ASSASSINATO: O Caso Ali Abulaban
Ali Abulaban era conhecido nas redes sociais como JinnKid. No TikTok, ele acumulava quase um milhão de seguidores com vídeos de comédia, imitações e cenas aparentemente felizes ao lado da esposa, Ana, e da filha do casal.Mas, por trás da vida perfeita que aparecia nas redes, existia uma realidade muito mais sombria. Sugira casos: casosreaispodcast.com.brApoie e receba episódios antes: apoia.se/casosreaisSiga: @casosreaisoficial | @erikamirandasRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeos
- Crimes e OcultaçãoAli Abulaban · Ana Abulaban · Rayburn Barron · Assassinato · Tablet espião
- O Caso Ali AbulabanAli Abulaban · JinnKid · Ana Abulaban · Amira Abulaban · Rayburn Barron · TikTok · Violência doméstica · Ciúmes e controle · Assassinato · Julgamento e condenação
- Relacionamentos AbusivosAli Abulaban · Ana Abulaban · Controle e ciúmes · Humilhação · Ameaças
- Julgamento e CondenaçãoAli Abulaban · Prisão perpétua · Crime passional
- Redes sociais e famaAli Abulaban · JinnKid · TikTok · Comédia e imitações · Tony Montana
- Violência de Gênero OnlineViolência doméstica · Redes sociais · Controle e humilhação · Ajuda e denúncia
- Relacionamentos FamiliaresAli Abulaban · Ana Marie · Amira Abulaban · Casamento · Vida familiar
- Infância e juventudeAli Abulaban · Abuso paterno · Oscilações de humor · Serviço militar
Imagina que você acompanha a vida de alguém todos os dias pelas redes sociais. Você ri dos vídeos que ela posta no TikTok, momentos em família, rotina, tudo ali o que faz do dia a dia. Você se sente como se você de fato conhecesse a pessoa. Isso soa familiar pra você, né? Provavelmente.
O Ali Abulaban era exatamente esse tipo de cara. No TikTok, ele tinha quase um milhão de seguidores que acompanhavam ele. Os vídeos ali que ele fazia de comédia, imitações, cenas do dia a dia. E de vez em quando, o Ali até aparecia com a esposa, a Ana e com a filha. Tudo parecia leve, espontâneo, quase que perfeito. Mas tem uma coisa, né? Tem algumas coisas, mas essa também é muito importante, né?
que essas vidas aí que a gente vê, que são compartilhadas o tempo todo, que é muito perigoso, é que a gente só vê aquilo que é mostrado. E enquanto os vídeos dele eram curtidos, compartilhados, tinha outra história ali acontecendo. Uma história que não tinha nada a ver com as coisas engraçadas que ele fazia. Nem de longe. Quem era de verdade esse homem por trás daqueles vídeos? Até onde alguém pode ir quando ciúmes, controle e obsessão começam a tomar conta?
E como que um TikToker em essa sessão acabou se tornando o centro de um dos casos criminais mais doidos dos Estados Unidos? Gente, pra quem não me conhece, meu nome é Érica e toda semana, toda quarta-feira eu trago um caso novo. A gente trouxe aí o caso do assassino do Tik Tok e eu pensei por que não trazer esse daqui também, que é mais ou menos nesse estilo aí, diferente, mas vocês gostaram muito do episódio do assassino do Tik Tok.
E enfim, não que vocês gostaram do caso, mas enfim, vocês entenderam o que eu quis dizer.
E se você quiser mandar sua sugestão de caso, vai lá no site do Caso de Reax, o link tá na descrição. Eu sempre vejo quando vocês me mandam por lá, porque chega no meu e-mail, tá bom? Então vai por lá. E também vai lá no meu Instagram e segue, arroba erica com K, Miranda, se conhece no final. E por lá você fica acompanhando, se eu falar que vou atrasar alguma coisa aqui, você vai ficar acompanhando minha vida mais próxima de lá, também tenho minha bebê agora.
Então se você quiser saber um pouquinho mais, vai lá. E agora vamos pro caso da semana. E esse é o caso Ali Abulaban.
Gente, eu não sei pronunciar da forma correta, tá bom? Então eu vou pronunciar da minha forma abrasileirada. Ali Nasser Abulaba nasceu em Staten Island, nos Estados Unidos, em 1992. E a mãe dele descreveu que durante a infância ele era uma criança super talentosa.
Segundo ela, ele era aquele tipo de menino criativo que gosta de fazer todo mundo rir. Desde cedo, ele já tinha uma veia, tipo, pra comédia. Ele gostava disso. Ele fazia imitações, piadas, várias bobeiras, assim, que faziam todo mundo rir. Só que dentro de casa, as coisas estavam longe de ser tranquilas. Parece que o pai do Ali era um homem muito abusivo. Ele humilhava a mãe, xingava, maltratava ela mesmo e tudo isso na frente dos filhos.
E acabava sobrando pro Wally também, porque o pai chamava ele de perdedor, de burro, falava que ele era uma decepção pra família. Enquanto colocava o irmão como se fosse o filho de ouro. E era o irmão que fazia tudo certo na visão dele. Era o irmão que dava orgulho e o Wally não valia nada pra ele, né? Assim, na percepção dele de como as coisas funcionavam naquela família e enfim. E ele apanhava também. Infelizmente, as fontes contam que...
Teve um episódio que ajuda a entender muito esse ambiente, que quando o Ali tinha ali por volta de 14 anos, ele estava em casa jogando Guitar Hero, aquele jogo de tocar músicas com guitarra de brinquedo, e em algum momento o pai se irritou. Ele foi para cima do Ali, arrancou a guitarra da mão e quebrou a guitarra ali na cabeça do Ali. E não se sabe se teve algum motivo, mas a gente consegue ver com essa situação como funcionava aquela casa e como era essa violência dentro de casa.
Além disso, desde os 14 anos, o Ali tinha oscilações de humor e ele também tinha problemas de raiva. A mãe dele contou que tinha vez que o Ali ficava com tanta raiva que ele pegava qualquer coisa que ele via pela frente e jogava. Jogava na parede, no chão e até em outras pessoas. Então assim, era esse tipo de situação aí que, enfim, era a vida ali no início.
Como eu disse, essa foi a juventude dele. Quando ele ficou mais velho, o Ali até chegou a entrar na faculdade, só que ele acabou não ficando muito tempo na faculdade. Ele ficou só por um semestre, porque muito rápido ele começou a enxergar um outro caminho para a vida dele. Um caminho que ele achava, naquele momento, que fazia mais sentido para a vida dele, e ele escolheu se alistar no exército. Mais especificamente, ele se alistou na Força Aérea.
E aí, aquela rotina, treinamento pesado, aprender a pilotar aviões, toda aquela estrutura militar.
E a mãe dele, inclusive, via isso muito bem, ela achava isso muito legal. Para ela, entrar para o exército podia dar mais disciplina para ele, e segundo ela, isso seria muito bom para ele. Com o tempo, enquanto o Ali estava ali servindo no exército, aconteceu uma coisa que mudaria a vida dele. Em um momento ali, ele foi enviado para o Japão, e ele foi designado para ficar em uma base americana do outro lado do mundo, longe de tudo que ele conhecia.
E foi no Japão, em 2014, quando ele tinha 22 anos, que ele conheceu a Ana. A Ana Marie era uma jovem que o Ali achava muito bonita. Ela nasceu nas Filipinas, mas ela foi criada e cresceu em Okinawa, que é uma região do Japão. E parece que com o tempo os dois se apaixonaram e começaram a namorar, a ter um relacionamento sério. Com o tempo eles foram criando uma vida juntos e eles não perderam tempo. Eles logo partiram ali para o casamento e de namoro rapidamente virou casamento.
E parece que depois de uns anos a família cresceu. A Ana engravidou e por volta de 2016 ou 2017, a gente não sabe dizer exatamente, nasceu a filha do casal, uma menina chamada Amira. E olhando de fora, parecia que estava tudo certo nessa família, tudo encaixando, tudo certinho.
E naquela época, parece que os três viviam como uma vida estável e feliz. E parecia que a Anna também era militar, tá? Eventualmente, com o casamento dos dois, o Ali conseguiu um visto pra Anna e acabou levando ela pra morar nos Estados Unidos. A gente sabe que o processo aqui migratório nos Estados Unidos é complexo. É, eu tô só simplificando, a gente não sabe exatamente que tipo de visto nem nada do tipo. Mas, enfim, ele conseguiu trazer ela de forma legal pelo casamento. Green card, enfim, não sabemos mais detalhes.
Bom, os dois começaram a morar juntos em San Diego, na Califórnia. E a partir daí é que a vida deles começou a ganhar uma outra dimensão. Nessa época, os dois começaram a fazer bastante sucesso. A Ana já tinha presença no Instagram, ela postava fotos, tinha seguidores, quase que uma influenciadora, tipo modelo. Mas em 2019, o Ali criou um perfil na internet chamado Jean Kidd.
Nesse perfil, ele postava vários vídeos no TikTok, no Instagram e no YouTube. E naquela vibe mais de comédia, vibe de coisas engraçadas, fazendo imitações de personagens de jogos e filmes, esquetes de comédia, imitações. E tinha um personagem que aparecia bastante no perfil dele, que era o Tony Montana. O Tony Montana é um protagonista do filme Scarface, interpretado pelo Al Pacino, que é um chefão do narcotráfico.
E o Ali imitava ele, recriando cenas clássicas do filme e levando o personagem também pra situações bem comuns, assim, do dia a dia. Como, por exemplo, e se o Tony Montana trabalhasse no Starbucks? Como que seria? Coisas assim. E aí o Ali fazia esquetes disso e muita gente gostava, tá? Era, tipo, sim, um sucesso.
O Ali chegou a alcançar quase um milhão de seguidores. E isso só no TikTok, tá? Sem contar os seguidores que ele tinha nas outras redes sociais. Ou seja, ele fazia um sucesso considerável na internet. Não era um perfil pequeno, não, tá? Falando isso, vai lá no meu Instagram e me segue. Que eu tô tentando chegar nos 50 mil, gente. Vai lá, me ajuda.
E muitas vezes a Ana estava ali junto, participava das esquetes, gravava com ele. E tinha mais, além desses vídeos de comédia, parece que de vez em quando o Ali também postava outro tipo de conteúdo, que era o conteúdo dos dois, né, de casal. Não era o foco dele, mas de vez em quando ele postava uns vídeos de família, sabe? Mostrando a Ana, a filha, a rotina deles, a vida deles. Tem um vídeo como, por exemplo, que mostra ele na praia com a Mira. E aí o vídeo corta e mostra ele com a Ana em um restaurante.
E aí, por cima dessas imagens, tem a voz do Ali falando várias coisas sobre como ele era um cara sortudo por ter a Ana. Tentava ali postar umas coisas da vida pessoal dele. E tem outro TikTok ainda que mostra ele dançando com a Ana em um monte de lugares diferentes. Os dois rindo, felizes, enfim. Tem até um que tem um texto na tela, assim, que diz assim, quando o seu relacionamento não tem dramas. Mas por que esse caso está aqui então, Erika?
Bom, então, gente, por volta de 2019 e 2020, essa era a vida deles. Pelo menos nas redes sociais. Parecia uma vida ótima.
Só que, infelizmente, as coisas tomaram outro rumo, porque enquanto essa carreira do Ali crescia e crescia e crescia nas redes sociais, ele ficava cada vez mais famoso, ele também começou a mostrar, ou então intensificar, um outro lado dele. Um lado que não tinha nada a ver com a comédia ou com coisas engraçadas.
Nem de longe. O Ali deixou de ser o marido carinhoso que aparecia nos vídeos e passou a usar o próprio TikTok pra falar mal da Ana. No lugar dos vídeos engraçados, começaram a aparecer lives em que ele falava de brigas do casal, vídeos em que ele gravava a Ana sem ela autorizar e muitas vezes humilhando ela. Ele chamava ela de burra, zoava a nacionalidade dela, chamava ela de Miss Filipino e não falava Miss Filipino de um jeito bom, era depreciando, sabe? E também chamava ela de outras coisas bem pesadas.
E em várias discussões dos dois, o Ali sempre jogava na cara dela que tinha sido ele que tinha trazido ela para os Estados Unidos, que era por causa dele que a Ana estava morando lá de forma legal e tudo mais. E só para contextualizar, parece que ela não tinha cidadania americana, ela tinha algum tipo de visto ou algo que não era cidadania, tá? Alguma permissão para morar nos Estados Unidos, provavelmente por conta do casamento.
Então, quando ele jogava isso na cara dela, a impressão é de que não era só provocação, era quase que uma ameaça. Era como se ele estivesse falando que...
Se ele quisesse, ele poderia dar um jeito de atrapalhar a Ana de conseguir a cidadania ou dela ficar mais tempo nos Estados Unidos perto da filha. Coisas desse tipo, sabe? Tipo, quase que uma ameaça. Ele até fala em um TikTok, que em português significa tchauzinho pra sua cidadania.
tchau, né? Como eu disse, não fica claro aí a situação migratória dela, mas dá pra entender, né, gente, o contexto, dá pra entender a situação, então começou a rolar aí essa situação complicada em que ele usava essa coisa da Ana estar vivendo nos Estados Unidos como se fosse ele fazendo de tudo por ela, como se fosse por causa dele, porque ele amava ela, só que na verdade era uma forma de controle, de controlar ela, né? De manter de alguma forma ela presa naquela situação, naquela relação.
E além disso, o Ali vivia acusando a Ana de traição o tempo todo. E na cabeça dele, tudo virava prova. Se a Ana saísse com amigos, pronto, pra ele aquilo poderia ser um motivo, era pra trair. Era um nível de ciúme, de possessividade, que ia escalando. Ele pegava o celular dela pra fuçar e não queria que ela saísse com amigos. E chegou a gritar com a Ana, dizendo que não existia a menor possibilidade dela não estar.
nas palavras dele, dando pra um outro cara, entre aspas, tá, gente? Teve uma vez, inclusive, que a Ana queria sair pra uma festa, só que parece que o Ali não gostou dessa ideia. Ele achava que qualquer amigo da Ana poderia ser algo ali, né, que ela estivesse fazendo e tudo mais. E por conta disso, ele não queria que ela fosse nessa festa de jeito nenhum.
E sabe o que ele fez? Ele pegou uma arma e apontou pra cabeça dele, com a filha Amira dormindo no sofá perto. Tudo isso pra chamar a atenção da Ana de um jeito muito manipulador, né? Meio que pra evitar com que ela ficasse, o que fosse pra essa festa, enfim, um relacionamento tóxico, né? E pior, tudo isso enquanto, na verdade, era o Ali quem tava saindo com outras mulheres, né, gente? Nem todo homem, mas sempre.
Um homem. As fontes não entram em detalhes sobre os outros relacionamentos que o Wally teria tido ali durante o casamento, mas parece que uma coisa era clara. Enquanto ele acusava a Ana de traição, na verdade era ele quem estava traindo. Bem clássico, né, gente? A pessoa que normalmente se acusa é aquela que faz. E lembrando, boa parte disso tudo que eu estava falando aqui sobre o comportamento dele ia parar na internet, tá? Tem um monte de vídeos e TikToks e lives que ele gravava e que esses comportamentos estão ali gravados. Ele parecia ter essa necessidade de deixar...
essas coisas públicas, tipo de registrar, de mostrar, de expor realmente vários detalhes íntimos da relação dos dois. E não era tudo que ele gravava, claro, a gente sabe que tudo na internet é um frame, né, um recorte da realidade. E tinha muitas coisas que ele gravava e não postavam, tinham coisas que era só vídeo que ele gravava e mandava pra Ana, tipo por WhatsApp e tudo mais, que ele não postava, só que no final das contas ele tinha essa característica de filmar um monte de coisas, ele meio que foi virando esse tipo de TikToker... E...
desse dia a dia, dessa vida, né? Por volta de 2021, as tensões entre os dois já eram tão grandes que vários amigos já sabiam dessas tretas, os vizinhos já tinham escutado várias brigas e até os policiais já tinham sido acionados algumas vezes. Entre julho e outubro de 2021, por exemplo, os amigos e os vizinhos ligaram várias vezes pra polícia pra poder reportar brigas e abusos.
e a própria Ana já tinha chegado a chamar a polícia porque, infelizmente, os abusos dele começaram a ser mais do que psicológicos. Eles passaram a ser físicos. O Ali sempre acabava pedindo desculpa, dizia que estava arrependido, que ia mudar, ou então tentava jogar a culpa para outra coisa. Algumas vezes, ele chegou até a colocar a responsabilidade nas drogas porque, segundo as fontes, ele usava bastante droga, cocaína principalmente. E aí era um ciclo.
A Ana queria sair daquela relação, daquela situação, mas ao mesmo tempo ela não conseguia. Em muitos casos de abuso, não é simples sair. E o comportamento do Ali só ia piorando. Na época, a Ana chegou a se recusar algumas vezes a fazer uma ordem de restrição contra ele. Ou seja, a pedir na justiça que o Ali ficasse proibido, não fosse possível chegar perto dela.
O que em diversos casos é mais comum do que parece. Só que teve uma hora que a Ana cansou de vez e finalmente tomou uma decisão. Ela decidiu que queria se separar. E realmente, em 2021, ela levou isso pra frente e o Ali teve que sair do apartamento onde eles moravam juntos. Só que ele não foi pra longe.
Na época, ele se mudou para um hotel por perto, porque ele acreditava que aquela separação era só temporária, e que em algum momento eles iam acabar voltando. E também porque ficava mais fácil continuar de olho nela, né? Ficar de olho, vigiar, morando praticamente do outro lado da rua, que era o caso naquele momento.
E foi quando, três dias depois dele ter saído de casa, no dia 21 de outubro de 2021, o Ali entrou no elevador do prédio da Ana. O mesmo prédio onde ele morava até três dias antes, né? E aí, dentro desse elevador, ele apertou o botão do 35º andar, que era o andar do apartamento, e começou a subir ali, né? No caminho, o elevador foi parando em alguns andares. Entrava gente, saía gente, e o Ali lá dentro. Ele até bateu ali um papo com um dos moradores, cumprimentou o outro, tipo aquela conversa...
conversa de elevador, enfim, até que o elevador finalmente chegou no andar da Ana. E com um cartão de acesso, que é tipo uma chave, parece que ele ainda tinha ali, ele foi pelo corredor até o apartamento e abriu a porta. Só que poucos instantes depois, ele saiu correndo. E alguns minutos depois disso, uma estação policial recebeu uma ligação.
Do outro lado da linha estava o Ali, desesperado, e na ligação ele começou a chorar, abalado, falando que tinha acabado de entrar no apartamento e encontrado a mulher dele com um outro homem, e que os dois estavam caídos no chão com ferimentos a tiro. Ele gritou, chorou, falou que era para virem rápido, para ajudá-la, né? Então a polícia correu para o apartamento, e assim que eles chegaram, eles abriram a porta e aí deram de cara com essa cena. A Ana caída, perto do sofá, e do lado dela, um outro homem.
Os dois realmente tinham sido alvejados por tiro e, infelizmente, a Ana e esse outro homem estavam mortos. Bom, o que aconteceu nesse apartamento, né? E onde que o Ali estava? Porque ele não estava no apartamento quando os policiais chegaram. Bom, ninguém sabia. Na mesma hora, os policiais começaram a isolar a área e a olhar tudo com atenção para poder tentar entender aquela cena de crime.
Parece que na hora os policiais não devem ter percebido isso que eu vou falar agora. Só que tinha uma coisa dentro da casa, uma coisa esquisita. Era tipo um iPad ou um tablet, né? Um aparelho desse tipo. E esse aparelho era da Amira. E ele estava jogado em cima de uma cômoda ou então de um sofá espalhado pela casa. Até aí, normal.
Só que o que ninguém sabia é que esse tablet não era mais um aparelho normal. Ele não estava mais sendo utilizado para assistir vídeos no YouTube ou então para jogar joguinho, né? Porque dentro desse aparelho tinha um aplicativo que era tipo um aplicativo espião que permitia que alguém escutasse...
tudo o que estava acontecendo na casa sem a pessoa que tinha esse aplicativo instalado saber. E para surpresa de zero pessoas, quem estava ouvindo tudo e vigiando a Ana era quem? O Ali. Gente, ele tinha instalado esse aplicativo poucos dias antes, exatamente para poder vigiar a Ana. Olha o nível de controle. Voltando para a cronologia do caso.
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Nesse momento em que a polícia ainda estava vasculhando toda a casa, os detetives não sabiam dessa informação que eu acabei de contar sobre o tablet. Na hora, eles estavam tirando fotos da cena do crime, recolhendo o DNA, os peritos trabalhando. Momento inicial, né? Tem pouca informação. E claro que uma das...
as primeiras coisas que eles decidiram fazer foi puxar as imagens das câmeras de segurança do prédio para entender quem é que tinha passado ali no apartamento. E rapidamente eles conseguiram. Poucas horas ou minutos depois de eles encontrarem o corpo da Annie e do Rayburn, que é esse homem, os detetives conseguiram puxar e analisar as imagens. E o que eles viram é de arrepiar. Para entender o que eles viram, a gente precisa voltar poucas horas no tempo, ainda no dia 21 de outubro de 2021, para poder entender o que realmente aconteceu.
Naquele dia, o Ali estava vigiando a Ana pelo tablet. E quando, do hotel onde ele estava morando, ele ouviu uma coisa pelo tablet. Uma voz masculina no apartamento. E aí, pelas câmeras, os detetives conseguiram reconstruir tudo o que aconteceu. A sequência, né? Por volta das 2h50 da tarde, o Ali apareceu entrando no prédio pela garagem. Ele entrou no elevador, começou a subir e até aquele momento nada chamava a atenção. Ele estava vestindo um moletom preto, rosto tranquilo, postura normal. Tudo parecia tranquilo.
Até que ele chegou no trigésimo quinto andar e assim que as portas se abriram, ele saiu correndo, ele disparou pelo corredor, gritando pela Ana. As câmeras conseguiam só pegar ali o corredor do prédio e eles, claro que não mostravam dentro do apartamento, né? Aquilo ali era uma área privada. Mas dava para escutar ele chegando, abrindo a porta, entrando, dava para escutar as coisas.
Parece que quando o Ali entrou no apartamento, ele deu de cara com a Ana. Ela estava no sofá e não estava sozinha, né? Como a gente sabe. Perto dela estava esse cara, que era o Rayburn Barron, que é um amigo de longa data dela. Alguém que, ao longo do casamento da Ana com o Ali, sempre tinha dado apoio para ela nos momentos mais difíceis. Nas brigas, abusos, enfim, todas aquelas situações que a gente já sabe.
Um cara que, ao que tudo indica, o Ali tinha muitos ciúmes, tá? Ele era bem ali, né, com aquele cara. E parece que depois que a Annie e o Ali se separaram, ela pode ter começado a se envolver romanticamente com esse Rayburn, né, esse cara. E assim que o Ali viu aquele cara na cena, né, aquele homem ali, ele levantou uma arma e atirou, primeiro no homem, e dois tiros na cabeça e um na garganta. Esse Rayburn caiu na hora, sangrando e, infelizmente...
morreu ele tinha vinte e nove anos a anna é claro que ficou paralisada olhando aquilo tudo em choque então o alha apontou a arma para ela também ele olhou nos olhos dela e atirou no meio da testa infelizmente a anna também morreu ela tinha apenas vinte e oito anos
Bom, e o que vem depois é perturbador também, gente. Ainda fica pior, né? Porque o Ali pegou o celular e começou a tirar fotos dos dois. Com a arma ainda na mão, ele enviou essas imagens para amigos e para os próprios pais. Depois disso, ele saiu do apartamento e voltou para o corredor do prédio. Ele estava muito agitado, andando de um lado para o outro. Então, ele ligou para a mãe e relatou o que tinha acabado de acontecer. Que ele tinha visto a Ana com outro cara e que tinha atirado nela. Que tinha matado a própria esposa.
Ao mesmo tempo, ele pediu desculpas várias vezes para a mãe e perguntou se ela estava brava com ele. E depois disso, gente, o que ele fez? Com toda a calma do mundo, o Ali entrou no elevador, com várias pessoas dentro, e desceu até o térreo. Ele andou até o carro, entrou e saiu dirigindo. E o rosto dele não demonstrava nada. Só 20 minutos depois dele cometer esse crime, ele acabou ligando para o 911, 911, que é o número de emergência dos Estados Unidos.
E foi aí que veio aquela ligação que eu contei mais cedo, né? Que ele começou a ficar meio que desesperado, contando que alguém tinha tirado na Ana, como se ele tivesse acabado de achar ela daquele jeito, né? Fazendo um choro falso, se fazendo de vítima. Um ator, igual nos vídeos que ele fazia ali pras redes sociais dele, pro TikTok dele.
Então, depois disso tudo, o Ali foi até a escola da Amira, buscou a filha e saiu dirigindo com ela. Naquele momento, os policiais já sabiam de tudo, já tinham descoberto tudo o que aconteceu e foi bem rápido, tá? E então, eles soltaram um alerta para todas as viaturas da cidade, dizendo que ele estava solta, né? Era um cara perigoso, armado, em fuga, e tinha acabado de possivelmente sequestrar...
própria filha e assim começou uma perseguição a viatura acelerando atrás do carro do ali as sirenes ligadas e o ali dirigindo com a menina dentro do carro parece que não vai ficar pior fica pior além de fazer isso com a mãe dela tirar a vida de duas pessoas ele ainda coloca a menina em risco também né
Só que então, super rápido, a polícia cercou o carro dele e finalmente ele parou. Os policiais desceram rápido, foram para cima dele, tiraram ele do veículo e algemaram. O Ali virou para a filha, gritou que amava ela e então os policiais colocaram ele dentro da viatura. Finalmente, ele estava preso.
E logo depois ele ficou preso por um tempo, aguardando ali o julgamento. E da cadeia ele queria contar ali uma história, a de que ele tinha matado a Ana porque ela tinha traído ele. E que ele tinha cometido o crime meio que no calor do momento. Tipo um crime passional, sabe? Pra poder melhorar a situação dele.
E da cadeia, ele até deu uma entrevista para a televisão. E nessa entrevista, ele está atrás de um vidro de proteção ali, aquele de cadeia, e a entrevistadora do outro lado. E o Ali usando ali um macacão azul da prisão. E na entrevista, ele reforçou isso. Ele disse que tinha instalado o aplicativo no tablet da Amir ali.
pra proteger a Ana, e que durante o crime foi como se estivesse ali no banco do passageiro do próprio corpo. Dando a entender, quando ele deu por si, ele já tinha levantado a arma e já tinha feito aquilo, como se ele não tivesse pensado, né, tivesse sido no calor. E aí já era ele tentando criar uma imagem de que ele era inocente, né, ele não negou que tirou a vida dos dois, só que como eu disse, ele deu a entender que foi numa, de crime passional, que tinha tudo sido um burrão.
E ele comentou sobre o que aconteceu. Ele disse que quando ele chegou no apartamento, o Ray Byrne estava ali no sofá, com os pés em cima da mesa, de centro, beijando a Anna. Nas palavras dele, ele falou que o Ray Byrne estava no apartamento dele, do Ali, no sofá dele, com os pés na mesa dele, e beijando a esposa dele. Ou seja, claramente, ele tratava a Anna como se fosse algo, né? Uma coisa, posse dele, né? E, gente, essa entrevista é bem esquisita, porque o Ali chora e grita, e parece muito descontrolado, tá? Nessa entrevista. Tudo bem, gente.
Três anos depois do crime, em 2024, começou o julgamento. E apesar dos esforços do Ali para parecer que aquele crime tinha sido passional, essa história não convenceu. No final das contas, veio a sentença. Culpado. O Ali foi condenado à prisão perpétua. E durante o veredito, a irmã da Ana se levantou para comentar. Ela disse que não sabia da dimensão dos abusos que ela sofria, que a Ana sofria, e que se ela soubesse antes, ela teria feito de tudo para tirar a Ana e a Amira das garras do Ali.
E a irmã ainda gritou com Ali. Ela disse que ele tinha prometido cuidar da Ana e da Amira. Que ele tinha tirado a Ana do Japão. Levado ela para outro lado do mundo, para os Estados Unidos, para poder cuidar dela. Mas que ele tratou a Ana como se ela não importasse. Gente, é um relato muito triste e doloroso.
Atualmente, em 2026, o Ali segue preso e vai ficar porque é prisão perpétua. Nos Estados Unidos você fica mesmo. E, enfim, essa foi a história do TikToker que gostava de gravar tudo e acabou tendo também o crime que ele fez, que botou ele na prisão perpétua gravado por uma câmera de segurança.
E para fechar o caso de hoje, eu queria deixar um recado. A violência não começa só quando a pessoa te agride fisicamente. Às vezes ela começa antes, começa na humilhação, no controle, nos ciúmes disfarçados de amor, de proteção. E no caso da Ana, tudo isso ainda tinha plateia. Uma plateia no TikTok.
porque ele transformava isso em uma extensão da violência dele. Ele usava vídeos, lives, postagens para poder diminuir e constranger e também tentar controlar a Ana. Ao primeiro sinal de controle, ameaça, humilhação, fiquem de olho, muito aberto. E se você passou por alguma violência, saiba que tem caminhos onde dá para conseguir ajuda.
No Brasil, você pode procurar a Delegacia da Mulher ou ligar 180, que é a Central de Atendimento à Mulher. É gratuito e funciona 24 horas por dia. E para os homens, fica uma mensagem também, né? Não só para os homens, mas enfim, no geral, né, gente? Ciúme não é desculpa, rejeição não é desculpa, né? Traição não é desculpa. Se você não sabe lidar com frustração, abandono, raiva, procure ajuda psicológica, fale com alguém, procure uma terapia, porque nenhuma pessoa tem que pagar com medo, com trauma ou com a própria vida. Bom, gente... Bom, gente...
No final de todo episódio eu trago a minha opinião e o Lucas, nosso roteirista, também traz a opinião dele. Eu acho que a gente vai ouvir bastante isso do Lucas, então eu vou tentar resumir, mas eu acho que realmente teve uma premeditação desse crime, então isso também ajuda a gravar. Enfim, ele já pegou prisão perpétua, o que eu acho muito bom, porque muitos casos que a gente traz aqui no podcast que são coisas muito semelhantes, que aconteceram com mulheres, a gente sabe que muitas vezes no Brasil...
a pessoa acaba saindo em liberdade muito cedo, como por exemplo o Maníaco do Parque, caso completamente diferente desse, mas que a gente sabe, eu tô usando só como exemplo de uma pessoa que a gente sabe que no Brasil vai sair aí em breve vai estar nas ruas, não me lembro se em 2026 ou 2027
É em breve, eu só sei que é em breve. Já falei sobre isso aqui recentemente, então é só você pesquisar aqui nos casos, Maníaco do Parque, você vai ver que eu falo sobre isso recentemente. E é um pouco frustrante, né? Porque um problema de um homem desse voltar, não é esse caso, porque ele não vai sair, mas de um homem desse voltar pra rua, né? É porque ele pode voltar a repetir isso, né? Pode voltar pra rua e fazer isso com outras pessoas.
E esse que é o pior. E nesse caso, pelo menos, tivemos um desfecho onde a gente sabe que esse homem não vai voltar a fazer nada do tipo.
Mas é muito triste, né? Porque muitas pessoas viram isso acontecer nas redes sociais e não conseguimos usar as redes sociais, nesse caso, pra fazer algo pro bem, né? Não foi possível realmente ajudá-la. É muito triste porque várias pessoas viram alguns sinais. Seria bom também se a família dela tivesse visto, de certa forma, esses sinais nesses vídeos e tudo mais. Porém, a gente sabe que é muito difícil você, às vezes...
intervir em um relacionamento, ou se meter em um relacionamento, às vezes você não sabe qual era a relação dela com os familiares, se ele afastou ela dos familiares, que também tem isso. Esses homens controladores, muitas vezes tentam afastar, só dela estar morando do outro lado do mundo, isso já é um baita de um afastamento.
fisicamente, e também, por mais que hoje a gente tenha formas de se comunicar e tudo mais, a gente sabe que, enfim, o horário dos Estados Unidos pro horário do Japão é completamente diferente, então, pra você entrar em contato com uma pessoa, é muito difícil você manter a comunicação, né, você manter aquela coisa mais próxima. Enfim, gente, é muito triste que isso tenha acontecido, ela tinha conseguido se libertar ali dele, ela tinha conseguido ficar longe dele, dado um primeiro passo, e é muito triste isso, né.
Enfim, se você vê qualquer coisa, se você vê alguém passando por isso, não fique calado, faça algo, não fique calado, faça algo,
Porque se algo tivesse sido feito nesse caso, se alguém talvez tivesse conseguido ajudá-la, talvez essa história poderia ser diferente, mas nem sempre é possível. Então é isso, gente. Não tem muito pra dizer sobre esse caso. É um caso muito triste, mas também pra gente poder saber que muitas vezes essas pessoas na internet a gente dá atenção ou dá números, dá like em pessoas que não deveriam ter esse tipo de atenção, né? Enfim, Lucas, qual a sua opinião?
Oi, Erika. Oi, gente. Esse caso do Ali Abulaban, ele tentou fazer colar a história de que teria sido um crime passional, como a Erika falou. Só que essa história não colou, porque tinha muita coisa ali, muitas evidências que mostravam que, na verdade, a coisa tinha sido, pelo menos em algum nível, premeditada.
Quando ele vai entrar no apartamento para poder subir e cometer o assassinato, ele volta, na verdade, ele está na garagem, a câmera filma, ele entrando na garagem, aí ele entrou, só que aí ele volta, ele sai, ele sai do prédio, e aí entra uma segunda vez depois de alguns minutos. E as fontes dão a entender que isso teria sido para ou pegar uma arma, ou para poder ajustar alguma coisa em relação à arma.
Ele sobe o elevador, ele sobe 35 andares com a arma ali no moletom. Além disso, parece que ele também teria supostamente começado a gravar áudio pelo celular assim que ele entrou no apartamento. Então, parece que teria uma gravação dele tirando a vida da Ana, né? Então, uma série de indícios mostram que, na verdade, a coisa foi premeditada, né, gente? Então, assim, é um caso que, na minha opinião, é triste, né? E uma coisa, assim, ciúmes. Eu acho que são motivos fúteis.
Então é isso, muito obrigada pra quem ficou aqui até agora, não deixe de deixar um like, um comentário, é muito importante pra mim, e vejo vocês no próximo caso. Tchau, pessoal. Pronto pra sentir a energia de Nescau? Então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio, o maior feat do ano.
Chama a galera e dá o play, que eu quero ver você jogar. E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau. Energia que dá jogo.