Entenda o objetivo da missão Artemis II da Nasa; lançamento está previsto para esta quarta-feira (1)
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Hugo Motta
Pedro Palota
- Missão ArtemisLançamento da Artemis II · Objetivos da missão · Tecnologia espacial · Avanços tecnológicos · Exploração lunar
- Tecnologia espacialGPS · Fraldas descartáveis · Câmeras digitais
- Desafios da MissãoCondições meteorológicas · Janela de lançamento
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A NASA programou para hoje a retomada dos voos tripulados à Lua após mais de 50 anos. O lançamento da Artemis II está marcado para as 7h24 da noite, hora de Brasília, a partir do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida. E é para a Flórida que nós vamos agora para conversar com Pedro Palota, especialista em astronautica, fundador do grupo Space Orbit.
Pedro, muito obrigado pela gentileza de nos atender aqui no Jornal da CBN. Um bom dia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. É muito bom falar com vocês aqui na CBN hoje. Bom dia. Pedro Palota, nós temos acompanhado no noticiário aí toda a expectativa em torno deste lançamento, como eu te chamei a atenção aqui, a retomada dos voos tripulados à Lua. Não se vai colocar o pé na Lua novamente nesse momento, mas esse é um passo em direção a isso. E eu queria que você nos ajudasse a entender.
a missão desta ação, o objetivo desta missão da NASA, no instante em que a gente imaginava que o olhar, tanto da NASA como das demais agências espaciais, fosse para outros planetas. Por que a Lua novamente?
Então, a Lua é o ponto mais perto que a gente tem no nosso sistema solar para fazer uma missão de maior longa duração, de longa duração e também com questão de ser no espaço profundo. A Lua está a 380 mil quilômetros da Terra, é muito mais perto do que Marte, são dezenas de milhões de quilômetros.
Então, a NASA está retomando essas missões lunares com o objetivo de ficar dessa vez, criar uma base permanente ao longo dos próximos anos e também testar os sistemas que eles precisam para fazer isso e também a tripulação. Então, faz mais de 50 anos que não há missões para a Lua com tripulação, ainda que essa missão vai ser só o que a gente chama de flyby, só um sobrevoo.
e nem pousar, mas é um primeiro passo nesse programa Artemis, que começou há uns bons anos atrás, teve a primeira emissão em 2022, uma emissão não tripulada, mas agora...
vêm com quatro astronautas, para que a gente reaprenda a ir mais longe em relação à órbita da Terra e também reaprenda a fazer missões mais complexas e que no futuro venham a pisar na Lua. O objetivo da NASA é pousar em solo lunar em 2028, então é relativamente perto, são missões extremamente complexas, muito caras, mas que sempre trazem melhorias para a vida na Terra em forma de tecnologia.
Pedro, fala um pouco mais para a gente a respeito desses dois veículos espaciais que vão ser utilizados nessa missão, o foguete SLS e a espaçonave Orion.
O SLS é um foguete que, se você olhar ele pelas imagens, ele lembra muito o ônibus espacial. Inclusive, não é só na lembrança. Várias peças desse foguete são literalmente dos ônibus espaciais. Eu costumo brincar que ele é quase como o Cazuza, falando do Museu de Grandes Novidades.
Então, ele é um projeto legado, eles juntaram várias coisas para tentar acelerar esse processo de volta para a Lua. Mas ele é um projeto muito caro. Cada lançamento desse foguete é na faixa dos 20 bilhões de reais, 4 bilhões de dólares aproximadamente. E hoje já há iniciativas de outros foguetes na área de empresas privadas que são muito mais baratas. Então, a NASA...
Está tentando mudar esse estigma de missões espaciais sendo extremamente caras. Elas sempre vão ser caras, mas hoje já tem opções mais baratas.
E são contratos que vêm de uma outra época, de um tipo de contrato que as empresas têm muitos benefícios. Elas não têm incentivos, por exemplo, para serem mais eficientes. Mas ainda assim, o SLS é o foguete mais potente que a NASA já fez. Mais potente, inclusive, do que o foguete Saturno 5, que levou o seriano para a Lua nos anos 60 e 70.
E a espaçonave Orion é uma versão bem atualizada, bem mais tecnológica da Apollo. Óbvio, tem diferenças muito grandes, mas é o máximo que a gente tem de comparação com relação a outros tipos de espaçonave.
mas pode levar quatro astronautas, o que é muito bom. Então, o objetivo deles é fazerem missões cada vez mais complexas, agora fazendo esse sobrevoo para a Lua, depois entrando em órbita em outra missão, para aí sim pousar na Lua com outro veículo, no caso, que vão ser de empresas privadas, tanto da SpaceX, famosa pelo Elon Musk, e também a Blue Origin, também do fundador da Amazon, o Jeff Bezos. Então, é uma junção nesse programa Artemis.
de projetos mais legados com o futuro da exploração espacial, que são empresas privadas. A decisão americana de fazer esse autoinvestimento agora está relacionada ao avanço dos chineses também, com o interesse de ter um espaço permanente na Lua? Com certeza absoluta. Os Estados Unidos têm esse interesse de voltar para a Lua há muitas décadas, mas os chineses colocaram isso como uma prioridade.
E na China as coisas funcionam um pouco mais fáceis do que nos Estados Unidos do ponto de vista burocrático, quando se há um interesse nacional. Então há muitos problemas de orçamento nos Estados Unidos com relação a isso, muitos interesses políticos e empresariais, mas a administração atual da NASA tem trabalhado para eliminar essas barreiras, fazer coisas mais eficientes, projetos mais eficientes, reduzir custos e acelerar o desenvolvimento.
Então, eles apresentaram uma reformulação desse programa Artemis há alguns dias, inclusive sendo a melhor...
versão desse plano até então, com fases, inclusive para missões científicas com bastante frequência, até o pouso na Lua em 2028. Então, os chineses têm um papel fundamental nesse ponto, porque assim como foi durante a corrida espacial, durante a Guerra Fria, os soviéticos puxavam os americanos e vice-versa. Então, é toda uma questão geopolítica de dizer que o país é mais desenvolvido nesse ponto. Os Estados Unidos não querem perder essa liderança.
no espaço, que é algo muito relevante para eles, é muito importante do ponto de vista nacional do patriotismo americano então eu acredito que eliminar essas barreiras burocráticas é fundamental para o avanço tecnológico não vou nem falar da parte geopolítica mas o avanço tecnológico traz melhorias para a vida na terra a todo momento, assim como já foi provado ao longo da história por várias e várias tecnologias que a gente utiliza todos os dias e a gente nem sabe às vezes que vem da era do espaço
Traz alguns exemplos para a gente, porque você mencionou agora o avanço tecnológico, também na sua primeira resposta você falou que essas missões costumam se refletir em avanços tecnológicos e muitas vezes a gente não tem mesmo noção de que isso tem alguma coisa a ver com exploração do espaço. O que seria um exemplo prático ou alguns exemplos práticos?
O mais clássico é o caso do GPS. Todo mundo utiliza GPS para pegar um carro de aplicativo, para pedir comida em um aplicativo que seja. Todas essas funções são usadas com o GPS. E assim, eu costumo brincar que você nunca pagou um boleto de GPS na sua vida. Ele é uma tecnologia que está disponível para todos. E você não paga um serviço pelo GPS. O GPS começou primeiro com os Estados Unidos, hoje tem outras constelações também.
mas todas elas são virtualmente gratuitas. Você não paga pelo serviço. Então, várias empresas são muito dependentes de GPS. E foi uma tecnologia espacial criada durante a época da Guerra Fria. Eu costumo, inclusive, falar do caso de fraldas. Fralda, a coisa mais boba do mundo, que hoje em dia é super comum, ela foi criada num contexto para auxiliar os astronautas a terem como fazer suas necessidades em missões espaciais.
Porque antes eles não faziam missões, eles faziam uma série de contingências para não precisar fazer o número dois. Então, hoje é uma coisa super banal a fralda, mas quantas pessoas, quantos idosos, quantos deficientes, quantas crianças não podem ter sido salvas por questões de doenças que foram evitadas por causa de uma fralda descartável. Então, esse tipo de tecnologia foi criada no contexto do programa espacial. Assim como câmeras de, o que a gente chama de CCD, câmeras de celular, de câmera fotográfica, de sensor digital.
São tecnologias que são utilizadas no dia a dia e que foram feitas dentro desse contexto. E hoje são super banalizadas, são super baratas e têm cada vez mais trazido melhorias evidentes para a vida das pessoas. Então, a conectividade hoje em dia é tão grande que você tem internet nos polos, com constelações de satélites, de telecomunicações, coisa que não existia até poucos anos atrás.
Então a gente está acabando com essas zonas de sombra no planeta, com tecnologia espacial permitindo melhor a conectividade, questões de desastres naturais, questões até de pessoas que se desaparecem. Se você tem a localização do celular de uma pessoa que desapareceu, você consegue, por exemplo, saber o que aconteceu, às vezes até achar a pessoa. Então isso são tudo aplicações do dia a dia.
que são fundamentais para a nossa vida cotidiana. Pedro, uma última informação, baseado naqueles dados que você tem à disposição, as condições para o lançamento de hoje, quais são?
De acordo com a meteorologia atual, temos 80% de chance de lançamento. Tem algumas preocupações com relação a pancadas de chuva, alguns tipos de nuvem e até raios, mas nada muito grave. O clima na Flórida, o tempo na Flórida, ele é muito variável, ele realmente muda muito rapidamente.
Mas a NASA está com o foguete em ordem, o abastecimento começa agora de manhã, então o lançamento é às 19h24 no horário de Brasília, é uma janela de duas horas, ou seja, eles podem lançar entre as 19h24 e as 21h24.
mas a princípio está tudo bem e tudo indica que temos uma grande chance de vermos um lançamento hoje, muito mais do que em fevereiro, quando foi a primeira tentativa. Então, o interesse da população está sendo muito grande, eu acho legal que as pessoas interajam mais com o espaço, assim a gente pode criar toda uma nova geração de cientistas, engenheiros e pessoas que venham contribuir com a melhoria na vida na Terra. Pedro Palota, muito obrigado pelas suas informações e um bom dia.
Obrigado, bom dia, é um prazer estar aqui na CBN. Bom dia.