Episódios de As Notícias Mais Recentes da CBN

'A vida no Brasil é dolarizada, deveríamos estar preparados para a movimentação do dólar', diz especialista

19 de março de 20267min
0:00 / 7:36
O Banco Central do Brasil manteve o plano anunciado em janeiro e reduziu a taxa Selic em 0,25 pontos, de 15% para 14,75%. Apesar das incertezas ocasionadas pela guerra no Oriente Médio, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu o pontapé no corte de juros, mas também optou por não dar nenhuma sinalização direta sobre o futuro do processo. Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (autoridade monetária americana) manteve os juros entre 3,5% e 3,75%. Essa é a segunda manutenção seguida. Em entrevista ao Jornal da CBN, William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue (empresa de investimentos internacionais), explica como as duas decisões afetam o olhar do investidor.
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Assuntos6
  • Reservas FederaisManutenção dos juros · Faixa de 3,5% a 3,75% · Segunda manutenção seguida · Incertezas geopolíticas
  • Inflação e Política MonetáriaRedução de 0,25 pontos percentuais · Taxa passando de 15% para 14,75% · Credibilidade do BC · Ausência de sinalização futura
  • Mercado FinanceiroJuros brasileiros elevados · Comparação com taxas americanas · Risco associado · Impacto nos investidores
  • Conflito EUA-IrãEfeito nos preços de petróleo · Inflação de combustíveis · Gasolina em Miami · Choque de oferta
  • Investimentos FinanceirosDiversificação global · Acesso a mercados internacionais · Setor de tecnologia · Alternativas de investimento
  • Setor de tecnologia globalPerformance fraca em 2022 · Inteligência Artificial · Investimentos nos EUA · Oportunidades de crescimento
Transcrição14 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Temos buscado a palavra de especialistas para compreender o cenário econômico e ontem tivemos, dentro desse cenário, novos elementos com as decisões, tanto do Banco Central brasileiro, em relação à taxa Selic, passou de 15% para 14,75%, redução de 0,25 ponto percentual, quanto no Fed, lá no Banco Central dos Estados Unidos, que decidiu manter os juros entre os 3,5% e 3,75%,

dentro dessa faixa. Para nos ajudar a entender ainda mais esse cenário, agora nós convidamos o William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. William Castro Alves, muito obrigado pela gentileza de nos atender no Jornal da CBN. Bom dia. Bom dia, é um prazer estar falando aqui com vocês. Bom dia. De que maneira essas duas decisões nos Estados Unidos e aqui no Brasil mudam o olhar do investidor ou permanece tudo igual, já que as mudanças foram pequenas? Pois é, Milton e Cássia, o que se passa é o seguinte,

a gente tem um diferencial de juros bastante grande. O juro brasileiro é bastante elevado. Poderia ter caído mais. Acho que a decisão do Banco Central de cortar menos os juros vem muito mais da compra de credibilidade e tentar mostrar que não há uma interferência do governo. Desde o início, o Galípolo tem adotado essa postura e o preço a se pagar é um juro bastante elevado. Tudo isso que está acontecendo no Oriente Médio,

preço da gasolina, mas a gente sabe que no Brasil esse negócio não repassa diretamente. É diferente daqui dos Estados Unidos. Aqui nos Estados Unidos a gente tem um cenário onde a gasolina já subiu bastante. Só para dar um exemplo, aqui em Miami, onde eu moro, o galão da gasolina estava em torno de 2,50 dólares, já está mais de 3,60. Então, seja mais de um dólar por galão de aumento e percentualmente é bastante. E a inflação aqui

E aí o Banco Central aqui dos Estados Unidos, olhando para frente, olha, existia expectativa de cortes de juros para 2026, mas dado esse cenário de incerteza, a gente não vai cortar, a gente vai manter os juros, isso já era esperado, mas ele vem e diz o seguinte, olha, a gente está de olho, está acompanhando, está vendo que tem o conflito no Irã e que isso pode ter um impacto em preços de produtos em geral.

diferencial de juros bastante elevado, com juros brasileiros bastante altos vis-à-vis do juros americanos. Agora, não dá para esquecer que nessa equação tem o dólar. O brasileiro investidor, ele olha muitas vezes o juros brasileiro e acha muito bom, ele é alto, é elevado, mas é porque tem bastante risco nessa equação. E no final do dia, o consumo brasileiro, ele é grande parte, a vida do brasileiro é grande parte dolarizada.

de 5%, 10%, especialmente no ano eleitoral e volátil, como é historicamente, é algo que o brasileiro deveria estar preparado para. Então, apesar de um juro mais baixo aqui nos Estados Unidos, você tem o benefício do dólar. Então, tentando resumir aqui, juros mudaram muito pouco no Brasil, aqui nos Estados Unidos não mudaram, o diferencial continua elevado, mas para o investidor brasileiro não dá para esquecer sempre na equação tem o dólar aí no meio.

Na sua avaliação, o que a gente pode esperar para a próxima reunião do Copom em relação aos juros brasileiros? Pois é, Cássia. Tanto aí no Brasil quanto aqui, a autoridade monetária optou por tentar se resguardar e ser cautelosa. Porque, afinal de contas, o grande ponto aqui é até quando vai durar essa guerra. O impacto, o choque de oferta, como a gente fala, empresas de petróleo que sobe por um mês é uma coisa. Por dois meses é outra, por três meses é outra.

esse choque em termos de preço de petróleo, o impacto inflacionário espalhado não só na gasolina e no diesel, mas espalhado em preço de alimentos e em outros produtos, ele tende a ser maior. E isso, obviamente, impacta também a decisão de política monetária. Eu diria que, olhando para frente, a gente deve continuar a ver um movimento de queda de juros no Brasil e de manutenção de juros aqui nos Estados Unidos. Cortes de juros aqui nos Estados Unidos estão previstos lá para o segundo semestre.

E no Brasil, eu falei, acho que tem um espaço ainda muito grande de um juro bastante elevado vis-à-vis a inflação atual brasileira, mesmo considerando as expectativas inflacionárias também, como a gente sempre fala. Acho que ainda há espaço para corte. Acho que o Galípolo tentou ser cauteloso em meio a essa incerteza de preços de combustíveis. William, qual a recomendação que vocês têm feito aos investidores que estão com seu dinheiro em diferentes ativos?

Eu diria que o mercado americano é muito amplo, é o maior mercado do mundo. Então, tem ações do mundo inteiro, tem investimentos do mundo inteiro, tem renda fixa do mundo inteiro. Então, sempre tem coisas para fazer, digamos assim. Sempre tem alternativas de investimento. Eu acho que essa é a grande vantagem. Você está investido dolarizado, você tem parte do seu patrimônio já em dólar, em moeda forte, e você tem acesso a produtos globais.

Então, sempre tem alternativas de investimento. Você pega, por exemplo, neste ano de 2026, o setor de tecnologia,

que a gente sempre falou nos últimos anos, e ainda fala por conta da AI, que tem grandes chances de continuar crescendo, especialmente aqui nos Estados Unidos, os investimentos são muito elevados, é um setor que vem tendo uma performance muito fraca. E a gente sabe que essa guerra vai passar, esse impacto no preço de petróleo vai passar, historicamente, quatro a cinco meses, os conflitos no Oriente Médio influenciaram preços de petróleo, influenciaram o mercado, depois esse negócio meio que passa, e a gente vai continuar falando de AI,

E a gente tem visto uma performance fraca nesse setor, por exemplo, que é uma coisa que o brasileiro não consegue acessar, por exemplo, através de investimentos no Brasil. O Brasil tem boas empresas de commodities, bons bancos, boas empresas de varejo, mas quando o assunto é tecnologia, já meio que para por aí. A gente não tem tantas alternativas de investimento em mercados de capitais no Brasil. Já aqui nos Estados Unidos é o que mais tem. Então, só para dar um exemplo de alternativas.

mesmo como outros lugares, Sudeste Asiático, por aí vai, você consegue através do mercado americano. William Castro Alves, muito obrigado pela sua análise aqui no Jornal da CBN. Bom dia. Obrigado, bom dia a todos. Bom dia.