DESAPARECIDA: o caso Emanuela Orlandi
A guerra entre os Harrigan está só começando. Tom Hardy, Helen Mirren e Pierce Brosnan voltam em Terra da Máfia, série de Guy Ricthie, em um universo ainda mais caótico e eletrizante, onde não dá pra confiar em ninguém.
A nova temporada já está disponível, só no Paramount+. Assista e entre nessa guerra!
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Em 22 de junho de 1983, Emanuela Orlandi, uma adolescente de 15 anos que vivia no Vaticano, saiu para uma aula de música em Roma e nunca mais voltou para casa. Mais de quatro décadas depois, ninguém sabe ao certo o que aconteceu com Emanuela.
Sugira casos: casosreaispodcast.com.brApoie e receba episódios antes: apoia.se/casosreaisSiga: @casosreaisoficial | @erikamirandasRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeos
- O misterioso desaparecimento de Emanuela Orlandi no Vaticano em 1983Emanuela desaparece após aula de música·família procura por Emanuela·polícia negligencia o caso·Papa João Paulo II se pronuncia
- A ligação do 'Americano' e a exigência de libertação de Mehmet Ali Agcagravação da voz de Emanuela·o Americano exige a soltura de Agca·Agca nega envolvimento·KGB como mandante do atentado
- A descoberta do túmulo de Renatino na Basílica de Santo Apolinárioligação anônima em programa de TV·Renatino era líder da máfia·ligação da máfia com o Vaticano·Sabrina Minardi relata sequestro
- A fita do horror e a negociação direta entre o Vaticano e os sequestradoresgravação de gritos de uma garota·polícia nega autenticidade da fita·Vaticano negocia com sequestradores·troca de reféns não acontece
- O envolvimento do Banco do Vaticano e a máfia italiana no desaparecimentoRoberto Calvi e o Banco Ambrosiano·Paul Marcinkus, chefe do Banco do Vaticano·máfia sequestra Emanuela por dinheiro·Papa João Paulo II e a profecia de Fátima
- Documentos vazados do Vaticano e a nova linha de investigação com uma flautagastos da Igreja Católica com Emanuela·Emanuela teria morrido em 1997·Marco Fassoni Acchetti e a flauta·análise de DNA na flauta
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The world sees us as heroes, but they don't know what the job really costs.
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Em junho de 1983, o rosto de uma adolescente começou a aparecer em tudo quanto é lugar. Em cartazes nas ruas, jornais, na televisão. Em todo canto tinha a mesma foto e o mesmo nome: Emanuela Orlandi. Infelizmente, ela tinha desaparecido em circunstâncias misteriosas em Roma. E os pais dela estavam, claro que, desesperados. Só que durante a investigação, os policiais não encontravam respostas. A cada dia que passava, eles na verdade encontravam cada vez mais perguntas.
Mistério, uma teia de mentiras, segredos e até de ligações com as pessoas, algumas das pessoas mais poderosas do mundo. E uma pergunta não queria calar: quem que tava por trás desse desaparecimento? A máfia italiana, a KGB, ou quem sabe até o Vaticano? E já que o caso que a gente vai falar hoje envolve justamente máfia, poder, dinheiro e pessoas que você não sabe até onde são capazes de ir para proteger os próprios interesses, deixa eu dar uma indicação, combina muito com quem gosta desse tipo de história.
A série que eu quero indicar hoje é Terra da Máfia, no Paramount Plus. E eu já vou começar pelo elenco, porque, gente, eu sou assim fã do Pierce Brosnan e do Tom Hardy, né? O Pierce, para quem não sabe, foi o James Bond, e eu também adoro ele em Mamma Mia! Here We Go Again. E tem também o Tom Hardy, que fez Peaky Blinders, Mad Max, Venom. Eu amo, gente, ele é assim um dos meus atores favoritos da vida, com certeza. E ainda tem a Helen Mirren, que eu adoro em A Rainha e Reds.
Então, gente, o elenco realmente assim E não é brincadeira. Terra da Máfia, do Guy Ritchie, acompanha os Harrigans, uma família mafiosa destruindo o próprio império por dentro. O Pierce Brosnan e a Helen Mirren são o casal que comanda essa família, enquanto o Tom Hardy é o Harry da Souza, tentando aí limpar essa bagunça antes que tudo exploda. É poder, traição, caos. Nessa família ninguém confia em ninguém e o poder sempre cobra um preço.
A nova temporada de Terra da Máfia estreou no dia 18 de setembro exclusivamente no Paramount Plus. E, gente, uma coisa que eu gosto muito no Paramount Plus é que tem muita série boa por lá, o catálogo é incrível. Eu já quero assistir só por esse elenco. E agora vamos voltar pra nossa máfia da vida real, que o caso de hoje tá tenso. E esse é o caso da Emanuela Orlandi. Gente, o caso de hoje é bizarro. Senta aí, pega uma água, um café.
E ele começa com uma garota chamada Maria Cristina. Para vocês entenderem, em 1983, a Maria Cristina tinha 13 anos e morava com os pais no Vaticano. Só que na tarde do dia 22 de junho, ela tava parada em frente ao Castelo de Sant'Angelo esperando aí a irmã dela, a Emanuela Orlandi chegar. Isso em Roma, que é uma cidade vizinha, né? Para quem não sabe, o Vaticano é um país diferente, mas é tudo muito perto, tá? Esse Castelo de Sant'Angelo é tipo assim um ponto turístico enorme assim, sabe?
Bom, mais cedo naquele dia, a Emanuela tinha saído de casa para um ensaio de música. Acontece que ela ia ter uma apresentação daqui algumas semanas e a Emanuela tava super focada em praticar. E as duas tinham combinado que quando o ensaio desse dia terminasse, elas iam se encontrar em frente a esse castelo para poder voltar para casa juntas. E a Maria Cristina ficou ali debaixo do sol Ela esperou, esperou ali mais um pouco e nada da Manuela aparecer.
Naquela tarde, gente, tava fazendo quase 40 graus em Roma. Então a Maria Cristina pensou que talvez a Manuela tivesse pegado um ônibus e voltado direto para casa sozinha. E por conta disso, a Maria Cristina resolveu voltar para casa também. Só que chegando lá, ela procurou na sala, na cozinha, nos quartos, no quintal, e a Manuela não tava em casa. O que acabou deixando o pai, o Hércules, e o irmão, o Pietro, muito preocupados, né, porque Emanuela não era de atrasar assim nunca.
Uma hora depois, quando ali deu 8 horas da noite, a família percebeu que não dava mais para ficar esperando. Eles precisavam fazer alguma coisa. Então o Ércoli e o Pietro começaram a ligar para as colegas da escola de música da Emanuela, né. Eles queriam ali saber se alguém tinha visto a garota depois do ensaio ou se alguém sabia para onde ela poderia ter ido. Além disso, os dois também ligaram para hospitais da região porque talvez a Emanuela tivesse sofrido algum acidente e não tinha conseguido avisar a família.
Né? A gente nunca sabe. Só que não tinha nada, gente. Ninguém da escola sabia onde a Emanuela tava, e ela também não tinha dado entrada em nenhum hospital da região que eles teriam ligado. Desesperado, o Hércules correu até a polícia para poder registrar o desaparecimento da filha. E chegando lá, ele contou tudo que tinha acontecido mais cedo naquele dia. Ele explicou que a Emanuela tinha 15 anos e que naquela manhã ela tava bem atrasada para aula.
E para vocês entenderem, a música era a vida dela. Ela tocava flauta, piano, e também cantava no coral. E como tava atrasada, ela pediu para o irmão dela, o Pietro, levar ela de carro até a escola. Só que tinha um problema: na época, a namorada do Pietro tava reclamando que ele sempre dava mais atenção para as irmãs. E por conta disso, dessa vez, o Pietro decidiu priorizar a namorada e falou que não ia levar a Emanuela. Na hora, ela ficou bem chateada e os dois até tiveram uma briga, uma discussão, até que ela bateu a porta com força, saiu de casa e foi para o ensaio sozinha de ônibus.
E depois disso, o dia passou normalmente. Foi quando, por volta das 7 horas da noite, a Emanuela ligou para casa. Uma outra irmã dela atendeu o telefone e do outro lado da linha a Emanuela tava ali super animada. Ela contou que um cara em uma BMW verde tinha parado perto dela e oferecido um trabalho. E de acordo com esse cara, a Emanuela só precisaria distribuir alguns panfletos ali de uma marca de cosméticos e em troca ele ia pagar para ela 375 mil liras italianas.
Gente, hoje esse valor daria ali mais de R$1.000 só para Emanuela trabalhar por uma hora, ou seja, era um pagamento bem alto, tá? E por conta disso a irmã A irmã, claro que desconfiou dessa proposta. Ela disse a Emanuela para ela não aceitar esse trabalho sem conversar com os pais. Só que depois disso, a Emanuela simplesmente desapareceu. E como eu disse, ela não se encontrou com a Maria Cristina na frente do castelo e também não voltou para casa.
Agora, voltando para a cronologia do caso, o pai da Emanuela queria que os policiais começassem a investigar o caso logo. E para ele parecia óbvio que os investigadores tinham que começar procurando por esse cara aí dessa empresa de cosméticos que ofereceu esse trabalho. A Emanuela provavelmente tinha ido se encontrar com ele E claro que alguma coisa poderia ter acontecido. Só que não, gente. Esses casos italianos são difíceis, tá?
Tem vários casos aqui que a gente já trouxe e que a polícia foi, de certa forma, negligente, tá? E esse é mais um deles. Na hora, os policiais só responderam pra família que ainda era muito cedo pra dizer se a Emanuela tinha realmente desaparecido. Segundo os detetives, como a Emanuela tinha 15 anos, provavelmente ela só estava jantando fora com as amigas. Então os policiais não fizeram nada. E além disso ainda tinha um problema.
Para vocês entenderem, eu preciso explicar um pouco sobre o Vaticano. O Vaticano fica no meio da cidade de Roma, só que ele não faz parte da Itália. Ele é considerado um país separado minúsculo, é, o território inteiro tem mais ou menos o tamanho de 2 estádios de futebol. E o Papa é o presidente desse país. Naquela época, apesar do Vaticano receber milhões de turistas por dia, só menos de 500 pessoas realmente moravam lá dentro, e a maioria era quem trabalhava diretamente para a Igreja Católica.
Esse era o caso da família Orlandi, por exemplo, né? O Ércoli trabalhava para a igreja e por conta disso ele morava lá com a esposa e com os filhos. E por conta do Vaticano ser um país separado, quando dá meia-noite ele literalmente fecha os portões. Então se os policiais não fizessem alguma coisa logo, ia ficar mais difícil da Emanuela voltar para casa e de os familiares saírem para procurar ela, né? Porque fechava. E por isso, antes que os portões fechassem, o Pietro e o tio subiram numa moto e saíram ali pelas ruas de Roma.
Os dois levaram uma foto da Emanuela e mostraram para várias pessoas na rua, perguntando se alguém tinha visto ela. Eles também foram até a escola de música dela, passaram na casa de pessoas conhecidas e procuraram em lugares que ela costumava frequentar. No final das contas, eles passaram a madrugada inteira procurando por ela e nada. E quando o dia amanheceu, os Orlandi voltaram desesperados na polícia para tentar registrar, né, ver se agora alguém fazia algo sobre o desaparecimento.
Só que mais uma vez a polícia não ajudou. Além disso, dessa vez os policiais ainda falaram para eles não se se preocuparem, porque a Emanuela não era bonita o suficiente para ser sequestrada. Basicamente, os Orlandi se sentiram sozinhos nas buscas e estavam, né? E por conta disso, a própria família resolveu imprimir vários cartazes com a foto da Emanuela e espalhar ali pelas ruas de Roma para ver se alguém ligava para eles com alguma pista.
E aos poucos, o rosto da Emanuela começou a aparecer nos jornais, em todo canto, na televisão. E ali todo lugar tinha a mesma foto e o mesmo nome: Emanuela Orlandi. E deu certo, gente, porque depois Depois que a foto começou a circular, a família recebeu algumas ligações e também souberam de possíveis avistamentos da Emanuela. Um desses avistamentos, por exemplo, veio de um policial. Ele contou que no dia do desaparecimento ele tava fazendo uma ronda perto da escola de música e que tinha visto a Emanuela.
Ela tava perto de um carro verde conversando com um homem de mais ou menos 35 anos. Além desse policial, outras pessoas também entraram em contato com a família. Eles disseram que tinham visto uma garota de 15 anos parecida com a Emanuela perto dessa escola de música e ela tava ali com uma flauta e distribuindo folhetos de uma empresa de cosméticos. Só que a garota tinha falado que se chamava Bárbara e não Emanuela. Pro Zorlandi, essas pistas confirmavam, né, de fato que a Emanuela realmente tinha ido encontrar com esse cara ali do carro verde e que provavelmente ele tinha feito algo, né.
Só que a interpretação dos policiais foi exatamente o oposto disso. Pra polícia, se a Emanuela tinha falado que se chamava Bárbara, era porque ela queria esconder a própria identidade, né. E isso indicava que ela tinha, na verdade, tinha fugido de casa por vontade própria. Ou seja, começou ali uma guerra de versões entre os detetives e os Orlandi. 11 dias depois do desaparecimento, o Papa fez um pronunciamento sobre o caso. Ele rezou pela Emanuela e pela família, só que então ele falou uma coisa que deixou todo mundo intrigado.
O Papa João Paulo II disse que esperava que a Emanuela fosse devolvida em segurança. Só que como assim devolvida, gente? Até aquele momento, apesar das suspeitas ali dos Orlandi, a polícia tava trabalhando com a possibilidade da Emanuela ter fugido de casa. Então por que o Papa, gente, o Papa, né, estava falando ali como se alguém tivesse raptado a garota? Bom, na época ali a família achou esse pronunciamento muito esquisito, né, mas eles acabaram que deixaram por isso mesmo.
E depois disso a polícia finalmente começou a investigar o caso mais a fundo. O serviço secreto de Roma grampeou o telefone da casa dos Orlandi, né, para poder gravar e monitorar as ligações ali que a família estava recebendo com possíveis pistas. Até que no dia 5 de julho de 1983, 13 dias depois do desaparecimento, uma coisa esquisita aconteceu. Os Orlândi receberam uma ligação muito perturbadora. Assim que eles atenderam o telefone, do outro lado da linha uma fita começou a tocar.
Era uma gravação da voz de uma menina, de uma garota, falando várias coisas desconexas. Ela falou de uma escola de música, falou que faria 16 anos no ano que vem. E além disso, essa garota também falou o nome de uma cidade, Santa Marinela. E assim que os Orlândi ouviram esse nome, eles levaram um susto, porque Santa Marinela era a cidade de praia onde eles costumavam passar as férias com os filhos. Ou seja, Isso só podia significar uma coisa: a garota na ligação era a Emanuela.
E nesse momento, os Orlândios ficaram completamente paralisados, né? Parecia que a teoria deles, né, de que ela tinha sido raptada, tava certa. E foi então que do outro lado da linha, um cara começou a falar. Ele falava italiano, só que ele tinha um sotaque forte dos Estados Unidos, sabe? De uma pessoa de fora. E por conta disso, os policiais apelidaram ele do Americano. Durante a ligação, o Americano confirmou que ele realmente tinha raptado a Emanuela.
E na hora, a família lhe perguntou o que ele queria, né? O que que eles podiam fazer, quanto de dinheiro a família precisava pagar para ter a menina de volta. Só que rapidamente eles descobriram que o buraco era mais embaixo. O americano não queria nenhum centavo. Na verdade, ele fazia parte de um grupo terrorista e tava jogando ali um xadrez político internacional. E o resgate seria muito mais caro do que qualquer dinheiro, né, poderia pagar.
O preço dele era o seguinte: ele deu um prazo de 15 dias, até o dia 20 de julho, para os policiais soltarem um homem da prisão, um criminoso chamado Mehmet Ali Adja. Para Só para vocês entenderem, o Adja era um terrorista turco que 2 anos antes, em 81, tinha dado um tiro no Papa João Paulo II. Na época, o Papa foi levado às pressas para o hospital em estado grave. Ele chegou a perder muito sangue, mas felizmente ele sobreviveu.
E no final das contas, o Adja acabou sendo preso. E se as autoridades italianas não soltassem ele, esse entre aspas americano, né, que eles não sabiam se de fato era, e o grupo terrorista do qual ele fazia parte iam executar a Emanuela. Para provar que eles estavam mesmo com a menina, esse americano ali entrou em contato com uma agência de notícias chamada ANSA, e ele mandou a equipe dessa agência dar uma olhada dentro de uma lixeira na Praça do Parlamento em Roma.
Então, no dia seguinte, no dia 6 de julho de 83, eles foram até lá, eles vasculharam tudo e rapidamente encontraram um envelope amarelo. E lá dentro tinha uma cópia da carteirinha de estudante da Emanuela e um recibo de pagamento da escola de música. Além disso, eles também encontraram um bilhete com a letra da Emanuela, e o bilhete dizia, abre aspas, com muito carinho da sua Emanuela. E com isso tudo, a família, né, claro que ficou meio que sem saber o que tava acontecendo, porque até aquele momento eles estavam só tentando encontrar a filha, né.
E rapidamente, do nada, esse caso começou a virar um— entraram ali no meio de uma negociação que envolvia um grupo terrorista e a polícia italiana, né, e Vaticano. Aí tipo, eles começaram a se sentir perdidos, né, a família. E ao que tudo indicava, os sequestradores tinham raptado a Emanuela, uma garota que morava no Vaticano, para sensibilizar a Igreja Católica a usar a sua influência ali para pressionar as autoridades italianas.
Além disso, o envelope também fez os Orlandi se lembrarem de uma coisa: do pronunciamento do Papa João Paulo II. Vocês lembram que o Papa tinha dito que ele tinha esperanças de que a Emanuela fosse devolvida em segurança, em um momento em que a polícia ainda achava que ela tinha só fugido de casa? Na época, o comentário já tinha sido um pouco esquisito, só que agora esse comentário ele parecia ainda mais estranho. Isso porque, se você olha em retrospecto, a impressão que ficava era de que a Igreja Católica conhecia os sequestradores e que o Papa tinha feito esse pedido diretamente ali para os criminosos, né?
Eles já sabiam dessa informação antes da família, antes de qualquer pessoa que deveria saber. Bom, mais uma vez os Orlandi ficaram ali com essa pulga atrás da orelha sobre o Vaticano. Será que eles sabiam de alguma coisa e não estavam contando para família? Só que ao mesmo tempo que esse turbilhão de dúvidas e sentimentos estava acontecendo, o envelope também foi um alívio muito grande ali para os Orlandi, porque para a família esse envelope indicava uma coisa: que a Emanuela tava viva e que ela podia ser resgatada num esquema ali de troca de reféns, né?
Eles tinham esperança. Só que rapidamente os policiais jogaram um balde de água fria nessa esperança, porque de acordo com a polícia, os itens no envelope só provavam ali que alguém tinha pego os pertences da Emanuela, e isso não significava que ela necessariamente estava viva, né? Pensando ali que os sequestradores pudessem ser membros de um grupo terrorista, né, tentando libertar aquele Adjan, os policiais decidiram ir atrás dali da pessoa que tava no centro de todo o jogo político, o próprio Adia.
Os detetives foram até ali a prisão, a cadeia onde ele tava, para conversar com ele e entender o que que tava acontecendo. Só que a resposta que o Adia deu deixou o caso ainda mais confuso. Ele afirmou que não sabia de nada sobre o desaparecimento e que não tinha nada a ver com esse caso. Além disso, Adia ainda falou que esperava que os sequestradores liberassem Manuela logo para família parar de sofrer. Ou seja, Segundo o Adia, os sequestradores não eram amigos ali tentando libertar ele, nem pessoas do mesmo grupo, né, terrorista que ele, os Lobos Cinzentos.
E foi quando o Adia deu uma outra versão para história. De acordo com ele, não tinham sido ali os Lobos Cinzentos que tinham mandado ele atirar contra o Papa, como todo mundo pensava. Quem teria organizado esse atentado na verdade era a KGB, o serviço secreto da União Soviética. Bom, o que acabava colocando ali, enfiava uma potência mundial no meio da história e só complicava ainda mais as coisas, né? Bom, a teoria dele era a seguinte: na verdade, a KGB teria sequestrado a Emanuela para usar a garota para pressionar o governo italiano a soltar o Adem.
E assim, depois que o Adem saísse da cadeia, a KGB poderia matar ele com mais facilidade, levando ali para o túmulo tudo que ele sabia sobre o atentado contra o Papa. Gente, eu não sei se essa versão realmente fazia sentido, mas como eu disse para família, tava ficando cada vez mais difícil de entender o que que tinha acontecido com a Emanuela. Eles só queriam entender o que que tinha acontecido com a menina. Eles não queriam saber dessa história toda.
Bom, e quando faltavam só 3 dias para essa suposta troca da Emanuela pelo Adia, as coisas começaram a esquentar. Nesse dia, a agência de notícias ANSA recebeu uma ligação anônima. A pessoa do outro lado da linha mandou os jornalistas irem até a Vila della Dattaria, que é uma rua de Roma. E é claro que os jornalistas foram até o endereço. Chegando lá, eles encontraram uma fita cassete com um áudio gravado. E, gente, essa fita acabou ficando conhecida como a fita do horror.
No lado A, eles escutaram a voz do americano, entre aspas, né? E basicamente ele tava querendo colocar pressão. Então ele repetiu a exigência: eles só soltariam a Emanuela se até o dia 20 de julho as autoridades liberassem o Andy. Depois, os investigadores viraram a fita e colocaram o lado B para tocar. Só que o que eles escutaram foi macabro. Eram gritos de uma garota chorando, gritando, implorando para alguém parar. Não dava para saber com certeza se a voz era da Emanuela Ela, mas para o Zorlandi parecia que a voz era dela sim e parecia que alguém tava torturando ela.
Na hora, os policiais tentaram negar isso e até diminuíram a importância da fita. Segundo eles, a fita era falsa e os sons tinham sido tirados de um filme pornográfico. Com essa desculpa ali, a polícia resolveu não dar muita atenção para essa gravação. Só que um tempo depois, os peritos analisaram melhor essa fita e eles concluíram que, mesmo que ainda não desse para confirmar 100% se a voz era da Emanuela, a gravação era sim verdadeira.
No fundo da fita dava para ouvir a voz de 3 homens conversando em italiano. E além disso tudo, o americano, entre aspas, ainda fez uma segunda exigência. Ele falou que agora ele queria negociar diretamente com o Vaticano. E foi exatamente isso que aconteceu. O Vaticano abriu uma linha direta para conversar com ele e com o grupo terrorista dele. Essa ligação aí entre a Igreja Católica e os sequestradores aconteceu por volta do dia 18 de julho.
Só que até hoje a gravação nunca foi divulgada, o que claro na época fez a família, né, a família Orlandi, desconfiar ainda mais de que o Vaticano estava escondendo alguma coisa além de tudo que eles já imaginavam, né. Até que 2 dias depois finalmente chegou o dia 20 de julho de 1983, o dia em que a suposta troca da Emanuela pelo Adia deveria acontecer. Só que nada aconteceu. O governo italiano não soltou o Adia, os sequestradores também não devolveram a Emanuela.
Ficou por isso mesmo, infelizmente. A troca não aconteceu. E depois de tudo isso, os Orlandi começaram a se perguntar um monte de coisas. A polícia tinha tentado esconder que aquela fita era verdadeira? Se sim, por que que os policiais estariam mentindo para proteger os sequestradores? Por que que o americano queria tanto falar com o Vaticano se quem realmente podia soltar o Adia era o governo italiano? E tinha mais: será que a Igreja Católica sabia quem tinha raptado a Emanuela?
Só que depois disso, o caso esfriou. Os dias foram passando, e nenhuma pista nova apareceu. Os Orlandi não receberam mais nenhum sinal da Emanuela, e com o tempo a família nem sabia mais se a garota ainda tava com vida. Cerca de 6 meses depois, em dezembro de 1983, o Papa João Paulo II foi visitar os Orlandi. Durante essa visita, ele rezou com a família e garantiu que o Vaticano tava fazendo de tudo para ajudar nas investigações.
Além disso, o Vaticano tentou consolar a família de uma outra forma. Um membro ali da Igreja Católica ofereceu um emprego para o Pietro, né, o irmão da Emanuela, no banco do Vaticano. Depois disso, as investigações até continuaram, só que nenhuma resposta concreta apareceu. E os anos começaram a passar. 1 ano, 2 anos, 3, 5, 10 anos se passaram e nada da Emanuela. Nesse meio tempo, a família também começou a perder as esperanças de descobrir o que tinha acontecido.
Em 2004, por exemplo, o Ércoli, o pai da Emanuela, faleceu. E infelizmente ele morreu se sentindo traído pela igreja. Isso porque o Ércoli tinha trabalhado durante anos no Vaticano e tinha servido fielmente 3 papas. Só que no final da vida ele achava que no momento em que ele mais precisou, o Vaticano escondeu informações. E a frustração ficou ainda maior quando um ano depois, em abril de 2005, o Papa João Paulo II morreu aos 84 anos, enterrando ali toda a esperança da família de que um dia ele revelasse o que ele poderia talvez saber sobre esse caso.
Só que em julho de 2005, 22 anos depois do desaparecimento, uma ligação anônima para um programa de televisão desenrolou ali uma teia de informações e mentiras que levou o caso para uma direção bem diferente. Do outro lado da linha, um homem começou a sussurrar e ele falou a seguinte frase: se vocês querem resolver o caso da Emanuela, vocês têm que dar uma olhada na pessoa que está enterrada na cripta da Basílica de Santo Apolinário e investigar o favor que o Renatinho fez para um cardeal.
Gente, ninguém entendeu direito o que que esse homem tava querendo dizer. Quem era Renatino e que favor era esse? Só que a ligação tinha dado uma pista concreta: Basílica de Santo Apolinário. E como essa basílica ficava praticamente colada na escola de música da Emanuela, era uma pista que fazia muito sentido os policiais irem atrás. Mas entre querer investigar e realmente investigar existia um abismo gigante. Os policiais demoraram anos para realmente seguir essa pista.
Foi só em 2012, 7 anos depois dessa ligação, que os investigadores finalmente foram até a basílica. Eles abriram o túmulo e lá dentro tava enterrado um cara chamado Enrico de Pedisi, que era o tal Renatino. Ou seja, o homem que ligou para o programa de televisão mandou os detetives procurarem pelo Renatino, e o próprio Renatino era, né, que tava enterrado ali na basílica. Só que tinha um detalhe estranho: o Renatino não era padre, ele não era cardeal, E na verdade ele não tinha nada a ver com a igreja.
Ele era um criminoso. Ele era o líder da Banda della Magliana, uma das organizações mafiosas mais perigosas de Roma. O grupo controlava parte do tráfico de drogas da cidade, tinha ligações com a extrema-direita e também se envolvia em jogos políticos no país. O Renatino tinha sido assassinado a tiros em 90, em 1990, 22 anos antes dos policiais abrirem o túmulo. E a pergunta que ficava era: por que que um chefe da máfia tava enterrado dentro de uma basílica, um lugar que era reservado para pessoas importantes da igreja ali, como cardeais e até talvez o próprio Papa.
Gente, tinha alguma coisa muito esquisita nessa história toda. A explicação oficial do Vaticano era que o Renatino tinha doado muito dinheiro para igreja e que no final da vida ele tinha se tornado um cara generoso. Só que para a população de Roma essa história não colou. Mas como os policiais não tinham como provar nada, essa inconsistência ficou por isso mesmo. Mesmo. E o que que o Renatinho tinha a ver com a Emanuela, né? Para tentar descobrir isso, uma jornalista começou a procurar as pessoas que tinham sido próximas do Renatinho.
E durante essa busca, ela chegou até uma mulher, a Sabrina Minardi. A Sabrina tinha sido namorada do Renatinho, e o que ela contou virou o caso de cabeça para baixo. Para entender melhor o que que a Sabrina contou, a gente precisa voltar no tempo, mais especificamente para o dia 22 de junho de 83, o dia em que a Emanuela desapareceu. Segundo a Sabrina, nesse dia ela tinha combinado de encontrar o Renatinho para Só que quando ele chegou de carro e a Sabrina olhou para dentro, ela viu que tinha uma garota sentada no banco de trás.
E essa garota era a Emanuela Orlandi. E um detalhe: o carro do Renatinho era uma BMW verde, o carro com a mesma cor e do mesmo modelo do carro do homem que tinha oferecido emprego para Emanuela. Ou seja, gente, é o Renatinho que teria sequestrado ela, segundo essa versão. Na época, o Renatinho pediu para Sabrina esconder a Emanuela na casa dela por alguns dias, e foi exatamente o que ela fez. Durante 10 dias, a Emanuela teria ficado trancada dentro de um quarto.
A Sabrina contou que durante esse período a Emanuela teria sido drogada várias vezes por uma enfermeira contratada pelo Renatinho, e que ela vivia gritando e chorando de dor. Ela gritava tanto que, segundo a Sabrina, parecia que a garota tava sendo torturada. Além disso, com o passar dos dias, a saúde da Emanuela teria piorado, e ela chegou ali em um ponto que ela não conseguia nem ficar de pé ou falar de tão mal que ela tava.
E quando os cartazes com a foto da Emanuela começaram a se espalhar pela cidade, a enfermeira ainda cortou o cabelo da Emanuela bem curto, né, para não ter ali o risco dela ser reconhecida. Depois de 10 dias, a Sabrina recebeu a ordem de tirar a Emanuela da casa e levar ela até um posto de gasolina perto do Vaticano. E quando a Sabrina chegou lá, uma Mercedes estacionou perto dela. Na mesma hora, ela percebeu que o carro tinha uma placa específica que só os veículos do Vaticano usavam.
Nesse carro tava um homem vestido de padre. Então a Sabrina entregou ali a Emanuela para esse padre, e depois disso, nunca mais viu ela. Essa foi a última vez que a Sabrina viu a Emanuela. Gente, além de contar todas essas informações novas, a Sabrina também contou que toda aquela história de que a União Soviética queria libertar o Adia para depois matar ele era mentira. Segundo ela, o sequestro da Emanuela não tinha nada a ver com a KGB.
De acordo com a Sabrina, na verdade, a ordem para sequestrar a Emanuela teria vindo de um lugar um pouco mais inesperado: de um arcebispo da Igreja Católica, um cara chamado Paul Marcinkus. E para surpresa dos investigadores, ele não era um arcebispo qualquer. Na época do crime ali, o Paul era o chefe do Banco do Vaticano. Gente, vocês lembram que em 1983 a Igreja Católica tinha oferecido um emprego para o Pietro, irmão da Emanuela?
Esse emprego era exatamente no Banco do Vaticano. Ou seja, o Pietro trabalhou anos para esse arcebispo Paul, que agora a Sabrina tava alegando que era o mandante do crime. Agora, voltando para investigação, né, em 2012 todas essas informações fizeram os Orlandi pensarem: será que o Vaticano tinha oferecido um emprego para o Prieto ali como uma forma de ficar de olho nele, para poder vigiar e impedir que ele chegasse perto demais da verdade?
Ou só como uma forma de, sei lá, retribuir que eles fizeram algo tão ruim, que eles eram, que a forma deles, não sei, gente. Durante os anos, a Sabrina mudou várias vezes essa história dela, ou seja, não dava para confiar nesse relato, mas a família ficou chocada com toda essa história e passou a acreditar nessa possibilidade. Só que faltavam várias peças para realmente confirmar essa linha de investigação, e a principal era: qual era a motivação do arcebispo Paul?
Por que que ele teria mandado sequestrar especificamente a Emanuela? E para entender sobre possíveis motivações, eu preciso apresentar um outro cara, o Roberto Calvi. Em junho de 1982, um ano antes do sumiço, a polícia de Londres encontrou o Roberto debaixo da ponte dos ali negros. Infelizmente, ele tava morto. No começo, parecia que o Roberto tinha tirado a própria vida, só que um detalhe chamou atenção: dentro dos bolsos do Roberto tinha dinheiro, muito dinheiro.
Ao todo, o Roberto tava carregando o equivalente a $16.000 em cédulas ali de várias nacionalidades, né, várias notas diferentes. Tinham dólares americanos, libras esterlinas, liras italianas, enfim, tinha tudo ali. E segundo a polícia, isso só podia significar uma coisa: era uma mensagem que a máfia tinha deixado no corpo ali para sinalizar que eles tinham tirado a vida do Roberto por motivos financeiros. E essa possibilidade fazia bastante sentido se você, né, pensasse em quem o Roberto era.
Antes de morrer, o Roberto era presidente do Banco Ambrosiano, uma das maiores instituições financeiras privadas da Itália. Só que o Roberto não era apenas um banqueiro multimilionário, ele na verdade também usava o Banco Ambrosiano para lavar dinheiro. Do crime organizado. Uma das organizações que colocava dinheiro nesse esquema, por exemplo, era a Banda della Maliana, né, a organização criminosa do Renatinho. Gente, o esquema era complexo, mas o importante de saber é que tinha mais uma pessoa supostamente envolvida nesse esquema: o Banco do Vaticano.
De um lado, o Renatinho, né, supostamente mandava ali o dinheiro dos crimes dele para o Roberto lavar, e no processo, para ajudar, o Paul fazia o dinheiro passar pelas contas do Vaticano. Em paralelo, também tinha outra coisa ali que tava supostamente rolando. Como eu já disse, em 1981 o Adja tinha tentado tirar a vida do Papa João Paulo II. E de acordo com algumas teorias, assim que o Papa abriu os olhos no hospital, ele se lembrou de uma coisa: da profecia de Nossa Senhora de Fátima.
Para quem não conhece, essa profecia antiga, né, vários anos antes, 3 pastores tinham visto uma aparição da Nossa Senhora de Fátima que teria revelado que um dia um Papa seria morto, e a única maneira de impedir isso era que o Império Russo voltasse a ser católico. Segundo essa teoria, o Papa João Paulo II teria acreditado que ele era o Papa da profecia. Isso porque a tentativa de assassinato tinha acontecido exatamente no mesmo dia em que a profecia tinha sido feita, no dia 13 de maio.
Para o Papa, ele só tinha sobrevivido porque a mão da Virgem Maria tinha desviado a bala. Com isso, o Papa João Paulo II teria então começado a acreditar que a missão dele, né, desse momento em diante, era fazer o catolicismo voltar para a Rússia, que na época era a União Soviética. E para isso ele teria que ajudar a derrubar o regime comunista. E foi aí que ele teria começado a financiar em segredo ali movimentos políticos anticomunistas, principalmente no país onde ele tinha nascido, na Polônia.
E como o público em geral não poderia saber desse repasse de dinheiro, o Papa supostamente pegava o dinheiro emprestado com a máfia, lavado pelo Banco Ambrosiano. Enfim, gente, mais uma teoria. Só que em 1982 o banco do Roberto quebrou, e por conta disso ele deixou um rombo bilionário nesse esquema ali ilegal, dando um prejuízo gigante para máfia. E como o Roberto, ele não tinha dinheiro para ressarcir o valor, a máfia teria tirado a vida dele.
De novo, o que isso tudo aí tem a ver com a Emanuela? Quando os Orlandi descobriram esse esquema criminoso, a família começou a montar uma nova hipótese: talvez a máfia tinha sequestrado a Emanuela porque a garota morava no Vaticano e porque ela era filha de um funcionário da igreja. Ou seja, a máfia poderia estar usando a garota para pressionar a Igreja Católica a devolver o dinheiro que a banda de La Maliana tinha tinha perdido.
E nessa hipótese aí, o americano, né, entre aspas, e toda aquela história de trocar a Emanuela pelo Adia era só uma fachada, um embuste ali para criar pressão em cima do Vaticano, ou então para poder mandar uma mensagem para o Papa. Essa era uma teoria que podia sim ser verdade. Primeiro porque Emanuela desapareceu quase que exatamente um ano depois da morte do Roberto, o que poderia ser tipo um simbolismo. E segundo porque alguns ex-membros da organização criminosa do Renatinho, né, chegaram a confirmar que essa teoria que a Banda della Magliana queria o dinheiro dela de volta.
Só que mesmo com esses relatos não existia nenhuma prova, era só teoria. Bom, até que em 2017, gente, olha quanto tempo depois, uma outra bomba caiu nesse caso, uma bomba que fez todo mundo repensar tudo que eles sabiam sobre esse caso novamente. Alguns documentos confidenciais do Vaticano vazaram na internet e um jornalista chamado Emiliano publicou um desses arquivos. Ele tinha 5 páginas e tava datado de 1998, e o documento registrava uma série de gastos que a Igreja Católica teria feito entre 83 e 97.
Tinha gasto com moradia, com alimentação, com consultas médicas, e juntando tudo, a igreja teria gastado 483 milhões de liras, o equivalente hoje a cerca de R$1,5 milhão. E o Vaticano teria gastado isso tudo com a Emanuela Orlandi. Ou seja, se esse documento fosse verdadeiro, ele complementava ali a história que a Sabrina tinha contado, né? Depois que ela supostamente tinha entregado a Emanuela para o padre ali no posto de gasolina, Emanuela teria sido levada para Londres, e depois disso ela teria passado 14 anos escondida num pensionato de estudantes católicos sob a proteção da igreja.
Além disso, esse documento também indicava que as últimas despesas com a Emanuela tinham sido, infelizmente, com o da garota. Ao que tudo indicava, a Emanuela tinha morrido em 1997. Essa possibilidade foi um choque para família, e na época o Vaticano chamou esse documento de falso e de ridículo. Hoje, em 2026, já se passaram 43 anos desde o desaparecimento da Emanuela, e infelizmente os policiais ainda não conseguiram descobrir o que de verdade aconteceu.
E como deu para ver, né, o caso é uma confusão, uma série de teorias, possibilidades e nenhuma resposta concreta. Os policiais não sabem quem sequestrou a Emanuela, eles nunca descobriram quem era esse americano, e eles não sabem se Emanuela passou mesmo 14 anos em Londres, se isso é verdade, se é mentira. Enfim, não tem provas ali de envolvimento do Papa, ninguém sabe se o Papa sabia mesmo de alguma coisa, e também ninguém confirmou se o sequestro realmente fazia parte de um plano ali para tirar esse Adia da cadeia.
Até hoje os policiais não sabem nem se Emanuela morreu ou se ela ainda tá viva, ou seja, depois de 43 anos. Nada, nada, nada. Cada teoria que conta uma história diferente, os envolvidos mudam, a motivação muda, mas pelo que as fontes contam, parece que todas as teorias ainda têm pelo menos ali um ponto em comum, né? Todas elas apontam em maior ou menor grau para o Vaticano. Bom, gente, chegamos no final do episódio, e como no final de todo episódio eu trago a minha opinião e o Lucas traz a opinião dele, então agora gente, eu vou trazer o que que eu acho sobre esse caso.
Basicamente, eu acho que esse caso é um caso daqueles que nunca será resolvido. Não porque eu acho que ele não poderia ser resolvido, tá? Eu acho que esse caso poderia sim facilmente ter sido resolvido. Porém, eu acho que de fato pessoas muito importantes, e existe uma motivação maior do que a Emanuela. Não tô dizendo que ela não é importante, é claro que ela é muito importante, mas eu acho que isso tem algum envolvimento político, religioso, Acho sim.
Não acho que essas histórias apareceriam do nada se não tivesse alguma coisa importante. E claro que tem um envolvimento do Vaticano. E assim, gente, eu acho realmente muito estranho que tudo isso tenha acontecido dentro, sob os olhos do Vaticano, e que não tenha sido resolvido, né? Muito estranha aquela chamada onde falam para poder ver aquele Renatino. Aí você chega, você encontra um monte de informação nova que você não sabia, que você não imaginava.
Eu talvez essa teoria de que ela passou 14 anos ali viva eu acho um pouco estranha, porque qual seria a razão de alguém manter ela viva e não trazer, tipo, não trazer ela de volta? Eu acho que naquele ponto seria muito mais fácil se ela tivesse com vida, né, se ela aparecesse. É muito estranho também, muito estranho como abordaram ela, uma coisa tão grande assim teoricamente abordou ela dessa forma. Eu não consigo dizer qual teoria eu acredito mais, porém eu acredito a teoria da Sabrina faz um pouco de sentido, né, apesar de nada fazer sentido nessa história, é muito doido.
Bom, agora Agora eu queria saber a sua opinião. Eu também queria saber se vocês querem que eu mande mais sugestões. Eu posso trazer todo episódio sugestões de séries que eu tô assistindo, de filmes. Hoje eu trouxe essa, né, que eu falei mais cedo, porém eu posso trazer em todos os episódios se vocês quiserem. Inclusive tem várias séries e vários filmes que falam ali coisas sobre o Vaticano, né. Vocês podem botar se vocês assistiram alguma série relacionada ao Vaticano, bota aqui nos comentários, que tem várias, né, gente.
Tem vários filmes, vários livros, tem bastante conteúdo aí sobre essas coisas aí, né. Enfim, não vou ficar entrando aqui em muito detalhe. Eu A gente trouxe todas as teorias aí que podem ser, que existem sobre esse caso. A gente trouxe todas as teorias, porém o que a gente sabe é que é um caso não resolvido, mas muito estranho, né? Quero saber qual é a sua opinião, deixa aqui nos comentários. Agora, Lucas, qual é a sua opinião?
Oi, Érica! Oi, gente! Durante o episódio a gente tratou assim várias teorias. Uma delas, por exemplo, que fez bastante burburinho na época ali na década de 80, foi que a Emanuela poderia estar num convento. Surgiu uma pista durante as investigações de que tinha uma garota muito parecida com a Emanuela, na mesma faixa etária, num convento. E na época os pais dela até saíram da Itália, viajaram até esse convento, só que chegando lá não era a Emanuela, né?
Uma outra possibilidade foi que uma colega da Emanuela contou que pouco tempo antes dela sumir ela teria tido um contato supostamente com algum membro ali do Vaticano, algum padre, alguma coisa assim. Nas fontes Eles não especificam exatamente o que era nem o que aconteceu, mas ela sugere que contato que a Emanuela teve com essa pessoa foi desagradável. Desagradável no sentido de que pode ter rolado algum tipo de abuso e estaria relacionado ao desaparecimento dela.
Particularmente, a minha opinião é que de fato a máfia italiana tava envolvida. Eu vejo mais pistas estudando o caso assim, eu vejo mais caminho aberto para que um desses, né, dessas coisas de máfia italiana lavagem de dinheiro, que a gente falou mais para o final do episódio, sejam verdadeiras. Mas não dá para saber. Eu acho que a gente não vai ter resposta desse caso tão cedo. A gente tá vendo aí vários casos recebendo resposta.
Por exemplo, o serial killer de Gilgobite, recentemente o cara foi preso, confessou e tal. Décadas se passaram e finalmente a gente teve a resposta. Só que nesse caso, ainda mais que parece que, na minha opinião, é que tem algum envolvimento de pessoas do Vaticano, sabe? Como tem isso, eu acho que a gente, isso que tá enterrado, e tem gente ativamente trabalhando para enterrar isso, possivelmente. Então a gente não vai saber tão cedo o que aconteceu com a Manuela, infelizmente.
Gente, agora que eu tô na Itália, tô aqui na Itália em setembro, já gravei esse caso, mas apareceu uma atualização muito importante nova que tá em todos os jornais aqui da Itália. Eu preciso trazer para vocês. Antes dessa atualização, eu preciso apresentar rapidamente Marco Fassoni Acchetti. Ele é um fotógrafo e cineasta italiano que em 2013 afirmou ter participado do desaparecimento ali de Emanuela Orlandi e também de Ela Gregori.
Ele chegou a entregar ali uma flauta para as autoridades, né, querendo demonstrar que ele realmente sabia de algo. Então ele entregou ali alguma coisa que ele dizia pertencer a Emanuela, né, alegando que era de Emanuela. Mas o antigo professor da adolescente disse que aquele não era o instrumento que ela usava, a flauta que ela usava. Então o relato de Atchete foi considerado pouco confiável. Em 2026, agora, o Atchete voltou a ser investigado pela Procuradoria de Roma e foi interrogado durante aproximadamente 6 horas, tá bom?
E agora, no dia 10 de setembro, surgiu uma nova atualização. Os carabineiros, né, o RIS, que é como se fosse uma unidade especializada em investigações científicas, começou a examinar essa flauta ali que foi indicada por Marco Aceti, né? Esse instrumento tava dentro de um pacote aberto no laboratório em Roma, e os peritos da defesa de Aceti foram convocados para acompanhar esse procedimento. Agora os investigadores estão usando técnicas genéticas mais modernas para poder procurar possíveis vestígios de DNA na flauta e em seu estojo.
A primeira dúvida é se esse é o mesmo instrumento que a Chet entregou anos atrás, aquele que o professor de Emanuela praticamente descartou como sendo dela, ou se a gente tá falando de uma nova flauta. Também existe a hipótese de que o próprio Chet tenha enviado esse pacote, mas essa informação ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades. Se for uma nova flauta, os investigadores precisarão descobrir se ela realmente pertenceu a Emanuela, e caso encontrem qualquer material genético, será necessário comparar esse DNA com de algum familiar e tentar identificar outras pessoas que possam ter tocado ou, né, guardado ali um instrumento, ter pego alguma coisa do tipo.
Até o momento dessa gravação, os resultados ainda não foram divulgados. Então essa análise representa uma nova linha de investigação, mas não comprova que a flauta seja de Emanuela nem que a Chet tenha participado do desaparecimento. Mesmo assim, 43 anos depois, um objeto diretamente relacionado à rotina da adolescente voltou ao centro do caso, né? Agora a expectativa é descobrir essa flauta realmente era da Emanuela e se ela ainda guarda algum vestígio que pode ser capaz de revelar o que aconteceu depois daquela aula de música.
Porque como vocês lembram, né, a gente já trouxe aqui, ela sumiu depois de uma aula de música. Então por isso que uma flauta, enfim, seria algo relevante para esse caso, né.
Então é isso, mais um caso aqui do podcast Casos Reais. Vejo vocês na próxima quarta-feira com mais um caso. Tchau, pessoal!
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