O que muda no cenário eleitoral com a entrada de Ronaldo Caiado na disputa à Presidência pelo PSD?
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Hugo Motta
Cássia
- Ronaldo CaiadoPolarização eleitoral · Cenário político atual · Candidaturas do centrão · Palanques estaduais
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Informação publicada pelo Jornal Globo é que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será escolhido hoje pelo PSD como candidato à presidência da República. O presidente do partido, Gilberto Kassab, confirmou ao Globo a definição. O anúncio será divulgado em São Paulo, lembrando que além de Caiado, a legenda...
Havia apresentado o nome também do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como uma opção presidencial, depois que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, anunciou que não iria concorrer nesta próxima eleição e permaneceria no seu cargo no governo do estado do Paraná até o final do mandato.
Para tratar destes temas relacionados à corrida eleitoral, já que temos uma semana de muitas definições, agora mesmo conversando com o Miriam Leitão, lembrava, dia 4, agora, sábado, se encerra o prazo para desincompatibilização, ou seja, governadores, prefeitos, ministros, que pretendam concorrer a outros cargos nas eleições de outubro, tem até o sábado para renunciar aos atuais mandatos.
Para conversar conosco sobre esse assunto, nós convidamos Vitor Oliveira, cientista político e diretor da consultoria Pulso Público. Eu agradeço desde já pela sua gentileza de aceitar o nosso convite. Vitor, bom dia. Bom dia, bom dia Cássia, bom dia Milton, bom dia especial a todos os nossos ouvintes.
Bom dia. As pesquisas até esse momento, e aí pensando na corrida presidencial antes, têm destacado a manutenção da polarização dos últimos anos, com agora Lula e Flávio Bolsonaro. Este anúncio de Ronaldo Caiado para o PSD, este anúncio no partido de Kassab, ele de alguma maneira muda este cenário? No que ele influencia nessa disputa? Bom, não gera nenhuma alteração.
no cenário base, que a gente vem trabalhando como principal cenário para a disputa eleitoral. Agora, o que a gente pode imaginar é que mais um candidato como o Ronaldo Caiado significa também uma perspectiva de alguma contribuição no discurso O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O
dependendo da maneira como ele se apresentar nessas eleições, há um dos lados. Dificilmente, quando a gente pega o histórico das eleições no Brasil, desde 1994, a gente vai ter a possibilidade de um candidato de centro consolidando o seu nome. Não é de hoje que as eleições no Brasil são polarizadas. Embora polarização seja o tema da moda no Brasil e no mundo.
polarização, quando a gente fala de eleição nacional no Brasil, não é uma novidade. A gente tem, em eleições, esse tipo de eleição que a gente tem para escolher presidente, para escolher prefeito, para escolher governador, para escolher senador. No caso, as eleições para senador nesse ano são um pouquinho diferentes, mas elas tendem a fazer com que o eleitor...
selecione ou gere algum tipo de pré-seleção nas candidaturas. Tem alguns efeitos que são estudados na ciência política que fazem com que o eleitor vote estrategicamente e faça com que haja um afunilamento das candidaturas. Então, isso é natural. E essa polarização, do ponto de vista estratégico, acontece.
não estamos falando do que está acontecendo, a radicalização do eleitorado, são outras questões, mas o que a gente pode esperar é se o Ronaldo Caiado, ou o que a gente pode imaginar, é o que o Ronaldo Caiado vai fazer. Quando a gente pensa no histórico político mais recente do Ronaldo Caiado, ele tem um discurso muito forte anti-petista, anti-lulista.
Então, a gente precisa entender como é que o Ronaldo Caiado vai se apresentar, se de fato vai ser uma candidatura de dentro, se de fato ele vai se equilibrar nas críticas aos dois candidatos. Acho muito difícil que isso aconteça. Então, há aí uma perspectiva de uma somatória em relação a críticas com relação à situação. O que é normal também, que o candidato da vez, o candidato que está colocando seu nome para a reeleição, seja o alvo.
dos que estão entrando na disputa. Então, um pouco a perspectiva é essa. Não é uma questão revolucionária, se for a do Ronaldo Caiado. Não é exatamente alguém novo na política, pelo contrário. É alguém que já está há muitos anos com o seu nome. Talvez não seja alguém tão conhecido do eleitor do ponto de vista nacional, embora seja alguém que milita na política desde o comecinho dos anos 90.
mas certamente vai ser alguém que não vai entrar nessa disputa de maneira a colocar...
seu nome para fazer um equilíbrio entre os dois. Essa história a gente sabe que não funciona bem assim. E ele vai precisar escolher um dos lados. O que ele precisa é disputar um dos lados. Acho muito difícil ver o governador Caiado disputando a eleição pela esquerda. É muito mais provável que ele tente disputar essa raia pela direita.
Agora, Vitor Oliveira, você fez uma ponderação importante de que há muito tempo a gente não tem um candidato do centro conseguindo consolidar uma campanha, principalmente quando a gente fala em relação à presidência da República aqui no Brasil. Por outro lado, nesse período que nós temos, em que está havendo uma série de renúncias, justamente porque essas pessoas vão se candidatar nestas eleições, começa a emergir...
um certo poder justamente para o centro e num centro, digamos assim, mais expandido, quando a gente pensa ali nos partidos do centrão, que podem ter oportunidades, neste momento, nos estados e também nas capitais, em que muitos secretários, muitos ministros passam por aquele processo de desincompatibilização para poder se candidatar.
Mas aqui a gente precisa fazer, Cássio, uma diferenciação entre o que a gente chama de centrão e o que é o centro político, pelo menos ideológico, eleitoral do país. Há uma diferença entre a arena eleitoral e a arena legislativa, ou vamos dizer assim, as arenas governativas do país, principalmente quando a gente fala do plano federal. O que acontece?
A gente chama de centrão uma massa meio amorfa, meio... É uma mistura ali de um monte de coisa.
Mas são partidos que têm uma característica muito mais de centro-direita do que de centro, efetivamente. Quando a gente for pegar a média do posicionamento ideológico, a gente tem maneiras de medir, por exemplo, a votação, ou, por exemplo, como os candidatos, os próprios parlamentares se declaram. A gente tem maneiras de objetivamente medir o posicionamento desses partidos, o posicionamento médio deles.
eles estão muito mais à direita do que à esquerda. Então, quando a gente chama os partidos que compõem esse centrão de centrão, eles não são efetivamente centro do ponto de vista ideológico. Eles até são centro, talvez, da distribuição dos partidos políticos. Eles até dividem a distribuição dos partidos no meio. Só que a distribuição está mais para o lado da direita.
Então, por isso que eles distribuem no meio, só que essa distribuição está enviesada para a direita. Então, esse centrão também está um pouco mais para a direita. Então, há uma expectativa de, do ponto de vista eleitoral, o eleitor, às vezes a mídia principalmente, tem uma expectativa de que vai ter uma opção centrista.
e essa opção não vem, ou pelo menos ela não se configura viável do ponto de vista eleitoral, porque as raias que estão disponíveis para a disputa estão à esquerda ou estão à direita, e um candidato centrista dificilmente se viabiliza porque ele não apela, ele não mobiliza nem eleitor suficiente do lado esquerdo, nem eleitor suficiente do lado direito. Então, por isso que a gente precisa fazer essa...
essa diferenciação. O centrão está muito mais do lado direito. Quando ele se coloca para disputar a eleição, ele se coloca nessa raiva da direita, principalmente. A União Brasil, o próprio PSD, muitas vezes com candidaturas de candidatos conservadores. Então, é nesse sentido que eu faço a diferenciação. Vitor, considerando as definições que estamos tendo agora, quais os palanques estaduais podem ser mais decisivos na disputa nacional?
Olha, a gente tem... São Paulo nunca pode ser ignorado, porque mesmo que a candidatura haja um favoritismo claro do atual governador para se reeleger, o governador Tarcísio, em todas as pesquisas, mostra uma grande chance de se reeleger com uma certa tranquilidade, a gente pode falar dessa maneira.
Eleição no Brasil não é que nem a eleição dos Estados Unidos. E muitas vezes a gente fala da eleição no Brasil como se fosse uma espécie de somatória de colégios eleitorais. E não é assim que funciona. O que, estrategicamente, quem está, por exemplo, no plano nacional em oposição...
ao candidato aqui no estado de São Paulo, o candidato favorito aqui no estado de São Paulo precisa fazer é diminuir a goleada que vai tomar. Não pode tomar de 7 a 1. Precisa perder de 4 a 2. Precisa perder de 3 a 1. Então, é importante que mesmo os estados em que há um favoritismo muito grande de um candidato ou de outro, por exemplo...
Há outros lugares em que a disputa está mais apertada. Então, a eleição, o palanque estadual, muitas vezes, quando ele está consolidado, ele não implica um cenário dado para a candidatura federal. O que precisa acontecer é uma diminuição da distância.
uma candidatura mais competitiva do perdedor, para que a distância também do candidato que vem no chamado coteio, que vem junto com essa candidatura...
vem a reboque da candidatura estadual no nível federal, ou seja, se, por exemplo, Fernando Haddad, que é o pré-candidato do governo Lula aqui para São Paulo, se ele tem um desempenho, por mais que ele perca eleição, e é assim que o cenário está se desenhando, por mais que ele perca eleição, se ele perde, mas não perde com uma distância tão grande assim, isso pode fazer com que...
o desempenho do candidato dele, que é o atual presidente, não seja tão ruim assim. E num colégio eleitoral tão grande quanto São Paulo, isso pode fazer muita diferença. Minas Gerais é sempre um colégio eleitoral muito relevante, primeiro por causa do tamanho. As pessoas falam porque Minas Gerais tem uma representatividade de todas as regiões brasileiras. Isso até é verdade.
Mas, Minas Gerais é um colégio eleitoral gigantesco, tem muita gente lá, então é muito voto que precisa ser disputado. Rio de Janeiro, idem. Então, assim, são três colégios eleitorais que tem muita gente votando. Quando a gente vai pensar na Bahia...
que é também um colégio eleitoral, que tem muitos eleitores. A gente já consolida aí uma quantidade de votos gigantesca. E são colégios eleitorais que, historicamente, resolveram eleições no Brasil. Sozinhos eles não fazem nada. Agora, um candidato não consegue se viabilizar.
sem ter vitórias em pelo menos três desses estados que eu mencionei. É muito difícil um candidato que consiga ir bem numa eleição para a presidência da República, sem ir bem em ao menos três desses estados que eu mencionei. E se for perder em um deles, não pode perder de maneira retumbante, tem que perder de pouco. Vitor Oliveira, obrigado pela sua análise e um bom dia.
Bom dia, muito obrigado a todos vocês. Bom dia. Vitor é cientista político, diretor da consultoria Pulso Público, conversou com você. Oi, pessoal. Aqui é a Astrid. Deixa eu te falar uma coisa como mãe, tá? A gente tenta acompanhar tudo, mas quando o assunto é internet, é insano conseguir ver de perto. Por isso, eu achei legal dividir uma coisa com vocês. No TikTok, contas de adolescentes já vêm com mais de 50 configurações de segurança e privacidade ativadas automaticamente.
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