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Discurso não surpreende e guerra no Irã eleva custos políticos para Trump, avalia professor

02 de abril de 20268min
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na noite de quarta-feira (1º) sobre a guerra no Irã. A fala frustrou parte de aliados e investidores ao não anunciar o fim do conflito, como era esperado. Em entrevista ao Jornal da CBN, Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, avaliou que a declaração de Trump seguiu um padrão já conhecido com sinais que já vinham sendo antecipados. Ele também apontou que o principal impacto para os EUA pode ser político e econômico. A guerra tende a pressionar a inflação, especialmente nos setores de energia, combustíveis e transporte, o que pode influenciar diretamente as eleições legislativas previstas para novembro.

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Participantes neste episódio2
M

Milton

HostJornalista
R

Roberto Uebel

ConvidadoProfessor de Relações Internacionais
Assuntos2
  • Discurso de TrumpDonald Trump e a NASA · guerra no Irã · impacto político · eleições legislativas · inflação · Estreito de Hormuz · União Europeia · OTAN · Hezbollah · Hamas · Houthis · Venezuela · Maduro
  • Consequências econômicas das guerrascusto econômico · custo político · pressão inflacionária · energia · combustíveis · transporte
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez ontem um pronunciamento em rede de TV falando sobre a guerra do Irã. Dentre algumas das informações que passou, diz que os objetivos militares do país estão perto de serem atingidos. Ameaçou atacar alvos da infraestrutura de energia iraniana. Ao comentar sobre o Estreito de Hormuz.

Ele disse que a reabertura interessa mais aos países europeus do que propriamente ao Washington e definiu que os Estados Unidos estão sendo muito bem sucedidos nessa ação no Irã. Para conversar conosco sobre esse assunto, nós convidamos o professor de Relações Internacionais da ESPM, professor Roberto Hebel. Muito obrigado pela sua gentileza de nos atender aqui no Jornal da CBN. Bom dia para o senhor.

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. A todos os ouvintes da rádio CBN, sempre uma satisfação conversar com você. Bom dia, professor. Conhecendo o histórico de Donald Trump, não dá para dizer que o pronunciamento dele foi uma surpresa. Talvez estivessem erradas as expectativas que buscassem na fala do presidente dos Estados Unidos algo muito mais objetivo e próximo da realidade. Queria ouvir a sua análise sobre as mensagens que Trump passou ontem no pronunciamento no rádio e na TV.

Então, Milton, os sinais da fala do presidente Trump, eles já estão muito claros até mesmo antes dos pronunciamentos. Só a gente acompanhar, por exemplo, as postagens nas redes sociais, inclusive da semana anterior, já estava um pouco claro este horizonte de que os Estados Unidos inicia esta guerra com o aparente objetivo de destruir ou acabar com o regime iraniano e, por consequência,

um hipotético programa nuclear, mas ao longo do curso da guerra, que já se prolonga mais de um mês praticamente, estes objetivos se transveram em outros sub-objetivos. A mensagem principal que eu vejo, Milton e Kassia, é que os Estados Unidos hoje percebem, ou melhor, o presidente Donald Trump percebe que esta guerra poderá não ter apenas um custo econômico muito grande.

para o eleitor norte-americano, para o consumidor norte-americano, mas principalmente um custo político. Essa é uma questão que eu já falei diversas vezes, reiteradamente, tanto aqui na CBN, mas também nas minhas aulas, enfim, é que nós temos em novembro as mid-term nos Estados Unidos. E essa mid-term, ela vai ser muito importante as eleições para o Congresso.

para o presidente Trump continuar no governo, continuar com a sua agenda política, e elas serão sumariamente influenciadas. A gente vai ter uma pressão inflacionária por causa da guerra no Irã, nos combustíveis, no frete, no petróleo, na energia, enfim. A tendência é que o eleitor norte-americano vote não em Trump e nos seus partidários, o Partido Republicano, ele vote nos democratas. Hoje é dado quase como certo, Milton e Cassia, que...

provavelmente os republicanos vão perder uma das casas no Congresso em novembro. Ou seja, isso colocaria freios, colocaria limites muito fortes para a administração Trump e para seus objetivos, tanto de política interna como de política externa.

Professor, para além de todas essas questões econômicas que acabam surgindo a partir destes conflitos que o senhor destacou agora, tem também a questão de um discurso que não se confirma por parte de Donald Trump. Ele afirma, por exemplo, que o regime em Teherã estaria devastado quando ainda não há informações fidedignas em relação a isso.

E apesar de ter havido muitas baixas e baixas significativas no regime iraniano, de alguma forma os combates continuam. O país não se mostrou rendido, né? Exatamente. O regime iraniano tem apresentado certa resistência às incursões dos Estados Unidos e também do Estado de Israel. Porque é uma guerra tripla, digamos assim. Você tem de um lado Israel e Estados Unidos, outro Irã.

e tem apresentado uma resistência. Acho que é algo importante, a gente sempre trazendo essa análise da guerra contra o Irã, é que quem mantém o poder, quem está hoje comandando o Irã, é a guarda revolucionária. Então, por mais que você tenha a eliminação do próprio Ayatollah Khamenei, de outras figuras-chave da administração iraniana, da defesa, alto comando das forças armadas, enfim, a guarda revolucionária continua no poder.

Ela consegue apresentar de uma maneira muito rápida substitutos para esses cargos que foram eliminados e mantém a coesão interna, mantém inclusive o controle das forças armadas. Então o regime tem apresentado essa resistência. E outro sinal, respondendo até a pergunta anterior, que fica muito claro na mensagem do governo Trump, é para os europeus. Eu acredito, Cassie Milton, que quem mais vai perder nesta guerra, quem mais vai sofrer as consequências desta guerra, não será necessariamente Estados Unidos.

nem talvez o próprio Irã, mas sim a Europa. A União Europeia, colocada num conflito que ela não cria, ela é forçada pelo governo Trump a aderir a um apoio militar, e aí, diga-se de passagem, a própria OTAN, que tem apresentado resistência em participar, e tem as questões que são consequências da guerra. O aumento do custo da energia, hoje já há vários estudos que indicam que se a guerra se prolongar por mais algumas semanas, a Europa teria estoque de energia por dois meses.

Isso é muito prejudicial para, por exemplo, as projeções econômicas da Europa. E tem a própria questão securitária, tem uma ameaça de retaliação do Irã com mísseis que têm capacidade de atingir o território europeu e a própria questão do terrorismo, dos braços armados de organizações terroristas que apoiam o Irã, como o Hezbollah, o Hamas e os Houthis, que poderiam ter a Europa como alvo. Diante do discurso de ontem, Donald Trump sinalizou alguma estratégia de saída deste conflito?

Ele pede para que os europeus resolvam, até é muito emblemática falar dele que os Estados Unidos, abre aspas, teria feito a sua parte e conclama os europeus a abrirem o Estreito de Hormuz. Aqui a gente volta de novo a essa questão de que dificilmente os europeus vão se engajar numa guerra que não é sua e dificilmente o Irã irá abrir mão, talvez, do seu único mecanismo de negociação, que é o controle do Estreito de Hormuz, para atender.

Há um apelo do presidente Trump. Enquanto isso, a gente vai ver cada vez maior pressão sobre os preços, decorrente do frete, decorrente do aumento do preço do barril de petróleo, e que aí talvez confirma uma hipótese, Milton, a questão da própria Venezuela, o porquê da captura de Maduro em janeiro deste ano, para que talvez os Estados Unidos tenham uma garantia de fornecimento de petróleo venezuelano num momento em que o Irã limita o acesso a essa commodity.

Professor Roberto Webel, muito obrigado pela sua análise no Jornal da CBN. Um bom dia para o senhor. Muito obrigado, excelente dia a todos. Bom dia. Professor de Relações Internacionais, D.I.S.P.M., Roberto Webel, conversou com você aqui no Jornal da CBN.

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