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DESASTRE: Caso Césio-137

06 de maio de 202637min
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Em 1987, em Goiânia, dois catadores encontraram uma máquina abandonada de uma antiga clínica e, sem saber, abriram uma cápsula com Césio-137 — um material radioativo que brilhava azul no escuro.

O que parecia curioso rapidamente virou uma tragédia, com centenas de contaminados, mortes e consequências até hoje, reacendendo o debate sobre negligência e como o Brasil lida com a própria história.

Sugira casos: casosreaispodcast.com.brApoie e receba episódios antes: apoia.se/casosreaisSiga: @casosreaisoficial | @erikamirandasRoteiro: Lucas AndriesEdição: Publi.tv - Produtora de vídeos

Participantes neste episódio2
E

Erika Miranda

HostJornalista
L

Lucas

ParticipanteFotógrafo
Assuntos3
  • Caso Césio-137 em GoiâniaDescoberta da cápsula por catadores · Abertura da cápsula e exposição ao pó · Sintomas iniciais de contaminação · O Instituto Goiânio de Radioterapia (IGR) · O material Césio-137 · Brilho azul e fascinação pelo pó · Contaminação familiar e comunitária · Desconfiança e busca por ajuda · Identificação do Césio-137 por Walter Mendes · Evacuação e monitoramento de Goiânia · Triagem e tratamento das vítimas · Descarte de objetos e demolição de casas · Mortes e consequências a longo prazo · Leide das Neves · Maria Gabriela · Devair Alves Ferreira · Wagner Mota Pereira · Roberto dos Santos Alves · Israel Batista dos Santos · Admilson Alves de Souza · Walter Mendes · Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) · Enterro de Leide e protestos · Preconceito e estigma contra Goiânia · Pensão e indenizações às vítimas · Condenação judicial e indulto · Armazenamento e monitoramento do lixo radioativo · Comparação com o desastre de Chernobyl
  • Mídia e FofocaSérie da Netflix sobre o caso Césio-137 · Debate reacendido sobre o caso real · Importância de lembrar a história real · Influenciador visitando o túmulo de Leide · Crítica ao estado do túmulo e à preservação da memória
  • Vira Casacas Podcast e ApoioSugestões de casos por ouvintes · Apoio ao podcast e episódios antecipados · Interação via WhatsApp e Instagram · Divulgação de informações no site Casos Reais
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Sabe quando você vê uma coisa tão diferente e tão bonita que a primeira reação que você tem é querer mostrar aquela coisa pra todo mundo? Em setembro de 1987, a cidade de Goiânia seguia a vida normalmente. Só que aos poucos, uma coisa passou a chamar a atenção de várias pessoas. Era tipo um pó branco fino e parecido com sal de cozinha. Mas no escuro, tinha um brilho azul.

E essa coisa era uma coisa muito diferente, quase que hipnotizante para quem não sabia o que era aquilo, né? Parecia que tinha vindo de um outro mundo. E as pessoas, claro que ficaram fascinadas, elas queriam ver, tocar, e algumas até quiseram levar aquele pouco daquele pó para casa. Só que, na verdade, gente, aquilo ali não tinha nada de mágico e nem de místico. E o que parecia uma coisa super encantadora e super diferente, acabou se transformando no começo de um dos capítulos mais tristes da história do Brasil.

O que era, afinal, aquele por, né, Erika? E por que as pessoas que começaram a ter contato com ele tiveram sintomas horríveis? E por que esse caso ficou conhecido no mundo inteiro como Chernobyl brasileira? Então esse é o caso que a gente vai contar aqui hoje. E como vocês sabem, a gente está trazendo ele aqui hoje.

porque o Netflix lançou uma série nova que reacendeu ali os debates sobre esse caso. Todo mundo tá falando de novo, as pessoas que não conheciam aprenderam sobre o que é esse caso. E é uma série de ficção muito interessante, mas hoje eu decidi trazer aqui pra vocês o caso real, pra vocês ficarem por dentro de tudo o que aconteceu na história real, de fato, que faz parte da nossa história. E é muito importante que a gente lembre da nossa história, né?

Lembrando também que todas as informações que a gente juntou aqui vieram de fontes como notícias, entrevistas e reportagens. E todos os links eu vou colocar no site do Casos Reais. Então se você quiser, vai estar lá no site www.casosreaispodcast.com.br. E também para quem não me conhece, meu nome é Erika Miranda e toda quarta-feira eu trago um caso aqui para vocês. E muitos casos são sugestões de ouvintes, são sugestões de você aí que está escutando agora. E esse daqui foi muito...

pedido de verdade nas últimas semanas, eu acho que por conta dessa série e também por ser um caso aí que, né, eu não trouxe aqui no podcast, é um caso que não é tão falado e que voltou aí a ser falado. Então, se você quiser mandar essa sugestão, manda lá no site do Casos Reais, tem uma aba que você consegue mandar essa sugestão. E pra quem é apoiador aqui do podcast...

A gente tem um grupo ali do WhatsApp que você consegue ficar em contato comigo direto. E por lá você manda a sua sugestão e eu consigo ver de forma muito fácil, rápida ali. E eu também aceito lá pelo meu Instagram, que é arrobaericacomk, mirandas, com S no final. Então é isso, vamos parar de conversa e vamos para o caso dessa semana.

Goiânia, 13 de setembro de 1987. No final daquela tarde, dois catadores, o Wagner Mota Pereira, de 20 anos, e o Roberto dos Santos Alves, de 21 anos, estavam caminhando ali pelas ruas da cidade, até que eles chegaram na Avenida Parnaíba, no centro de Goiânia. E nessa avenida ali, tinha um prédio abandonado. Esse lugar, ele estava ali nesse estado já tinha algum tempo.

Então imagina essa cena, não tinha mais portas, não tinha mais janelas, só tinha mesmo ali uns vãos abertos na parede. E partes da estrutura tinham sido demolidas e um mato alto cobria todo aquele terreno. Para muita gente, aquele prédio era só um lugar sem valor nenhum, só ruína. Mas para o Wagner e para o Roberto, eles tinham ali uma outra visão desse lugar, porque como eles trabalhavam como catadores...

Eles sabiam que lá dentro podia ter alguma coisa que eles conseguiriam pegar e tentar vender depois ali em algum ferro velho, né? Então eles sempre tinham essa curiosidade porque algo poderia ter ali que poderia ter valor. Alguma sucata que talvez ajudasse eles ali a ganhar algum dinheiro extra para comprar comida, ajudar a sustentar a família. Para quem não conhece, é a situação de muitas pessoas no Brasil. A gente sabe que muitas pessoas recolhem, catam esse tipo de material para poder conseguir ganhar uns centavos e tal, um dinheiro extra.

Então, os dois entraram e realmente eles acharam uma coisa lá dentro. Só que não era nada muito comum, não era uma latinha de refrigerante ou então uma grade de ferro ou um pedaço de fio de cobre. Eles encontraram uma máquina, toda revestida de chumbo e de aço. E essa máquina, ela estava abandonada ali naquele lugar, parada. E nem o Roberto e nem o Wagner sabiam o que era aquela máquina.

e nem para que essa máquina servia e essa máquina provavelmente estava toda enferrujada, suja mas para eles era uma fonte ali muito rica de chumbo e de aço então eles viram ali na hora e parecia que eles pensaram que podiam levar ali uma parte dessa máquina embora e seguir aí com a ideia deles de vender para um ferro velho, porque eles conseguiriam fazer dinheiro dessa forma

E foi o que eles fizeram. Eles pegaram uma parte dela, que era uma cápsula grande e pesada, e colocaram num carrinho de mão e saíram andando pela cidade até a casa do Roberto. E quando eles chegaram em casa, eles pegaram chaves de fenda, martelos, ferramentas desse tipo, e aí eles começaram a tentar abrir essa cápsula para poder pegar os materiais que interessavam ali para eles, né? Separar as coisas e ver o que eles realmente poderiam tirar disso.

E os dois ficaram um tempo martelando, tentando abrir. Só que no dia seguinte, uma coisa estranha começou a acontecer. O Wagner e o Roberto acordaram passando muito mal. E não foi assim aquela coisa que a gente sabe que vai passar. Eles realmente ficaram muitos dias ruins, assim, sabe? Parece que eles ficaram com o estômago embrulhado, sentindo tontura, intestino solto.

Eles também acabaram perdendo apetite e ficaram ali com a visão turva. Eram sintomas, assim, esquisitos. Não era tipo uma gripe ou só uma coisa que talvez você tenha comido e ficou mal. Era uma coisa muito estranha. E na época, eles chegaram a pensar que era só uma intoxicação alimentar, como eu estava dizendo, mas uma intoxicação alimentar meio estranha, sabe? Mas mesmo assim, eles já estavam achando que eles tinham comido alguma coisa estragada e que aquilo talvez fosse passar.

A cápsula ficou cerca de cinco dias no quintal deles, do dia 13 de setembro até mais ou menos o dia 18 de setembro. E depois de um tempo, dos dois ele mexendo na peça, o Wagner e o Roberto decidiram que era a hora de levar aquilo para finalmente ser vendido, para finalmente colocar ali para girar. Então eles pegaram a cápsula e saíram com ela por Goiânia, andaram pelas ruas carregando a peça, até que eles chegaram em um ferro velho.

E o dono de lá se chamava Devair Alves Ferreira, que tinha 36 anos. Esse Devair comprou essa cápsula e pagou o Roberto e o Wagner, que foram embora ali com o dinheiro que eles precisavam. E nesse ferro velho, o Devair chamou dois funcionários, o Israel Batista dos Santos, de 22 anos, e o Admilson Alves de Souza, de 18 anos.

E ele pediu para esses dois homens para terminar ali de abrir a cápsula, de tentar ver o que tinha ali dentro, para ver se realmente tinha uma peça ali que valesse alguma coisa, e também para retirar esse chumbo. E foi aí quando a cápsula finalmente acabou sendo rompida de vez, e lá dentro eles acharam uma coisa. À primeira vista, parecia ali algo muito comum.

93 gramas de um pó fino, que lembrava sal de cozinha. E aí, no meio daquela desmontagem toda, esse material acabou ficando ali no ferro velho, sem que ninguém soubesse exatamente o que era. Só que, de acordo com o livro da Secretaria de Saúde de Goiás, naquela noite, tudo mudou, porque o Devair estava lá no ferro velho, caminhando pelo lugar, fumando, quando ele, então, viu uma coisa muito diferente.

No meio das peças, ele notou um brilho azul, um brilho bonito, diferente, assim, chamativo. Era o pó que estava dentro da cápsula. E no escuro, esse pó irradiava uma luz azul muito intensa. Era uma coisa que foi descrita ali pelas pessoas como bem bonita e que acabou deixando o Devair fascinado, né? Algumas fontes falam que parecia até algo místico. E ninguém sabia o que era aquele pó. Mas, na verdade, como a gente sabe, não era uma coisa bonita. Era uma coisa mortal, né? Aquele pó era o Césio I.

E como ninguém fazia ideia do que era aquela máquina achada no prédio abandonado, não tinha realmente como ninguém saber o perigo que todo mundo estava correndo. Mas infelizmente, isso era só o início de um pesadelo. E gente, isso daí é o início do maior acidente radioativo fora de usina nuclear e em perímetro urbano do mundo. Só para vocês saberem o impacto disso aqui.

E para vocês entenderem realmente o tamanho do problema, eu vou ter que fazer uma pausa aqui na cronologia que a gente tem desse caso para poder explicar uma coisa. Porque pelo que tudo indica, parece que o Wagner e o Roberto, os dois catadores, talvez não soubessem disso, né? É claro que eles não sabiam, acho que é inocência. Só que aquele prédio abandonado tinha sido por 14 anos um instituto goiânio de radioterapia.

mais conhecido como IGR. E ele ficou aberto até 1985, ou seja, só dois anos antes deles entrarem lá e pegarem essa cápsula. Basicamente, era uma clínica que tratava pessoas com câncer. Porém, no fim de 1985, quando o IGR acabou precisando mudar de endereço, aquela máquina, que era um aparelho de radioterapia, foi deixada para trás e ficou abandonada ali.

E dentro dela tinha uma cápsula de aço e chumbo. E dentro dessa cápsula ficava o césio-137, que é um material químico. Ele é produzido em reatores nucleares e explosões atômicas. E é usado, ou pelo menos era naquela época, para tratamentos de câncer de radioterapia.

Só que apesar dele ser muito usado para tratamento, ele é um material muito perigoso, porque ele libera uma radiação invisível que atravessa o corpo e danifica as células. Ou seja, o Césio 137 faz as células do corpo morrerem ou sofrerem mutações.

E como eu disse, ele é um pó que parece um sal de cozinha e emite uma luz, que é um brilho azul no escuro. E ter contato com esse pó pode causar queimaduras radiológicas muito sérias, que podem necrosar tecidos do corpo, falência de órgãos e vários tipos de câncer e danos irreparáveis e causar até morte. E enquanto esse químico, esse pó, estava na máquina...

o Sésio ficava protegido pelas camadas de aço e de chumbo, o que impedia essa radiação extrema de escapar, né? E no funcionamento normal, o aparelho tinha uma janela pequena que permitia a radiação sair de uma forma mais controlada e segura. Ou seja, é como se os médicos mirassem o feixe da radiação nas células doentes para matar só elas, para meio que ir matando, entre aspas, o câncer da pessoa.

Eu tô tentando simplificar, tá, gente? Eu não sou médica, eu não sou professora de, sei lá, medicina, mas eu tô tentando simplificar de uma forma mais prática, faz, né? Inclusive, se tiver algum médico aqui me escutando, alguém que seja mais profissional do assunto, coloque aqui, eu sou só jornalista, só tô compartilhando um pouco da informação e tentando simplificar. Então, se você tiver uma forma mais simples de tentar explicar, deixa aqui nos comentários, tá? Se você seja um médico, claro.

Mas agora vamos voltar para a cronologia do caso. O pessoal lá do Ferro Velho que tinha retirado o Césio de dentro dessa camada de proteção e entraram em contato direto com ele. Gente, é um perigo enorme. Só que, como eu disse, ninguém sabia o que era aquilo. Ninguém tinha o conhecimento desse perigo todo. Para eles era só um pó que brilhava no escuro. Em 1980, eu não tinha um chat de PT para você tirar uma foto e perguntar o que é isso. Então, as coisas eram um pouquinho diferentes.

E o Devair ficou fascinado com o Césio, como eu falei, e parece que ele teria ficado tão encantado com esse material, que segundo um livro sobre esse caso ali, aquele que eu falei da Secretaria de Saúde de Goiás, tem relatos de que Devair teria até cogitado fazer um anel com uma pedra do Césio para ele, para poder enfeitar, de tão bonito que ele achou que seria aquele negócio. Além disso, ele também levou o Césio para casa.

pra poder mostrar pra família. E aí, você já imagina, né? O Devair provavelmente deve ter mostrado pra esposa, pros filhos, colocado no instante, colocado na mesa. Era Césio pra todo lado. Só que com o passar dos dias, vocês já sabem o que começou a acontecer. O Devair começou a passar mal. Assim como tinha acontecido antes com os catadores. Ele começou a sentir náuseas, tonturas, diarreias, queda de cabelo, perda de apetite, manchas que foram se alastrando na pele.

E ele ficou assim uns dias, passando muito mal, quando em 24 de setembro, um homem chamado Ivo Ferreira, que era irmão do Devair, ficou sabendo que o Devair estava mal e foi na casa dele para poder ver como o irmão estava. Só que chegando lá, o Devair mostrou para ele o Césio. E aí o Ivo, ele parou, olhou para o Césio, viu ele emitindo aquele brilho. E assim como o irmão, também teria ficado super encantado com essa substância. E assim, o Ivo também resolveu levar um pouco dessa substância para cá.

casa para poder mostrar para a família. A gente viu fontes afirmando que ele teria levado 19 gramas do césio dentro de uma caixinha de fósforos. Também tem uma outra fonte que conta que o Ivo teria guardado o pó no bolso da calça de alguma forma. Mas independente da forma como ele levou esse material, que ele carregou esse material, o certo é que ele levou o pó para mostrar para a esposa e para a filha. E aqui entra uma pessoa muito importante para essa história, a filha do Ivo, uma garotinha de 6 anos chamada Leide das Neves.

As fontes descrevem a Lady como uma menina muito sorridente, carinhosa, inteligente. Ela gostava de brincar, era vaidosa, ficava, tipo, horas na frente do espelho, colocava pulseirinhas no braço. E quando a Lady crescesse, ela dizia que o sonho dela era ser bailarina. E naquela noite, quando o Ivo chegou em casa, todo mundo ficou interessado nesse césio.

inclusive essa menina, né, a garota, ela passou horas brincando com esse pó. E, gente, a Lady era uma criança, né, então essas mãozinhas sujas, ela deve ter pego nos cabelos, passando a mão no cabelo, no rosto, na boca, em tudo quanto é canto. E uma tia da Lady contou que foi na casa dela nesse dia e encontrou a garota toda sorridente e animada, né. Quando ela viu a tia, a Lady chamou ela e falou assim, abre aspas, titia, vem ver a pedrinha iluminante que o papai trouxe.

Gente, de novo, lembrando que ninguém sabia o que era esse pó e nem sabia o perigo.

que era aquilo. E aí a Lady apagou a luz e o Césio começou a emitir um brilho e era como se ele soltasse raios segundo essa tia. E ela tava toda alegre. Gente, só que infelizmente essa felicidade não durou, né? Mais tarde naquele dia a família sentou ali na mesa pra comer e o jantar eram ovos cozidos e a Lady comeu um ovo só que, gente, ela usou as mãos pra comer as mãos sujas de Césio e sem querer a Lady acabou ingerindo um pouco dessa substância E aí

E aí veio a reação. Cerca de 15 minutos depois, ela começou a vomitar e passar muito mal. Na hora, pelo que as fontes afirmam, a mãe dela ficou sem saber o que fazer naquele momento. Ela pegou a Leide no colo, tentou dar um remédio, tentou acudir a filha, só que a menina não parava de vomitar. E esse tipo de situação não aconteceu só com a Leide, não, porque o Devair, ele não tinha a menor ideia de que aquela substância era justamente o que estava deixando ele doente.

E ele mostrou o césio, né, a substância para várias pessoas, não só para o Ivo, que era o pai da Leide, né?

Durante os dias, um monte de parentes, amigos, acabaram passando na casa dele para ver de perto esse pó. E, gente, é importante eu falar que as coisas não aconteceram de um dia para o outro. O Devair ficou vários dias com o Césio na casa dele. Cerca de, tipo, uma semana. E durante todo esse tempo, várias pessoas também levaram um pouco do pó para casa, para mostrar para a família. E o resultado foi o mesmo. Todo mundo começou a ficar doente, a passar mal de alguma forma.

Tem relatos, como por exemplo, de uma pessoa que pegou só uma pedrinha de césio, tipo menor do que um grão de arroz, e aí mexeu nessa pedrinha e acabou desfazendo ela, esfregando o pó ali nas palmas das mãos, sabe? Até que oito dias depois, as mãos dessa pessoa começaram ali a coçar e ficaram muito inchadas. E também começou a sentir náuseas, tonturas e outros sintomas.

E assim, com as pessoas levando ali uma parte do pó pra casa, pra família, pra isso, pra aquilo ali, aos poucos, vários pontos da cidade foram se contaminando. E a coisa foi se espalhando por Goiânia. Além disso, parece que também teria rolado ali contaminações secundárias, porque você imagina...

essa cadeia, né? Se uma pessoa pegava um pouquinho do Césio, que parecia ser inofensivo, né? E depois pegava um ônibus, segurava ali na barra do transporte coletivo, do ônibus, de qualquer coisa, encostava ali em uma nota de dinheiro. Isso acabou espalhando a contaminação também. Então tem essa contaminação secundária.

E parece que mesmo se você lavasse a mão com água e sabão normal, ainda era possível que as partículas do pó ficassem ali, impregnadas, porque a nossa pele é tipo uma esponja, né, gente? Nossa pele absorve as coisas, fica ali. É muito perigoso. Ou seja, parece que acabou acontecendo muita contaminação secundária também, além das pessoas que entraram diretamente em contato com o césio. E em duas semanas, centenas de pessoas acabaram tendo contato com essa radiação.

E o pior é que ninguém sabia, ao certo, o que era aquilo. E as pessoas estavam passando todas...

muito mal. E claro que algumas pessoas até foram pro hospital, mas ninguém acabava descobrindo a causa. Porque, gente, quem ia imaginar que em Goiânia, longe de qualquer coisa do tipo de usinas nucleares, longe desse tipo de cenário que a gente logo associa rápido com radiação, pudesse de fato estar rolando uma contaminação radioativa nas pessoas. Esse tipo de causa relacionada à contaminação radioativa não deve nem ter passado pela cabeça da maioria dos médicos. Não era uma hipótese óbvia no começo.

Só que teve uma pessoa que começou a desconfiar, a Maria Gabriela, que tinha 37 anos na época e era esposa do Devair, o dono do ferro velho. E bem rápido ela começou a ligar os pontos, ela olhou para o Césio, olhou para o marido passando mal, ela viu que outras pessoas também estavam passando mal, inclusive ela mesma, e ela também notou que tudo tinha começado logo depois que todo mundo começou a tocar nesse pó.

Era, no mínimo, um pouco suspeito, né? Ela relacionou uma coisa com a outra. Um mais um, né? Logo ela começou a imaginar. Ela não tinha o conhecimento de que o problema era a radiação especificamente, mas ela começou a desconfiar do pó. Então, o que a Maria Gabriela fez? Desconfiada, ela pegou o Césio, colocou ele dentro de uma sacola e foi pedir ajuda na vigilância sanitária. Ou seja, ela sentou na frente dos funcionários e contou tudo o que estava acontecendo.

e disse que ela achava que o pó poderia ter alguma coisa a ver com isso. Só que os funcionários da vigilância sanitária também não tinham ideia do que era aquilo também. Eles guardaram ali o césio, e ele ficou lá em cima de uma cadeira por um dia, sem ninguém sabendo ali exatamente o que fazer com aquilo. Até que no dia 29 de setembro de 87, aproximadamente 16 dias depois da cápsula ter sido retirada da clínica, um físico chamado Walter Mendes, de 29 anos, foi chamado para olhar de perto o que era aquilo que estava acontecendo.

E aí o Walter foi ligando uma coisa na outra. Eu imagino que ele já devia saber das pessoas passando mal, né? Que estavam indo para o hospital. E ele também deu uma olhada na sacola que a Maria Gabriela tinha deixado lá na vigilância sanitária. E então, finalmente, ele descobriu o que era aquele pó.

E era o Césio 137. E, gente, sabendo do que se tratava, ele mandou evacuar a vigilância sanitária na mesma hora. E as autoridades foram acionadas às pressas, principalmente a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a CNN, que era o órgão responsável por pesquisa e desenvolvimento de tecnologia nuclear no Brasil na época.

E finalmente agora as autoridades sabiam do tamanho do problema e pela primeira vez eles poderiam começar a agir. E assim Goiânia começou a viver uma cena que parecia gente de filme que não era no Brasil, né? Porque essa história no Brasil assim parecia absurda, né?

começou a chegar um monte de homens vestindo umas roupas de proteção contra radiação, cobertos com luvas, botas, máscaras. Além disso, eles também traziam os medidores Geiger, que são aparelhos portáteis que apitam quando tem radiação no local. Não sei se eu falei certo, tá, gente? Geiser, Geiger, não sei se eu falei certo, tá? Eu nunca ouvi falar sobre isso. Primeira vez que ouvi falar sobre isso, não sabia que tinha nome.

Bom, e eles começaram a analisar ali e a monitorar Goiânia inteira, além de fazerem análise nos solos, nos vegetais, na água, no ar. Então imagina o desespero e o medo dos vizinhos quando eles viam as equipes chegarem ali no bairro e o medidor começava a apitar, indicando que tinha radiação.

Bom, no final das contas, as autoridades chegaram à conclusão que tinham várias áreas da cidade com níveis altíssimos de radiação, principalmente onde o Césio-137 tinha ficado ali de forma mais direta, como, por exemplo, no Ferro Velho e na casa do Devair. Por conta disso, sete áreas da cidade tiveram que ser evacuadas.

E aproximadamente 112 mil pessoas tiveram que ser levadas para o Estádio Olímpico de Goiânia. Gente, imagina um campo de futebol cheio. Só que ao invés, né, cheio de pessoas ali para assistir um jogo, eram filas e mais filas de pessoas para poder passar por monitoramentos e triagens.

e a região toda cercada por bombeiros e pela polícia. Nos estádios, as autoridades passavam ali o medidor de radiação das pessoas para ir conferindo. Algumas pessoas tiveram que tomar banhos específicos com jatos muito fortes de água e com vinagre e sabão de coco.

Além de terem que trocar também de roupa de meia em meia hora. Isso tudo ali para tentar remover qualquer vestígio de material radioativo que pudesse estar grudado no corpo ou nas roupas das pessoas. Além disso, muitas pessoas também tiveram que esfregar partes do corpo, como pés, para poder ajudar ali a remover o material radioativo. E também tiveram que tomar até comprimidos, como o azul da Prússia, que ajudava ali na descontaminação interna.

Enquanto as pessoas estavam ali dentro do estádio, passando por todo esse processo, na cidade a situação também era muito grave. Como eu falei, tinham muitas áreas com níveis altíssimos de radiação e por conta disso as autoridades tiveram que tomar uma medida drástica. Eles estavam entrando nas casas das pessoas e retirando tudo o que estava lá dentro. Geladeira, fogão, sofá, roupas, moto, carro, álbum de foto, gente, tudo. Esses objetos foram recolhidos, colocados em tambores grandes.

E, infelizmente, eles precisaram ser descartados. Acabaram virando toneladas de lixo radioativo. Infelizmente, muitas pessoas perderam tudo o que tinham, principalmente nas casas mais contaminadas, como a casa da Lady, da menina Lady, o ferro velho, e aquelas casas que realmente tiveram contato direto. E não para por aí, porque dezenas de casas tiveram que ser, inclusive, demolidas. Em algumas áreas, até o pavimento das ruas e as árvores precisaram ser removidas. Porque, gente, isso acabou virando lixo radioativo, né? Isso tinha que ser...

descartado de forma correta. Tudo isso tinha que ser descartado de forma correta. O que deveria ter sido feito lá no início, né, gente? Porque as coisas não foram descartadas da forma que deveriam ter sido. Então, por isso que aconteceu tudo isso aqui. Mas, enfim, não é hora de opinião. Eu tô ficando um pouco estressada. Vamos voltar.

essas triagens, as autoridades concluíram que cerca de 250 pessoas tinham sido contaminadas de forma significativa pelo Césio e 129 estavam em uma situação que exigia acompanhamento médico constante. E além disso, na época, 14 casos mais graves foram levados para hospitais, como, por exemplo, o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, que eram para ser tratados ali por pesquisadores que já estudavam a radiação e também porque esses locais tinham melhores condições de lidar com tudo aquilo que estava acontecendo.

uma estrutura um pouco melhor, e acredito que provavelmente eles estavam ali em Goiânia sobrecarregados, muitas pessoas. Leide, a filha de seis anos do Devair, era claro que um desses casos graves. E lá no estádio olímpico, ela precisou ser separada da mãe, e ela acabou sendo levada para um hospital. Parece que no hospital, a Leide ficou isolada em um quarto, porque os funcionários tinham medo de chegar perto dela por causa da radiação, e também porque eles deviam ter protocolos para eles não serem expostos mais do que o necessário. Mas é claro, né gente, afinal ela foi uma das pessoas que mais teve contato.

Ela sorria no hospital, desenhava e até conversava com as pessoas. Só que com o passar dos dias, a saúde da Lady foi piorando muito. Ela teve perda de cabelo, inchaço, danos ali nos rins, nos pulmões e até hemorragia interna. Infelizmente, ela nunca mais voltou para casa. Em 23 de outubro de 1987, a Lady faleceu. Na mesma semana, infelizmente, mais três pessoas também morreram.

O Israel e o Admilson, que eram os funcionários ali do Ferro Velho, né, que ajudaram ali a desmontar a cápsula. E também faleceu a Maria Gabriela, a esposa do Devair. E foi por conta dela, né, ter desconfiado do pó e levado ele pra vigilância sanitária que o acidente não tomou proporções ainda maiores. Ela foi uma peça fundamental pra conter a contaminação, só que infelizmente...

Ela não resistiu. E, gente, é importante lembrar que o acidente nuclear de Chernobyl, que é considerado como a maior catástrofe nuclear do mundo e que aconteceu na Europa, tinha acontecido em abril de 86, apenas um ano antes. Então, quando teve o acidente radiológico no Brasil, o medo espalhou em Goiânia e o caso virou manchete no país inteiro e no mundo inteiro, com uma cobertura muito...

intensa. Todo mundo tinha medo de que Goiânia virasse uma tragédia da proporção de Chernobyl, sabe? Principalmente porque as pessoas também acabavam não sabendo diferenciar uma coisa da outra, né? No fim de outubro, quatro pessoas já tinham morrido, o que tinha causado uma dor enorme para as famílias.

No dia 26 de outubro, o corpo da Lady foi levado do Rio de Janeiro de volta para Goiânia para ser enterrado. E por conta da radiação, o caixão dela teve que ser especial, feito de chumbo. De acordo com uma matéria da PUC-TV de Goiás, ele pesava 700 quilos. Tudo isso para evitar que a radiação presente no corpo dela se espalhasse. E por conta desse peso, esse caixão tinha que ser levantado por um guindaste. Quem conseguiria levantar um caixão desse?

E aí o caixão foi levado até onde ela seria enterrada, que é um momento muito difícil para a família, né? Quando, do nada, uma pessoa jogou uma pedra. E aí outra pessoa jogou um tijolo. E aí uma terceira pessoa começou a protestar e gritar. Gente, no final das contas, a confusão foi crescendo e tomando uma proporção enorme. Cerca de duas mil pessoas queriam impedir a Lady de ser enterrada.

Mesmo com todas as medidas de proteção que tinham sido tomadas, né? Como, por exemplo, eu falei o caixão de chumbo e tudo mais, as pessoas estavam em pânico. Elas tinham medo de que se a Lady fosse enterrada ali, o corpo iria contaminar a região do cemitério. Gente, vocês imaginam a dor da mãe da Lady, que tinha acabado de ver a filha falecer e ainda tendo que passar por toda essa situação do cemitério, que era muito triste. Realmente, as pessoas tratando a filha dela, enfim, os restos mortais da filha dela daquela forma.

No dia, os policiais tiveram que intervir rápido, até que foi preciso chegar, mandar ali a primeira-dama do estado de Goiás, na época, a Sônia Santilho. E ela ali, numa posição de mãe, ela apelou para as pessoas deixarem a Lourdes enterrar a filha. E só depois de um tempo que finalmente a Lady pôde ser enterrada. Depois disso, o túmulo dela também foi concretado como parte do procedimento de segurança para conter qualquer tipo de contaminação no solo, lençóis freáticos e tudo mais.

Com o passar das semanas, na cidade, a descontaminação das áreas de Goiânia avançou e muitas pessoas foram sendo liberadas do estádio ou dos hospitais. Só que com os anos, muitas dessas pessoas sofrendo consequências por conta da radiação.

a Associação de Vítimas do SESI 137 estimou que cerca de 1.600 pessoas ainda sentem os efeitos da radiação até o dia de hoje, até 2026. Elas sofrem problemas graves de saúde e até preconceito ainda, tá? Para vocês terem uma noção do tamanho do preconceito que surgiu ali depois do acidente...

Nos anos 90, muita gente de outros estados passou a olhar para qualquer pessoa que vinha de Goiânia com medo. Isso mesmo depois de tantos processos de limpeza, de monitoramento, tratamentos. Elas não ofereciam nenhum risco, mas o preconceito, o estigma, estava ali na sociedade, né, gente?

E não parava nas pessoas. Teve gente que começou a desconfiar até de produtos agrícolas vindos de Goiás. Eles ficavam com receio de comprar comidas produzidas no Estado e aquilo estar contaminado de alguma forma, como se a radiação fosse se espalhar para outros pontos do país.

Infelizmente, segundo Wall, estimativas mostram que, ao longo dos anos, mais de 100 mortes foram associadas a algumas complicações causadas pela exposição à radiação. Ivo, o irmão do Devair e pai da Leide, carregou uma culpa imensa por muitos anos por ter levado o Césio para casa, para Leide, e ele viveu anos lidando com as sequelas e dores constantes. Parece que o Ivo tinha crises de dor frequentes e precisava ir ao médico o tempo todo para se tratar. E o Ivo acabou falecendo em 2003 por causa de um efisema pulmonar.

Já o Devair Ferreira, o dono do Ferro Velho, morreu em 94, sete anos depois do Césio. Tem fontes que falam que ele faleceu de cirrose hepática depois de ter entrado em depressão ali por conta de tudo o que aconteceu e de começar a abusar ali do consumo de álcool. Como eu disse antes, várias casas precisaram ser demolidas e tudo o que não pôde ser descontaminado acabou virando rejeito, né, radioativo, acabou virando lixo.

Na época, as únicas coisas que Lourdes, a mãe da Leide, conseguiu salvar da casa foram 10 fotos da filha, que foram descontaminadas para Lourdes guardar. Ela relata que antes do acidente, ela costumava falar que queria tirar muitas fotos antes da menina perder os primeiros dentinhos de Leide. Só que infelizmente...

Ela nunca conseguiu ver a lei de perder esses dentinhos. No final das contas, o Césio gerou 6 mil toneladas de material radioativo, que foram colocadas em 4.200 tambores, 1.300 caixas, 8 recipientes de concreto e mais de 10 containers.

Todo esse material foi enterrado em Abadia de Goiás, que é uma cidade que fica na região metropolitana de Goiânia, a uns 20 quilômetros de distância, o que dá uma meia hora de carro da cidade. Atualmente, esse depósito fica sob monitoramento e o controle constante de instituições.

Pelo que entendi desse caso, parece que o perigo está controlado. Atualmente, parece que algumas vítimas recebem uma pensão do governo todos os meses. Antes, essa pensão ajudava muito, só que hoje, infelizmente, o valor é baixo. Como, por exemplo, tem algumas vítimas que recebem menos de um salário mínimo, o que, infelizmente, parece que não chega a cobrir o preço de certos remédios que elas precisam tomar depois de terem passado pelo que passar.

Bom, existem projetos de lei para aumentar o valor das pensões, mas já tem anos que é um vai e vem na justiça para essas pessoas terem um pouco mais de cuidado do governo. E para finalizar o episódio, fica aquela pergunta que não quer calar, né? Em uma tragédia desse tamanho, quem foi o culpado? Porque como eu falei, as vítimas não tinham culpa, né? As pessoas da cidade não tinham a menor ideia do que era aquele pó e nem...

do que era aquela máquina ali abandonada dentro da clínica. Para vocês terem uma noção, e parece que o Roberto, que é um dos catadores que retirou o equipamento, ele disse que se eles soubessem do perigo que era aquilo, eles nunca teriam mexido naquilo, né? Mas então, quem respondeu pelo acidente radiológico de Goiânia?

Bom, depois de uma longa luta na justiça, aquele empurra e empurra de culpas na justiça, que a clínica jogava culpa em uma instituição relacionada, e a instituição tentava passar para frente, e ninguém falava exatamente como que a máquina tinha sido deixada ali na clínica, abandonada, acabou que veio uma decisão. Em 96, nove anos depois de tudo que aconteceu, a justiça condenou algumas pessoas ligadas ao Instituto Radiológico de Goiânia.

que era a clínica. Essas pessoas foram Flamarion Goulart, um físico, Carlos Benzerril, um médico responsável pelo IGR, Criseide Dourado, outra médica responsável pela clínica, Orlando Teixeira, um médico ali responsável pelo IGR, e o Amarilho de Oliveira, o dono do prédio onde ficava o Instituto.

De acordo com o processo, eles acabaram condenados judicialmente por homicídio culposo, que é quando não existe a intenção de matar. Eles foram condenados a penas que variam, mas que era mais ou menos 3 anos e 2 meses em prisão em regime aberto. Mas não durou muito tempo. No ano seguinte, eles receberam um indulto do então presidente, Fernando Henrique Cardoso, ou seja, a pena dessas pessoas foram extintas.

E com isso, apesar de terem sido condenados, ninguém acabou cumprindo a pena de prisão em regime fechado. Parece que algum desses culpados ali acabou cumprindo prestação de serviços e houve também pagamento de indenizações ou pensão aos dois catadores. E pelo que uma matéria do G1 dá a entender, alguns deles consideram que não tem culpa no caso.

E além disso, também teve responsabilização civil da CNN, a instituição que fazia pesquisas nucleares por falha em fiscalizar a clínica e ter deixado ali passar batido que tinha uma máquina desse nível abandonada lá, né? Gente, a verdade é que esse caso é muito grande e muito cheio de detalhes e de histórias pessoais. Muito difícil a gente conseguir, quase que impossível, contar tudo em um episódio só. Dá pra fazer um podcast só sobre o caso do Césio, tá? Sobre as histórias de cada um. São muitas histórias.

Então, se eu deixei algum detalhe de fora, alguma dúvida ficou aí, ou se você tem alguma informação ou opinião, se você conhece alguém que, né, passou por isso, deixa aqui nos comentários. A gente pode dar uma olhada nos comentários e ver se tem alguém aí pra compartilhar alguma informação interessante. Eu quero muito também saber a opinião de você sobre esse caso. E também se tem alguém que tá relacionado ao caso aí, que é ouvindo, quiser dar uma entrevista ou conversar aqui com a gente no podcast, fica super aberto o convite.

Meu e-mail tá na descrição, vou deixar aqui nessa descrição desse episódio, mas tá sempre no meu perfil do Instagram.

Todo lugar você consegue encontrar meu e-mail, tá? Mas eu vou deixar na descrição desse episódio, se você quiser mandar uma mensagem para conversar aqui no podcast. Eu acho que realmente pode ser muito rico a gente compartilhar mais informações sobre o Césio, porque a gente nunca sabe o que pode acontecer. É bom que a gente compartilhe história para que as pessoas se lembrem, as novas gerações saibam o que é esse caso. Não esqueçam dessa história para que a gente realmente não passe por nada desse tipo de novo.

É muito triste, né? Eu acho que... Ah, eu chego a arrepiar quando eu vejo as imagens ali do caixão da Lady. Eu acho que foi muito triste aquilo que ela sofreu. Bom, eu acho que recentemente, você deve ter visto aí, parece que o influenciador foi lá pra contar essa história onde tá o túmulo da Lady, pra poder contar essa história, pra poder compartilhar nas redes sociais a história da Lady e das vítimas desse acidente radioativo.

Gente, é muito triste realmente, uma coisa que ele pontua e que ele fala, que é muito interessante. Inclusive, só pra abrir um parênteses aqui, essa parte aqui que eu tô agora é a nossa opinião. Essa parte é a minha opinião sobre o caso. No final de todo episódio eu trago a minha opinião e o Lucas, o roteirista, traz a dele também. Então eu vi esse vídeo desse influenciador, no qual ele mostra, ele tá na frente ali. Eu acho que inclusive ele é um historiador, antropólogo, algo do tipo. Não me lembro agora, me desculpe.

Inclusive, se alguém souber o nome dele, bota nos comentários. E é muito interessante o vídeo que ele conta toda a história, tenta relembrar as coisas. Porque, realmente, ele foi até lá, onde está o caixão onde ela foi sepultada. E a Lady está como se fosse uma pessoa, assim...

como se fosse um caixão normal. Claro que todo mundo é igual, mas tem uma história ali, tem uma história muito importante para o nosso país, é uma coisa que foi muito pesada, foi muito triste, e aquilo precisa ser relembrado, aquilo precisa ser lembrado todos os dias, e eu acho que realmente merece um pouquinho mais de destaque, alguma coisa que diga.

um pouco mais de cuidado também, onde estão essas vítimas do Césio, porque aquilo ali representa a história do nosso país, e a história que a gente não pode esquecer, porque se a gente esquece uma história dessas, as coisas podem repetir, isso pode acontecer de novo. Eu acho que é muito interessante que tenham realmente feito essa produção sobre essa história, porque essa história merece ser espalhada para que mais pessoas relembrem, para que pessoas que são novas e não sabem do caso, conheçam, pesquisem e tenham essa informação. Realmente uma coisa que ele chamou a atenção e que todo mundo...

ficou se perguntando, é que ficaram chocados ali com a localização e com o Estado, né? Ele comenta que os túmulos ficam ali numa área isolada do cemitério e que não contam nada sobre a história, sobre o que de fato aconteceu, o que aquilo significa, né? Enfim, vale aí a discussão e eu espero que as autoridades responsáveis mudem isso, né? Façam alguma coisa com isso, porque realmente eu acho que o Brasil, a gente peca um pouco nisso em contar nossa história.

Então é isso, vamos ouvir a opinião do Lucas. Lucas, o que você tem pra dizer sobre esse caso?

Oi, Érica. Oi, gente. Esse caso, pra mim, é muito triste, né? É uma tragédia, assim, que causou muita dor, muitas marcas, pra muita gente. A gente vê as pessoas até hoje tendo que lidar com as consequências, algumas sequelas da radiação, tendo problemas de saúde, câncer, até mesmo preconceito. A gente vê algumas entrevistas nos anos 80, 90, talvez até 2000, as pessoas nem contavam que era de Goiânia as vítimas, né? Quando, por exemplo, ia mudar de cidade, não falava que era de Goiânia.

para que ninguém ficasse sabendo, para que não tivesse aquele estigma, aquele medo. A gente vê as marcas na vida das pessoas, por exemplo, a Lourdes, na entrevista, a gente consegue ver a dor. A Lourdes perdeu a filha, perdeu a Lady, o marido dela, o Ivo, também morreu, ela teve a casa demolida, perdeu tudo da casa, então ela teve que começar do zero, se eu não me engano ela até mudou de cidade. Tudo isso acaba sendo simbolizado por umas imagens. O caso foi muito documentado, então tem foto de tudo.

Tem foto de como era, por exemplo, o ferro velho do Devair. Na época, antes de tudo acontecer, e aí depois que acontece o acidente, virou só um terreno vazio, concretado o chão e o terreno não tem nada. Tem casa de um lado, tem casa do outro, tem casa atrás, tem a rua. E o terreno onde era o ferro velho todo...

sem nada. Claro que, no final das contas, a cidade não está estigmatizada com isso, é claro, nem deve ficar, porque não tem mais nenhum foco de contaminação ali, não tem mais nenhum perigo, mas na vida dessas pessoas, das vítimas, e eu trouxe a imagem do ferro velho para simbolizar isso, elas ainda vivem até hoje, com algumas dificuldades, não conseguem pelo governo a pensão como deveria, tem que ter um vaivão judicial muito grande, triste, uma tragédia que perdura até hoje na vida dessas pessoas de alguma forma.

Por mais dolorido que possa ser para algumas pessoas reviver, repensar nisso tudo, é importante que o caso seja falado novamente, né? Que aqui o podcast possa contribuir um pouco para o debate que já está rolando, né? Para que essas pessoas voltem a ganhar alguma visibilidade e consigam a assistência que elas merecem, principalmente por conta do governo.

Então é isso, pessoal. Muito obrigada pra quem ficou até aqui. Não deixe de deixar um comentário. Não deixe de compartilhar com alguém. É muito importante pra que o nosso vídeo chegue a mais pessoas. E é isso. Vejo você na próxima quarta-feira com mais um caso por aqui. Tchau, pessoal.