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Cruzes e pedido de ciclovia são pintados em trecho de rua onde mãe e filho morreram em acidente no Rio

31 de março de 20269min
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Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, e o filho, Francisco Farias Antunes, de 10 anos, morreram atropelados, na tarde dessa segunda-feira (30). Os dois estavam em uma bicicleta elétrica.

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Participantes neste episódio3
L

Laís Vieira

HostJornalista
I

Isa Morena

Convidado
L

Leandro

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Acidente na TijucaCaso Elisa Martins de Sousa · Carreira de Antunes · Carreira de Antunes · Ciclovia
  • Violência UrbanaInação do estado · Cultura de fechadas
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E a gente começa conversando com a repórter Isa Morena sobre uma história terrível.

O caso de mãe e filho que morreram, que foram mortos depois de um acidente de trânsito envolvendo a bicicleta elétrica onde estavam, um carro e um ônibus na Tijuca. Uma história que invadiu as redes sociais ontem. À medida em que os casos de acidentes com bicicletas elétricas vêm aumentando, a gente discute muito isso aqui no CBN Rio.

E também porque é a história de um menino cheio de planos, de sonhos, que termina nessas circunstâncias. Ele e a mãe dele morreram nesse acidente. Isa, bom dia para você.

Bom dia, Bianca. Bom dia, Leandro. Eu estou aqui na rua Conde de Bonfim, na esquina com a rua Pinto de Figueiredo, na Tijuca, na Zona Norte, no local exato onde a Emanuele Martins Guedes de Farias, de 40 anos, e o filho dela, Francisco Farias Antunes, de apenas 10 anos.

morreram atropelados na tarde desta segunda-feira. A Emanuela e o Francisco estavam em uma bicicleta elétrica e foram atingidos por um ônibus. Os bombeiros foram acionados por volta das 1h20 da tarde. Por aqui, Leandro e Bianca, a movimentação é intensa. Muitas pessoas param para observar e falar do acidente. Como você disse, Bianca, foi um caso.

que é um caso que está repercutindo bastante nas redes sociais. Eu conversei com alguns comerciantes que testemunharam o acidente e eles me disseram que as vítimas trafegavam pela faixa da esquerda quando foram fechadas por um outro carro não identificado e caíram. O ônibus não conseguiu frear.

e acabou atropelando os dois, vitimando mãe e filho. Aqui no asfalto da Conde de Bonfim, Leandro e Bianca, acredito que nossos ouvintes pelo YouTube e também pelo Globoplay vão conseguir observar uma homenagem às vítimas, duas cruzes escritas no asfalto com a data da morte.

tanto de mãe quanto de filho. Além disso, há também um protesto com a frase queremos ciclovia, inclusive vários ciclistas que passaram por aqui, passaram pela reportagem, gritaram a mesma frase. A Emanuele morreu no local do acidente, enquanto Francisco chegou a ser socorrido pelo SAMU, mas morreu a caminho do hospital do Andaraí.

A Rio Ônibus disse que aguarda a perícia para poder entender a dinâmica do acidente que está acompanhando o caso. O motorista parou o ônibus, o motorista do ônibus aguardou o socorro e prestou depoimento na delegacia. Já o motorista do carro, o carro que acabou fechando ali a Emanuele Francisco, não foi encontrado.

O Francisco era filho do humorista Vinícius Antunes, conhecido como Cacofonias. O Vinícius postou diversas homenagens emocionantes ao menino nas redes, incluindo uma brincadeira em que os dois discutiam memes e giras da época da criança e também giras da época do pai. Vamos ouvir. Outro que eu gosto que você fala é farmoura. Farmoura, tô farmando aura. O que é farmoura?

É tirar onda. Ah, tipo tirar onda. Tirei onda com essa parada. Estou por cima da carne seca, né? É, eu acho que é. Além disso, a unidade da Tijuca do Colégio Pedro II lamentou a morte do Francisco, que estudava na instituição. E em sinal de luto e respeito, o colégio suspendeu as aulas das turmas de quarto ano, que era a...

o ano em que o Francisco estudava, nesta terça-feira. Além disso, o Departamento de Geografia da UFRJ também publicou uma nota lamentando a morte de Emanuele, que estudou por lá entre agosto de 2005 e novembro de 2011. Segundo o departamento, a Emanuele se destacou pelo excelente aproveitamento e pelo espírito colaborativo. A Polícia Civil do Rio agora busca imagens que possam ajudar a esclarecer o acidente que vitimou mãe.

E filho, volto com vocês, Bianca e Leandro.

Obrigada, Isa Morena. É o Vinícius, que é um humorista conhecido nas redes sociais, o pai do Francisco, marido da Emanuele, o Cacofonias é o perfil dele. Ele disse que, sem dúvida nenhuma, era o dia mais triste da vida dele, mas que viveu quase 10 anos junto com o filho, os anos mais felizes, em uma dessas homenagens realmente emocionantes que ele postou.

Bianca, nós vamos falar muito sobre esse episódio hoje aqui no CBN Rio. Vamos contar, inclusive, com a ajuda do Rafael Pazos, fundador da Comissão de Segurança no Ciclismo. Já para colocar e trazer o ouvinte aqui para a nossa conversa, vamos fazer ao longo do nosso programa.

vivemos um trânsito extremamente violento na cidade do Rio de Janeiro. Temos um número de mortes impressionantes em todo o estado do Rio. Tem uma reportagem hoje no Jornal Globo falando sobre isso. E, como temos denunciado aqui com frequência, uma inação do estado, do município do Rio de Janeiro em encontrar caminhos para se evitar algo do gênero. Casos como esse de acontecer.

Para além disso, nós temos uma sociedade que é violenta, uma sociedade em que fechadas no trânsito são absolutamente comuns, brigas no trânsito. Assim, você ouvinte aqui do CBN Rio, que está conosco com 92,5, quantas fechadas você já deu?

Quantas fechadas você já tomou? Então, é um trânsito violento, tem uma dimensão que é social e tem uma dimensão política de falta de ação. Mas eu quero, só nessa primeira reflexão, prestar uma homenagem ao Chico.

Vi aqui, inclusive, por um acaso, uma colega que tem dois filhos e os filhos eram amigos do Chico. Então vi muitas fotos dele crescendo. Ela fez uma longa homenagem, colocou imagens do Chico crescendo. E me pegou muito essa morte, Bianca, porque... Estou falando do Chico, mas claro, da Emanuele também. Mas vou falar do menino, porque é um menino que nasceu em 2016, cara.

Dez anos de idade, e pra quem gosta de futebol, como é o meu caso, evidente, toda vez que a gente vê um menino numa arquibancada, uma menina na arquibancada, a gente lembra do menino que a gente foi, e que no fundo quem gosta de futebol nunca deixa de ser. Esse menino, essa pessoa que é encantada com a arquibancada, que sonha com dias melhores pro Vasco da Gama, que abraça o pai na hora do gol, que abraça a mãe na hora do gol, que abraça o irmão, aí falam do meu...

de um modo muito particular, do meu irmão, que ainda abraço. E hoje a gente leva o nosso... o meu afiliado, o filho dele, para os jogos. Enfim, é uma experiência espetacular.

E que essa experiência foi tirada do Vinícius, do pai. Essa experiência de curtir uma arquibancada foi tirada desse pequeno vascaíno que nos deixou. Então, eu quero prestar aqui essa reverência ao Chico, e ao Emanuele, e ao Vinícius, e prestar minha solidariedade, nossa solidariedade aqui no CBN Rio, porque ver as imagens dele em São Januário, e saber que ele não vai poder mais viver isso, por uma insanidade que essa cidade me deixou.

Muito triste. Me deixou arrasado e angustiado com as perspectivas e a falta de perspectivas que a gente tem para um problema tão tipicamente urbano e tão carioca como esse da violência no trânsito. Me doeu profundamente e que a gente tenha, nos nossos microfones aqui, algum caminho para poder pensar essa cidade de um outro modo, pelo menos em respeito a Emanuele, em respeito à memória do pequeno Chico, que nos deixou ontem.

Um abraço muito apertado para o Vinícius, para a esposa dele, a madrasta do Chico, a Ana Souza, para toda a família. E você, ouvinte, pode também prestar essa homenagem e nos ajudar a refletir sobre a violência no trânsito, sobre formas de encontrar saídas para que todos consigam viver bem. Ciclistas, motociclistas, motoristas, caminhoneiros, motoristas de ônibus.

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