'Espero que, após esse julgamento, eu consiga viver o meu luto', diz Leniel Borel
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- Segurança OperacionalTribunal do Júri · Réus Jairinho e Monique · Possibilidade de adiamento · Estratégia da defesa · Acesso a provas (notebook) · Procedimento jurídico
- Morte de Enrique BorelCriança de 4 anos · Sinais de agressão · Apartamento na Barra da Tijuca · Múltiplas agressões documentadas · Contexto do crime
- Depoimentos e ImpedimentosEsperança de viver o luto · Desejo de justiça · Saúde Emocional · Mensagem para outras vítimas
- Acusacoes e Qualificacoes LegaisHomicídio qualificado por Jairinho · Homicídio qualificado por omissão (Monique) · Meio cruel · Falta de defesa da vítima
- Violência contra crianças no Rio de JaneiroEstatísticas de homicídios · Crianças menores de 4 anos · Taxa de criminalidade · Campanha de conscientização · Desigualdade de cobertura midiática
- Carreira Politica JairinhoPai Coronel Jairo · Operação Lava Jato · Atuação na zona oeste · Líder do governo na Prefeitura · Influência política
- Situação processual de investigadosPrisão preventiva desde 2021 · Liberdade condicional de Monique · Retorno à prisão · Status processual atual
- Tecnologia e InovacaoAcompanhamento em tempo real · Relatos da porta do tribunal · Acesso a documentos policiais · Entrevistas com envolvidos
E a gente vai direto agora conversar com o repórter Pedro Bonnenberger, que acompanha o início do julgamento do caso Henri Borel. Vão a júri popular hoje, depois de cinco anos do crime, os réus Jairo e Monique, padrasto e mãe de Henri. Pedro, bom dia pra você. Oi, Bianca, bom dia a você, Leandro e a todos que nos acompanham aqui na porta do Tribunal de Justiça.
acompanharam esse caso de protesto por aqui, Bianca e Leandro, clamando por justiça para o caso do menino Henri Borel. Agora, esse julgamento estava marcado para começar às 9, evidentemente, agora 9h35 já atrasado, mas com o clima de que o julgamento pode ser adiado, viu, Leandro e Bianca? Aqui na porta do tribunal, conversando com advogados, conversando com autoridades que vão estar presentes nesse início de julgamento, o sentimento aqui, ou pelo menos os indícios que nós já temos nesse momento, é de que há uma forte possibilidade
do julgamento ser adiado. A defesa de Jairo vem alegando que não teve acesso a um computador, a um notebook pessoal de Leniel Borel, do pai do menino, e que essa prova seria importante, inclusive o acesso à integralidade, para que eles pudessem basear a defesa deles. Além disso, existe também uma possibilidade ventilada aqui no Tribunal de Justiça de que a defesa de Jairo deixe o caso, caso essa possibilidade de adiamento não ocorra,
forçaria aí então um adiamento para esse julgamento. O julgamento estava marcado para começar às 9 horas, é aqui no Tribunal do Júri da Capital, a sessão deve ser presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro, que deve abrir os trabalhos e aí ouvir as alegações das defesas, para a gente entender inicialmente não só os ritos, mas se teremos julgamento ainda hoje, essa é uma pergunta importante. O menino, Henri Borel, de apenas 4 anos, que morreu em março de 2021 com sinais de agressão,
da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele que chegou a ser levado para um hospital, mas que já chegou sem vida à unidade. Agora há pouco, entre as pessoas que chegaram aqui, está o Leniel Borel, pai da criança, atualmente vereador aqui do Rio de Janeiro. Ele conversou com a imprensa, disse que o julgamento de hoje é importante para que a família consiga viver um luto e para que o menino, Henrique Borel, filho dele, possa descansar em paz.
Mas eu espero que após esse julgamento eu consiga viver o meu luto pelo meu filho, que deixe meu filho descansar em paz,
consiga descansar em paz, que a minha família consiga descansar em paz. Eu nunca imaginei que eu conheci alguém que tivesse um filho violentado, que saia assassinado, e aconteceu ali na minha família. A violência era uma coisa muito distante pra mim. E naquele momento, quando eu me deparo pra essa realidade, a Unicef nos mostra, eram 33 crianças assassinadas todos os dias no nosso país. 33 Henri, 33 Isabela Nardone, 33 Bernardo Boldrini, 33 Menino Mike, eu ficaria aqui o dia inteiro falando dos icônicos. E quem vai falar da menina radar?
sala de Nova Iguaçu, quem vai falar da menina Ana Clara, da Maré que eu acabei de falar quem vai falar dessas crianças que todo dia abre o jornal hoje, todo dia tem uma criança assassinada, então eu decidi lutar pelo meu filho e para que outras crianças que são vítimas hoje o Rio de Janeiro, o nosso estado pessoal, é o estado mais violento com relação a criança adolescente hoje é perigoso ser criança no Rio de Janeiro, o número de assassinato de criança menor de 4 anos que meu filho está nessa estatística, bateu recorde, e quem vai falar sobre isso?
Isso. Mas eu espero que após esse julgamento eu consiga viver o meu luto pelo meu filho, que deixe meu filho descansar em paz, que eu consiga descansar em paz, que a minha família consiga descansar em paz. Os réus nesse processo, Leandro, Bianca e Ouvinte, são o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, padrasto dessa criança, e a mãe do menino Monique Medeiros. Os dois estão presos preventivamente desde 2021. A Monique chegou até uma liberdade condicional em algum momento, mas voltou a ser presa logo depois.
responsável direto pelas agressões que levaram à morte da criança. O Jairo Souza Santos Júnior é acusado de homicídio duplamente qualificado, é um meio cruel e sem chance de defesa da vítima, é o que diz a promotoria, e a Monique Medeiros responde por homicídio qualificado por omissão, por saber das agressões e não ter protegido essa criança. Nós tivemos acesso ao relatório final da Polícia Civil, relatório completo de mais de 100 páginas, que reúne diversos documentos, prints de conversas e documentações hospitalares, mostrando que Henri Borel
acredito, pelo menos três vezes, duas antes da agressão final, e que a mãe sabia disso. Uma das testemunhas principais é a babá desse garoto que havia conversado com a Monique, a mãe da criança, e tinha registros no celular dela mostrando provas dessas agressões anteriores. Ela não havia sido encontrada nos últimos dias, mas chega a confirmação para a gente agora que ela foi intimada. Então ela respondeu à intimação da justiça, está ciente de que hoje começa o julgamento, a expectativa se ela vem ou não,
se falará ou não, já que é uma testemunha considerada chave pela acusação. A gente vai descobrir isso logo mais. A expectativa é que o julgamento tem início. É tribunal do júri, portanto é um júri popular. Sete jurados vão ser sorteados e farão aqui a avaliação desse caso. E caso a gente tenha início ainda hoje, a expectativa é que o processo dure dez dias pelo menos, já que são 26 testemunhas a serem ouvidas, além dos próprios advogados, enfim, toda essa sustentação que deve ser feita também ao longo desse processo. Bianca. Muito obrigada, Pedro Bonendoro.
Berger, já trazendo informações muito importantes pra gente nesse início de CBN Rio, acompanhando desde as nove horas da manhã a movimentação lá em frente ao Tribunal do Júri. Leandro, informações cruciais, né? Primeiro depoimento do pai, do Leniel. Muito forte, né? Muito forte, muito comovente, né? E depois a história de que a babá finalmente foi encontrada e foi intimada. E o que é um ponto de atenção na reportagem que o Matheus Marcel fez
uma sexta-feira, nós aqui conversando com o ouvinte do CBN Rio, colocamos como central, de fato, essa babá que deu algumas versões diferentes para o envolvimento do vereador Jairinho com esse crime, com essa morte do Henri Borel, mas ela foi intimada, portanto, aí caberá a ela aparecer ou não nesse julgamento, mas como havia uma dificuldade até de intimá-la, isso ficou em suspenso, inclusive, com especulações variadas sobre o paradeiro dessa mulher, dessa babá.
Não sei se o Pedro está aí ainda ou se ele já desconectou. Estou por aqui, sim. Beleza. Então, Pedro, um ponto da sua apuração, claro, sempre muito clara e objetiva aqui no CBN Rio, mas eu queria pedir para você reforçar isso, porque, se bem entendi, a defesa do doutor Jairinho tem uma estratégia muito clara. Se não houver adiamento do júri, a defesa irá renunciar e aí o Jairinho ficaria sem advogado,
por essa chicana no jargão jurídico, que é quando você dá um jeito de adiar um julgamento. É isso, Pedro? Entendi corretamente, só para frisar bem, que essa é a estratégia do doutor Jairinho, por favor. É isso sim, Leandro. Claro que isso não foi dito oficialmente pelos advogados aqui durante uma entrevista que eles federam agora, há poucos minutos, mas é isso que se conversa aqui nos bastidores, em off, com algumas fontes aqui do Tribunal de Justiça, é o que aponta assim, eles fazem o pedido inicial de adiamento por não terem tido acesso a um notebook
consideram importante como prova, eles pediram na última quinta-feira, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu acesso, só que eles só tiveram acesso ao final da noite de sexta, ou seja, sem tempo hábil para ler esses documentos. Caso seja aceito esse pedido de adiamento por conta do não acesso à prova em tempo hábil, eles iriam se manter, vamos dizer melhor assim, na defesa. Caso seja negado, existe essa possibilidade, sim, de que eles deixem aqui a defesa do Jairo.
assistentes de acusação, que são advogados aqui do Leniel Borel, eles dizem o seguinte, que caso isso aconteça, vão impor ou pedir uma multa à defesa de Jairo e também pedir, já cautelarmente, Leandro e Bianca, que a Defensoria Pública seja acionada, para que num próximo dia, caso isso aconteça, o adiamento, mesmo que a defesa não esteja presente, que a Defensoria Pública assuma e aí possa ter o início do julgamento. Eles dizem que o adiamento causa muita dor para a família e que isso não pode acontecer. Então, esse aqui é o bastidor que nós conseguimos coletar.
tudo indica que o julgamento sim será adiado, viu, Leandro? É um indício muito forte que nós temos aqui, mas não há essa confirmação oficial, por isso a gente trata como uma possibilidade ainda nesse momento. Pedro, assim que você tiver a confirmação de que o julgamento vai ser adiado ou qualquer outra informação, prioridade para você, nos avise e entre conosco aqui no CBN Rio. Bianca, só tem uma ponderação política aqui para fazer, porque muitas vezes a gente esquece de onde certos personagens vêm.
Doutor Jairinho é filho do Coronel Jairo. Coronel Jairo foi deputado estadual preso pela Operação Furna da Onça,
uns anos aqui no Rio de Janeiro, que tem uma atuação muito forte na zona oeste do nosso estado. Coronel Jairo, que já apareceu em diversas denúncias, o Coronel Jairo já apareceu, por exemplo, no relatório da CPI das milícias, e lembro de histórias de que, amando dele, uma certa oportunidade, anos atrás, jornais foram recolhidos, amando do Coronel Jairo. O tamanho é a sua influência política, a Monique Medeiros, no curso do processo,
chega a falar sobre isso. Ele foi preso naquela operação Furna da Onça da Polícia Federal, lembra dela, que prendeu dez deputados de uma vez em 2018? Pois bem, o coronel Jair estava lá, o doutor Jairinho é herdeiro dele. E tem, por óbvio, uma ascendência política ainda muito grande. Ninguém chega a ser líder do governo na prefeitura do Rio de Janeiro à toa. E por duas vezes, e com dois prefeitos diferentes, Eduardo Paes e Marcelo Crivella. Então, toda a movimentação que a gente acompanha agora nos bastidores
precisa também desse background político, para que a gente saiba quem são as pessoas e de onde vem o poder que elas têm.