, não era de graça, tá? O preço para elas ficarem lá era de $20 por semana. Era tipo uma babá. A Gertrude acabou dando a palavra dela pro Lester, né, garantindo que ficaria com as meninas até novembro, que dava ali uns 5 meses mais ou menos. E ainda prometeu que ia cuidar da Sylvia e da Jane como se fossem filhas dela. Então, no começo de julho, Sylvia e Jane chegaram na porta da casa da Gertrude com as malas ali na mão e estavam ali prontas para iniciar essa nova fase. E elas foram recebidas pela Gertrude. Nos primeiros dias, a Sylvia e a Jane meio que foram tentando se enturmar ali com a família, principalmente com as filhas da Gertrude. Elas ouviram música juntas, juntas fizeram serviços ali da casa juntas para ajudar, e elas iam também para escola juntas. Só que aquele período que a princípio parecia que ia ser tranquilo e legal acabou mostrando aí que não seria um mar de rosas, nada muito tranquilo, porque logo de cara parece que teve uns atritos entre a filha de 17 anos da Gertrude, a Paula, e a Silvia. Parece que não era nada muito sério, mas elas não foram uma com a outra ali. Primeiro começou com uma briga, um desentendimento, só que as coisas foram escalando até que em agosto de 65 aconteceu uma coisa que infelizmente mudaria tudo. Depois de uma Já que as meninas estavam morando com a Gertrude, chegou o dia do Lester enviar os $20, mas nesse dia o dinheiro não chegou, não tinha caído nada na conta. Assim que a Gertrude notou que o pagamento não tinha caído, ela pegou a Sylvia e a Jane, levou para o segundo andar da casa e bateu nelas. Ela ainda disse para as meninas que tinha cuidado delas por uma semana para nada e xingou as duas de nomes muito pesados. E os $20 chegaram no dia seguinte com apenas um dia de atraso. Antes da gente continuar, beba água, que eu vou beber um pouco de água aqui, que eu tô muita sede. Só que apesar disso, as coisas só pioraram. Parece que a Gertrude começou a usar qualquer desculpa, qualquer coisa boba que as meninas fizessem, para começar a punir Sylvia e Jenny. Brigava, xingava e agredia as duas constantemente. Isso foi crescendo. Como, por exemplo, teve uma vez que a Gertrude suspeitou que a Sylvia tinha roubado alguma coisa, então ela queimou a ponta dos dedos da menina com fósforos. Teve outra vez no final de agosto em que a Paula acusou a Silvia e a Jenny de comerem muito no jantar da igreja. E então, por conta disso, a Gertrude pegou um remo e bateu 15 vezes nas costas de cada uma das jovens. E com o passar das semanas, as agressões foram focando cada vez mais na Silvia. Ela era que mais apanhava, que mais recebia xingamentos e que mais a Gertrude parecia odiar, bem mais que Jenny. Silvia era espancada, chicoteada, humilhada, queimada, e muitas vezes passava fome porque Gertrude simplesmente Ela não deixava ela comer. Ou pior, às vezes ela chegava a forçar a Silvia a comer comida estragada do lixo. E quando a Gertrude não conseguia cometer esses abusos e agressões por conta própria, porque às vezes a asma dela atacava, ela passava mal, ela acabava terceirizando. Gertrude mandava os filhos, principalmente a Paula, fazer essas coisas com a Silvia. E só piora, gente, parece que a notícia se espalhou. A gente não sabe exatamente como isso aconteceu, né, se foi algum outro filho da Gertrude que comentou na escola, ou talvez os amigos que frequentavam a casa daquela família, que viam ali aquelas coisas acontecendo. Mas ao invés de alguém chamar a polícia, os abusos acabaram se tornando um evento pros adolescentes do bairro. Tipo um entretenimento. Vários garotos e garotas da vizinhança começaram a ir até a casa ali daquela família só pra assistir o que eles estavam fazendo com a Silvia. E pior, alguns dos jovens começaram até a participar das agressões. Ou seja, chegou num ponto que não era só a Gertrude, era um monte de pessoas. Eram alguns dos filhos dela, principalmente a Paula, e também vários jovens do bairro. Tinha, por exemplo, jovens que usavam a Silvia para praticar golpes de judô, jogando a menina contra a parede, dando socos, chutes nela. E já outros queimaram o corpo dela com cigarros mais de 100 vezes. E tudo isso acontecia com a Gertrude ali do lado, incentivando cada ato e humilhando a Silvia. Teve uma vez que a Gertrude obrigou a Silvia a tirar toda a roupa, peça por peça, humilhando ela na frente de vários desses garotos e garotas, no meio da sala de estar da casa. E aí depois a Gertrude ainda obrigou a Silvia a introduzir uma garrafa garrafa de vidro de refrigerante dentro dela. Nossa, não sei nem o que dizer. Teve uma outra situação em que a Gertrude, a Paula e um garoto da vizinhança chamado Randy fizeram a Silvia comer um cachorro-quente tão temperado e tão cheio de condimentos que ela não aguentou comer aquilo e acabou vomitando. Então eles fizeram a Silvia comer o próprio vômito. E era uma violência tão escancarada que em um desses episódios a Paula bateu com tanta força no rosto da Silvia que ela mesma, a Paula, acabou quebrando o no próprio pulso. Como se não desse para piorar, às vezes a irmã da Silvia era obrigada a participar desses maus-tratos, e se ela não fizesse o que a Gertrude mandava, ela também apanhava. Então você imagina o pavor que as duas sentiam, né? Parece que o medo era tanto que elas nem falavam para ninguém o que tava acontecendo dentro da casa, com receio das coisas só piorarem, né? Elas estavam ali nas mãos dessa mulher, né? E para completar o cenário ali daquela casa horrorosa, né, com o passar de alguns meses, a Silvia começou a fazer xixi na cama por conta do medo, claro, e também de uma incontinência urinária que ela acabou desenvolvendo. Só que isso acabou só piorando as coisas. Como a Silvia não conseguia mais segurar ali a urina, a Gertrude começou a pensar que por conta disso a Silvia não tinha mais condições de conviver com as outras pessoas nas áreas comuns da casa. E com isso os abusos escalaram para um nível como se desse para ficar ainda pior. Parece que a Gertrude pegou a Silvia pelo braço, puxou ela até o porão da casa, jogou ela lá dentro, e a partir de então começou a trancar a Silvia no porão da casa. A Silvia não conseguia ir para os outros cômodos da casa e não tinha permissão nem para ir para escola mais. A Gertrude proibiu dela de ir para escola. Era um cárcere mesmo. Além disso, a Silvia tinha que fazer as necessidades dela no chão, em um cantinho ali daquele porão onde ela ficava, né, onde ela morava, no mesmo lugar. De vez em quando, a Gertrude jogava ali um pouco de água e uns biscoitos para ela comer. E tinha vezes que a garota ficava até amarrada no corrimão, com os pés quase sem tocar o chão. Gente, com todas essas agressões, o corpo da Silvia, vocês imaginam, devia estar muito machucado, né, cheio de feridas, mais magro porque ela comia muito mal. Mas sabe o que que a Gertrude fazia? Com a ajuda dos filhos e desses adolescentes da vizinhança, ela colocava uma mordaça na Silvia, colocava ela em uma banheira com água muito quente e esfregava sal nas feridas dela. E além disso, eles ainda esfregavam urina e fezes do bebê ali da família na boca da menina. Gente, eu não consigo mais falar de tanta crueldade, mas ainda tem mais, tá? Teve uma vez que a Gertrudes espalhou para os adolescentes da vizinhança que a Silvia era uma prostituta. E para mostrar isso para todo mundo, ela pegou uma agulha, esquentou até a ponta para ficar muito quente, e depois segurou a Silvia pelo braço com força e encostou a agulha agulha nela. Com essa agulha, Gertrude começou a marcar a barriga da garota com uma frase que dizia: "Eu sou uma prostituta e tenho orgulho disso." Vocês imaginam a dor, né, disso? Só que a Gertrude acabou cansando no meio dessa tatuagem. E ela não parou com essa tatuagem, não. Ela terceirizou, como ela fez já outras vezes. Ela chamou um cara da vizinhança para poder terminar essa tatuagem. E depois a Gertrude ainda virou para Silvia e falou que agora ela nunca mais ia conseguir casar por conta daquela frase no abdômen. Bom, com o passar do tempo, o ódio da Gertrude pela Silvia só aumentou. Como se fosse possível, né? E enquanto isso, a Sylvia ia ficando cada vez mais debilitada, com feridas pelo corpo todo, mais e mais fraca. Então, talvez percebendo que a Sylvia não estava aguentando muito mais aquelas agressões e abusos, Gertrude, ao invés de chamar um médico ou tirar a menina do porão ou dar mais comida para ela, enfim, deixar ela viver um pouco melhor, a Gertrude na verdade fez a Sylvia sentar, pegar um papel e caneta e escrever uma carta. Nessa carta, a Sylvia foi obrigada a escrever que ela teria concordado em ter relações sexuais com um grupo de garotos. E que depois disso eles teriam espancado ela, e que por conta dessa surra, né, do que aconteceu, a Sylvia sabia que ela tinha sido tão machucada que ia acabar morrendo em pouco tempo. E a carta também servia para provar que a Sylvia tinha fugido de casa. Gente, era uma carta completamente falsa, e a gente sabe o que que tem com esse intuito de fazer essa carta, né? Ela queria forçar a Sylvia a escrever essa carta porque ela pretendia vendar os olhos da menina, levar ela para o meio de uma floresta da região com essa carta na mão e simplesmente deixar ela lá abandonada para morrer. E segundo esse plano ali, se alguém se encontrasse o corpo, na teoria ninguém iria desconfiar da Gertrude, já que a carta provava que os culpados eram esses jovens que tinham espancado a Silvia. Porém, a Gertrude não esperava uma coisa. No dia 25 de outubro de 65, a Silvia acabou ouvindo a Gertrude conversando com o filho sobre esse plano de abandonar ela na floresta. E foi naquele momento que a Silvia decidiu tentar uma última cartada para salvar a própria vida. Ela decidiu fugir. Silvia juntou todas as forças que ela tinha e tentou escapar do porão. Ela deu um jeito ou de abrir a porta ou então de sair enquanto não não tinha ninguém olhando e subiu as escadas andando em direção à porta da frente. Mas a Sylvia devia estar tão fraca, tão debilitada, que infelizmente ela não conseguiu ir muito longe, ela não conseguiu fugir. E essa tentativa de fuga só deixou a Gertrude com ainda mais raiva. E como punição, ela pegou um daqueles negócios de cortina, que bota a cortina, que é negócio de madeira, e começou a bater na Sylvia. Ela bateu tanto, mas tanto, principalmente no rosto, que esse negócio de madeira entortou. E eventualmente a Sylvia desmaiou. E quando a Sylvia acordou, ela tava de volta no porão sozinha. Lá dentro ela tentou gritar várias vezes por socorro para ver se alguém escutava, né, se alguém na rua, alguém por perto escutava e pudesse ajudá-la. E além disso, a Sylvia também pegou um mapá e começou a bater nas paredes para fazer barulho mesmo, para chamar atenção, mas ninguém veio ajudar. Tem até um relato de uma vizinha que ouviu esses barulhos e ela identificou que esses barulhos vinham do porão daquela família, só que ali pelas 3 horas da manhã tudo voltou a ficar em silêncio e ela resolveu não chamar a polícia, não fazer nada. Na manhã seguinte, Sylvia tava tão debilitada que ela não conseguia mais falar, falar nem se mexer. E então, nesse mesmo dia, no dia 26 de outubro de 65, a Silvia morreu. Pelo que as fontes relatam, o último desejo dela foi que, abre aspas, o papai estivesse aqui, fecha aspas. Ela tinha só 16 anos. Pelo que os laudos mostraram depois, a causa da morte foi um acúmulo de sangue no cérebro causado por esses espancamentos, e o corpo dela tava muito machucado. Ela tinha aproximadamente 150 ferimentos por todo So good, so good, so good.

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Voz B:Cigarros, arranhões, hematomas, cortes, queimaduras e aquela frase na barriga. E a desnutrição e os danos causados por todos os abusos também foram fatores que contribuíram para a morte dela. No início, a Gertrude não acreditou que ela tivesse morrido. Ela achou que a Silvia tivesse fingindo e, por conta disso, ainda bateu mais no corpo da Silvia tentando acordar ela, até ela finalmente perceber o que tinha acontecido. Com um corpo em casa, a Gertrude não teve muita escolha. Ela precisou chamar os policiais e assim que as viaturas estacionaram na frente da casa, ela já saiu com uma defesa pronta. Ela mostrou aquela carta que ela tinha obrigado a Silvia a escrever e tentou ir nessa história aí que ela criou. Ela disse que a Silvia tinha fugido com os adolescentes e que eles tinham espancado ela daquele jeito. E além disso, a Gertrude também disse que quando a Silvia voltou para casa toda machucada, a Gertrude teria cuidado da menina. Só que tinha um detalhe que a Gertrude não tinha imaginado: a Jenny, no meio daquela confusão toda, a Jenny conseguiu chegar perto de um dos aos policiais e sussurrou que se eles tirassem ela dali, ela ia contar tudo que tinha acontecido. E foi exatamente o que os policiais fizeram. Eles levaram a Jenny para um lugar seguro e foi ali que finalmente a verdade apareceu. Eles descobriram todos os abusos e as agressões que as meninas tinham passado. Com isso, poucas horas depois da Sylvia morrer, a Gertrude e 3 filhos dela foram detidos por suspeita de homicídio. Além disso, mais 2 jovens que tinham participado de tudo, o Richard Hobbs e o Coy Herbert, também foram detidos. Todo mundo acabou parando no tribunal. No começo do julgamento, a Gertrude, ao invés assumir a responsabilidade ou tentar proteger os filhos, ela simplesmente jogou os próprios filhos dela debaixo ali do trem. Ela alegou que não fazia a menor ideia do que tinha acontecido com a Silvia e que provavelmente os filhos dela é que tinham feito alguma coisa pelas costas dela. Ela disse que não sabia de absolutamente nada. E com o avançar do julgamento, ela ainda tentou uma cartada final alegando inocência por insanidade. Só que ninguém caiu nessa conversa dela, né? Em 1966, um ano depois, a Gertrude foi considerada culpada. Já a Paula assinou uma declaração confessando que ela tinha espancado sim a Silvia algumas vezes. E de acordo com as fontes, a Paula não mostrou qualquer remorso pelos atos dela. E com isso, o tribunal também considerou Paula e alguns dos outros jovens ali culpados. Gertrude e Paula foram condenados à prisão perpétua, e outros filhos ali da Gertrude, como por exemplo John, e outros adolescentes acabaram também sendo condenados. E variava ali a pena, tinha alguns que pegavam 2 anos num reformatório e outros que pegaram até 21 anos de cadeia. Só que em 60, 4 anos depois das sentenças, aconteceu uma coisa que viraria esse caso de cabeça para baixo. A justiça anulou as condenações da Paula e da Gertrude, porque na época a justiça considerou que o julgamento delas, que tinha acontecido em 66, não tinha sido isento. Porque aqui nos Estados Unidos todo mundo tem direito a ser julgado por pessoas imparciais. Só que no caso das duas, como a Paula e a Gertrude tinham sido julgadas na mesma região em que elas moravam, os jurados que estavam lá no que no julgamento já meio que sabiam do caso, eles não eram super isentos, sabe? E talvez eles até conheciam as duas, ou então já tinham lido ali coisas sobre elas e sobre o caso. Ou seja, não tinha como eles serem 100% imparciais. E por conta disso foi considerado que o julgamento das duas não tinha sido justo e que, portanto, não tinha validade. Então, em 1971, a Gertrude e a Paula tiveram que ser julgadas novamente. Só que isso não mudou em nada, porque a Gertrude pegou prisão perpétua de novo. E ela até ficou presa por um tempo, só que em 85, 20 anos Depois da morte da Silvia, a Gertrude conseguiu uma liberdade condicional e saiu da cadeia por bom comportamento. Parece que ela era considerada uma prisioneira modelo. E na época, ela ter saído da prisão fez muita gente começar protestos, né, ir para as ruas mesmo, né, protesto de rua. E os cidadãos recolheram ali mais de 40 mil assinaturas contra essa soltura da Gertrude, pedindo para que ela cumprisse a pena toda dela na cadeia. Só que não adiantou, porque ela realmente saiu livre. A Gertrude trocou de nome, ela virou Nadine van Vossen, e se mudou para para Iowa, que é um outro estado americano, para viver o resto da vida dela lá. Até que em 1990, 5 anos depois, a Gertrude morreu. Ela tinha 61 anos e morreu de um câncer no pulmão. Ao longo dos anos, muita gente tentou estudar a cabeça dela e entender o que que motivou ela a cometer tudo aquilo contra a Sylvia. E mais, o porquê que ela focava ali as agressões e abusos na Sylvia e não na Jane. Bom, nada nunca foi confirmado, mas muita gente especula que teria sido porque a Gertrude teria ciúmes da juventude, da beleza e do social da Sylvia, tipo uma inveja. E ela nunca assumiu responsabilidade total pelos crimes, ela sempre negou. Ou então, no máximo, ela assumia que tinha feito sim uma coisa ou outra com a Sylvia, mas sempre dava um jeito de minimizar a culpa dela. Além da Gertrude, os adolescentes que foram presos também mostraram bom comportamento ali no reformatório, e por conta disso eles ficaram presos só 2 anos. E em 68 também foram soltos em liberdade condicional. E a mesma coisa aconteceu com a Paula, tá, gente. Depois dela ser julgada de novo, ela conseguiu liberdade condicional em 72, se mudou para Iowa e acabou se casando e vivendo por lá. Bom, mais recente que a gente tem de notícia aí da Paula é que em 2012, quase 50 anos depois da morte ali da Silvia, foi descoberto que ela tava ali trabalhando como auxiliar de professora numa escola atendendo crianças com necessidades especiais. E ela não tava usando o nome próprio, né, aquele nome verdadeiro, tá? Ela tava usando um outro nome, o de Paula Passi. E aí não dá para saber se esse era o novo nome de casada dela ou se ela inventou em algum momento esse nome. O que se sabe é que ela escondeu os antecedentes criminais dela e tava trabalhando nessa escola desde 1993. 2008, por mais de uma década, até que em algum momento informações sobre a verdadeira identidade dela começaram a ser publicadas em páginas no Facebook. E aí uma pessoa que não se identificou ligou para polícia e alertou, para poder, né, dizer que era melhor eles darem uma olhada no histórico dessa Paula Pace, né. E foi o que eles fizeram, os policiais olharam todo o histórico dela e depois de descobrirem tudo eles avisaram para escola. E aí todo mundo acabou sabendo que a Paula tinha esse envolvimento aí na tortura e no assassinato da E ela tentou esconder esses antecedentes, né, e ela acabou perdendo o emprego dela. E essa é a última notícia que se tem dela na internet, gente, que a gente sabe de informação pública sobre ela. Anos depois de tudo, a Jenny sempre faz questão de dizer que para ela a culpa nunca foi dos pais, né, do Lester e da Elizabeth. Para ela, eles simplesmente acreditaram nas palavras da Gertrude, confiando na boa-fé, né, que a mulher cuidaria das meninas por alguns meses até que eles pudessem voltar para cuidar das duas. E o que é mais revoltante, o que é mais pesado nesse caso, deixa a gente pé da vida, é pensar em quanta gente tinha conhecimento do que tava acontecendo, né? Tinha gente que via e ouvia o que a Silvia tava passando e que não fez nada. Além daquela vizinha que ouviu os barulhos no porão, tiveram outros vizinhos que visitaram a casa daquela família mais de uma vez e viram a Silvia com olho roxo, com machucados. E durante essas visitas, a Paula falou de alguns abusos para eles, e esses vizinhos também não fizeram nada. E esses são só dois exemplos, tá, gente? Tem mais. Se uma dessas pessoas, né, tivesse tido a coragem de abrir a boca e fazer qualquer coisa, ou então se algum dos adolescentes da vizinhança tivessem contado alguma coisa para os pais, os pais tivessem se importado ali o suficiente, talvez a vida da Silvia não tivesse terminado desse jeito. Só que no final das contas, o silêncio de cada um ali também virou parte do que aconteceu com a Silvia. Bom, gente, no final de cada caso eu trago a minha opinião e a opinião do nosso roteirista, o Lucas. Bom, gente, a minha opinião é que primeiro eu acho um absurdo a Paula tá trabalhando numa escola. E realmente as pessoas não têm noção do que ela fez, né? Um absurdo. Imagina você ter o seu filho ali sendo cuidado por uma pessoa dessa. Mas infelizmente eu acho que, sabe aquela história de quando as pessoas estão num lugar em que uma pessoa tem uma cabeça muito doente, aquilo acaba contagiando? Mas eu acho que não é um intuito da pessoa fazer aquilo. Eu acho que nesse caso a Paula, ela infelizmente via a mãe fazendo aquilo e ela não devia muito bem pensar no que ela tava fazendo. Enfim, não tô justificando, mas é muito triste realmente também o fato de que muitas pessoas escutaram repararam, viram de certa forma o que tava acontecendo, principalmente os adolescentes, os jovens, e não fizeram nada sobre isso, sabe? E isso também vale a pena a gente trazer, que eu acho que esse é o principal opinião que eu quero trazer, é que se você ouviu, escutou algo de errado, acha que algo tá errado, cara, nem que seja de forma anônima, faça algo, fale para alguém, compartilhe. Isso pode ajudar, isso pode salvar a vida de alguém. Não guarde para você algo que você acha que pode salvar uma outra pessoa. Ou se você sente que aquilo não tá certo, compartilha. Porque, gente, esse é o problema da nossa humanidade hoje em dia, né? Eu acho que as pessoas estão com muito medo de se meter, as pessoas estão com muito medo de compartilhar se aquilo não tá errado, se aquilo tá errado. E por exemplo, muitas vezes as coisas acontecem, as pessoas começam a filmar ao invés de ajudar. Gente, não, para! Ajuda primeiro, faz alguma coisa, toma iniciativa, depois a gente filma, depois a gente grava, depois a gente bota na internet, né, se aquilo tem que ser de certa forma divulgado, compartilhado para ganhar alguma visibilidade. Mas primeiro vamos fazer algo como humanidade. Vamos tomar uma atitude. E eu acho que isso é a principal coisa que eu gostaria de falar sobre esse caso, né? Ao invés de gravar, ao invés— não tô falando desse caso específico, né, mas no geral, acho que o ser humano tá fazendo muito isso, né? Para gravar ao invés de ir ali ajudar, ao invés de tentar fazer algo pelo outro. Então vamos lembrar de humanidade, né? Fazer o que a gente gostaria que fizessem pela gente, como se fossem nossos irmãos. Acho que isso é muito importante. Então agora vamos ver o que o Lucas tem para dizer para a gente.

Erikamirandas:Oi, Erika! Oi, gente! Esse caso Isso para mim é um completo absurdo. Tinha muita gente que sabia que poderia ter feito alguma coisa. E aqui eu não tô falando dos pais, tá, porque os pais estavam longe, não dava muito para saber. Eu tô falando de gente que tava perto e que sabia mais ou menos o que tava acontecendo e não fez nada. Tinha, por exemplo, uns vizinhos ali que tinham visitado a casa da Gertrude, visto agressões acontecendo, talvez não as piores, mas alguma coisa ali eles tinham visto e não falaram nada. E visitaram a casa da Gertrude matar mais uma vez. Esse caso é absurdo e foi chocante na época, até hoje é, pela negligência, além, né, de claro, da Gertrude, das pessoas ali da casa, da vizinhança, das pessoas que sabiam, que não fizeram nada, né. E tem inclusive algumas pessoas, segundo algumas fontes, que estudaram, tentaram parar assim um pouco para entender a Gertrude, porque que ela fez essas coisas. Ninguém chegou a nenhuma conclusão certa, é muita especulação, mas teve um cara que parece que ele pediu ela para desenhar a si mesma, né, fazer um autorretrato, e ela se desenhou, só que ela fez assim umas mãos nesse desenho muito grandes e as unhas pareciam garras, né, o que esse cara que é um especialista falou que pode indicar sadismo, vontade de machucar pessoas, então parece que ela já era uma pessoa assim que tinha essa característica muito bem revoltante, na minha opinião.

Voz B:Então é isso, pessoal. Muito obrigada para quem ficou até aqui. Não deixe de deixar um like, um comentário. Eu adoro ver a opinião de vocês. Tchau, pessoal. Vejo vocês na próxima quarta-feira.

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