Episódios de As Notícias Mais Recentes da CBN

Cinco anos depois, acusados no caso Henry Borel vão a júri popular; entenda o julgamento

20 de março de 202613min
0:00 / 13:14
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, vai responder pelo assassinato do próprio enteado, de 4 anos, em março de 2021. Já a mãe de Henry, Monique Medeiros, é acusada de omissão.
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Assuntos10
  • Segurança OperacionalAcusações contra Jairinho e Monique · Processo que dura 5 anos · Júri popular na segunda-feira · Lesões corporais e morte da criança · Procedimentos do tribunal do júri
  • Morte de Crianças e Casos Específicos4 anos de idade · 23 lesões no corpo · Morte por espancamento · Entrada no hospital em 8 de março de 2021 · Causa única da morte conforme MP
  • Defesa de JairinhoTese de que estava dormindo · Uso de medicamentos para ansiedade · Alegação de documentos falsificados · Responsabilização de Leneal Boreu · Descredibilização de laudos periciais
  • Sinais do Fim dos TemposDuração prevista de 5 dias · Sorteio de jurados · Depoimentos de testemunhas · Interrogatório dos acusados · Manifestações finais das partes
  • Contradições e mentisos da babáPrimeira versão protegendo patrões · Mensagens incriminadoras · Segunda versão retificada · Terceira versão voltando atrás · Medo da família Jairinho
  • Judiciário e PolíticaAlegação de estar dormindo · Falta de conhecimento dos fatos · Argumentação de omissão · Dependência de testemunho da babá · Impossibilidade de responsabilização criminal
  • Papel de Leneal BoreuPai biológico de Henry · Alegação de falsificação de laudos · Perícia sobre seu laptop · Vereador atualmente · Conversas com advogados de defesa
  • Estratégias de defesa legal e reputacionalPossível adiamento do julgamento · Argumentação de Rodrigo Fox · Responsabilidades éticas dos advogados · Comparecimento opcional no julgamento · Aviso prévio de não comparecimento
  • Questões processuais e investigativasFalta de acesso a documentos · Laptop de Leneal Boreu · Reunião com juiza Elizabeth Loura Machado · Solicitação da defesa · Concessão de acesso integral
  • Carreira Politica JairinhoEx-vereador do Rio de Janeiro · Líder do governo Eduardo Paes · Líder do governo Marcelo Crivella · Perda do mandato · Alcunha de 'Torre'
Transcrição25 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Matheus Maciel, agora, ele está chegando aqui no estúdio para conversar com a gente. Bianca, existem casos que acontecem no nosso Rio de Janeiro que eles entram para as nossas histórias pessoais, inclusive, a cobertura deles. A gente vai entrar aqui agora na história de um menino que não teve direito a ter história. Menino lindo, de cinco anos de idade, que foi brutalmente espancado

Segundo a acusação pelo seu padrasto, e um padrasto que não era qualquer um, o doutor Jairinho, um dos vereadores mais influentes do Rio. Para se ter uma ideia, ele foi líder do governo Eduardo Paes no seu segundo mandato, se estou enganado, e líder do governo Marcelo Crivella, que foi o sucessor de Eduardo Paes. Foi este homem, ex-vereador, que, segundo o Ministério Público, matou Henri Borel.

Cinco anos já se passaram. Nunca esqueci do momento que chegou a denúncia do Ministério Público, trazendo em detalhes aquilo ali. Com a mãe envolvida, muito impactante, muito escandaloso, e que nos choca até hoje. E tem que chocar mesmo. A gente não pode normalizar. A gente não pode perder a capacidade de se sensibilizar com uma história como essa. Vamos lá falar com o Matheus Maciel, porque ele está acompanhando a expectativa,

Júri Popular, que acontece na semana que vem. Matheus. Bom dia para vocês, todo mundo acompanhando a gente aqui no CBN Rio. Já são cinco anos, como vocês já comentaram, desde esse crime bárbaro aqui no Rio de Janeiro. O caso Henri Borel chega na próxima segunda-feira, o Tribunal do Júri aqui da capital. O julgamento vai colocar frente a frente, finalmente, acusação e defesa em um desses processos que eu diria que é um dos maiores repercussões nesse passado recente de crimes aqui do país, não só do Estado, do Rio de Janeiro. E aí, justamente, as grandes figuras, os réus,

O ex-vereador Jairo Souza Santos Jr., que é conhecido como ex-doutor Jairinho, não pode nem mais chamar de doutor, porque foi cassado também o título do CRM dele, não pode mais ter essa alcunha, como ele gostava de colocar na política, e também a mãe do menino, que é a Monique Medeiros. Ambos estão presos preventivamente, denunciados pela morte da criança, que a gente destaca que o processo já dura há cinco anos, mas o Henri só tinha quatro anos de vida.

já se arrastam na justiça há mais tempo do que o Henrique conseguiu ter de história dele aqui de vida. Desde então, o caso correu um caminho judicial entre idas e vindas gigantesco, diversos recursos, perícias sendo feitas e refeitas, processo apurando circunstâncias da morte da criança. A gente lembra que ele deu entrada em um hospital ali da Barra da Tijuca, já sem vida, com 23 lesões pelo corpo, no dia 8 de março de 2021. Por isso, mais de cinco anos desde esse crime.

de forma consciente, causou as lesões corporais e elas foram a causa única da morte do menino. Já em relação a Monique Medeiros, ela é acusada principalmente de omissão no cuidado com o filho no papel de mãe. Apesar da data estar definida já para a próxima segunda-feira, o início do julgamento ainda está recheado de incertezas. Ontem, os advogados de todas as partes se reuniram com a juíza Elisabeth Loura Machado, da segunda vara-lhe criminal do Tribunal de Justiça do Rio,

que não tinham ainda o acesso integral a todas as provas que constavam nos autos. Um exemplo claro ali que eles botavam na mesa era o laptop de Leniel Borel, pai de Henri. Para evitar uma possível nulidade do processo no momento futuro, a juíza concedeu a solicitação, deu então esse acesso a todas as partes. O Leniel Borel, no entanto, que hoje em dia a gente destaca é vereador do Rio de Janeiro,

protelar ao máximo o julgamento para que consigam responder, Rogelos, o processo em liberdade.

O advogado de Jairinho, Rodrigo Fox, ele conversou com a gente, afirmou que é de interesse, sim, que o júri aconteça na semana que vem e o mais breve possível. No entanto, ele deixou em aberto a possibilidade de a equipe de advogados da defesa de Jairinho sequer comparecer ao tribunal. Isso seria informado a juíza de antemão, forçando, então, um advogado.

Isso porque ele considera que, a depender das circunstâncias que se chegue até na segunda-feira, ele poderia estar diante do júri no que ele considera um voo cego da defesa.

tem uma responsabilidade. Então, nós não vamos segunda-feira chegar para abandonar o plenário. Se for ter qualquer situação, nós vamos avisar com antecedência. E, Matheus Maciel, quais são as estratégias, então, da defesa do Jairinho e da Munique? Bem, pelo lado do ex-vereador, a principal tese é argumentar que ele estava dormindo na hora que quem teria acordado ele foi a própria Munique, então ele não teria como saber o que aconteceu com o Henrique,

que ele não teria participação em nenhum tipo de agressão e tentar descredibilizar os laudos que foram feitos apontando as agressões no corpo de Henri. Porque os laudos que foram feitos apontando essa sessão de espancamento ao menino foram feitos num segundo momento. E eles tentam a tese de que esses novos laudos, quando foram feitos, já foram sob influência de Leniel Borel e já foram sob influência de Conluio de Leniel com peritos do ML.

Já a defesa de Monique Medeiros tenta na mesma ótica, só que invertendo os papéis. Argumenta que ela, quem estava dormindo, só quem poderia responder o que aconteceu com o Henri seria o próprio Henri, que agora já está morto. Seria até irônico a forma como uma mãe se porta em relação ao filho nesse sentido. Mas que só Henri, Jairo e Deus poderiam argumentar o que aconteceu naquele quarto porque ela estava dormindo, não tinha participação ou nem pode responder criminalmente sobre o que ocorreu.

Agora, já às vésperas do julgamento, eles tiveram uma grande baixa na lista de testemunhas. A Babá do Henrique, a Tainá Oliveira, não foi localizada pelos oficiais de justiça. É, desapareceu. Então, a termos próprios assim, estaria desaparecida para a justiça. Os oficiais foram aos endereços que tinham cadastrados da Tainá e ela não foi encontrada. Então, a intimação não foi entregue. Pode ser que ela não compareça ao tribunal, a presença dela ainda, diante do julgamento. É uma grande incógnita.

ela era um ponto-chave ali da defesa da Munique, porque o depoimento da Babá poderia apontar diretamente para Jairinho o comportamento violento, então grudaria nele as repetidas agressões que Tainá teria visto, então isso livraria de Munique a alcunha de saber de antemão que ele tinha esse perfil. A Tainá faria um depoimento mostrando que Jairinho teria agredido ela outras vezes, mas que ela nunca teria contado para a mãe, então a mãe nunca poderia ser acusada de omissão ou qualquer coisa do

tipo, porque não tinha conhecimento do que acontecia. E tem previsão de quanto tempo que esse julgamento deve durar, Matheus? Bem, o julgamento começa na próxima segunda-feira, mas já há uma previsão de que isso tudo ocorra como a magistrada deseja, que ele dure pelo menos cinco dias. São quase 30 testemunhas arroladas no processo e aí deve ser dividido ao longo dos dias, começando na segunda-feira e indo pelo menos até a sexta-feira. A sessão será aberta ali com a presença mínima de 15 jurados. Eles então são

sorteados, são sete jurados para compor o que é chamado de conselho de sentença e aí tanto a defesa quanto o Ministério Público podem recusar até três dos sorteados sem nenhuma necessidade de explicação, apenas pela lisura do processo e aí sim, sete são os encarregados por definir o destino desse processo que já dura tanto tempo. Finalmente, após isso, começam os depoimentos do julgamento. Primeiro a gente vai ouvir as testemunhas de acusação seguidas pelas de defesa e aí em seguida os acusados

interrogados. Depois disso, a gente tem uma etapa do depoimento final de todas as partes. O Ministério Público tem ali duas horas e meia para fazer a acusação diante do júri. Depois, cada defesa também tem duas horas e meia para falar. E aí, consta depois ainda um processo de réplicas e tréplicas. Finalmente, o júri chega a uma reunião secreta para chegar a um veredito. Olha, Matheus Maciel, ótima reportagem. Obrigado por ter trazido aqui e jogado luz sobre esse julgamento que vem aí. E alguns pontos são fundamentais. Primeiro é o seguinte,

o caso da Tainá, essa babá, que é uma testemunha-chave e ela era uma figura-chave mesmo na investigação que levou à prisão do Jairinho e da Monique, onde que ela está, se ela vai ou não aparecer para ser testemunha do caso. E essa tese da defesa do Jairinho, quero chamar a atenção para ela. O que a defesa vai alegar é que ele estava dormindo na hora da morte. Ele toma remédios para dormir, que ele tem casos de ansiedade, não consegue dormir direto. Mas para além disso,

é de que os documentos que atestaram as agressões foram falsificados a mando do Leniel Borel. Essa tentativa de inversão do papel se dá principalmente através de uma perícia que os advogados argumentam que há em cima do celular de Leniel e aí papos atravessados entre os advogados de defesa de Leniel falando para Leniel. Ah, os novos laudos já estão sendo feitos sob nossa orientação. Tem essa aspas dentro de uma conversa e esse é o grande mote de argumentação

a defesa do Jairinho para tentar inverter a lógica e botar como se fosse um grande conluio entre peritos de DML e os advogados de defesa de Leniel Borel. Só para lembrar, a Tainá, num primeiro depoimento à Polícia Civil, ela protegeu os patrões. Depois, quando as mensagens vieram à tona, em que ela enviou mensagens à Monique afirmando que o Henrique contou para Babá que o Jairinho havia dado

banda nele e chutado o garoto e que toda vez ele faz isso. Ela escreveu isso pra patroa. Aí, quando essas mensagens vieram à tona, ela deu um novo depoimento retificando a sua primeira versão e contando que desconfiava que o Jairinho batia no garoto. E depois ainda deu uma terceira versão. Durante uma audiência, durante o julgamento já acontecendo, antes de ser destinado ao júri, ela voltou pra primeira versão dela. Porque quando ela deu essa segunda versão junto das mensagens, corroborando o que foi encontrado nas mensagens,

Ela afirmou que protegeu o Jairinho porque tinha medo da família dele. Já no terceiro depoimento, meses, anos depois, na audiência, diante do julgamento, diante dos promotores, ela voltou atrás, falou que sempre esteve mentindo, não tinha visto nada de agressões à criança e preferia ficar calada sobre tudo o que aconteceu. Teve até uma ameaça de ser presa por mentir diante do juiz e do julgamento acontecendo. E aí, agora temos esse cenário de que ela não foi encontrada.

Obrigado pelas suas informações. Seguiremos acompanhando esse julgamento na semana que vem. Vai ser marcante, sem dúvida. A gente vê filme e não acredita que essas coisas acontecem na realidade.