Episódios de Casos Reais

ASSASSINADO: Henry Borel (Pt. 2)

12 de junho de 202629min
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Em março de 2021, a morte de Henry Borel, de apenas 4 anos, chocou o Brasil e se tornou um dos casos criminais mais acompanhados do país. Cinco anos depois, o julgamento de Jairinho e Monique Medeiros finalmente aconteceu e entrou para a história como o mais longo já realizado pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

O que realmente aconteceu com Henry Borel? E por que o resultado do julgamento continua gerando tanta discussão?

EP. 1: https://open.spotify.com/episode/4FlWRDFXSW319QPHXCQcDn

Sugira casos: casosreaispodcast.com.brApoie e receba episódios antes: apoia.se/casosreaisSiga: @casosreaisoficial | @erikamirandasRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeos

Participantes neste episódio1
E

Erika Mirandas

HostJornalista
Assuntos8
  • Demissao e ConsequenciasCondenação de Jairinho · Condenação de Monique por homicídio culposo · Perdão judicial concedido a Monique · Reação de Leniel e recurso do Ministério Público · Demissão de Monique da prefeitura
  • Julgamento Cláudio CastroRelembrando o caso Henry Borel · Evolução do processo judicial · Prisão e liberdade de Monique Medeiros · Cassação do registro médico de Jairinho · Perda do mandato de vereador de Jairinho · Estratégias de defesa e adiamentos do julgamento · Depoimentos de testemunhas · Sentença e perdão judicial
  • Soltura de Monique MedeirosRelacionamento com Jairinho: ciúmes, controle e violência · Mudanças no comportamento de Henry · Busca por ajuda psicológica e pediátrica · Acreditar na responsabilidade de Jairinho pela morte de Henry
  • Defesa de JairinhoAdmissão de traições, negação de agressões · Depoimento da filha de ex-namorada sobre agressões · Admissão de ter dado 'banda' em Henry · Alegação de desespero e tentativa de salvar Henry
  • Caso Henry BorelResistência de Henry em voltar para casa da mãe · Desconforto de Henry perto de Jairinho · Acusação de premeditação contra Monique · Reação ao perdão judicial de Monique
  • Depoimento da Babá TaináOrientação para apagar mensagens · Relatos de episódios anteriores com Jairinho · Pressão para mentir em escritório de advocacia
  • Questão do papel da mulher no pastoradoAcusações contra Leniel Borel · Empréstimo de dinheiro a Leniel · Suposto acidente de carro envolvendo Leniel e Henry · Medida protetiva de urgência
  • Opiniões sobre o casoCrítica ao compartilhamento de imagem de Henry sem vida · Dificuldade em trazer paz a casos como este
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Voz B:Em março de 2021, um menino de apenas 4 anos morreu dentro de um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No começo, a versão era de que Henri Borel tinha sofrido um acidente doméstico, mas os laudos, as mensagens, os depoimentos e as contradições começaram a contar uma outra história. Uma história que envolvia a mãe dele, Monique Medeiros, e o então padrasto, o ex-vereador Jairinho. Quando eu trouxe esse caso aqui no podcast, no final de 2024, os dois ainda aguardavam julgamento e muita gente ainda esperava dava uma resposta, né? O que realmente aconteceu com o Henry? Quem seria responsabilizado? E por que que esse processo demorava tanto? Em 2026, depois de anos, recursos, adiamentos e reviravoltas, o julgamento finalmente aconteceu. Mas mesmo depois de 11 dias de júri, a sentença não encerrou a discussão. Pelo contrário, dividiu o Brasil. Hoje a gente volta ao caso do Henry Borel, mas agora para falar do julgamento, né? Dos bastidores, das testemunhas, das estratégias de defesa, da sentença do Jairinho, o perdão judicial concedido a Monique, e da pergunta pinta que ficou no ar. No fim, a justiça foi feita. Bom, gente, para quem não me conhece, meu nome é Erika Miranda. Toda quarta-feira eu trago um episódio novo aqui no podcast, e muitos episódios que a gente traz aqui acabam sendo sugestão aí dos ouvintes. Então, se você quiser mandar sua sugestão, vai ali no link que tá na descrição, tem o site do Casos Reais, que é www.casosreaispodcast.com.br, e por lá você consegue mandar uma sugestão diretamente pelo meu e-mail. E também tem lá no meu Instagram, @erikakonk, Mirandas com S no final. E por lá me segue e aí me manda uma sugestão. Hoje eu tô aqui de camisa do Brasil, não que seja um caso para comemorar muita coisa, enfim, mas orgulho do nosso país. Certa forma, a gente tem que sempre acreditar no nosso país, também porque estamos aí em clima de Copa do Mundo. Não que a gente tenha muita coisa para celebrar com esse caso, porém, gente, tô aqui pelo menos trazendo um tema aí de Copa do Mundo, tá bom? Trouxe aqui essa camisa, infelizmente não tinha outra. Isso aqui é o que vende aqui nos Estados Unidos, uma camisa com Z Brasil. Com Z não gosto, tá? Não fala o Brasil com Z, mas eu tô aqui, é o que tem. Então vamos aí, esse clima de Copa do Mundo, e vamos para o caso da semana. Vocês me pediram muito esse caso aqui do Henry. Eu já trouxe esse caso, então essa seria a continuação, tá? Então vamos para o caso da semana, e esse é o caso do Henry Borel. Bom, para quem não ouviu o primeiro episódio ou para quem não lembra de todos os detalhes, a gente vai voltar rapidamente. O Henri Borel Medeiros tinha 4 anos e ele morava com a mãe, a Monique Medeiros, e com o namorado dela na época, o então médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. Na madrugada do dia 8 de março de 2021, o Henry foi levado ao hospital já sem vida. A primeira explicação apresentada foi de um possível acidente doméstico, mas a investigação apontou algo muito diferente. O Henry tinha 23 lesões pelo corpo, incluindo uma hemorragia interna causada por uma laceração no fígado. Para os investigadores, aquelas lesões não combinavam com uma simples queda, com um acidente doméstico. Em abril de 2021, Monique e Jairinho foram presos preventivamente. Os dois passaram a responder por homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Bom, todos os detalhes sobre esse caso você encontra no primeiro episódio do podcast, e vou deixar o link na descrição. Bom, agora que a gente relembrou aí, vamos entender o que aconteceu nos anos seguintes, né? As decisões da justiça, as idas e vindas da prisão, os desdobramentos ali da vida de Monique, do Jairinho, e tudo o que levou finalmente ao julgamento. Enquanto isso, Jairinho continuou preso, e em setembro de 2022, o STJ manteve a decisão de que havia revogado a prisão preventiva de Monique Medeiros, mas negou o pedido para estender esse mesmo benefício a Jairinho. Na prática, Monique pôde aguardar o julgamento em liberdade enquanto ele permaneceu preso. E aqui a gente entra em uma parte que gerou muita polêmica. Depois de deixar a prisão, a Monique voltou a exercer a sua função na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, onde ela era servidora concursada. Segundo reportagens da época, ela foi realocada para uma função administrativa em um almoxarifado, longe ali das salas de aula, e recebia salário de cerca de R$3.000. Só que a volta dela ali ao serviço público causou muita repercussão, né? Em janeiro de 2023, a Prefeitura do Rio determinou o seu afastamento preventivo após ali suspeitas de irregularidade no preenchimento da folha de ponto. Então, mesmo afastada, por ela ser servidora concursada e ainda não ter condenação definitiva, ela continuava tendo direito ao salário. A liberdade de Monique durou até julho de 2023. No dia 5 daquele mês, o ministro Gilmar Mendes do STF determinou que ela voltasse para prisão. A decisão foi cumprida no dia seguinte e Monique permaneceu presa novamente até o início do julgamento. Agora em 2026. Em março de 2023, o Jairinho sofreu mais uma consequência ali fora do processo criminal. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, CREMERG, decidiu caçar o registro médico dele. A decisão foi unânime e representava a punição mais grave dentro do conselho profissional. E com isso, o Jairinho ficou impedido de exercer a medicina. Na época, a defesa dele ainda podia recorrer ao Conselho Federal de Medicina, mas em 2024 eles mantiveram a cassação de forma definitiva. E gente, o Jairinho já tinha perdido o mandato dele de vereador em junho de 2021. A cassação inclusive entrou para a história da Câmara Municipal do Rio, porque foi a primeira vez que um vereador perdeu o mandato ali por decisão dos próprios parlamentares. Ou seja, Jairinho, que antes se apresentava como Dr. Jairinho e político, já não podia mais exercer nenhuma dessas duas funções. E durante esse período ele permaneceu preso no Complexo de Jericenó, em Bangu, que fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mais especificamente no Presídio Pedro Olino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, unidade que abriga presos provisórios e sentos com diploma de ensino superior. E foi ali que o Jairinho ficou enquanto ele aguardava o julgamento. Mesmo preso, o Jairinho continuava aparecendo ali nas notícias. Em 2024, foi divulgado que ele planejava se casar com Fernanda Abdu Figueiredo, antiga companheira com quem ele teve um filho, o Luiz Fernando Abdu. Esse detalhe, gente, que parece um detalhe mais pessoal da vida dele, acabou gerando ali uma importância no julgamento desse caso, porque o Luiz Fernando, formado em Direito, passou a atuar na equipe de defesa do próprio pai. Antes da gente continuar, beba água. Bom, o júri tava marcado para o dia 23 de março de 2026 e era para ser o dia em que finalmente o caso Henry começaria a ser julgado. Mas logo no início da sessão veio a primeira reviravolta. Os advogados de Jairinho alegaram que não tinham tido acesso integral às provas e apontaram supostas nulidades no processo. E a juíza negou o adiamento. Gente, só para explicar rapidamente aí os termos jurídicos: quando a defesa fala em nulidade, tá dizendo que alguma regra do processo foi descumprida e que por isso aquela etapa deveria ser anulada ou refeita. Às vezes isso é legítimo, mas também pode ser usado como estratégia para ganhar tempo. E então a defesa de Jairinho simplesmente deixou o plenário e o julgamento foi paralisado. E no meio desse caos todo, a defesa de Monique entrou com um novo pedido. Eles queriam a revogação da prisão preventiva dela, alegando excesso de prazo. Ou seja, a gente, basicamente, eles argumentavam que a Monique tava presa há tempo demais sem que o julgamento tivesse de fato acontecido. O pedido foi aceito e a Monique deixou a prisão mais uma vez. Mas essa liberdade durou pouco. Poucos dias depois, o ministro Gilmar Mendes do STF derrubou essa decisão e mandou Monique voltar para prisão. Segundo ele, não dava para dizer que ela tava presa por tempo demais sem julgamento, porque os atrasos no processo não tinham acontecido por culpa da justiça. E com isso, a Monique se entregou à polícia e voltou para o sistema prisional. O julgamento foi marcado novamente para o dia 25 de maio de 2026. E quando parecia que finalmente o caso do Henry seria julgado, Apareceu mais uma coisa: o principal advogado de Jairinho, Fabiano Tadeu Lopes, tinha sofrido um infarto no final de semana anterior e tava internado. E por conta disso, o Jairinho pediu pra trocar toda a sua defesa. Na prática, isso poderia adiar o julgamento mais uma vez. Só que dessa vez, o Ministério Público reagiu. A acusação pediu que Jairinho fosse transferido de Bangu 8, onde tava preso, pra Bangu 1, uma unidade ali de segurança máxima no complexo de Gericinó. E a juíza aceitou o pedido. E aí, o Jairinho recuou. Ele interrompeu a própria juíza e decidiu manter a defesa. A juíza Elizabeth Louro foi direta. Ela deixou claro que o processo não podia continuar sendo adiado e que o julgamento não podia ficar refém de uma estratégia para ganhar tempo. Depois disso, os 7 jurados foram sorteados e o julgamento finalmente começou. Foram dias intensos. Do dia 25 de maio ao dia 4 de junho de 2026, o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro acompanhou o julgamento mais longo de sua história. Até então, esse recorde era do julgamento da ex-deputada Flor de Lis, condenada em 2022 pela morte do então marido, né? A gente tem esse episódio aqui no Casos Reais, é só vocês pesquisarem que vocês encontram. Bom, julgamento desse caso da Flor de Lis durou 7 dias e na época já tinha sido considerado o mais longo do tribunal do júri do Rio em 18 anos. Porém, o caso do Henri Borel superou esse marco. Durante 11 dias de julgamento, o júri ouviu 22 testemunhas e esses depoimentos foram dividindo o caso em camadas. Primeiro, o que diziam as provas técnicas, depois o que diziam as pessoas que conviviam com Henri, e por fim a tentativa das defesas de construir as suas próprias versões. Um dos depoimentos mais importantes foi o do médico legista Luiz Carlos Leal Prestes, chamado ali como testemunha pelo Ministério Público. Ele foi direto: a hipótese de acidente doméstico tava descartada. Segundo o perito, as lesões encontradas no corpo de Henri não combinavam com de uma queda, né, de um acidente doméstico. Eram marcas provocadas antes da morte e indicavam agressões. Ele também rebateu a tese da defesa de Jairinho, que tentava ligar parte das lesões às manobras ali de reanimação que foram feitas no hospital, né, para fazer com que o menino talvez voltasse, né. Para o legista, isso não explicava a hemorragia interna nem a quantidade de ferimentos no corpo da criança. Depois, o júri ouviu pessoas que conviviam diretamente com o Henry, e uma das mais esperadas era a babá, a Tainá de Oliveira Ferreira. Vocês lembram dela? A Tainá contou que depois da morte de Henry, a Monique teria orientado que ela apagasse mensagens e omitisse informações. Ela também comentou comentou sobre alguns episódios anteriores em que o Jairinho levava o Henry para o quarto do casal, ficava sozinho com ele por alguns minutos e depois o menino acabava saindo de lá reclamando de dor. A advogada de Tainá também disse que depois da morte do menino, a babá e a empregada doméstica foram chamadas a um escritório de advocacia e lá a Tainá teria sido pressionada a mentir, apagar mensagens e sustentar a versão de que a família vivia em harmonia. Já pelo lado da defesa de Jairinho, uma das testemunhas ouvidas foi o pai dele, o ex-deputado Coronel Jairo. No depoimento, ele tentou defender o filho e disse que o Jairinho estaria sendo perseguido desde o início desse caso. Ele também contestou relatos de testemunhas da acusação, tentando colocar em dúvida o que havia sido apresentado contra o Jairinho até aquele momento. Mas além do que foi dito, uma cena também chamou atenção, porque o Luiz Fernando, né, que a gente já falou aqui, o filho do Jairinho, e também advogado ali dele no julgamento, um dos advogados, acabou se emocionando durante o depoimento do avô. Ele acabou chorando enquanto o Coronel Jairo Jairo falava. E no fim ali do depoimento do avô, os dois se abraçaram na frente de todos. Foi um momento ali forte para defesa, que tentava mostrar ali o Jairinho não só como réu, mas também como filho, pai e parte de uma família que dizia acreditar na inocência dele. Outra testemunha chamada pela defesa foi Fernanda Abdur Figueiredo, aquela atual companheira de Jairinho e mãe de um dos filhos dele, né, desse filho que a gente acabou de falar. Bom, no depoimento, a Fernanda contou que conhece o Jairinho desde a infância. Os dois começaram a namorar quando ela tinha 16 anos, tiveram esse filho e ficaram juntos por cerca de 10 anos. Segundo ela, o relacionamento acabou por causa de episódios de traição. Mas depois que o Jairinho foi preso ali pelo caso do Henry, os dois acabaram se reaproximando. A Fernanda passou a visitá-lo na prisão com frequência e acabou escolhendo retomar esse relacionamento. Durante depoimento dela, ela tentou afastar essa imagem de um homem violento. Ela disse que o Jairinho era um bom companheiro e que o único defeito dele era a infidelidade. Em outro momento, ela também afirmou que ele não é esse monstro que as pessoas estavam criando. E a Fernanda ali no final do depoimento o marido dela abraçou e beijou o Jairinho no plenário. Depois dela, uma das testemunhas mais polêmicas do julgamento foi ouvida: a pastora Miriam Santos Rabelo Costa, de 67 anos, indicada pela defesa de Jairinho. A presença de Miriam no júri não foi simples. Segundo a Agência Brasil, o primeiro pedido para ouvi-la foi negado pela justiça porque o depoimento foi considerado sem relevância para o julgamento. O Ministério Público e os assistentes ali de acusação também foram contra. E depois a defesa de Jairinho recorreu, e O Tribunal de Justiça do Rio autorizou que a Miriam fosse finalmente ouvida, entendendo que o depoimento dela, barrar esse depoimento dela, poderia ser ruim ali para defesa do réu, né, de certa forma seria impedido de apresentar alguma prova, argumento ou testemunha importante para esse caso. O que pode ser grave, né, porque se a justiça entender que a defesa foi realmente prejudicada, o julgamento pode até ser anulado. Mas por que que esse depoimento gerou tanta polêmica? A Miriam já tinha se relacionado com Liniel Borel, o pai de Henri. Segundo a CNN Brasil, ela acusa o Liniel de agressões físicas e psicológicas. E a defesa de Jairinho sustentava que a Miriam teria relatos ali sobre episódios de violência envolvendo o Leniel e Henry. A Miriam também afirmou que ela teria emprestado mais de $60.000 a Leniel e que o dinheiro não teria sido devolvido. Essa informação aparece como relato dela, mas esse fato não foi comprovado. Porém, a defesa de Jairinho queria ouvi-la principalmente por um outro motivo. Segundo os advogados, a Miriam teria informação sobre um suposto acidente de carro envolvendo Leniel e Henri poucos dias antes da morte do menino. De acordo com a Tribuna do Sertão, Miriam disse em depoimento que soube desse suposto acidente por um motorista chamado Maurício. Segundo esse relato, o carro teria freado de forma brusca, estavam ali no carro, e o Henri teria sido projetado para frente, batido a cabeça e chorado reclamando de dor. A defesa do Jairinho queria usar esse depoimento para dizer que esse acidente poderia ter causado a lesão ali, uma daquelas lesões, né, as lesões ali que o menino tinha, que levou à morte. Da criança. E a acusação contestava essa tese. Para o Ministério Público, as lesões encontradas no corpo do Henri não eram compatíveis com um acidente desse tipo, mas sim com agressões sofridas dentro do apartamento onde ele morava com Monique e Jairinho. E por isso o depoimento de Miriam era visto como uma das grandes apostas da defesa, não exatamente para poder provar a inocência do Jairinho, mas para poder tentar criar uma dúvida nos jurados. Segundo uma reportagem do jornal O Dia, a Miriam afirmou que depois do fim do relacionamento ali, do suposto relacionamento, ela recebeu mensagens de pessoas próximas a Liniel dizendo que ele a chamava de, abre aspas, minha galinha dos ovos de ouro, porque conseguia ali tirar dinheiro dela, né. Ainda de acordo também com essa denúncia de Miriam, quando ela tentou recuperar os valores, né, que ela alega ter transferido a Liniel, ela começou a ser humilhada por ele. Ele a chamava de barriguda, gorda, burra, e dizia que nenhum homem teria interesse nela. Segundo Miriam, o Liniel teria voltado a procurá-la em 2024 tentando ali uma reconciliação, mas aquelas mensagens para ela tinham um tom mais ameaçador E por isso ela decidiu ir ali à justiça e pedir uma medida protetiva de urgência no Tribunal de Justiça do Rio para que o Leniel fosse proibido de entrar em contato com ela. Bom, gente, basicamente ela foi a vigésima pessoa a ser ouvida no sétimo dia de sessão, encerrando aquele dia de julgamento. O Leniel negou todas essas acusações e em nota ao jornal O Dia ele disse que não havia verdade nas alegações de Miriam e que a narrativa era distorcida e sem fundamento, e afirmou que nunca teve uma relação amorosa com ela. Falando em Leniel, o pai do Henry também prestou depoimento no julgamento. Ele relembrou os últimos dias que passou com o filho e contou mais uma vez que o Henry demonstrava resistência ali em voltar para casa da mãe naquela época em que tudo aconteceu, né. Segundo Leniel, o menino também mostrava ali um desconforto perto do Jairinho. E durante o depoimento dele, ele inclusive se emocionou quando ele lembrou ali do último vídeo que ele gravou com o Henry. E ele fez uma acusação direta contra Monique. Ele disse acreditar que os atos dela foram premeditados, e para ele Monique não teria sido apenas omissa diante dos sinais ali dados pelo filho, mas teria ignorado esses alertas de forma consciente. Essa era a visão de Leniel, né, como pai da vítima e assistente ali de acusação. So good, so good, so good!

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Voz B:Depois de dias de depoimento e de toda fase de instrução, chegou o momento mais esperado: o interrogatório dos réus. Monique foi ouvida primeiro e Jairinho falou logo depois porque conseguiu ali na justiça o direito de ser o último a prestar depoimento. O momento. Quando chegou a vez de Monique, ela fez um pedido: ela queria que o Jairinho fosse retirado do plenário. E só depois que ele saiu da sala, a Monique começou a falar. Durante o interrogatório, a Monique apresentou a versão dela para o relacionamento com Jairinho. Ela descreveu uma relação marcada por ciúmes, controle e violência. Segundo a Monique, no começo algumas atitudes do Jairinho pareciam cuidado, mas que com o tempo ela disse que esse comportamento passou a se transformar em controle. Ela também falou sobre mudanças no comportamento de Henry ali nos antes do que aconteceu, né. Segundo ela, o menino tinha ficado mais quieto, mais choroso, e começou a demonstrar medo quando ele ficava perto do Jairinho. Em juízo, ela afirmou que o Henry chegava a tremer quando viu o padrasto. Ela disse que tentou entender o que tava acontecendo, teria procurado ajuda de psicólogos, pediatras, e também da escola. Porém, ela disse que na época acreditava que aquelas mudanças poderiam estar ligadas à separação dos pais e também aquela nova rotina da criança. Essa foi a versão apresentada por Monique ali diante dos jurados. E ela também relatou que jamais suspeitou que o Jairinho pudesse agredir o Jairinho, dizendo que ele tava acima de qualquer suspeita. E então veio uma das declarações mais importantes do julgamento, porque pela primeira vez diante dos jurados, a Monique admitiu acreditar que Jairinho poderia ter sido responsável pela morte de Henry. E essa fala, ela é muito importante porque muda a narrativa que ela sustentava desde o início. Vocês lembram que no episódio anterior a gente chegou a falar ali sobre as versões contraditórias daquela madrugada, tudo que aconteceu? Em um momento, a versão era de que Monique teria acordado Jairinho Jairinho depois de encontrar Henry desacordado. E em outro, a história parecia de forma diferente, né? O Jairinho teria chamado a Monique ao perceber que algo tava errado com o menino. Ou seja, desde o começo tinham contradições sobre o que aconteceu dentro daquele apartamento e sobre como os dois teriam percebido ali que o Henry tava mal. Cada um apresentou o seu lado e eles não batiam, né? Porém, no julgamento, a Monique mudou o tom. Segundo a Agência Brasil, ela declarou em interrogatório que passou a acreditar que sim, que o Jairinho poderia ter sido responsável pela morte do filho com o tempo, né? Ao longo desse tempo todo, desses anos. Ela também tentou explicar por que não disse isso antes. Ela disse que na época, como eu disse para vocês, ela achava que ele era acima de qualquer suspeita, né? Disse que não conseguia imaginar que o companheiro dela pudesse ter feito aquilo com o filho dela, que ela não conseguia imaginar que ele fosse capaz de agredir o menino na época, né? Só que depois de tudo que veio à tona, né, ao longo desses anos, no processo, ela acabou mudando essa percepção. Bom, logo depois da Monique teve o interrogatório de Jairinho, e ele começou o depoimento se apresentando aos jurados e falando sobre a própria infância e a relação dele com a família. E a importância da mãe na formação dele. E enfim, a juventude ali que ele passou com a irmã. Ele disse que Jesus vai colocar a gente no caminho da verdade. Ele demonstrou também emoção ao falar sobre o filho, que agora é advogado, dizendo que ele precisou adiantar matérias da faculdade para conseguir se formar a tempo de atuar no caso. Enfim, ele tentou botar uma parte emocional ali. E sobre as acusações de ser uma pessoa violenta, ele admitiu as traições que ele teria tido com a atual companheira, mas ele negou qualquer histórico de agressões. Ele negou todas as acusações de agressões e afirmou que nenhuma delas delas resultou em condenação judicial, né? A estratégia da defesa foi justamente tentar demonstrar aos jurados que não havia um histórico comprovado de agressões contra qualquer criança e tudo mais, o que havia sido trazido no processo. E mesmo diante desse argumento da defesa, o Fantástico revelou que dois depoimentos foram considerados decisivos para a condenação de Jairinho. O primeiro foi o da babá Tainá, e o segundo foi de uma jovem de 18 anos, filha de uma ex-namorada de Jairinho. Ela afirmou ter sofrido agressões quando tinha apenas 5 anos. Ela relatou um episódio em que o Jairinho a levou para um hotel e afundou até o fundo ali de uma piscina. Abre aspas: ele ficava me afundando até eu encostar no chão e aí me soltava. Eu respirava e ele me afogava de novo com o pé dele, me empurrando até o chão várias vezes. Fecha aspas. Sobre o Henry especificamente, o Jairinho admitiu que já havia dado banda no menino. Gente, dar banda é basicamente dar uma rasteira ali, passar a perna nos pés de uma pessoa para ela cair. É o jeito de falar essa brincadeira, entre aspas, que não é uma brincadeira, né? Ele admitiu ter feito isso com o Henry durante "brincadeiras" entre aspas, e que ele segurava o menino pelo braço, e que familiares de Monique teriam presenciado essas situações. Ele afirmou que raramente ficava sozinho com o Henry e demonstrou emoção ali ao se lembrar daquela madrugada em que o Henry foi levado ao hospital, afirmando que houve desespero, que tentou salvar a vida do menino. Bom, então no dia 4 de junho de 2026, após 11 dias de julgamento, a juíza Elisabeth Machado Louro proferiu a sentença condenatória. Jairinho foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura coação no curso do processo. E a sua pena foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. A juíza destacou a personalidade insidiosa, dissimulada de Jairinho, e a extrema vulnerabilidade da criança. A sentença de Monique foi diferente. O conselho de sentença desclassificou a acusação de homicídio doloso, né, para homicídio culposo, pois os jurados entenderam que Monique agiu com negligência e não com a intenção de matar. Ela então foi condenada a 1 ano e 4 meses por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. E a juíza Elizabeth concedeu o perdão judicial. É importante entender que perdão judicial não é absolvição, ou seja, o crime foi reconhecido. O que a justiça entendeu foi que, diante da morte do próprio filho, do tempo que a Monique já tinha passado presa, da repercussão pública do caso e das agressões que ela teria sofrido na cadeia, uma nova pena não seria necessária. Inclusive, a juíza também fez um comentário ali dizendo que a Monique foi alvo de uma reação desproporcional, influenciada ali pela cultura patriarcal e pelas expectativas sobre o papel materno, e disse que se fosse o pai e não a mãe na mesma situação nem sequer teria sido processado. Ou seja, para essa condenação específica, Monique não teria que cumprir mais tempo de prisão. A juíza entendeu que a pena já tinha sido cumprida ali durante aquele tempo em que ela ficou presa preventivamente. Bom, sendo assim, na tarde da própria quinta-feira, no dia 4 de junho, a Monique Medeiros deixou a penitenciária ali no Complexo de Jericenó, em Bangu. Depois que a Monique saiu da prisão, a advogada de defesa dela se pronunciou falando sobre o outro lado dessa história. Segundo a advogada, a Monique ficou aliviada com o resultado e destacou que os jurados que decidiram o destino da Monique e do Jarinho tiveram acesso a mais de 20 mil páginas de documentos com informações às quais o grande público nunca teve acesso. Para muitos, o acesso às provas completas justifica a decisão dos jurados, mas para Eleniel e para grande parte aí das pessoas do público, nenhuma quantidade de documentos muda o fato de que uma criança de 4 anos morreu e de que a mãe de certa forma sabia das agressões. Bom, logo depois da Sentença, o Leniel divulgou uma nota dizendo que aquele resultado representava para ele, abre aspas, a terceira morte de Henry, fecha aspas. Segundo Leniel, a primeira morte foi a morte física do menino, a segunda teria sido quando a Monique foi colocada em liberdade durante o adiamento do julgamento, e a terceira foi a decisão que concedeu ali perdão judicial a Monique. Leniel afirmou que não vai aceitar esse desfecho, que vai lutar para tentar anular parte ali da decisão que acabou beneficiando a Monique. Ele também pediu que o Ministério Público recorresse, e foi isso que aconteceu. Depois da sentença, o Ministério Público entrou com recurso pedindo a anulação da parte do julgamento que envolvia Monique. Mas o que que isso significa? Segundo a promotoria, houve um problema na forma como uma pergunta foi feita aos jurados ali durante a votação. Bom, no tribunal do júri, os jurados respondem a perguntas sobre o caso, e essas respostas definem se o réu pode ser condenado, absolvido, ou se recebe algum benefício, né, previsto em lei. No caso da Monique, o Ministério Público disse que os jurados teriam reconhecido em no primeiro momento que ela teve responsabilidade pela morte de Henry. Só que depois uma nova pergunta teria sido apresentada de uma forma que, segundo a acusação, teria confundido os jurados e acabou levando ali a esse perdão judicial. Então, para o promotor Fábio Vieira, essa mudança teria interferido nesse resultado final. E o advogado de Leniel também questionou essa decisão. Ele afirmou que a juíza teria influenciado o entendimento dos jurados durante essa votação. Agora caberia ali aos tribunais analisarem esse recurso e decidirem se realmente houve algum erro capaz de anular essa parte do julgamento, ou se sobre a Monique seria mantida. Bom, bom, a defesa de Arino também anunciou que vai tentar anular o julgamento. Logo depois da sentença, o Eduardo Cavalieri, que é o prefeito do Rio de Janeiro, se manifestou dizendo ter ficado perplexo com a decisão e que não medirá esforços para garantir que a Monique jamais retorne aos quadros da prefeitura. A Monique foi demitida definitivamente ali da Secretaria de Educação em 2026. O caso Henry começou com a morte de uma criança de 4 anos que não podia se defender e terminou, pelo menos por por enquanto com uma sentença que não trouxe paz a todos os lados. E enfim, é sempre muito difícil, né, trazer paz em casos como esse, porque eu acho que não existe. Ou seja, mesmo depois do júri mais longo da história, do segundo tribunal do júri do Rio, esse caso ainda não acabou. E talvez seja por isso que a morte do Henry continue causando tanta revolta, porque para muita gente a pergunta principal ainda permanece: porque depois de tudo que foi revelado, a justiça foi feita? Bom, gente, no final de todo episódio eu trago a minha opinião. Nesse caso aqui, gente, eu prefiro não trazer minha opinião porque assim, né, eu não quero que dê problema para o meu lado. Mas enfim, gente, basicamente é muito complicado esse caso, né, é um caso muito complicado. Porém eu sempre falo que é bom a gente se manter sempre naquilo que os legistas falam sobre o que eles viram no corpo, porque o corpo fala muito, né. E também tem uma imagem que o Leniel compartilhou na internet, que na época eu até comentei, que era foto do Henri já sem vida no no elevador. Claramente dá para ver que ele já tava sem vida ali no elevador. O Leniel compartilhou essa imagem nas redes sociais dele e eu comentei na época dizendo que eu achava um absurdo ele compartilhar uma imagem do filho dele sem vida nas redes sociais. Assim, primeiro porque eu tava simplesmente abrindo meu Instagram e tive que ver aquela imagem, que eu não gosto, não gostaria de ter visto aquela imagem. Muitas pessoas comentaram dizendo que ele precisava disso para que encontrasse a justiça, e eu na época disse que não é assim que ele vai encontrar a justiça. Infelizmente, compartilhando aquela imagem do Henry sem vida na internet, não não ajudou, e acredito que não ajude. E eu falei isso lá naquela época, e eu volto para trazer esse ponto de novo, porque é muito triste, muito triste, muito triste você ver um pai compartilhando uma imagem do próprio filho sem vida na internet. E os fins justificam os meios, tá aí um dos casos mais longos aí que já teve nesse tribunal. Então assim, gente, a gente tá aqui de um lado, eu sou jornalista, porém eu não tenho acesso a todo o conteúdo desse caso. Eu tô Revisando aqui tudo que a gente teve de notícia, que vai estar listado aqui em todas as fontes aqui embaixo desse episódio. Se você não conseguir ver todas as fontes aqui, você consegue ver lá no site do Casos Reais, tá? Então, basicamente, é um caso muito complicado, é um caso muito longo e que ainda tem muita coisa para acontecer nesse caso, tá? Eu acho que essa história do acidente do carro agora em 2026, um pouco estranha, sabe? Tipo, ai, não gosto dessa história, não acho que isso justifique várias outras coisas. Ah, beleza, foi de um acidente de carro que sofreu, mas por que que existem várias outras coisas como Por exemplo, depoimento dessa ex-enteada que teria sofrido agressões do Jairinho, supostamente, né? E enfim, gente, são várias outras coisas que não fecham para esse caso ali dessa testemunha nova de 2026. Enfim, é um caso muito complicado, muito complexo. Porém, de novo, esse é o único comentário que eu gostaria de fazer, porque eu não acho que eu vou dar minha opinião, não posso dar minha opinião sobre esse caso, tá, gente? Não quero criar problemas. Mas a minha questão aqui é que realmente, que eu falei sobre isso, que eu queria comentar, era dessa imagem, compartilhar imagem do Henry sem vida. Não compartilha essa imagem. Se você viu, se você— não vai ajudar, no caso não vai ajudar. Que a justiça seja feita. Não é legal compartilhar uma imagem de uma criança, ainda mais uma imagem de uma criança sem vida. Isso foi feito pelo próprio pai. Mas se você vê essa imagem, não compartilha ela, não ajude com que essa imagem continue sendo compartilhada por aí, tá bom? E sim, é a minha opinião. Essa é a única coisa que eu posso dar minha opinião. Mas é uma das coisas que eu vi sobre esse caso. Tiveram várias ao longo do ano, mas que eu me lembro agora que me chocou um pouco, tá? Então, o que que você acha? Deixa aqui nos comentários. Vejo vocês na próxima quarta-feira com mais um caso. Tchau, pessoal!

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