ASSASSINATO: O Caso de Itumbiara
Poucas horas antes do crime, Thales Machado publicou um vídeo dos filhos, Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8, dizendo que os amava. Naquela mesma noite, após descobrir que a ex-mulher estava seguindo a vida depois da separação, ele colocou em prática um plano premeditado para atingi-la da forma mais cruel possível: usando os próprios filhos.Sugira casos: casosreaispodcast.com.brApoie e receba episódios antes: apoia.se/casosreaisSiga: @casosreaisoficial | @erikamirandasRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeos
- Investigação Policial· SegurancaAnálise da cena do crime · Confirmação de premeditação · Motivação: violência vicária
- Caso Bernardo BoldriniCaso de Itumbiara - Thales Naves Alves Machado · Saída de Bolsonaro da UTI · Miguel e Benício Araújo · Violência vicária · Premeditação do crime
- Sequência de Eventos da Noite do CrimeCompra de gasolina · Ligação para Sara · Postagem nas redes sociais · Chegada do pai de Sara
- Fabiano Zettel InvestigaçãoContratação de detetive · Rastreamento de Sara · Confirmação de encontro
- Demissao e ConsequenciasFake news e especulações · Culpa atribuída a Sara · Orientações da Defensoria Pública · Criação da lei do vicaricídio
- Contexto social e familiarRelacionamento de Thales e Sara · Separação e crise conjugal · Imagem pública de Thales · Luiz Araújo
Gente, esse caso aconteceu agora em fevereiro desse ano e tem uma coisa que eu simplesmente não consigo tirar da cabeça. Tem um vídeo que circulou muito ali na época e ele mostra um pai gravando os filhos todo orgulhoso. O caçula tá ali no colo do pai desenhando e sorrindo, e do outro lado da sala o irmão mais velho tá treinando tipo artes marciais. E o pai gravou aquela cena, né, mostrou nas redes sociais e escreveu que amava as crianças.
Sabe quando você bate ali o olho em um post no Instagram e tal e pensa, nossa, né, que pai presente, que fofo? Era exatamente essa situação, só que Poucas horas depois desse vídeo ir ao ar, a noite tomou um rumo completamente diferente e terminou num crime tão bizarro que ninguém nem poderia imaginar. Que isso acabou fazendo o Brasil inteiro acordar no dia seguinte chocado, falando sobre essa história, né, falando sobre essa família e sobre esse pai.
E todo mundo também tentando entender uma coisa: como é que uma pessoa que parece tão carinhosa, presente, é capaz de ser algo tão cruel? Pra quem não me conhece, meu nome é Erika Miranda e todas as quartas-feiras eu trago um caso novo aqui no podcast. E muitos são sugestões de ouvinte, assim como esse. Recebi lá no meu email, muitas pessoas me mandaram essa sugestão de caso. Então se você quiser mandar uma sugestão de caso, você pode ir lá no nosso Apoia.se, apoiar o podcast, porque gente, é muito difícil manter isso aqui rodando.
Eu recebo várias mensagens, pessoas falando, ah, faz mais episódios, faz 2 dias por semana. Gente, se é difícil manter 1 dia por semana, imagina 2. Eu queria muito fazer, mas se você quiser apoiar o podcast lá no Apoia.se, isso pode fazer com que a gente realmente consiga fazer isso realidade, beleza? Então se você apoiar ali, eu acho que você pode apoiar com valor de um lanche, menos de um lanche eu acho, e já ajuda aqui bastante para manter o podcast indo e talvez aumentar o número de vezes.
Beleza? Então vai lá no Apoia.se, o link tá na descrição, mas você também pode ir lá no nosso site. Por lá eu recebo diretamente no meu email sugestões de caso. Beleza? A galera lá do Apoia.se tem acesso aos episódios antes deles irem ao ar aqui, e também temos um grupo de WhatsApp. Então é isso, não deixa de ir lá nas minhas redes sociais, publica que você tá escutando o podcast nos seus stories, me marca, eu sempre vejo. Meu Instagram é @erikakmirandas, com S no final, e por lá você também pode mandar a sua sugestão.
Então agora vamos para esse caso, gente. Se prepara, porque esse caso aqui, se você não conhece, é um caso brasileiro que eu queria muito trazer há muito tempo já, mas eu tava esperando as coisas realmente acontecerem e a história ficar mais clara, né, gente? Você sabe muito bem que às vezes eu não gosto de ir ali no hype e trazer um caso, falar sobre ele logo quando acontece. Eu prefiro estudar ele melhor, esperar que as coisas fiquem mais claras, que a gente consiga ver com mais clareza.
Esse é o caso de hoje. Mas um recado que eu sempre dou, né, antes de começar nesse tipo de caso, é como acontece muito hoje em dia, sempre que uma história ganha essa repercussão toda, né, a internet virou uma loucura. E o crime aconteceu há pouco tempo, como eu disse, em fevereiro de 2026. E não deu outra, no TikTok, nas outras redes sociais, começaram a circular vários conteúdos sobre esse caso, e alguns com informações verdadeiras, mas também tem outros com especulações e muita fake news, tá?
E por isso, antes da gente entrar nesse caso aqui de verdade, eu quero deixar uma coisa clara: tudo que eu tô trazendo aqui para vocês são de fontes sérias, confiáveis, é veículos de imprensa que a gente realmente consegue se basear, e informações divulgadas pelas autoridades. Tudo que a gente vai se basear aqui foi apurado, e também a gente separou o que é boato do que é verdade, para você ficar aí por dentro do que de fato aconteceu, sem se perder aí no meio de tanta coisa que tem na internet e que muitas delas podem não ser verdade, tá?
Então, recado aí dado. Se você quiser as fontes do episódio de hoje, se eu não conseguir deixar na descrição, que às vezes tem um limite da descrição, eu coloco sempre no site, tá? Então vai lá no site que você vai encontrar as fontes. Então vamos para o caso da semana, e essa é a história do assassinato do Miguel e do Benício Araújo, que o caso ficou mais conhecido como o caso de Itumbiara. Esse caso começa com o Thales Naves Alves Machado.
Na época, ele tinha 40 anos e morava em Itumbiara, que é uma cidade que fica em Goiás. Para vocês conhecerem um pouco mais sobre ele, o Thales nasceu nessa cidade, cresceu lá e também construiu a vida profissional dele ali. E em 2025 ele trabalhava como secretário de governo da prefeitura. Na prática, ele atuava como uma espécie de braço direito da administração e também parece que ele cuidava de articulações políticas e também de questões administrativas da prefeitura.
Ou seja, ele era uma pessoa próxima ali da gestão municipal. E como ele tava envolvido na política, o Thales era um cara influente, né, como vocês devem imaginar. Ele conhecia muita gente, circulava pela cidade e também era relativamente ativo nas redes sociais. Tem inclusive um vídeo que ele postou que ele aparece dentro de um carro falando um pouco sobre a vida dele para as pessoas. Eu vi esse vídeo, parece que o Thales está se apresentando, sabe, como se ele tivesse contando um pouco da vida para quem não conhece ele.
E nesse vídeo ele parece meio que se vendendo como um cara de família, um homem que amava o lugar onde nasceu e que tinha orgulho de morar ali, e que tava na prefeitura para fazer a diferença. E pelo que dá para entender ali, era mais ou menos essa imagem que ele tentava projetar, tá, de alguém presente, preocupado, que gostava de cuidar do lugar onde vivia e das pessoas ali que cresceram que cresceram ao redor e que enfim fazem parte da cidade.
Nessa época, o Thales era casado com a Sara Tinoco Araújo e os dois já estavam juntos há 15 anos. A Sara é empreendedora e segundo alguns jornais locais ela gerencia uma loja da Famóveis, que é uma loja de móveis planejados, e ela também administra um quiosque da We Pink, que é uma marca, né, de cosméticos dentro de um shopping. Além disso, o Thales e a Sara tinham dois filhos, o Miguel de 12 anos e o Benício de 8. Eu vou deixar aqui uma foto da família na tela para vocês verem, para quem tiver aqui assistindo esse episódio alguma plataforma de vídeo.
E nessa foto dá para a gente ver os 4: o Thales, a Sara, o Miguel e o Benício. Todo mundo ali, né, na frente de uma árvore de Natal, sorrindo, uma família unida, me parece. E tem mais um detalhe: o Thales era genro do prefeito, o Diony Araújo, da União Brasil. E a relação do Thales com a política tava crescendo cada vez mais, porque além, né, dele ser genro do prefeito e já trabalhar na prefeitura, o Thales também tava sendo lançado aí como pré-candidato a deputado estadual para essa eleição de agora, de 2026.
Ou seja, ele não era só uma pessoa conhecida na cidade, ele também tava ganhando cada vez mais espaço político. Segundo jornalismo do SBT, pessoas próximas ao Thales descreveram ele como um pai presente, um homem querido e bem relacionado. E parece também, como eu disse, nas redes sociais ele projetava essa imagem de marido carinhoso, postando fotos e vídeos da família e fazendo várias declarações de amor para Sara e para os filhos.
E tem um motivo para a gente estar no Casos Reais hoje, para essa história tá no Casos Reais hoje, é porque parece que por trás dessa imagem a história real era diferente. De acordo com o jornal local, uma moradora da cidade dito que conhece o Thales desde jovem, né, desde pequeno. E segundo ela, ele não era nenhum exemplo de moral, pelo contrário. Ela afirmou que ele escondia muitos podres. E, gente, não é que nem a gente quando é adolescente que esconde podre, que fez, né, foi para balada e voltou, sei lá, ficou com alguém que a gente não queria e tudo mais.
É um podre pior, tá? Senão a gente não estaria trazendo aqui no podcast. E por mais que o relacionamento ali pudesse parecer ótimo por fora ali da família, parece que dentro de casa, pelas fontes que a gente trouxe aqui, a situação já tava bem diferente. O Thales e a Sara estavam tendo vários problemas conjugais. E essa crise foi só crescendo até chegar a um ponto em que a Sara tomou uma decisão: ela decidiu se separar. Parece que eles já tinham se separado ou estavam nesse processo há pelo menos 2 meses, desde dezembro de 2025.
O próprio jornal O Globo se refere à Sara como ex-mulher do Thales. E, gente, nesse ponto tem uma parte meio confusa. Alguns jornais locais noticiaram que em fevereiro de 2026 o Thales e a Sara ainda estavam morando juntos, e que para quem via de fora não tinha nenhum sinal público claro de que o casamento tinha acabado. Só que ao mesmo tempo Outras fontes, e fontes confiáveis, dizem que os dois já estavam até colocando em prática ali uma guarda compartilhada pra ali separar os dias em que cada um ia ficar com os filhos.
E isso, claro que já dá uma outra impressão pra essa história, né? Porque se eles estavam ali já dividindo os dias com as crianças, provavelmente aquela rotina de casal morando junto já não existia mais. Alguma coisa ali não era mais como era antes, né? Então assim, não dá pra gente dizer aqui exatamente como era a rotina dos dois naquele momento. Mas uma coisa as fontes deixam bem clara: O divórcio era certo, tá? A Sara não queria mais nada com Thales e tava ali seguindo a vida dela.
E como ela tava ali, né, seguindo a vida dela solteira, ela acabou conhecendo uma outra pessoa. Só que por outro lado, Thales não aceitou muito bem esse fim do casamento, né? A gente já viu essa história antes. De acordo com as fontes, vários moradores comentaram nas redes sociais que ele já vinha demonstrando um comportamento obsessivo ali em relação à ex-esposa há algum tempo, até que chegou fevereiro de 2026. E nessa semana, o aniversário do Thales estava chegando, e por isso os meninos estavam ali com ele.
No dia 11, por exemplo, o Thales postou um vídeo com os filhos nas redes sociais. E nesse vídeo dá para a gente ver que ele tinha levado o Miguel, de 12 anos, para treinar jiu-jitsu. E enquanto o Miguel tava ali no tatame, né, lutando ali, o Benício, de 8 anos, tava no colo do pai desenhando e sorrindo. Era uma cena, né, fofa, bonita, né? E o Thales postou esse vídeo com a legenda, abre aspas, que Deus abençoe sempre meus filhos, papai ama muito, fecha aspas.
Quem posta muito, né, gente? É complicado. Quem posta muito mostrando que é uma coisa nem sempre é, né? Antes da gente continuar, beba água. Recentemente eu vi uma galera reclamando que não via a hora de eu parar de falar para beber água, que eu não preciso interromper a narração para isso. Gente, é literalmente para poder lembrar vocês, tá? Eu poderia estar tomando sem cortar aqui na edição, mas é só para lembrar vocês. E também, se alguém quiser anunciar, esse é o momento perfeito para anunciar uma bebida, um café, algo do tipo.
Ó, se tiver alguém aí ouvindo, Não, gente, mas é bom porque a gente para um pouquinho, né, e se lembra de alguma coisa que a gente tem que fazer todos os dias, que é beber uma aguinha. Até eu me esqueço às vezes, tá? Então ele postou essa foto ali, né, pai perfeito. Só que enquanto isso, a Sara não tava na cidade, ela tinha viajado para São Paulo. E parece que o Thales tava tão obcecado por ela que ele contratou um detetive particular por R$3.000 para seguir a ex-esposa e descobrir se ela tava saindo com alguém.
Mas o Thales não ficou só nisso. Nesse mesmo dia, dia 11 de fevereiro, além de acionar o detetive, ele também foi atrás da resposta de outro jeito. Ele pressionou uma pessoa ligada a ele e a Sara, e pressionou tanto essa pessoa, né, para poder ter mais informações ali, que ela acabou falando. E assim, durante a tarde, o próprio Thales conseguiu a resposta que ele queria. Sara tava sim saindo com um homem. E tem mais, o Thales também descobriu quem era essa pessoa e repassou a informação para o detetive, para poder facilitar o trabalho do detetive em São Paulo.
Nem sempre um homem, mas quase sempre um homem. Algumas horas depois, por volta das 7 da noite, o celular do Thales apitou E aí veio a confirmação. O detetive mandou uma mensagem avisando que ele tinha acabado de ver a Sara num restaurante e ela realmente estava com esse homem. Só que naquele momento o detetive não mandou as fotos e os vídeos para o Thales, porque de acordo ali com as fontes, o trabalho da investigação ainda tava em andamento, tá?
Para quem olhava de fora e não sabia que o Thales tinha colocado um detetive atrás da Sara, parecia uma noite normal, né? O Thales ali ligou para os pais, pediu para jantar na casa deles, sentaram ali na mesa, ele foi normal, carinhoso, e ficou ali com a família. Mas essa aparência ali de noite normal durou muito pouco. Quando o Thally saiu da casa dos pais, ele colocou os meninos no carro e foi até um posto de gasolina. Ele pediu 4 galões de gasolina de 5 litros cada, mas não era para abastecer, era para levar para casa.
Segundo o frentista daquele dia, o Thally estava bem tenso e nervoso, e na hora de pagar ele colocou a senha do cartão errada. Ele errou ali, tentou uma segunda vez e errou de novo, mais uma vez errou de novo, até que no final das contas ele pagou no Pix. E enquanto o Thally estava no posto, as crianças ficaram no carro esperando quietinhas. E quando ele terminou, o Thales voltou para o carro e dirigiu para casa, que fica no condomínio Paraíso.
Até que por volta das 8:30 daquela noite, ele resolveu fazer uma ligação. O Thales ligou para a Sara. Não dá para saber exatamente o que eles conversaram, só que parece que o Thales foi ficando cada vez mais irritado e agressivo nessa ligação. E por conta disso, a Sara simplesmente desligou na cara dele. Ele tentou ligar mais uma vez, mais uma, e ela não atendeu. Então o Thales passou a enviar mensagens, e parece que o tom dessas mensagens era cada vez pior.
De acordo com o Globo, ele enviou mandou para Sara fotos ali dos meninos dormindo. E segundo o delegado do caso, o Thales escreveu que a vida da Sara ia virar um inferno. Então algumas horas depois, às 10:50 da noite, o celular do Thales apitou novamente. Thales abriu e dessa vez o detetive tinha mandado fotos e vídeos da Sara em São Paulo. E nessas fotos ela tava beijando esse homem, né? Afinal, ela tava ali seguindo a vida dela, né, gente?
E foi quando, menos de uma hora depois, às 11:40 daquela noite, o Thales fez uma publicação nas redes sociais. Ele postou uma foto dos filhos com uma legenda muito estranha. Ó, gente, a legenda é muito grande, tá? Eu, a gente vai tentar resumir aqui um pouco, mas basicamente ele postou assim: difícil começar a escrever, mas tudo tem um fim, e hoje chegou o nosso. Infelizmente tentei sempre nesses 15 anos da minha família manter a melhor harmonia e respeito possível, mas hoje chegou um limite do improvável.
A minha esposa sai de Itumbiara para São Paulo para encontrar uma pessoa. Dias aqui difícil. Ela é diferente em alguns dias, e onde veio a desconfiança? Escreve meio errado, tá? Nunca imaginava que ela ia fazer isso. Semana passada ainda falei como sempre: se não estivermos bem, vamos manter o respeito e falar antes, mas não me ouviu e preferiu isso de hoje. Triste. Partimos eu e meus meninos. Que agonia, gente. Eu não vou ler inteiro, tá?
Mas é só para vocês terem uma noção. Vou colocar aqui na tela. Se vocês quiserem ver lá no site, vocês conseguem ver. Mas é uma carta muito— é tipo uma carta, sabe? E é um pouco bizarra. E ele explicou ali que tava com problemas no casamento e revelou que tinha descoberto que a Sara tava saindo com outro cara que ele chamou, abre aspas, de desqualificado e malandro. Além disso, ele também passou a ideia de que não tava aguentando o fim do relacionamento e por fim pediu desculpas pelo que tinha feito, como se se fosse uma carta de despedida, enfim.
Mas o que que ele tinha feito, né, gente? A mensagem era tão esquisita e deixava uma sensação tão clara de que alguma coisa tava errada que o Diony, o pai da Sara, estranhou. E ele não esperou, ele correu até a casa do Thales para conferir o que que tava acontecendo. Cerca de 20 minutos depois dessa postagem, por volta da meia-noite, o Diony chegou lá com mais duas pessoas. Ele foi direto até a porta, destrancou e entrou. E, gente, assim que eles passaram pela porta, veio o primeiro sinal de que tinha alguma coisa errada.
Tinha um cheiro muito forte de gasolina dentro da casa. E eles foram entrando, passando pelos cômodos até chegar no quarto. E quando o Diony entrou, ele viu os meninos, o Miguel e o Benício, na cama, feridos, sangrando. Eles tinham levado tiros na cabeça. Na mesma hora, o Diony e as outras pessoas correram para ajudar e chamaram o SAMU imediatamente, desesperados. E ali na cama também tava o Thales. Segundo o que as fontes contam, ele tinha disparado contra a própria boca e a arma tava em cima do peito dele.
Dele. A polícia e o SAMU chegaram rapidamente e o Thales foi declarado morto no local. Já Miguel e Benício foram levados às pressas para o hospital para poder tentar ali salvar a vida dos meninos. Mas pouco tempo depois, ainda naquela madrugada, infelizmente o Miguel não resistiu. E já o Benício, ele foi levado para o Hospital Estadual de Itumbiara. Ele passou por uma cirurgia de emergência e foi internado na UTI em estado gravíssimo.
E foi com essa notícia que o Brasil acordou ali no dia 12 de fevereiro de 2026. O crime do Thales chocou o país inteiro. A Sara, que tava em São Paulo, claro que voltou às pressas pra Goiás. Ela ainda conseguiu visitar o Benício, que tava ali lutando pela vida. Mas infelizmente, 2 dias depois do crime, no dia 13 de fevereiro, o Benício não aguentou. Ele teve uma morte cerebral. Os meninos foram velados na casa do avô em 2 cerimônias fechadas.
E, gente, como vocês devem imaginar, a comoção foi enorme, né? Pra vocês terem uma ideia, até o governador de Goiás na época, o Ronaldo Caiado, e a primeira-dama, a Gracinha Caiado, foram no velório do Miguel pra poder prestar solidariedade à família. E já o enterro dos meninos foi aberto ao público e muita gente de Itumbiara foi até lá para se despedir e prestar homenagens. Coleguinhas da turma do Miguel, eles usaram ali camisetas brancas com a frase Miguel eterno.
E no final da cerimônia, eles jogaram rosas brancas sobre o túmulo. Os irmãos foram enterrados no Cemitério Avenida da Saudade. Além disso, a escola também, onde os meninos estudavam, suspenderam ali as aulas e eles soltaram uma nota lamentando a perda do Miguel e do E a Prefeitura de Itumbiara decretou luto oficial de 3 dias. Só que, gente, enquanto isso tudo tava rolando, os detetives estavam tentando entender o que tinha acontecido, investigando ali os últimos passos do Thales.
E em pouco tempo, as redes sociais foram tomadas por um monte de coisa sem confirmação e informações falsas começaram a circular. Como, por exemplo, teve muita gente dizendo que o Diony teria sofrido um infarto quando ele encontrou os netos. Só que, de acordo com o Globo, isso não é verdade. Além disso, teve uma carta circulando também que seria supostamente escrita pela Sara, mas também não na verdade, pelo que as fontes contam, essa carta não foi escrita pela Sara.
E esses são dois exemplos de fake news aí que rolaram, mas tiveram vários outros. E também, além das informações falsas, ainda rolou uma coisa muito revoltante: as pessoas passaram a jogar a culpa do crime em cima da Sara. É, gente, sim. Ao que tudo indica, o público geral não sabia do divórcio dela com Thales. E como ele tinha publicado, né, feito aquele post vendendo a ideia de uma suposta traição, ele acabou influenciando a maneira como muita gente olhou para o caso.
E parece as pessoas, ela parecia a vilã da história. Com isso, ao invés da opinião pública focar a discussão no lugar certo, né, no crime que o Thales cometeu, as pessoas passaram a focar na verdade na vida íntima da Sara, se ela tava ou não no restaurante, se ela tinha ou não beijado um outro cara. Para piorar a situação, um vídeo dela beijando o homem no restaurante em São Paulo acabou vazando e não deu outra, né, isso virou munição aí nas redes sociais.
O pessoal usou esse vídeo quase que como uma prova contra Sara, tentando justificar o crime como se a traição entre entre aspas, né, porque não era traição, tivesse motivado o Thales. Ou seja, a Sara, que tinha acabado de perder os filhos dessa forma, ainda precisou lidar com uma onda enorme de gente invadindo a vida dela e dizendo coisas cruéis nesse nível, né. Tiveram até uns comentários absurdos de que a Sara mereceu ter os filhos assassinados.
Infelizmente, esses conteúdos tiveram um alcance grande, tá. Pessoal que dá trela pra coisas desse tipo, que ajuda essas coisas a ganharem visibilidade, também faz parte, tá, gente. Teve até um vídeo desses que passou de 44 mil curtidas. E um vídeo dizia que o Thales podia ser a principal vítima do caso. Gente, nesse contexto começaram a surgir mentiras, como vocês devem imaginar, cada vez mais bizarras. Teve gente aí sugerindo que a Sara teria pago alguém para tirar a vida dos filhos e do ex-marido também, né?
Como se o Thales tivesse sido assassinado ao invés dele ter tirado a própria vida. E nessa história falsa, a motivação dela seria ficar com o dinheiro de um suposto seguro de vida. Um desses vídeos aí Dili, que estavam circulando, que chamava ali a Sara de viúva negra, chegou a bater 16 mil curtidas e 5 mil compartilhamentos, tá? E esse tipo de situação não aconteceu só nas redes sociais, no TikTok, não, tá? Até os veículos grandes de comunicação acabaram caindo nessa.
As manchetes batiam toda hora nessa tecla aí da suposta traição, ligando diretamente o fato da Sara ter ficado com outra pessoa ao crime do Thales. Isso gerava engajamento, clique. Talvez nem caíram, né? Talvez queriam realmente esse tipo de engajamento e postavam dessa forma. E claro que isso também reforçava aí essa visão machista do caso, né, gente? E o problema não era só essas notícias, tá? E além dessas notícias, da forma que essas notícias eram veiculadas, os títulos, né, que levavam dessa forma machista, que faziam com que o caso ficasse— a imagem da Sara ficasse sendo vista como se ela tivesse traído, o que não justifica, óbvio, né, o que aconteceu.
E mesmo assim não era o caso. Muitas pessoas também nessas publicações, nessas redes sociais e nesses jornais também escreviam comentários muito pesados jogando a culpa do crime na Sara. E esses veículos de comunicação fizeram nada para impedir esses ataques, tá? Ou seja, eles gostavam, gostam desses engajamentos, não importa como, né? Quanto mais, melhor. E os comentários ficavam ali sem moderação, sem nenhum cuidado por parte da imprensa, tá?
Além disso, também tiveram notícias que foram desmentidas depois ali pelas autoridades, como por exemplo circulou um boato de que a Sara teria sido ameaçada e sofrido ataques durante o enterro ali dos filhos. Só que segundo o Globo, os policiais disseram que essa história não é verdadeira. Pelo que foi apurado, esse relato ali dos ataques foi mais uma informação, aquelas informações falsas. Isso não teria acontecido, tá? E por conta disso tudo que eu falei, a Defensoria Pública de Goiás entrou com uma ação contra 10 veículos de comunicação, incluindo empresas como CNN, Record e Globo.
A Defensoria pediu uma indenização por danos morais no valor de R$1 milhão, e a ideia é que esse dinheiro vá para um fundo para eventualmente financiar projetos voltados à população em situação de vulnerabilidade. Eu não achei nenhuma atualização ali sobre esse Então não dá para a gente saber se esse valor chegou a ser pago, ou enfim, como tá essa situação. Mas a gente sabe que esse caso é muito recente e é possível que a ação ainda esteja em andamento tramitando aí na justiça.
Gente, como eu disse, enquanto toda essa repercussão tava rolando, a polícia tava trabalhando para entender o que de fato tinha acontecido. Os policiais fizeram um trabalho super detalhado, eles olharam câmera de segurança, analisaram cena do crime, ouviram mais de 20 testemunhas, enfim, juntaram tudo que dava para reconstruir aquela noite, né? E no dia 27 de fevereiro de 2026, 2 semanas depois do que aconteceu, a investigação investigação chegou ao fim.
E com isso, os detetives colocaram um ponto final nas fake news, porque a investigação deixou claro que o que aconteceu naquela casa foi de fato um duplo homicídio, como eu contei para vocês. Na casa não tinha nenhum sinal de arrombamento e nem sinais de luta. E realmente o Thales tirou a vida dos filhos enquanto eles dormiam. Ele usou uma pistola Glock G25 calibre 380, e essa arma tava registrada no nome dele, ou seja, era do Thales.
E lembra da gasolina que ele tinha Os policiais confirmaram que o Thales despejou gasolina pela casa. E no quarto, perto da cama, eles encontraram ali um isqueiro, o que indica que o Thales ainda planejava, né, botar fogo na casa. Só que por algum motivo que a gente não sabe, isso não aconteceu. E diferente do que muita gente disse, o que o Thales fez não foi um surto passional, não foi uma crise de ciúmes e nem desespero por amor.
Pelo que as fontes contam, ele agiu de forma premeditada, ele pensou e planejou tudo. E o que ele fez tem nome: violência vicária. De acordo com o Instituto Maria da Penha e com a Secretaria Nacional das Mulheres, mulheres, a violência vicária acontece quando alguém tenta atingir uma mulher ao atacar as pessoas que ela ama, na maioria das vezes os filhos. E esse tipo de violência pode aparecer de várias formas, desde as mais explícitas, como esse caso, até as mais sutis.
Segundo as autoridades, a motivação do crime do Thales não foi a suposta traição da Sara. Na verdade, o Thales fez mal para os próprios filhos para punir a Sara e tentar destruir ela psicologicamente, porque ele sabia que os meninos eram as pessoas que a Sara, né, mais ama nesse mundo, né. Além disso, no final das contas, o Thales ainda fez aquela postagem nas redes sociais Construindo toda uma narrativa que culpava a Sara, como se ele fosse a vítima.
Essa postagem também teve um motivo: aumentar ainda mais o sofrimento da ex-esposa. De acordo com as fontes, o crime teve a ver com a obsessão e com posse. Na cabeça do Thales, muito provavelmente era como se a Sara não pudesse ser livre sem ele, como se ela não pudesse, né, terminar ali o relacionamento, casamento, e seguir a vida e conhecer outras pessoas. E o Thales também agiu como se os filhos fossem uma posse dele, como se ele tivesse num primeiro momento dado os filhos para Sara e agora pudesse tirar eles.
No final das contas, a polícia concluiu a investigação e recomendou o arquivamento do caso, porque como o Thales morreu, não tem como ele ser julgado e nem responder na justiça. Mas apesar de tanta dor, um mês depois do crime, em março de 2026, as mortes do Miguel e do Menício ajudaram a mudar a lei. O Senado aprovou a criação de um novo crime, o vicaricídio. Ou seja, a partir desse caso, agora tirar a vida de um filho ou de um familiar para atingir uma mulher pode dar de 20 a 40 anos de prisão.
E no meio de tantas críticas, ataques, fake news, a Sara também recebeu apoio. Ela recebeu uma carta e um buquê de rosas brancas de um grupo com mais de 300 mulheres de várias partes do país, como uma forma, né, de acolher ela nesse momento difícil e de dizer que ela não tá sozinha. Além disso, um grupo de mães também fez uma caminhada pelas ruas de Itumbiara como um gesto de abraço, solidariedade e apoio. E, gente, para finalizar, nada, absolutamente nada justifica o que Thales fez, né?
O Miguel e o Benício eram crianças eram inocentes, eles eram meninos cheios de vida, de planos de futuro, e claro que não mereciam nada disso. Então eu queria deixar aqui todo o meu carinho e sentimentos para Sara, né, para a família, para os amigos e para todo mundo que amava o Miguel e o Benício, né. Que a história deles seja lembrada com respeito e que a Sara, que também foi vítima de tudo isso, consiga seguir a vida dela e que ela encontre amparo, proteção e muita força, que ela precisa, né.
Gente, eu fico só de pensar assim, né, como é que essa mãe, tá? Agora eu fico até arrepiada assim, e não é brincadeira. Tipo, a gente, eu não, eu normalmente não demonstro meus sentimentos aqui, eu não fico tentando colocar a minha opinião de certa forma no contexto da situação ou tentar de certa forma, né? Eu não acho legal você trazer os seus sentimentos assim. Eu acho que a gente tá aqui só, eu tô aqui para passar notícia para vocês, para passar informação para vocês.
Mas um caso desse assim é repugnante, é revoltante. E ao mesmo tempo, quando eu penso na Sara, me dá vontade de chorar assim. Assim, sabe? Principalmente que eu me tornei mãe recentemente, no início desse ano, em janeiro, e saber que tudo isso aconteceu também ali no início do ano. Como existem pessoas assim no mundo? Isso. Mas também, ao mesmo tempo que eu vejo é que 300 mulheres se reuniram para dar esse presente para Sara, me faz acreditar também na humanidade.
Também vendo que criaram agora essa lei que já deveria existir há muito tempo, né? Aí, enfim. Inclusive, eu vou compartilhar nas minhas redes sociais o significado dessa lei, porque eu acho que poucas pessoas conhecem, tá, gente? Não tem— no final de todo episódio eu trago a minha opinião e a do Lucas, nosso roteirista, mas Como assim? Não tenho opinião para dar nesse caso, né? Não tem muito o que dizer. Eu acho que as autoridades fizeram um bom trabalho.
E se você de certa forma conhece alguém que ajudou a compartilhar esse tipo de fake news, esse tipo de informação, ou esses jornais, se você de alguma forma viu esse tipo de jornal que deu um título machista, que de certa forma levava a entender que ela teria traído ele, que por isso ele fez o que fez, gente, vamos, a gente tem que começar a filtrar aquilo que a gente segue, aquilo que a gente compartilha, aquilo que a gente vê, que a gente quer ver.
Eu, por exemplo, paro de seguir exatamente quando eu vejo algo que, não que eu não goste, algo do tipo, mas que a gente consiga ver claramente que estão tentando mudar a narrativa nos títulos, né, de certa forma, das notícias e tudo mais. Então é isso, não sei encontrar palavras para isso. Eu fico, não vou dizer feliz, não tem como ficar feliz num caso desse, mas eu fico aliviada quando eu vejo que de certa forma foi feito algo com esses meios de comunicação.
Comunicação que tentaram veicular dessa forma esse caso, tá? Essas coisas não podem ser feitas e a gente não veja uma punição, tá? Eu espero que algo aconteça. Acho difícil, mas espero que algo aconteça com esses meios de comunicação. Enfim, essa é minha opinião, não tenho muito o que dizer. É um cara muito repugnante. Provavelmente pode ter alguém da família dele escutando isso aqui agora, mas eu acredito que você pense da mesma forma que eu.
É muito triste saber que ela teve filho com esse homem e que realmente ela tava saindo do relacionamento, ela tava conseguindo sair desse relacionamento, ela fez de tudo para sair desse relacionamento, me parece, e já tava seguindo a vida dela. Mas ele não conseguiu deixar ela seguir a vida dela, né? Não que ele não conseguiu, ele achava que ele teria algum direito sobre a vida das crianças e dela. É muito triste que tenham pessoas que pensam assim e que podem fazer algo desse tipo na nossa sociedade.
É muito triste, realmente. E que muitas vezes a gente pode acabar se casando com essas pessoas. Então é por isso que a gente gente tem que estar sempre com muito cuidado ali nas red flags. Se é no início do relacionamento você vê algum tipo de red flag desse tipo, não seguir um relacionamento desse. Não que a gente imagine que um cara desse, como se ela não imaginava que ele fosse fazer isso, né? De certa forma, ela talvez pensava que vendo tudo que deveria acontecer dentro de casa, né, porque ela sabe, por isso que ela tava tentando se separar, ela imaginava que talvez algo pudesse acontecer com ela, né?
Mas talvez não com que ele fosse fazer isso com os próprios filhos. Quem ama não faz uma coisa dessa. Cabeça, né? Ele só pensava nele. A gente não tem muito o que falar nesse caso. Vamos para opinião do Lucas. Lucas, o que que você tem para falar sobre isso?
Oi, Érica! Oi, gente! Para mim pesa o jantar que o Thales teve com os pais no início da noite, antes de tudo acontecer. Ali as fontes falam que os pais do Thales contaram que nesse jantar ele tava um pouco mais carinhoso que o normal. Ele já tava mostrando ali um comportamento um pouco diferente, um pouco mais próximo. Na hora batido. Mas depois que o crime aconteceu, os pais olhando para esse jantar perceberam, né, pelo que as fontes falam, que ali já tinha um tom de despedida, já tinha um carinho a mais.
E isso mostra que ele já tava pensando no crime, já tava planejando. Tanto é que, como a Érica falou, ele comprou a gasolina, ele passou no posto, ele preparou o isqueiro, ele já tinha arma, mandou mensagens para Sara. A crueldade nesse planejamento é muito grande. Que a América falou, não foi um crime passional. Se tivesse sido um crime passional, que não foi, teria sido cruel também. Mas ele olhar para os filhos, as pessoas que ele devia amar, planejar isso, eu acho que tem uma crueldade aí que é complicado.
E é um caso que particularmente me dá raiva, sabe? Porque os meninos tinham a vida toda pela frente, sabe? Então, na minha opinião, é que se o Thales tivesse vivo ele iria pegar muitos anos de cadeia, ainda mais agora com o vicaricídio sendo crime. Graças a Deus virou crime, para que casos assim não se repitam de forma impune.
É isso, pessoal, muito obrigada para quem ficou até aqui, até agora. Não deixe de deixar um like, um comentário, me diz a sua opinião sobre esse caso, e compartilhe para que mais pessoas saibam sobre as informações corretas e que a gente compartilhe esse caso da forma correta. Te vejo você na próxima semana em mais um caso aqui do podcast. Tchau, pessoal!