MASSACRE: o ataque no cinema do shopping Morumbi
Em 1999, durante uma sessão de Clube da Luta no Shopping Morumbi, Mateus da Costa Meira abriu fogo contra a plateia, matou três pessoas e deixou outras quatro feridas. Após passar 25 anos entre a prisão e um hospital de custódia, ele foi desinternado — e agora voltou a frequentar shoppings e salas de cinema, causando medo entre lojistas e clientes.
Neste episódio, contamos todos os detalhes do massacre e da controversa decisão que o colocou novamente em liberdade.
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- Violência em cinemasMateus da Costa Meira·Shoppings·Clube da Luta·Tentativa de assalto e troca de tiros
- Reabilitação e Propósito de VidaPrevisão de alta hospitalar·Esquizofrenia paranoide·Liberdade condicional·Reação pública
- História de Jonas· ReligiaoInfância e adolescência·Transtornos mentais·Uso de drogas·Violência familiar
- Legislação e Justiça· PoliticaSistema penal brasileiro·Reforma psiquiátrica·Medidas de segurança
- Julgamento e Condenação· SociedadeSemi-imputabilidade·Diagnóstico psiquiátrico·Lista de alvos·Condenação
- Posição e características da arma· SociedadeTráfico de armas·Submetralhadora MAC-11·Mecânico Marcos Paulo
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Recentemente, uma imagem começou a circular e causou revolta. Nela aparece um homem andando tranquilamente por um shopping de Salvador, frequentando cafés, livrarias, andando pelos corredores do shopping como qualquer outro cliente. Só que esse homem não é um cliente qualquer. Ele é Mateus da Costa Meira, um homem que em 1999 entrou armado em uma sala de cinema do Shopping Morumbi em São Paulo, e ele abriu fogo contra a plateia.
Ele matou 3 pessoas e feriu várias outras durante uma sessão do filme Clube da Luta. Mateus foi condenado inicialmente a mais de 120 anos de prisão, mas hoje ele já está em liberdade depois de passar cerca de 25 anos entre presídios e também hospital ali de custódia. Ele foi solto em setembro de 2024. Quando as fotos dele passeando pelo shopping começaram a circular, a reação das pessoas, né, foi imediata, porque muita gente não conseguia entender como o autor de massacre podia estar livre, e principalmente como ele podia voltar a frequentar justamente shoppings e salas de cinema.
Os comentários diziam que em muitos outros países um crime como esse poderia resultar em prisão perpétua ou até pena de morte, mas no Brasil o Mateus está passeando nos shoppings. Bom, então como que um homem que planejou um massacre, disparou dezenas de vezes contra pessoas inocentes e tirou 3 vidas conseguiu recuperar a liberdade? E será que alguém capaz de cometer um crime como esse realmente deixou de representar um perigo?
Bom, essa é a história do massacre no cinema do no Morumbi Shopping e de uma decisão que mais de 25 anos depois voltou a chocar o Brasil. Para quem não me conhece, meu nome é Érica Miranda e todas as quartas-feiras eu trago um caso novo aqui para vocês. Muitos casos são sugestões de ouvinte e esse aqui é claro que foi muito pedido ultimamente. E esse caso realmente eu nunca tinha de fato pesquisado tanto ou nunca tinha de fato tentado entender o que aconteceu.
Sabia das notícias, eu era muito pequena quando isso aconteceu, então eu acho que foi muito interessante para poder de fato conhecer essa história e por isso que eu tô trazendo aqui hoje para que outras pessoas também conheçam, principalmente a geração ainda mais nova, né, do que a minha. Então, para quem não me conhece, vai lá no meu Instagram, @erikakmirandas, com S no final. E por lá eu sempre posto, né, o que que tá acontecendo, os últimos episódios, se eu não vou postar episódio nessa semana.
Enfim, por lá você fica, né, em tempo real. E também tem o nosso Apoia.se, que a gente tem um grupo para membros, para as pessoas que apoiam o podcast. Por lá você recebe um episódio antes dele ir ao ar, e também vocês podem mandar uma sugestão diretamente para mim. Eu tô indo passar uns dias no Brasil, e com certeza agora, se você é membro do Apoia.se aí, eu vou conseguir enviar alguns livros para vocês, para alguns membros, tá bom?
Os links estão na descrição, tanto no meu Instagram quanto do Apoia.se e de tudo mais. Então vai lá na descrição caso você queira saber mais. Então é isso. E lembrando que todas as informações que eu juntei aqui vieram de fontes como entrevistas, reportagens de veículos confiáveis, e como sempre, né, no Casos Reais. E os links para todas essas fontes estão lá no site do Casos Reais. Então se você quiser dar uma olhada, o link também tá na descrição, e é só você ir no casosreaispodcast.com.br.
Agora vamos para o caso, e essa é a história do massacre no cinema do Shopping Morumbi. O Mateus da Costa Meira nasceu em Salvador no dia 4 de abril de 1975 e parece que a família tinha boas condições financeiras. O pai, o Deolindo, era oftalmologista e a mãe, Aline, era enfermeira. Ele cresceu, ou seja, num lar assim de classe média alta. E desde pequeno, Mateus já era descrito como menino mais quieto e introspectivo. Na década de 80, ele estudava em uma das maiores escolas particulares de Salvador, o Instituto Social da Bahia.
E enquanto os outros meninos iam brincar e fazer amizade ali no intervalo, no recreio, o Mateus preferia ficar sozinho. Ele gostava de ficar lendo e estudando no canto dele. E ele cresceu assim, quieto e com poucos amigos. E ele ficar ali no canto dele estudando não quer dizer que ele necessariamente estava tirando boas notas. Ele também é descrito ali como um aluno apático e que também não ia muito bem na escola. E por conta desse jeito dele mais fechado, que não gostava de socializar e tal, o Mateus acabou que sofria bullying naquela época.
Os colegas zoavam ele, faziam vários comentários maldosos e pesados, vocês sabem, né, as crianças. Além disso, também tem uma outra característica que o Mateus tinha De acordo com o Metrópoles, quando o Mateus tinha 14 anos, a brincadeira favorita dele era ir para o sítio da família, pegar uma espingarda de chumbinho, apontar para os passarinhos, ratos e até para macacos que ficavam em cima das árvores, né, micos, essas coisas, e atirar neles.
Ou seja, além de quieto, Mateus também desde cedo já mostrava um lado agressivo, né? E com o tempo, esse lado violento foi só crescendo. Parece que o Mateus brigava muito com os pais e com a irmã, e o clima parecia tão ruim que durante as férias escolares os pais precisaram sair de casa porque eles não aguentavam ficar perto do Mateus. E não fica muito claro ali com quem ele ficava quando as familiares saíam. Não sei, talvez eles contratavam alguma ajuda, isso não ficou muito claro para mim.
E para piorar, ele também agredia a família fisicamente. Parece que o Mateus tinha o costume de dar socos ali no braço do pai, o que deixava o Deolindo com hematomas. E ainda teve uma vez que o Mateus teria chegado a dar um soco tão forte no pai dele que quebrou 3 costelas dele, de acordo com o Metrópoles. As fontes também relatam uma vez que o Mateus saiu correndo atrás da irmã com uma faca e ele queria machucá-la, tá? Ou seja, por isso tudo aí que dá pra ver, o clima naquela casa não era muito bom, né?
E depois de todas essas situações, é claro que o Deolindo e a Aline, né, ficaram preocupados ali com o filho. Então eles resolveram levar o Mateus em psicólogos e psiquiatras pra poder tentar entender o que que tava acontecendo e ajudá-lo. Só que nessa época parece que nenhum tratamento acabou indo pra frente. E ainda na adolescência, o Mateus começou a apresentar vários sinais de que ele tinha transtornos mentais mais sérios.
Ele começou, por exemplo, a relatar que se sentia perseguido e que ouvia vozes que mandavam ele tirar a vida de alguém. Mas por mais preocupante que isso tudo fosse, a família tentou seguir a vida normalmente, lidando ali com isso enquanto eles seguiam a rotina. E assim o tempo foi passando, até que no começo dos anos 90 chegou aquele momento em que muda a vida de qualquer adolescente, né? A hora de ir para o vestibular, né? De prestar ali o vestibular.
Nessa época, os pais fizeram ali uma proposta para o Mateus: se ele passasse em uma faculdade, eles deixariam ele se mudar de de Salvador para São Paulo para estudar. Eles iam pagar todas as despesas dele e ainda iam mandar para ele uma mesada para que ele conseguisse começar a vida dele sozinho. Bom, parece que os pais achavam que essa mudança poderia ajudar o Mateus a melhorar, que uma cidade nova, uma faculdade e uma rotina diferente fariam ali bem para o filho.
Bem, pelo menos essa era a ideia. E em 1992, quando ele tinha 17 anos, ele realmente passou na faculdade. Ele passou em medicina na Santa Casa e queria estudar para se tornar oftalmologista igual ao seu pai. E como combinado, ele acabou se mudando de Salvador e foi morar sozinho em um apartamento em Santa Cecília, no centro de São Paulo. Os pais bancaram ali a mudança e passaram a pagar as despesas do filho. E parece que só a mensalidade da faculdade, né, como a gente sabe, era de R$1.040 por mês, o que na época, né, gente, era uma fortuna, tá?
Mas a gente sabe o quanto que é caro fazer faculdade de medicina, né? Enfim, porém mudar de cidade não fez o comportamento do Mateus mudar. Os colegas da turma dele descrevem que o Mateus era um cara super discreto, que quase não falava com ninguém e que ele não chamava atenção nas aulas. Ele ficava no canto dele, não fazia questão de se enturmar com absolutamente ninguém. E ele também continuou sofrendo bullying, e dessa vez era por conta do sotaque que ele tinha nordestino.
Enfim, gente, que triste, né? Bom, e com o passar dos anos em São Paulo, as questões do Mateus foram só se aprofundando. Por volta de 1998, no 5º ano da faculdade, ele se recusou a fazer plantões e atender pacientes, né, que era uma atividade obrigatória para ele se formar. É quase que um estágio, né, na parte de medicina. E na hora a reitoria ficou preocupada porque parecia que o Mateus tava tendo cada vez mais dificuldades ali para se socializar e também para se relacionar com as pessoas.
A Folha de São Paulo conta que por conta disso a faculdade encaminhou ele para o REPAM, que é a retaguarda emocional para o aluno de medicina. Basicamente era um departamento ali que oferecia apoio psicológico para os estudantes, e a ideia era que o Mateus começasse a conversar com uma psicóloga para poder entender melhor o que que tava acontecendo e também para aprender a lidar ali com as questões que ele tinha. E o Mateus chegou a ir nessa primeira sessão, só que ele nunca mais voltou.
E parece que o pessoal dessa clínica, né, desse departamento, ligou várias vezes tentando marcar novas sessões, só que ele simplesmente parou de atender. E esse isolamento não aconteceu só na faculdade. Dentro de casa era a mesma coisa. O Mateus se trancava no quarto e ficava lá preso por horas, com medo de que os vizinhos estivessem observando ele pela janela, sendo que o quarto dele nem janela tinha. Ele também tinha medo de que os vizinhos pudessem, por exemplo, dar um tiro nele.
Um zelador do prédio, por exemplo, contou que o Mateus não abria a porta nem para as pessoas mais próximas a ele. E como a gente sabe, ele quase não falava com ninguém. Vizinhos e funcionários ali do prédio onde ele morava contaram que ele passava pelos corredores sem cumprimentar as pessoas. Eles descreveram Mateus como um cara antissocial e triste. Um dos porteiros do prédio também contou que o Mateus achava que tinha alguém perseguindo ele a todo momento.
Teve uma vez que o Mateus pediu a chave da casa de força do prédio, né, que onde ficam as instalações elétricas de todos os prédios, né, porque era ali que a suposta pessoa que tava perseguindo ele tava se escondendo. Gente, tudo isso ali, né, como a gente consegue ver, eram sinais de que os transtornos psicológicos do Mateus estavam só se aprofundando. E em 1999, no último ano da faculdade, quando ele tinha 24 anos, ele também passou a ter um hábito que não ajudava a situação dele.
Ele começou a usar drogas. Em certo momento, ele teria começado a usar cocaína e até crack. E para sustentar esse vício, o Mateus parou de pagar as contas. As contas começaram a chegar debaixo da porta dele e ele simplesmente ignorava. Ele parou de pagar a TV a cabo e até a taxa do condomínio, que na época ali era de R$250. Além disso, para tratar ali os transtornos mentais, o Mateus também usava um remédio chamado Zyprexa, que é um antipsicótico bem forte.
E ele tinha costume de misturar esse remédio com as drogas, o que claro não fazia bem. Até que em outubro de 1999, a situação do Mateus chegou em um ponto ainda mais preocupante. No começo do mês, o Mateus apresentou o que as fontes chamaram de, abre aspas, um quadro de agitação psíquica, fecha aspas. E não fica claro o que que aconteceu, mas o certo é que por conta desse episódio, os psiquiatras do Mateus decidiram interná-lo na Clínica Parque Julieta.
E lá dentro ele não teve mais nenhum episódio violento e ficou estável. E por conta disso, 9 dias depois, no dia 20 de outubro de 99, o Mateus recebeu alta. Só que tinham duas condições para ele voltar para casa. Primeiro, o Mateus precisava prometer que ele ia continuar tomando os remédios dele. E segundo, o pai, o Deolindo, ele precisava ficar ali alguns dias com o Mateus em São Paulo para poder acompanhar ele de perto e garantir que o filho ia realmente tomar esses remédios.
E foi o que o pai dele fez. Ele saiu de Salvador, foi para São Paulo e ficou cuidando ali do Mateus alguns dias. Só que o Deolindo tinha pendências para resolver em Salvador, né? E como o Mateus já parecia estar melhor, ele decidiu voltar para casa. Então assim, no dia 27 de outubro, o Deolindo voltou para o Nordeste. Ele achou que ia ficar Tudo bem, né, gente? Enfim, ele precisa voltar para vida dele. Só que não foi isso que aconteceu.
Assim que o Mateus ficou sozinho em São Paulo, no dia 28 de outubro de 1999, ele parou de tomar os remédios. Então, uma semana depois, chegou o dia 2 de novembro de 1999, e desse ponto em diante, Mateus começou a fazer uma série de ações que iam resultar no que que a gente tá trazendo aqui para o podcast hoje. Nesse dia, o Mateus saiu do prédio onde ele morava em Santa Cecília e se hospedou no Príncipe, um hotel que ficava perto da casa dele.
Isso ficava no Centro de São Paulo. E o Mateus passou o dia inteiro no quarto sozinho, isolado de tudo. Ele ficou o dia inteiro comendo filé grelhado, chocolate e tomando refrigerante. Algumas fontes afirmam que ele também provavelmente teria usado drogas. Bom, a gente imagina que ele devia estar ali assistindo televisão, dormindo. E no dia seguinte, no dia 3 de novembro, o Mateus começou a se arrumar para sair à noite. Ele tomou um banho, começou a se arrumar e pegou uma sacola azul que tinha um item dentro e saiu do hotel.
Na portaria, ele pegou um táxi e pediu para o motorista levar ele até o Shopping Morumbi, que é um shopping de alto padrão na Zona Sul de São Paulo. E parece que foi uma corrida de mais de uma hora, e durante essa viagem o Mateus não trocou nenhuma palavra com esse motorista. Chegando no shopping, ele foi para praça de alimentação, ele comeu ali um hambúrguer e depois passou um tempo passeando, olhando o shopping, olhando as vitrines.
E foi quando o Mateus decidiu ir para o cinema. Na hora, ele comprou um ingresso para assistir o filme Clube da Luta na sessão das 21:15 da noite. Ele entrou ali na sala e sentou na primeira fileira. E a sessão não tava lotada não, tá? Parece que tinham entre 30 pessoas lá dentro, mais ou menos. Lá dentro, o Matheus ficou um tempo assistindo o filme até que ele decidiu levantar da poltrona e saiu da sala. Infelizmente, era a hora dele colocar o plano dele em prática.
Primeiro, o Matheus foi até o banheiro, parou na frente do espelho e ficou olhando para o próprio, né, para ele mesmo. Então ele tirou uma coisa daquela sacola azul ele tinha levado para o cinema, uma arma. E não era uma arma qualquer, tá? Era uma submetralhadora MAC-11 de 9mm, MAC-11 de 9mm, uma arma potente que podia disparar mais de 1000 tiros por minuto. Meu Deus do céu! Ele apontou para o espelho e então atirou. Na mesma hora, o vidro quebrou.
O Mateus queria ali testar essa submetralhadora e ela tava claramente funcionando. Então, por volta das 10:25, o Mateus saiu do banheiro e voltou para sala de cinema. Tava tudo escuro e lá dentro as pessoas estavam assistindo o filme normalmente, né? Na hora, as pessoas repararam que do lado da tela tinha a sombra de um homem parado ali olhando para o filme e depois encarando a plateia. Era o Mateus. Foi quando ele deu um tiro para cima.
Na hora, as pessoas até se assustaram, é claro. Só que exatamente naquele momento tava ali passando uma cena em que um dos atores estava falando que se os chefes dele não pegassem leve no trabalho, ele ia metralhar todo mundo. Então, quando o Mateus atirou para o teto, as pessoas acharam que fosse só uma brincadeira, uma pegadinha, mas não era. Mateus então apontou a arma para as pessoas e começou a atirar. Gente, como eu disse, não era uma arma qualquer, era uma metralhadora.
Então foram muitos tiros ao mesmo tempo, um atrás do outro. E quando as pessoas entenderam o que tava acontecendo, porque você não tem como acreditar numa coisa dessa, não tem nem como imaginar, e claro que todo mundo se abaixou imediatamente e se enfiou entre as cadeiras tentando se proteger. Algumas pessoas também começaram a viajar ali para longe dele, tentando ir para o fundo da sala, o mais longe possível de onde ele tava.
E tudo isso em silêncio, para, claro, não chamar atenção. E ele continuou atirando. Ele apertava o gatilho, parava, assistia uma cena do filme, andava pela sala, atirava mais um pouco, parava mais uma vez para assistir o filme e atirava mais. E, gente, ele não sabia mexer muito bem na arma, então Mateus meio que atirava para qualquer lado, e onde pegasse, pegou. Além disso, a arma também dava um tranco muito forte para cima, né?
Metralhadora. Ou seja, toda vez que o Mateus atirava, o tranco fazia ela subir, e assim os tiros iam pegando em vários lugares da sala, nas poltronas, nas paredes. Ele não tinha muito controle da arma. E parece que foi uma cena muito assustadora, como vocês devem imaginar, né? O barulho, tudo aquilo, enfim, sangue. Até que de repente o Mateus parou de atirar. Não dá para saber exatamente o que aconteceu, né? Se essa arma engasgou ou então se a munição acabou.
O que a gente sabe é que o Mateus parou de atirar por um momento, e foi aí que um rapaz aproveitou a oportunidade, ele levantou, pulou por cima de uma poltrona e foi para cima do Mateus. Na mesma hora, outras pessoas fizeram a mesma coisa, e em poucos segundos tinha um monte de gente em cima dele. E rapidamente eles tiraram a arma da mão do Mateus e renderam ele, que acabou não resistindo e ficou só sussurrando a palavra não ali, né, no meio disso tudo.
Por fim, as pessoas amarraram Mateus com os cadarços dos tênis ali dele, do próprio Mateus. Eles pegaram ali e amarraram. Elas contam, essas pessoas contam, que até se assustaram quando chegaram perto dele, porque porque elas acharam que ele seria um cara forte, um monstro. Só que segundo elas, na verdade, o Mateus tinha uma cara, abre aspas, de bobão, fecha aspas. Isso foi o que eles falaram, tá, gente, que você vê em matérias e tudo mais, não sou eu que tô dizendo.
E foi um contraste que deixou todo mundo meio surpreso. E só então os seguranças do shopping chegaram. O filme ali parou de ser exibido, claro, e as luzes da sala se acenderam. Os seguranças encontraram uma cena, claro que caótica: as paredes, as poltronas com várias marcas de tiro, sangue ali no meio de tudo isso, mochilas e bolsos abandonadas no chão e as pessoas, claro que chorando, em trauma, todo mundo em choque, né, gente?
Esse ataque deixou 4 feridos, infelizmente 3 pessoas perderam a vida. E o nome dessas pessoas eram Fabiana Lobão Freitas, de apenas 25 anos, ela era fotógrafa e trabalhava no Museu de Arte Contemporânea da USP. Júlio Maurício Zemaitis, de 29 anos, um dos tiros atravessou o óculos dele, infelizmente atingiu ali o olho dele. Dele. E Hermé Luísa Jatobá Vadaz, uma publicitária de 46 anos. A Hermé foi atingida na cabeça, ela chegou a ser socorrida ainda com vida, só que infelizmente ela não resistiu aos ferimentos.
Gente, se eu não tô pronunciando o sobrenome de alguém de uma forma correta, sinto muito, tá? Eu pronunciei da forma que a gente lê, tá? E por fim, a PM chegou também ali no shopping. Eles entraram no cinema, algemaram Mateus e finalmente levaram ele preso para delegacia. A notícia do crime, claro que se espalhou muito rápido, tão rápido que o Mateus teve que ser levado do shopping shopping por uma saída secundária, porque logo depois do ataque o lugar já tava cheio de jornalistas cobrindo o caso.
E na manhã seguinte, São Paulo e o Brasil inteiro acordaram em choque. O caso tava em tudo quanto é lugar, e uma pergunta começou a rondar a cabeça das pessoas: por que que ele tinha feito isso? Na época, muita gente tentou encontrar uma resposta no próprio filme que tava passando naquela noite. Isso porque Clube da Luta conta a história de um homem que quer destruir a sociedade de consumo e que também defende ataques contra lugares que representam o sistema financeiro, tipo cartórios de empresa de cartão de crédito, por exemplo, sei lá, coisas desse tipo.
Ou seja, as pessoas começaram a relacionar o ataque com a história do filme, né, com o enredo ali do filme. E tinha mais um paralelo, e agora eu vou dar um spoiler aí do filme, tá, para quem nunca assistiu. No final, a gente descobre que o personagem do Brad Pitt, que é um dos protagonistas, não existe de verdade. Ele é uma criação da mente do personagem do Edward Norton. E como o Matheus dizia que tinha transtornos mentais, muita gente começou a comparar ele com os personagens ali do filme.
Ou seja, para entender a motivação, as pessoas tentaram relacionar o que aconteceu com o filme. E além disso, como o caso ganhou tanta, né, tanta mídia e tudo mais, ele também acabou provocando reações diferentes ali nas semanas seguintes. Por um lado, teve gente que ficou muito curiosa para assistir o filme, e várias pessoas foram assistir ali em outros cinemas no país inteiro, né. As pessoas estavam curiosas, querendo entender o que que esse filme era, o que que todo mundo tava falando, se tinha alguma relação com o ataque.
E também, por outro lado, teve gente que ia nos outros shoppings morrendo de medo, né. As pessoas iam cinema e ficavam toda hora olhando as portas e tudo mais, com medo de acontecer alguma coisa parecida. Já no shopping Morumbi, 2 dias depois do massacre, eles limparam ali tudo, trocaram as poltronas e a vida seguiu. A sala 5 foi reaberta como se nada tivesse acontecido. A única mudança foi o filme, saiu O Clube da Luta e entrou American Pie, aquela famosa comédia ali dos anos 2000.
Bom, na época muita gente criticou essa atitude, considerando de respeitosa e até insensível. As pessoas acharam que por respeito ali às vítimas e aos familiares das vítimas, o cinema tinha que ter esperado pelo menos algumas semanas antes de voltar a usar aquela sala, no mínimo. Só que a reabertura também despertou ali curiosidade. Segundo a Folha de São Paulo, uma estudante chamada Thaísa Hirsch, por exemplo, que tinha 15 anos na época, foi assistir o filme American Pie na sala 5 na mesma semana do ataque.
E quando ela entrou, a Thaísa e as pessoas que estavam ali com ela ficaram olhando em volta para poder tentar identificar algum buraco de tiro, para poder de fato ver aquilo com os próprios olhos, sabe? Curiosidade, cheio de curioso. E na semana seguinte, a prefeitura mandou analisar o cinema para poder entender o que que tinha acontecido, né, se tinha acontecido alguma falha de segurança, se algum equipamento não tinha funcionado bem, essas coisas mais de segurança.
E quando os técnicos analisaram o lugar, eles descobriram que realmente tinha acontecido uma falha. Os alarmes de segurança simplesmente não tinham tocado. E por conta disso, a prefeitura mandou fechar temporariamente todas as salas do Cinema Morumbi. E, gente, enquanto isso tudo tava acontecendo, os detetives estavam interrogando o Mateus na delegacia. Ele tava super calmo, ele confessou o crime e alegou que ouvia vozes e que se sentia perseguido.
Além disso, ele explicou também todo o passo a passo do que tinha acontecido, né, que eu já contei para vocês. Os policiais também foram no apartamento dele e durante as buscas eles encontraram cocaína e crack. E depois o Mateus também confessou que tinha usado drogas ali nos dias anteriores ao crime. Só que, gente, apesar do Mateus estar explicando para os policiais tudo que tinha acontecido, ainda tinha uma pergunta que tava deixando os investigadores com uma pulga ali atrás da orelha, sabe?
Como que um jovem de 24 anos, estudante de medicina, tinha conseguido aquele tipo de arma, né, uma metralhadora. E o próprio Mateus explicou. Lembra que eu comentei para vocês que ele tinha parado de pagar algumas contas para poder comprar, né, drogas? Então tinha mais uma coisa que o Mateus fez com esse dinheiro. E para entender isso, a gente precisa voltar alguns meses no tempo. Segundo as notícias da época, o Mateus era um cara que trocava de carro toda hora.
Ele tava sempre com um carro novo. E em algum momento, no segundo semestre de 1999, alguns meses antes do crime, o Mateus estava dirigindo um Chrysler Neon e foi quando ele bateu esse carro. A gente não tem detalhes do acidente, mas foi uma batida muito forte, pelo que parece. O carro ficou bem destruído e por conta disso o Mateus acionou o seguro e recebeu um veículo reserva. Só que tinha uma coisa: esse carro novo tinha um câmbio manual e o Mateus estava acostumado a dirigir só com câmbio automático.
E foi aí que ele teve uma ideia: contratar alguém para dirigir por ele, tipo motorista particular. Então ele foi atrás de um mecânico no bairro Jardim Miriam, chamado Marcos Paulo Almeida dos Santos, e fechou o negócio. O Marcos ia trabalhar para o Mateus como motorista. A princípio, esse trabalho ali era simples, ele só tinha que levar o Mateus de um lugar para o outro. Mas em paralelo, esse motorista também tinha um outro trabalho, um trabalho ilegal.
Ele traficava armas. Bom, e quando o Mateus descobriu isso, com aquele dinheiro que tava guardado ali, o Mateus pagou mais de R$5.000 e comprou a submetralhadora. E assim que ele conseguiu a arma. Ou seja, o Matheus confessou que ele tinha comprado ela com antecedência, não foi nenhum impulso. E agora, voltando para cronologia do caso, na delegacia o Matheus também confessou que ele realmente tinha escolhido uma sessão daquele filme, né, do Clube da Luta, de propósito, porque assim como ele, o personagem principal também tinha transtornos mentais.
E depois de confessar tudo, o Matheus ficou anos preso, tá? Primeiro ele ficou preso em uma delegacia no bairro Santa Cecília, e depois a justiça transferiu o Matheus para o Centro de Observação Criminológica, que era ali o setor psiquiátrico do Carandiru. E quando o Carandiru fechou em 2002, o Mateus foi transferido para Tremembé, até que em junho de 2004, mais de 4 anos depois do massacre, o Mateus finalmente foi levado a julgamento.
E aí começou uma briga de versões do porquê o Mateus tinha cometido aquele crime. Na justiça, a defesa argumentou que Mateus não tinha plena consciência dos próprios atos. E com esse argumento, ele tentou fazer colar a versão ali da semi-imputabilidade. Ou seja, eles afirmaram que Mateus tinha sim cometido um crime, mas que na verdade, por conta dos transtornos que ele tinha, ele tinha só uma compreensão reduzida ali dos próprios atos, o que daria para ele uma pena reduzida.
Já a acusação argumentou que isso tudo não era verdade, e por vários motivos. Primeiro, porque o Mateus tinha comprado a arma com antecedência, e ele ainda tinha confessado que a ideia de matar alguém já passava pela cabeça dele há anos, pelo menos desde a adolescência. Além disso, antes do julgamento, alguns médicos realizaram um exame de sanidade mental no Mateus e concluíram que ele tinha plena capacidade de entendimento dos fatos.
Os próprios policiais do caso dizem que durante os interrogatórios, por exemplo, Mateus conseguia, né, dialogar e ter os pensamentos ali de uma forma bem lógica, sabe? E mais, o Mateus era estudante de medicina e tinha o conhecimento técnico para saber exatamente o que, né, poderia acontecer se ele parasse de tomar o remédio e se também misturasse ele com qualquer outro tipo de droga, sabe? E os detetives ainda também descobriram uma coisa muito macabra.
Enquanto o Mateus estava preso ali esperando o julgamento, ele escreveu uma lista de pessoas que ele ainda pretendia tirar a vida. E essa lista incluía os jurados que estavam julgando ele, os próprios advogados de defesa, jornalistas e médicos que deram laudos contrários ao Mateus. Ou seja, gente, para acusação não tinha ali nenhuma dúvida. Era claro que o Mateus sabia exatamente o que ele tinha feito. E para eles parecia que o Mateus era um assassino frio, um cara que tinha traços de psicopatia e que tinha planejado um atentado.
Segundo o Globo, Mateus ainda disse, né, uma vez, que ele escolheu o cinema porque, por exemplo, se ele escolhesse a Câmara dos Deputados, ele teria sido pego ali antes do crime por conta dos detectores de metal. Então ele pensou também nessa opção, me que acontece. Bom, no fim das contas, depois de 3 dias de julgamento, saiu a decisão da justiça. O Mateus foi considerado culpado e sentenciado a 120 anos e 6 meses de prisão. Na hora, o Mateus ouviu a sentença sem demonstrar nenhuma reação ou remorso, apático.
E já os familiares e amigos das vítimas aplaudiram a decisão e começaram a gritar ali contra o Mateus, chamando ele de assassino. Esse não foi o único desdobramento que esse caso teve na justiça. E, gente, logo depois do ataque, como vocês devem imaginar, as pessoas que escaparam ali do massacre afirmaram que ficaram traumatizadas e decidiram entrar com processo na justiça contra o Shopping Morumbi, né, contra alguém, né, pedindo indenização daquela situação.
E os familiares das vítimas fatais também fizeram a mesma coisa, entre eles as filhas da Hermé e os pais do Júlio. Na época, algumas dessas ações até tiveram decisões favoráveis em um primeiro momento. Em 2004 e 2006, por exemplo, a justiça condenou o shopping a indenizar as filhas da Hermé em R$300 mil. Só que com o passar dos anos, o Morumbi, shopping entrou com vários recursos na justiça. E o argumento deles era o seguinte: a lei brasileira não obriga shoppings a revistar todo mundo que entra no local.
E além disso, o shopping também afirmou que o crime era imprevisível e que poderia ter acontecido em qualquer lugar público. E por isso, para defesa, o shopping e o cinema não poderiam ser considerados culpados pelo ato do Mateus. E eventualmente a justiça concordou com esse argumento. Os juízes entenderam que nem o Shopping Morumbi e nem o cinema tinham culpa pelo massacre. Assim, até onde se sabe, parece que essas indenizações não foram para frente.
Em 2009, o Mateus, que até então tava preso em São Paulo, foi transferido para Penitenciária Lemos Brito em Salvador para ficar mais perto da família. E de lá para cá, várias coisas aconteceram. Primeiro, a justiça reduziu a pena do Mateus de 120 anos para 48 anos e 9 meses de prisão. Na prática, essa redução não significou muita coisa porque a lei brasileira estabelece um limite de tempo que uma pessoa pode ficar em um regime fechado por um crime.
Hoje esse limite é de 40 anos, só que na época era de 30. E tanto a pena de 120 anos quanto pena de 48 anos eram maiores do que esse limite. Ou seja, de uma forma ou de outra, ele ia sair ali do regime fechado depois de cumprir 30 anos de pena, e isso seria em 2029. Só que antes que ele pudesse passar esse tempo todo na prisão, aconteceu uma coisa. Em maio de 2009, quase 10 anos depois do ataque no cinema, o Mateus dividia cela com um espanhol de 68 anos chamado Francisco Vidal Lopes.
E parece que o Francisco tava fazendo muito barulho, ele tava assistindo a televisão ali com volume alto, e esse barulho irritou o Mateus. Irritou tanto ele que ele pegou uma tesoura e atacou o Francisco. O Mateus desferiu ali golpes contra a cabeça dele. Na época, o Francisco não morreu, mas ele ficou muito machucado. E por conta dessa tentativa de homicídio, o Mateus foi levado a julgamento mais uma vez, e agora na Bahia. Só que dessa vez o resultado foi diferente.
Em São Paulo, 10 anos antes, a justiça tinha entendido que o Mateus sabia exatamente o que ele tava fazendo no cinema. Só que dessa vez, em 2011, a justiça da Bahia entendeu que ele não tinha condições de entender que o ataque ali que ele fez ao Francisco, né, o ataque que ele fez era errado. Isso porque o Mateus passou por novos exames e os laudos constataram que ele tinha esquizofrenia paranoide, ou então que desenvolveu ela.
E por conta desse diagnóstico, em 2011, o juiz não condenou o Mateus pelo ataque contra o Francisco e determinou que ele fosse transferido por tempo indeterminado para o hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. Ou seja, o Mateus parou de cumprir a pena dele em um presídio comum e passou a cumprir uma medida de segurança em um centro de tratamento para pacientes psiquiátricos, para poder tentar ajudar o Mateus com a doença dele.
E além disso, uma nova política entrou em vigor no Brasil mais ou menos nessa época. E essa política, amparada ali pela Lei da Reforma Psiquiátrica, estabelece que uma pessoa só pode continuar internada em casos excepcionais, quando ela representa algum perigo para as outras pessoas ou para si mesma. Ou seja, a prioridade é tratar a pessoa em casa. Por isso, em setembro de 2024, depois do Mateus ter ficado 12 anos preso, né, mais 13 anos recebendo tratamento, a Justiça da Bahia concluiu que ele já condições de voltar ao convívio social.
E assim o Mateus ganhou uma espécie de liberdade condicional. Ele foi desinternado e saiu do hospital, mas foi proibido pela justiça de sair à noite e de frequentar festas, bares e casas de jogos. Ele também foi proibido de portar armas, beber álcool e usar substâncias ilícitas. Além disso, ele foi obrigado a continuar tomando ali os remédios dele e que também ele deve continuar ali o acompanhamento psiquiátrico dele. Na época, os pais do Mateus até demonstraram medo e ficaram com um pé atrás de receber o filho em casa.
Afinal, o Mateus já tinha sido violento da família várias vezes, né? E recentemente a gente sabe que esse caso deu o que falar, porque a gente sabe que agora em 2026 o Mateus tem 51 anos e ele tá morando sozinho em uma kitnet que fica do lado do Shopping Barra em Salvador. E gente, isso tem assustado muita gente, né? Porque ele voltou a frequentar shoppings, ele passeia pelas livrarias, come em praça de alimentação, ele voltou a viver a vida dele, sabe?
E tem várias fotos do Mateus dentro de shopping circulando ali nas redes redes sociais e em grupos. E segundo o Globo, essas aparições têm causado pânico entre as pessoas e os lojistas de Salvador, porque muita gente tem medo que o Mateus volte a fazer alguma coisa. E a decisão de desinternar o Mateus foi muito criticada, né? Parece que alguns psiquiatras disseram que consideraram Mateus um psicopata, um cara inteligente, manipulador e sem empatia, e que em liberdade ele ainda pode colocar muitas outras vidas em risco.
Só que ao mesmo tempo, algumas pessoas consideram que o Mateus já cumpriu a pena e recebeu o tratamento, e que depois de todos esses anos ele já reabilitado e poderia voltar a conviver em sociedade. Pela lei brasileira, ele não pode ser internado ou preso preventivamente para evitar que ele cometa um possível crime. Mas se o Mateus eventualmente cometer algum outro delito, ele pode voltar a ser condenado ou internado. Gente, no final de todo episódio tem a minha opinião e opinião do Lucas, tá?
A minha opinião nesse caso é tipo assim: como assim, gente? Eu não gosto de— acho que é lei brasileira, a gente tem que sempre se apoiar na lei, né? E a lei, eu não gosto de ir contra nosso sistema ou de ir contra as nossas leis. Existem muitas coisas por trás disso, é muito mais complexo do que simplesmente eu chegar aqui para vocês e falar que é um absurdo, porque de fato é um absurdo, porém é muito mais complexo do que apenas isso, né?
A gente sabe que uma pessoa que tem transtornos mentais, até para gente hoje em dia é muito difícil entender e caracterizar isso nas leis, e como que o diagnóstico ainda é um problema. Você vê que vários diagnosticaram ele há 20 anos atrás como psicopata e agora já não diagnosticam mais. Então assim, é muito complicado, nesse caso. Mas eu acho que é um absurdo, é sim, tá? Como uma cidadã, como uma brasileira, eu acho um absurdo você poder estar passeando no shopping e se deparar com ele, tá?
Eu acho que, gente, sei lá, botar uma, pelo menos uma tornozeleira, algo desse tipo, para que ele não frequentasse alguns lugares públicos como esse, sabe? É em que ele pode ser realmente uma ameaça, sabe? Enfim, a conversa é muito mais complicada do que simplesmente eu dizer aqui para vocês que eu acho um absurdo, né? É uma conversa muito mais profunda. E dá para fazer um episódio só falando sobre isso. É muito complicado, de fato.
Dá até para trazer, se vocês quiserem, eu trago um advogado para a gente discutir esse caso, às vezes até pesquisar um pouco mais sobre realmente decisões e por que que a gente chegou nesse resultado, que é ele andando livremente hoje no shopping, né, e frequentando lugares públicos assim, sendo que ele realmente pode ser um risco à sociedade, né. Provavelmente existem com certeza laudos aí que dizem o contrário, que ele provavelmente pode estar convivendo em sociedade.
Mas, gente, pelo amor de Deus, quem não teria medo, né, gente? Quem não ficaria nervoso de estar num ambiente público e se deparar com ele? Eu acho que pelo menos uma tornozeleira aí precisaria. Mas essa é a minha opinião, tá? Agora vamos ouvir a opinião do Lucas. Lucas, o que que você acha sobre esse caso?
Oi, Érica! Oi, gente! Nesse caso eu fiquei perplexo com a facilidade com a qual o Matheus conseguiu comprar uma arma. Bom, pelo menos na minha opinião, ele não é uma pessoa que deveria estar andando armada, né? Mas mesmo assim ele conseguiu com alguma facilidade que a submetralhadora que ele usou no crime não foi nem a primeira arma que ele comprou. Um mês antes ele tinha comprado uma pistola, só que aí as fontes não especificam, mas ou ela não tava funcionando ou ele queria uma que tivesse mais poder de fogo e ele trocou com o mecânico.
Então ele comprou uma pistola primeiro e depois trocou por uma, por uma submetralhadora. Uma facilidade grande que eu fiquei assim perplexo. Hoje em dia não é tão fácil assim conseguir armas, ainda bem, tudo bem que No caso dele foi com traficante, mas hoje o Brasil passou aí por um desarmamento, o governo enfim promoveu um desarmamento que não é tão fácil assim, mas na época era muito mais fácil.
Então é isso, pessoal, muito obrigada para quem ficou até aqui. Não deixa de me dizer o que que você achou desse caso e se vocês acham que merece mais aí uma parte para a gente trazer algum especialista para a gente analisar melhor essa questão aí. Beijo, pessoal, vejo vocês na próxima quarta-feira com mais um caso.
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