Falta de saneamento mantém qualidade da água dos rios da Mata Atlântica precária, aponta estudo
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- Déficit de InfraestruturaCobertura insuficiente de acesso · Menos de 50% da população atendida · Falta de coleta e tratamento de esgoto · Impacto nos rios · Relação entre saneamento e saúde pública
- Qualidade Ambiental e ÁguaEstagnação da qualidade · Falta de sinais de melhora · Monitoramento por voluntários · Programa Observando os Rios · Indicadores de poluição orgânica
- Novo marco legal do saneamentoMetas para 2033 · 99% de cobertura de água potável · 90% de coleta e tratamento de esgoto · Falta de avanço após seis anos · Necessidade de acelerar implementação
- Esquerdomachismo EmpreendedorismoEstações pequenas e descentralizadas · Soluções baseadas na natureza · Bacias de evapotranspiração · Biodigestores · Viabilidade em áreas rurais
- Desafios no modelo convencional de saneamentoAlto custo financeiro · Lentidão na implementação · Infraestrutura de tubulações quilométricas · Incompatibilidade com mudanças climáticas · Necessidade de diversificação de modelos
- Solução de evapotranspiraçãoEstrutura com pneus, britas e solo · Plantas para absorver nutrientes · Tratamento descentralizado · Aplicação em projeto em São Paulo · Devolução de água limpa ao meio natural
- Casos de melhora na qualidade da águaRio Capivari em Florianópolis · Rio Taguaçu em Ilhabela · Rio Betume em Pacatuba, Sergipe · Evolução de ruim para regular · Evolução de regular para boa
- Saneamento e SaudePrevenção versus tratamento · Economia de custos · Dados da Organização Mundial de Saúde · Retorno sobre investimento
O estudo mostra que a qualidade da água dos rios da Mata Atlântica segue precária, sem apresentar sinais consistentes de melhora, produzido pelo programa Observando os Rios, que é uma das iniciativas de ciência cidadã voltadas ao monitoramento da qualidade da água no Brasil. O Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica reúne ali um grande diagnóstico sobre a situação dos cursos d'águas do Bioma. Para conversar conosco sobre esses resultados,
que foram alcançados, nós convidamos o Gustavo Veronese, coordenador da Causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica. Gustavo Veronese, obrigado pela gentileza de nos atender aqui no Jornal da CBN. Bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia. Eu que agradeço a oportunidade. Esses dados comparados aos levantamentos anteriores mostram que não há avanço nesse sentido aqui no Brasil?
do saneamento básico no Brasil. Os nossos dados que são produzidos por voluntários e voluntárias do programa Observando os Rios, que vão, uma vez por mês, analisar a qualidade da água desses rios, registrar esses dados no site. A gente copila esses dados e lançamos hoje, ontem, esse relatório mostrando como está a situação. Isso é muito preocupante. Por quê? Porque a gente está há seis anos já do novo marco legal do saneamento. O novo marco legal do saneamento indica que,
Em 2033, devemos ter 99% da população brasileira atendida com água potável e 90% da população brasileira atendida com coleta e tratamento de esgoto. E, no entanto, passado quase metade desse período entre a promulgação da lei e a meta, não vemos avanços na qualidade da água do rio. E por que o rio nos diz isso? Porque o rio vai nos contar se a gente tem saneamento ambiental adequado, proteção das margens nascentes dos rios.
Enfim, o rio vai nos contar o que está acontecendo em uma determinada base hidrográfica. E o que os rios estão nos contando é que a gente tem esse déficit muito grande ainda em relação ao saneamento. Menos da metade da população brasileira, segundo dados recentes, tem acesso a esse serviço que é chamado PASMO de básico. A gente não tem o básico. A gente teria então que recuperar esse tempo perdido até aqui de forma muito ágil para conseguir chegar nesses marcos do saneamento que nós devemos atingir em breve
também tem resultados diferentes em pesquisas futuras. É uma situação viável? É possível fazer isso, Gustavo? Sim, Cassa, é possível, mas é isso. A gente tem que tanto acelerar o processo, como também diversificar esse processo. Esse modelo de coletar esgoto nos imóveis, levar através de tubulações quilométricas até enormes estações de tratamento de esgoto, é muito caro e é muito lento.
as mudanças climáticas e todas as alterações que a gente tem vivido no nosso planeta, e aqui a gente não é diferente, obviamente, isso tem impactado, porque não está na velocidade que a gente precisa, não está na velocidade que a sociedade quer. Então, tem que se pensar em soluções alternativas, outros modelos, e não é inventar a roda, não. É fazer coisas que já existem, tecnologias que já foram testadas, mostram-se eficientes, mas nesse modelo que está agora,
eficiente, a gente precisa avançar também nessa diversificação de modelos. O próprio trabalho que vocês realizaram, o levantamento que vocês fizeram, mostra que em alguns lugares esse avanço foi possível. Ou seja, são referências que poderiam ser utilizadas pelo país como um todo? Pois é, a gente teve algumas situações, por exemplo, lá em Florianópolis ou mesmo na Ilha Bela, em que quando se dotou do tratamento de esgoto,
ligou os imóveis na rede de esgoto e levou esse esgoto para o tratamento, o Rio deu o indicador do que estava acontecendo. Porque parou de receber essa carga orgânica, tem mais condições de... Ainda deve estar recebendo alguma carga orgânica, senão o Rio estava ótimo, não estaria bom. Mas diminuiu bastante. Então, o Rio consegue desenvolver o seu ecossistema aquático, consegue ter uma água de melhor qualidade. Isso é bom para todo mundo. Não é ruim para ninguém.
um rio despoluído, não é ruim para ninguém e é bom para todo mundo. Então não dá para entender porque não se faz um investimento maciço nisso, até porque se fazer investimento em saneamento básico é investir também em saúde pública. Tem um dado da Organização Mundial de Saúde que diz que para cada dólar que se investe em saneamento básico, economiza-se 4 dólares em saúde pública, que é o básico. É muito mais fácil e muito mais barato evitar uma doença do que depois curá-la.
Existem algumas alternativas que não é nada inédito, não é inventar roda, mas que poderiam ajudar nesse processo de saneamento. Traz alguns exemplos para a gente. São soluções que são adotadas tanto em outros países, países europeus, as cidades têm muitas estações de tratamento pequenas que não dá nem para ver onde que está, porque elas são pequenas, centralizadas, não emitem cheiro, não fazem ruído e cumprem o seu papel de tratar o esgoto doméstico. Então, essas pequenas estações de tratamento, nesse modelo convencional,
já é uma alternativa. Mas tem outras alternativas, uma coisa que a gente gosta de falar muito dentro da SOS Mata Atlântica, que são das soluções baseadas na natureza. O que é isso? É olhar o que a natureza faz e simplesmente replicar, através de algumas obras de engenharia, principalmente replicar o que está acontecendo, o que a natureza já faz. Então, como soluções baseadas na natureza, nesse tratamento de esgoto, a gente pode usar uma bacia de evapotranspiração, onde o esgoto é jogado,
feito uma estrutura na terra, cavada. Coló faz toda uma estrutura com pneus, britas, solo. Tudo muito adequado. Coló joga esse efluente nesse tanque, nessa vala que foi criada ali. Colocam plantas que vão sugar esse nutriente, vão sugar a água também e jogar essa água na atmosfera. Por isso, a bacia de evapotranspiração. Porque ela vai pegar aquela água que tem também no efluente, vai utilizar-se dela
a dos nutrientes que estão ali. E vai devolver o resto de água que ainda vai sobrar no sistema, vai voltar ao meio natural de uma forma limpa. Essa é uma das alternativas. Existem outras. Tem os biodigestores, que ainda transformam isso em gás. Enfim, isso são soluções muito boas para comunidades rurais, áreas muito afastadas, pequenas vilas, pequenos povoados. Então, solução tem. É só olhar o universo, pesquisar.
E a gente consegue ter soluções efetivas se isso for feito em escala. Recentemente a gente apoiou alguns projetos ligados a soluções baseadas na natureza, e um deles era justamente um tanque de evapotranspiração, pegar água de algumas casas que estavam caindo num rio que poluiu um parque aqui em São Paulo, e foi levado para tratamento a água que saiu dali e depois abastece o riozinho, que vai abastecer outro riozão, que vai abastecer o Pinheiros, que vai abastecer o Tietê, enfim.
do Rio Menor, a nascente do Rio, desde o comecinho dele. Gustavo Veronese, obrigado pelas suas informações e um bom dia. Bom dia, eu que agradeço. Bom trabalho. Obrigado. Gustavo Veronese é coordenador da Causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica. Eu queria até chamar a atenção, porque o Gustavo lembrou pelo menos de dois projetos que trouxeram resultados, apesar da qualidade da água ainda não ser excelente nesses projetos. Ele citou, por exemplo,
Florianópolis, deixa eu pegar aqui, o Rio Capivari em Florianópolis e o Córrego Itaguaçu em Ilha Bela avançaram, mas avançaram de ruim para regular. Tem o caso do Rio Betume em Pacatuba, Sergipe, apresentou melhora de regular para boa. Ou seja, muitas vezes o pessoal diz, ah, melhorou a qualidade da água. Ah, mas eu estou vendo o Rio está sujo aqui. Sim, melhorou em relação ao que tinha. Esse avanço é lento, necessário,
mas graças ao trabalho que é feito de saneamento permite que haja algum avanço nessa classificação. Não é que o rio está limpo não, infelizmente ainda não, mas é um processo que está sendo passado e eu estou pegando esses dois exemplos em especial aqui, Florianópolis e Ilha Bela, porque foram citados aqui na reportagem pelo Gustavo Veronese, mas tem ainda esse outro caso aqui lá do Sergipe, do rio Betume, que passou de regular para boa a qualidade da água.