MP-RJ solicita imagens de câmeras para investigar morte de médica após abordagem da PM
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Bom, vamos já começar com atualização, com informação nova sobre o caso da morte da doutora Andréa Marins Dias, Leandro. Vamos lá, Bianca. O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou as imagens de câmeras de segurança da Prefeitura no âmbito da investigação da morte da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos. Ela morreu após ser baleada durante uma abordagem da Polícia Militar na noite de domingo em Cascadura. A suspeita, e a gente abriu o CBN Rio falando sobre isso,
é de que o carro da vítima tenha sido confundido com um veículo utilizado por criminosos procurados pelos agentes. Esse é um pedido feito pelo GAESP, o grupo de atuação especializada em segurança pública do Ministério Público do Rio de Janeiro, que também expediu um ofício à Polícia Militar solicitando a preservação das imagens das câmeras corporais dos agentes que estavam em atuação. Daqui a pouquinho a gente vai colocar um vídeo que mostra o momento dessa abordagem desastrada,
com a morte da Andréa. A segunda promotoria de justiça junto à Auditoria da Justiça Militar também acompanha esse caso junto à Corregidoria Geral da PM. Portanto, o Ministério Público entra nessa investigação pedindo à Prefeitura que entregue imagens ali da região em que a Andréa foi morta, em casca dura, para ajudar a esclarecer a dinâmica desse crime. Por exemplo, o que pode ser esclarecido aí? O tamanho da perseguição, a velocidade,
que o carro da Andréa estava e o carro dos agentes estava. A gente tem relatos, por exemplo, de testemunhas que falaram ao Jornal Globo que a Andréa estava numa velocidade elevada ali naquela via. Qual é a circunstância disso? Exatamente. As câmeras do Civitas, que é o programa da Prefeitura voltado para a Segurança Pública, a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança, o Civitas. O Ministério Público quer saber se a Prefeitura tem imagens desse local, se pode disponibilizá-las. E mais importante que isso,
são as imagens das câmeras das fardas, as fardas dos policiais militares que vão ajudar a gente a entender exatamente o que aconteceu com a Andréia que perdeu a vida. Imagens que já foram divulgadas pela TV Globo mostram o momento em que policiais militares cercam o carro da doutora Andréia e chegam a bater com um fuzil na porta onde fica a motorista. E ao abrirem o carro, eles encontraram o corpo da Andréia no banco do motorista. E uma testemunha também registrou em vídeo,
abordagem, o momento em que eles batem no carro, gritando. Desce irmão, vai morrer. Desce irmão, vai morrer. Vai morrer, irmão, desce. Esses são os gritos. O relato dos policiais do nono batalhão dá conta de que a equipe fazia um patrulhamento de rotina quando foi informada por um pedestre de que ocupantes de um Corolla Cross faziam assaltos na região. Os PMs começaram então a buscar
carro e no cruzamento das ruas Araruna e Cupertino, eles viram um jipe, um Corolla e uma motocicleta. Os veículos, segundo os policiais, fugiram com a chegada da viatura. Os PMs, então, deram uma ordem de parada e dizem que os ocupantes atiraram contra eles. Houve confronto, segundo o relato dos agentes. A gente segue avançando nesse caso agora com a palavra da Luana Martins, de 36 anos,
Paciente da doutora Andréa Marins. A Luana, ela era acompanhada por ela há um ano e chegou a fazer uma cirurgia comandada pela médica Andréa Marins. Ela conta que a doutora Andréa passava confiança para as pacientes, além de ser atenciosa e cuidadosa durante todo o tratamento. A Luana também se sentia representada pela doutora Andréa devido à questão racial. Vamos ouvir esse depoimento que foi colhido pela nossa produtora Clara Argento.
muito legal, é muito importante para mim, porque eu me sentia representada na doutora Andréa. Eu sou uma mulher negra, assim como ela era. Saber que ela era uma médica, isso era um motivo muito de orgulho para mim. Eu me arrisco a dizer que depois da minha mãe, era uma mulher que me representou muito, era uma mulher que foi uma inspiração para mim. Eu fui paciente da doutora Andréa, infelizmente, por pouco tempo, tem mais ou menos um ano,
busca de profissionais que entendessem o meu problema. Eu sofri por muitos anos com a endometriose e a doutora Andréia resolveu o meu problema num curto espaço de tempo. Foi muito rápido. Eu também tive uma situação de um caroço no seio, que a doutora Andréia também resolveu. Isso é muito bom pra mim. A doutora Andréia era maravilhosa. Tinha uma energia contagiante. Ela era muito objetiva.
Ela passava uma segurança naquilo que ela falava. Eu tive muito medo, né? Porque eu precisei fazer uma cirurgia. E ela teve muito carinho pra poder me passar como que seria tudo, assim, sabe? Pra poder cuidar de mim. E eu fui muito sincera com ela que o que ela decidisse, eu assinaria embaixo. E não me arrependo. Até é difícil, até me emociono pra falar da doutora.
passar na minha vida. Muito forte esse depoimento da Luana, um abraço para ela, uma homenagem que ela faz à Andréia. Acho que se esse depoimento chega à família da Andréia, eles vão ficar ainda mais orgulhosos dessa mulher, uma mulher preta que certamente enfrentou obstáculos múltiplos para chegar à medicina, obstáculos sociais, econômicos e raciais. Chegar a esse lugar é muitas vezes
resultado de uma história de resistência para mulheres pretas. E aí, em segundos, tudo é apagado por essa abordagem violenta, por uma ação precipitada, que a gente acompanha a investigação de perto. Leandro, a doutora Andréia, ela deixa a mãe de 91 anos e o pai de 88 anos. E morre logo depois de sair da casa deles, num domingo típico, num domingo tão prazeroso, que deveria ser prazeroso de estar com os pais, de estar com a família,
começar a semana, na segunda-feira ela acaba sendo assassinada. A gente vai voltar a esse caso porque a doutora Andréa vai ser enterrada hoje, vai ser velada no cemitério do Caju e vai ser enterrada hoje à tarde, mas antes eu quero deixar a palavra do Atila Roque, historiador, uma das principais figuras do Rio de Janeiro, com destacado trabalho da sociedade civil e da produção de conhecimento no nosso estado. Ele escreveu nas redes sociais o seguinte, é insuportável
Um enredo que é sempre o mesmo.
a Luana, ouvida aqui pela Clara Argento, nesse depoimento muito emocionante que a gente abre aqui o CBN Rio, para que a gente não perca de perspectiva o que realmente importa. E o que importa é a vida das pessoas. A gente não pode conviver num lugar, a gente não pode aceitar viver num lugar em que uma médica é assassinada pelo Estado. Foi isso que aconteceu. A gente está aqui para cobrar punição e responsabilidade de todos os que irão às urnas em outubro te pedir voto.
Até aqui, seja do lado do governo, seja da oposição ao governo, poucos falaram sobre a morte da Andréia. É verdade, Leandro, é verdade. Eu até achei que pudesse ter perdido alguma coisa, no momento que a gente fica um pouco off por conta das férias, mas não me lembro de ter visto nenhum posicionamento. Não perdeu nada. Nenhum posicionamento. A Andréia também deixou uma filha de 30 anos, os pais e a filha. Um abraço para toda essa família e ainda hoje a gente traz outras informações sobre as homenagens a ela.