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Por que nem toda mulher é 'meio Leila Diniz'?

21 de março de 202628min
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Em entrevista à Revista CBN, a antropóloga e escritora Mirian Goldenberg analisa o legado de Leila Diniz, que completaria 81 anos em 25 de março. A reflexão parte de uma questão ainda atual: por que, mesmo hoje, mulheres continuam a reproduzir, de forma consciente ou inconsciente, a lógica da dominação masculina?
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Assuntos10
  • Legado de Leila DinizRevolução comportamental · Liberdade sexual e amorosa · Censura e perseguição · Maternidade fora do casamento · Iconografia feminista
  • Competição entre mulheresFalta de sororidade genuína · Apagamento de outras mulheres · Reprodução da dominação masculina · Ambiente acadêmico tóxico · Exclusão e sabotagem
  • Dominação e GêneroReprodução inconsciente de poder patriarcal · Lógica cultural de comparação · Competição por espaço e recursos · Sistemas que favorecem a divisão · Responsabilidade feminina no sistema
  • Empatia e SolidariedadeDefesa de mulheres atacadas · Reconhecimento de sofrimento compartilhado · Amplificação de trabalhos de outras mulheres · Ausência de competição entre pares · Sororidade genuína
  • Crítica às mulheres nos espaços públicosJulgamento de aparência e comportamento · Deslegitimação de mulheres extrovertidas · Roubo de crédito e ideias · Preferência por vozes estrangeiras · Viés inconsciente
  • Práticas concretas de transformaçãoManifestação de amor entre mulheres · Atos pequenos cotidianos · Coragem e generosidade · Escuta atenta · Ações incrementais de mudança
  • Autonomia PessoalDesapego do efeito manada · Contemplação da realidade · Reflexão pessoal · Autonomia para não se entregar · Questionamento em vez de respostas prontas
  • Sabedoria AncestralParábola dos dois lobos · Parábola do beija-flor · Ensino indígena · Escolha entre alimentar o bem ou o mal · Fazer a própria parte
  • Redes Sociais PoliticaTempo excessivo online · Amplificação do ódio e da competição · Busca por respostas prontas · Efeito cascata de toxicidade · Distração do que importa
  • Antropologia e ReligiaoEstudo do comportamento feminino · Análise de padrões culturais · Perspectiva acadêmica · Produção intelectual feminina · Publicações e pesquisa
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Revista CBN. Comportamento. Por que nem toda mulher é meio Leila Diniz? Eu trago aqui no Revista CBN de hoje, sempre que eu posso, sempre que eu tenho oportunidade, eu trago essa voz da lucidez sobre as mulheres, sobre o feminino. Ela é antropóloga, ela é colunista de diversas publicações importantes no Brasil, inclusive publicações femininas também. E ela me falou algo tão profundo essa semana,

Toda mulher ainda é meio Leila Diniz, nos dias de hoje, em 2026. A Leila Diniz, que completaria 81 anos em 25 de março, extremamente inovadora, mulher, abrindo portas, abrindo caminhos para as mulheres. E eu quero entender por que muitas vezes, ainda hoje, em 2026, mulheres reproduzem consciente e inconscientemente a lógica da dominação masculina. Miriam Gondenberg está aqui comigo.

conversar a respeito desse assuntaço. Meu amor, boa tarde. Petra, que delícia estar com você hoje, que delícia estar com todos os seus ouvintes, porque nós precisamos falar de Leila Diniz. Mais do que nunca nós precisamos falar de Leila Diniz. A Leila hoje teria 81 anos. Que mulher ela seria? Que revolução comportamental ela estaria fazendo?

hoje no Brasil. Inspirando, porque até hoje a Leila morreu aos 27 anos, em 1972. Até hoje, a Leila é um ícone da mulher revolucionária, da mulher que fez, e eu acho que continua fazendo, porque nós ainda não somos Leila Diniz, fez uma revolução de amor. Foi uma revolução de amor. Ela dizia, Pétria, eu termino minha tese do

Minha tese de doutorado tem o título Toda mulher é meia Leila Diniz. Eu termino a minha tese dizendo a última frase. Leila falando, sou uma pessoa em paz. Simplesmente quero que todo mundo ame livremente. Que todos os homens e todas as mulheres sejam livres. Por isso fui muitas vezes censurada, criticada. E termino com essa frase.

Diniz, qual é o problema? Nossa, que forte. É isso, é isso. É isso que nós estamos precisando hoje, saber qual é o problema de sermos livres e amorosos, generosos, amigos, amigas, como Leila era. Qual é o problema? Mas ainda há uma disputa perversa em tabuleiros. A gente coloca no tabuleiro da dominação masculina,

histórica. Eu queria muito que os homens abrissem também os ouvidos para entenderem o que a gente fala e qual é a perspectiva, o recorte que a gente coloca com essa dominação masculina. Mas muitas mulheres ainda reproduzindo o apagamento de outras, não dando crédito para as outras, apagando. É muito melhor falar do que está acontecendo fora do que mulheres, tuas irmãs, colegas estão fazendo. E isso reproduz uma lógica de competição, de falta de amor.

falta de liberdade, que inclusive pode, eu estou jogando tudo isso para você e eu quero te ouvir, inclusive essa falta de liberdade, essa competição, essa disputa, ela favorece muitas indústrias que se aproveitam disso, se aproveitam da falta de autoestima mesmo, da falta de sororidade verdadeira, Miriam. Petra, é isso, para mim, o que mais me deixa triste, de verdade, é quando eu vejo as próprias mulheres

fortalecendo, reproduzindo e criando esse ambiente de ódio, de competição, de comparação, de inveja e de destruição. Nós falamos sempre muito mais do machismo, do patriarcado, da dominação masculina, e parece que as mulheres não estão fora disso.

e são lindas, maravilhosas amigas. E, infelizmente, não é assim, porque a lógica é maior do que os seres humanos. A lógica cultural é a da competição, é a da comparação, é a da inveja, é a da destruição. Só tem lugar para uma. Só tem lugar para uma. Então, quando eu sou sua amiga, divulgo o seu trabalho maravilhoso,

lindo. Muita gente pode achar, poxa, ela está alimentando outra mulher que vai roubar o espaço dela. É assim a cabeça. É essa lógica. Então, eu tenho que te excluir, eu tenho que te ignorar e, se possível, eu tenho que te destruir para você não estar num espaço que pode ameaçar o meu. Isso os homens fazem sempre.

E as mulheres fingem que não fazem. Fingem. Fingem que não fazem. Falam de sororidade, falam de amizade, falam... E, na verdade, o meu meio, que é muito feminino, o meio acadêmico de antropologia é muito feminino, é uma competição... Voraz. Tóxica, doentia. E é difícil até você fazer a amizade verdadeira

num ambiente em que você vê o outro como teu inimigo, teu adversário ou teu competidor. Então, Petra, isso é inconsciente. Eu não estou falando que as mulheres fazem isso conscientemente. É uma cultura... Miriam, eu acabei de fazer uma entrevista, uma baita entrevista, falando sobre viés inconsciente e crenças. E isso tudo que você está colocando na prática. Está vendo, gente?

Eu queria entender o que a Cris Kerr falou aqui na prática. É o que a Miriam está trazendo, meio acadêmico, meio da comunicação. Eu passei outro dia por uma dessas, assim. Eu venho falando há mais de um ano do quê? De inteligência ancestral. Venho falando, venho divulgando e tal. A pessoa pega uma fala de uma especialista dos Estados Unidos e coloca que ela está falando de inteligência ancestral e nunca deu crédito. É muito feio isso, porque a gente pode criar, né, Miriam, outras formas de estarmos no mundo.

Se a gente está falando de feminismo, a gente quer uma outra estética. Você acha que outra estética é possível? Eu acho que já existe, Petra. Por exemplo, nossa relação de amizade e de sororidade verdadeira é uma outra estética. A gente não está preocupada se você fez o seu botox, se está em dia com o seu pescoço. Eu não estou olhando isso em você. Maravilhoso.

Faz concretamente. Isso, Petra, nós vivemos hoje. Eu acho que nós estamos nos piores momentos. Parece que não. Parece que era pior antigamente, mas eu acho que hoje é pior ainda. Eu acho também. Porque antes nós tínhamos inimigos concretos para vencer. Agora são inimigos que estão dentro de nós, dentro da nossa família, dentro do nosso trabalho,

internet o tempo todo. Você deve sofrer muito com isso de forma, porque além de tudo ainda você é uma grande influenciadora, né Miriam? Em várias publicações, e aí meio acadêmico, deve ser um bombardeio, né? É um bombardeio, mas é um bombardeio que me atinge, mas atinge mais as mulheres que querem se libertar. Porque quando você vê, por exemplo, eu vou te dar um exemplo, você deu um exemplo seu,

Eu, no teu caso, acho que foi consciente, porque a pessoa sabe do teu trabalho, poderia ter te convidado e não. Não vou dar essa bola toda para a Petra, porque eu prefiro dar para uma americana que não está competindo comigo. Mas tem muito bombardeio inconsciente das próprias mulheres. Então, eu vejo isso. Hoje, Petra, eu faço uma militância 24 horas por dia no meu Instagram.

Eu vejo uma mulher sendo atacada, eu vou lá e vou querer saber quem é essa mulher e defendo essa mulher. Porque, Petra, ao defender essa mulher, que está sendo chamada de velha, feia, exótica, louca, histérica, neurótica, eu estou sendo agredida também. Isso, para mim, é que é empatia.

pessoa está sofrendo, porque você sabe que isso, todas as mulheres estão sofrendo também. Quando você é excluída, Petra, eu também sofro, porque eu também sei que eu posso ser excluída pelo mesmo motivo que você está sendo. E você está, quanto mais você brilha, quanto mais você pesquisa, quanto mais você escreve, mais as pessoas e as mulheres, e eu vou enfatizar que as mulheres te veem como uma ameaça, uma competidora. Isso,

é uma cultura que diz, se a Petra ganha, eu perco. Então, a Petra tem que perder e eu vou fazer tudo para a Petra perder. Vou fazer o que for possível, que é o oposto do que nós deveríamos estar fazendo hoje, que é encher a bola, sim, das mulheres que estão fazendo trabalhos lindos, importantes, como a Petra, como tantas mulheres que estão sendo atacadas todos os dias. Eu trabalho mais com as mulheres.

Não acho que isso acontece só com as mulheres. Acontece também com os homens. Mas os homens estão mais calejados. Eles já sofrem, eles já estão nesse clima de competição, de rivalidade, de disputa. Desde sempre nós estamos entrando agora. A Leila Diniz foi massacrada, ficou sem emprego, foi censurada, foi demitida da Rede Globo,

Por quê? Porque ela era Leila Diniz. Ela usava a barriga de fora, grávida, num tempo que as mulheres escondiam o seu corpo. Ela falava palavrão, mas não como agressão, como lúdico, libertária. Ela era uma mulher libertária. Ela namorava... Tem uma frase que eu adoro, Petra, que ela namorava muito,

Teve um filho fora do casamento. E ela namorava e dizia, eu gosto de sorvete de morango, chocolate de limão. Por que eu vou gostar de um homem só? Eu gosto, eu gosto do assunto. E por isso, ela foi chamada de puta, de vagabunda. Curraçada. E num programa de televisão, ela saiu chorando porque disseram, você não pode ser mãe, porque você é uma mulher muito livre. E aí, quando ela teve a filha,

Ela não tinha emprego, ela trabalhava com as amigas, com os amigos. E tinha um coronel que todos os dias ia lá, queria transar com a Leila, mandava flores, mandava isso, mandava. E a Leila com aquele sorriso libertador, amoroso. O que é isso? O que é nada? Eu não vou deixar para lá. Aí um dia o coronel ficou muito nervoso, entrou no camarim da Leila. Pô, Leila, você dá para todo mundo e não vai dar para mim?

Que horror. E um cara batendo na mesa e elas com sorriso. É verdade, coronel. Eu dou para todo mundo, mas eu não dou para qualquer um. Para você eu não quero, né? Isso para mim é autonomia. Isso para mim é liberdade. E hoje, Petra, por que nós não somos Leila Diniz? Porque dá medo ser Leila Diniz. Porque é muita...

muito massacre de homens e também de mulheres. Quantas mulheres no meio acadêmico, eu acabei de postar isso no meu Instagram, são criticadas porque usam minissaia e vão dar uma palestra e usam minissaia e criticadas por outras mulheres. Ah, fulana não vai saber se comportar, ela não sabe se vestir num ambiente acadêmico, que é um ambiente machista. Eu vi tua última entrevista. Nossa, maravilhosa. Ambiente machista. Então,

As mulheres dizem, fulana não sabe se comportar, fulana é muito extrovertida, fulana é muito simplesinha, fulana todo mundo entende, todo mundo entende o que a Petra diz, então vamos buscar alguém que fala outra língua para ninguém entender, sabe? Tem uma lógica perversa, tóxica e que nós, eu vou te falar, Petra,

mesmas, não tem saída. E eu vou te falar, eu estou num momento de um sentimento de uma impotência enorme ao ver as mulheres reproduzindo o ódio às agressões e às violências contra as mulheres. Eu estou num momento de impotência. O que a gente pode dizer para essas mulheres que estão falando que são feministas, que estão falando de sororidade, que estão falando de amizade,

estão atacando, ou excluindo, ou ignorando, ou buscando destruir outras mulheres. O que a gente pode fazer concretamente? Agora, deixa eu te perguntar, Miriam, nesse sentido, a gente falava também das várias maneiras como a gente é coagida nesse sistema, desde procedimentos estéticos que ainda fortalecem a baixa autoestima, achando que a gente tem que agradar, a questão de disputa por cargos,

das redes sociais também. Por que a gente tem que dar opinião sobre tudo nas redes sociais? A gente falou disso também. Será que a gente não precisa também se colocar num lugar de fazer um pouco mais de silêncio? Não é ser silenciado. O oposto, né? Porque Leila Ednice falava tudo que ela queria. Mas eu não tô dizendo o silêncio nesse sentido. Eu tô falando o silêncio pra gente contemplar a loucura do que a gente tá vivendo, meu Deus do céu. Até pra fazer essa reflexão. Como é que eu me torno mais fraterna?

nesse ambiente, como é que eu empodero e mais, como eu posso atuar com mais amor e amor não ser banalizado, amor ser uma política pública, amor ser um código de ética e conduta, que é o mínimo. Amor, coragem e generosidade. Eu acho que, sabe, e autonomia, vamos botar autonomia também, tá? Porque eu acho que autonomia para não entrar no efeito manada, porque as redes sociais,

só reproduzem e fortalecem um efeito manada que a gente vê fora das redes sociais. Petra, eu todos os dias, todos os dias, na minha militância, eu boto uma pergunta no meu Instagram. Uma pergunta. Eu não dou a resposta. Eu não tenho a resposta. Eu não posso dar a resposta porque eu não tenho a resposta. E eu acho também que cada uma de nós tem a própria resposta.

O que eu vejo é que as pessoas acham mais fácil encontrar uma resposta pronta. Mais fácil. Então, eu estou sofrendo, tá? Eu estou sofrendo. Vamos dar um exemplo. Eu estou sofrendo com tudo que está acontecendo no mundo e no Brasil. Está uma crise assustadora. Então, eu vou lá e procuro quem está falando coisas que me acalmam. Às vezes, as coisas que me acalmam são coisas de ódio, que vai...

Fulano é culpado, fulano é culpado, fulano é culpado, fulano é trucidar fulano. Isso me acalma. No entanto, isso não é saída para ninguém. Ele só alimenta o pior do que está acontecendo. Quando a gente faz uma pergunta e a pessoa tem que pensar por ela mesma o que ela acha, ela pode dizer, não sei, eu não sei, eu não sei o que fazer. Deixa eu conversar com a Petra. Petra também não sabe, ela também está sofrendo.

Ela não sabe também como resolver essa situação. Então vamos conversar com a... Vamos juntar e perguntar para fulano. Ela também não sabe. Na nossa conversa, ao perceber, sem dar resposta, sem dizer o que é certo e errado, que você também está sofrendo, que você também não sabe, eu já sofro um pouco menos. Eu já sofro um pouco menos. Eu já sei que não sou eu a fracassada,

medo de uma guerra de uma crise enorme do que vem aí no Brasil e no mundo não sou só eu mas eu não sei a resposta e eu talvez não tenha uma resposta agora eu tenho uma saída para mim a Petra também tem fazer um pouquinho 1% todo dia para melhorar o que eu tô sentindo e o que as pessoas ao meu lado estão sentindo que a Petra está sentindo

hoje, de amoroso, de generoso, de corajoso, para que essa situação melhore um pouquinho, para mim, para a Petra e para quem está ouvindo. Vamos pensar sobre isso? O que eu posso fazer hoje como um ato de coragem? Pode ser, pode ser, ou, como a gente sempre fala, né, Petra, e você acabou de falar na sua outra entrevista, você fala lindamente nos seus livros. Quem está precisando ser escutado hoje? Por que eu não ligo

aquela minha amiga que está pior do que eu, que acabou de perder um filho ou acabou de perder a mãe, e conversa um pouquinho com ela e mostra que eu estou aqui, que eu amo ela. Por que eu não digo eu te amo? Você hoje me disse eu te amo e eu te disse de manhã, cedinho ontem, eu te amo também. Eu te amo e eu te admiro, Petra. Eu te amo e eu te admiro, Petra. Por que a gente não fala isso? É uma besteirinha, né?

É uma besteirinha que não me consta na... Muda. Eu saber que a Pétria me admira me dá força, porque tem gente que está me massacrando. Tem gente dizendo que tudo que eu faço é uma bobagem, porque quer me destruir, porque eu estou competindo. A Pétria saber que eu amo e admiro não só ela como caráter, mas como trabalho, como propósito de vida, dá uma força. Gente, a gente pode fazer isso com todas as pessoas que a gente ama,

Precisa fazer, Miriam. Não pode entrar no automático. Então, em vez de odiar, entrar nas redes 10, 20... Sabe quanto tempo, Petra? Os brasileiros passam em média online, nas redes sociais, Petra? Quanto? 9 horas e 13 minutos por dia, Petra. A maioria está se odiando, está massacrando.

procurando fofoca, tá querendo falar mal de alguém. Então, isso alimenta tudo que a gente não precisa alimentar, né? Tenho aquela fábula indígena que eu adoro, né? Dentro de nós, nós não somos anjinhas não, tá? Eu não sou uma Tereza Calcutá, nem a Pétria é, temos nosso lado ruim, temos invejas, temos competições, tudo. Dentro de nós,

Tem uma fábula indígena que fala assim, o neto pergunta para o avô. O avô fala para o neto, dentro de todo o mundo tem um lobo mau e um lobo bom. Dentro de todo o mundo. A Petra, a Euta, ninguém aqui é arginho. E aí o neto pergunta, e eles estão brigando? E o avô, o tempo inteiro eles estão brigando. E o neto pergunta, e quem ganha?

avô, aquele que você alimenta. A única diferença entre a Pétria, eu e todo mundo que está aqui, não é que nós somos boazinhas, nada disso não. Todas nós temos um lobo horrível e um lobo maravilhoso. Só que nós, eu, Pétria e muita gente maravilhosa que existe busca 24 horas por dia só alimentar

o lobo bom, o lobo amoroso, o lobo generoso, o lobo corajoso. E deixar o lobo mau, que nunca vai embora, ele vai continuar tendo a gente, ficar bem fraquinho pra gente ganhar a luta. Eu te digo, Petra, no momento, eu sinto que a gente não está ganhando a luta. Porque o ódio no mundo, no Brasil, nas redes, tão exacerbado, e parece que dá tanto prazer, sádio,

nas pessoas, que parece que eles estão ganhando a luta. Mas o Betinho me deu uma dica. Eu acho que eu ainda não te contei essa fábula do Betinho, tá? É a Betty de Souza, que foi muito meu amigo. Tá tudo pegando fogo, floresta pegando fogo, todos os animais fugindo, um querendo matar o outro, atropelando pra ver quem sai, quem foge do fogo.

Um Bentivy enchia o biquinho de água e ia e jogava no fogo. Voltava, enchia o biquinho de água e jogava no fogo. Enchia o biquinho de água e jogava no fogo. E o Leão, deixa de ser idiota, seu Bentivy. Você não vê que sozinho você nunca vai apagar esse fogo? E o Bentivy respondeu, eu sei que eu não vou apagar o fogo, mas eu estou fazendo a minha parte. Miriam.

Você está fazendo a sua pátria, Petra. Você está fazendo a sua... Olha, olha que atufalho. Você está fazendo a sua pátria. Olha o que eu falei. Atufalho! Forte. Você está fazendo a sua parte, Petra. Eu procuro fazer a minha parte, Petra. E vamos continuar juntas, porque juntas nós vamos mudar o mundo. Leila Diniz mudou o mundo.

E nós vamos mudar o mundo. Leiam Miriam Goldenberg. Sigam a Miriam. Eu leio a Miriam na Vogue. Eu leio a Miriam na Folha. Eu leio a Miriam nas redes sociais. Aí tem as perguntas dela. E é isso. Essa curadoria que a gente faz. Essa curadoria. Pra gente curar também esse meio de campo público tão conturbado com aquilo que eu não canso de dizer. Ou que eu canso de dizer também.

Que a gente tem tanta informação que fica desinformado do que importa. É um banho. Sabe o que ela trouxe pra gente assim? Um banho de ética. Um banho de amor. Um banho de conhecimento. Antropóloga, escritor, intelectual. Mão na massa. Miriam Goldberg. Eu amo você. Eu amo seguir você. Eu sou louca pelas tuas ideias. É uma honra a gente poder ter esses diálogos aqui no Revista CBN. Miriam, beijo pra você. Olha, eu só terminando que você falou uma palavra.

linda. Primeiro que eu também amo muito você e admiro demais você e a sua coragem. Cura, dor e ria. Ria! Cura, dor e ria. Juntas, nós vamos mudar o mundo. Já mudamos. Tenho fé. Beijo. Vamos lá. Sai daqui e já vai lá curtir a Miri e ver tudo que ela publicou esses dias que é porreta.

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