'Queremos criar um profissional que seja capaz de propor novas tecnologias', diz professor da Poli-USP sobre novo curso
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- Novo curso de Engenharia Eletrônica e Sistemas ComputacionaisFoco em inteligência artificial e semicondutores · 56 vagas no primeiro ano · Ingresso a partir de 2027 · Campus Butantã da USP · Processo de seleção via vestibular · Estrutura curricular com projetos integradores
- Desenvolvimento TecnologicoCriação vs. utilização de IA · Aprendizado de máquina e redes neurais · Integração de hardware e software · Processamento de imagens e tomada de decisões · Desenvolvimento de chips e circuitos integrados
- Energia NuclearIA como oportunidade estratégica para o Brasil · Dependência brasileira de chips estrangeiros · Disputa entre EUA e China por semicondutores · Investimentos internacionais em fabricação de chips · Embargo de chips avançados para processamento de IA
- Evolução de sistemas e tecnologiaTransformação histórica da engenharia elétrica · Specialização em diferentes áreas técnicas · Tecnologias emergentes: 5G, 6G, robótica, carros autônomos · Formação generálista vs. especializada · Precedente da Engenharia de Computação (criada 16 anos antes)
- Posicionamento estratégico do Brasil em semicondutoresDesign houses brasileiras · Laboratórios de microeletrônica e sistemas integráveis na Poli · Investimentos via FAPESP e programas governamentais · Capacidade de projeto de circuitos integrados · Infraestrutura necessária para competição global
- Mudanças educacionais e acadêmicasProjetos integradores desde o primeiro ano · Componente extensionista e comunitário · Trabalho em equipes multidisciplinares · Fundamentos de engenharia no primeiro ano · Aplicação prática de conceitos abstratos
- Mercado de trabalho e demanda por engenheiros especializadosExigência de profissionais especializados · Capacidade de trabalho em equipes multidisciplinares · Empregos em grandes empresas de tecnologia · Desenvolvimento de novas soluções
- Fabricação de chips no BrasilIniciativa recente de fabricação local · Redução de dependência de semicondutores estrangeiros · Contexto de risco à indústria automotiva brasileira
Ano em inteligência artificial, nosso assunto de agora, viu Muniz? Porque a Escola Politécnica da USP criou um curso focado em desenvolvimento de inteligência artificial e semicondutores. Já será possível se inscrever para essa nova graduação no vestibular deste ano para o ingresso a partir de 2027, ou seja, já está aí. Essa formação em engenharia eletrônica e sistemas computacionais vai ter 56 vagas no primeiro ano e vai ser ministrada no campus do Butantan.
aqui na USP. Bom, vamos entender melhor esse assunto conversando com o coordenador dessa nova modalidade, professor da PoliUSP, Gustavo Reder, tá conosco na linha, já agradeço a participação, Gustavo, obrigada por estar aqui conosco, bem-vindo e um bom dia. Obrigado, Marcela, Guilherme, é um prazer estar aqui com vocês, são muitos anos aí de esforço pra criar esse novo curso agora e finalmente agora em dois mil e vinte e sete a gente começa com uma nova turma, né? Não é
um curso, não é um assunto novo que a gente trata na Escola Politécnica, esse assunto de inteligência artificial, de semicondutores, já vem sendo tratado há mais de 20 anos, pelo menos, que agora com o nome da moda de inteligência artificial, isso ganhou um enfoque muito grande. O curso atual de engenharia elétrica, que engloba uma das ênfases de eletrônica e de sistemas computacionais,
Ele foi reformulado e foi trazido agora como opção para os alunos no vestibular, a partir de 27. E qual que é a importância da gente ter um curso como esse? A gente vê que a questão da inteligência artificial vem crescendo muito, as discussões não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro. Inclusive hoje, para comentar, um editorial do Jornal Globo falou algo que me chamou bastante atenção, que o avanço da inteligência artificial na educação
É um dos raros momentos em que todos os países estão na mesma linha, de todos os níveis de desenvolvimento. Está todo mundo no mesmo estágio. Então, é uma oportunidade para o Brasil entrar nessa discussão e até, quem sabe, virar protagonista nessa discussão. Então, penso na importância de ter um curso focado nesse uso da inteligência artificial. Marcela, o que a gente foca não é só o uso. O uso, claro, que está embutido em todas as disciplinas, em mais ou menos profundidade.
foca é criar tecnologias. A gente quer criar um profissional que seja capaz de propor novas tecnologias e inovar. Então, a questão de utilizar o que a gente faz hoje com os modelos de linguagem, com o chat EPT, Gemini da Vida, é a utilização. O que a gente está por trás é criar modelos de aprendizado de máquina, aprendizagem de máquina, de redes neurais e algoritmos
ritmos, estruturas que permitam novos desenvolvimentos, desenvolvimentos eficientes, aplicar em inteligência artificial no hardware. É um curso de eletrônica, então a gente trabalha com sistemas computacionais, que é a possibilidade de integrar hardware e firmware, software, então trazer a inteligência artificial para a máquina. Hoje a gente tem visto um avanço enorme de robôs que interagem,
tomar decisões baseadas em um grande número de dados, de treinamentos, mas porque eles conseguem processar hoje muito rapidamente a informação e tomar decisões inteligentes. Então, o que a gente quer do nosso aluno é que tenha essa capacidade, não só de usar e implementar novas soluções de softwares inteligentes, com inteligência artificial, com técnicas de inteligência artificial, que isso a Poli já vem fazendo há muitos anos,
novos semicondutores, novos chips que tenham capacidade de fazer esse processamento. Então, desenvolvimento de hardware para inteligência artificial. Então, o departamento, os laboratórios ligados à microeletrônica aqui na Poli vem fazendo isso desde os anos 70, que é desenvolvimento de chip, desenvolvimento de projetos de circuitos integrados.
formar os alunos com essas características, né? De inovar e de criar uma inteligência artificial e também com foco em semicondutores, em circuitos integrados, integrar a inteligência artificial nesse hardware inteligente, transformar ele em inteligente. Gustavo, você mencionou a questão dos semicondutores, né? E a Marcela falou sobre essa disputa, meio que nesse momento a gente tem ali uma possibilidade
todos os países estarem em pé de igualdade em algumas discussões, mas a gente não está em pé de igualdade exatamente na questão dos semicondutores. Eu contei, por exemplo, no ano passado aqui na CBN várias vezes sobre o risco de a indústria automotiva parar no Brasil por falta de chips que vêm de outros países, por causa da briga geopolítica entre Estados Unidos e China, ou seja, a gente depende de outros países, isso ainda não é um terreno tranquilo para a gente.
Mas também recentemente a USP criou ali uma microfábrica de chips exatamente para tentar girar essa roda.
Diminuir a dependência dos semicondutores estrangeiros. Queria entender um pouco de você sobre isso. De que forma cursos como esse podem ajudar a posicionar o país nessa discussão geopolítica que é tão estratégica? Como é que você vê essa correlação nesse contexto que a gente está vivendo? Eu acho que a gente tem que fortalecer a área de chips de semicondutores no Brasil como um todo.
laboratórios grandes ligados ao desenvolvimento de tecnologias, o laboratório de microeletrônica e o laboratório de sistemas integráveis, que são historicamente os pioneiros no Brasil no desenvolvimento de semicondutores. E a gente vem investindo com o auxílio da FAPESP, no auxílio da própria USP, FINEP, na melhoria e na formação de recursos humanos para essa área.
que a gente chama de design houses, são empresas focadas no projeto de circuitos eletrônicos integrados, de circuitos integrados eletrônicos. E esse problema de chip não é só o Brasil que tem. O próprio Estados Unidos tem um grande problema com isso, porque ele por muitos anos focou o desenvolvimento em Taiwan e agora recentemente falou, olha, isso desde a pandemia é um problema sério, a gente precisa começar a fabricar os chips em casa. E eles estão desenvolvendo,
criando grandes empresas, ou trazendo uma das empresas lá de Taiwan, TSMC, para os Estados Unidos para fabricar chips de ponta. Então, tem uma problemática mundial desse desenvolvimento de chips em todo o mundo. A Europa também está correndo atrás, criando, a gente chama essas empresas de founders, então criando founders grandes para desenvolvimento desses chips avançados. A própria China está correndo atrás porque tem um embargo dos Estados Unidos com as placas,
avançadas da NVIDIA para processamento de IA. Agora, o desenvolvimento dessa infraestrutura toda e criar engenheiros capacitados para projetos de CIs, isso é uma área que a gente consegue fazer muito bem.
grandes empresas, a gente tem muito tempo pra gente conseguir chegar nisso, mas a gente precisa avançar e trabalhar nessa direção, em todos os lados possíveis. Então, acho que toda iniciativa que vise melhorar essa infraestrutura e melhorar a formação de recursos humanos, vai nos ajudar nessa parte que a gente pode projetar chips, mandar fabricar fora eventualmente, ou se tiver uma capacidade aqui no Brasil de fabricar, excelente. Então, basicamente, né, professor,
O que se tenta fazer agora, ainda mais com este novo curso, é criar profissionais mais especializados, atendendo a uma exigência do próprio mercado. Porque antigamente a gente tinha aquela ideia de que tudo relacionado à tecnologia era coisa do engenheiro, da engenharia elétrica. O pessoal que fazia engenharia elétrica tinha que abarcar tudo isso. Agora o mercado exige profissionais mais especializados em cada tipo de engenharia. Então acho que é basicamente isso.
exige e agora a gente tem que formar esses novos profissionais. Marcelo, se a gente olhar a engenheira elétrica, como ela evoluiu nos últimos 20, 30, 40 anos, antes tudo era engenheira elétrica, a computação era engenheira elétrica, estava tudo dentro de um grande guarda-chuva da engenheira elétrica e hoje a gente tem dentro da engenheira elétrica o próprio IA, semicondutores, indústria 4.0, o 5G que foi lançado agora, a gente já está trabalhando no 6G,
nova geração de telecomunicações, robótica, com carros autônomos, com drones, com tudo que você pode imaginar. E cada uma dessas áreas são muito especializadas. Claro que a gente precisa formar um engenheiro com uma base generalista, com uma base de engenheiro, fundamento, matemática, física, todo aquele rigor que ajuda a desenvolver um engenheiro,
que vai resolver problemas. Mas também a gente precisa dar ferramentas para eles conseguirem chegar lá na frente e criar coisas novas. Então, se a gente simplesmente forma um engenheiro amplo, ele pode se especializar mais para frente. Mas você conseguir formar um engenheiro já pronto para entrar e desenvolver, trabalhar em grandes empresas, criar novas soluções, eu acho que esse é o foco. A gente não consegue mais especializar um engenheiro,
elétrica em todas as áreas da engenharia elétrica. Então, o foco de criar esse novo curso segue o mesmo caminho que a engenharia da computação criou uns 5, 6 anos atrás na própria escola politécnica. Isso vai nos dar mais liberdade para aprofundar nas áreas de IA, de sendo condutores, de eletrônica embarcada e todas as telecomunicações em geral, que é o foco desse curso novo. Gustavo, reforce então para a gente, por favor,
quantas vagas vão ser ofertadas, como que vai ser também esse processo de seleção? Ele é um processo de vestibular tradicional, ele tem alguma especificidade, tem algum tipo de conhecimento prévio que é recomendado que esses candidatos às vagas tenham? Dá um geral pra gente sobre esse processo agora de seleção que se inicie em breve. Perfeito. É o processo padrão do vestibular, é um curso novo da Escola Politécnica, ingresso pelas formas normais de ingresso, Enem, Fulvestre e Provão Paulista,
na Escola Politécnica. A carreira é a carreira de engenharias, então o aluno vai poder escolher, se eu não me engano, são quatro opções, entre a primeira, segunda, terceira e quarta opção dos cursos de engenharia da Escola Politécnica. A base matemática, sem dúvida, é fundamental, mas a base matemática com física, toda a parte exata é muito importante, mas hoje um dos focos que a gente tem no curso
é que hoje o engenheiro não trabalha sozinho. Ele trabalha em equipes, equipes multidisciplinares. Então, a gente trouxe para dentro desse curso, desde o primeiro ano, uma série de projetos integradores e extensionistas. Então, o aluno trabalha desde o primeiro ano em equipes, trabalhando liderança, gestão de projeto, desenvolvimentos reais, problemas reais.
e dar base para o aluno procurar na sociedade problemas reais que eles vão propor soluções junto com a sociedade. A gente também fez uma reformulação no curso, que é trazer engenharia para o primeiro ano, não só com os projetos, mas cursos de fundamentos de engenharia logo no primeiro ano. Então, isso ajuda a motivar o aluno a entender onde ele está.
teórica de matemática e física, que é um pouco mais abstrata, ele começa a ter uma aplicação já no primeiro ano do curso. Então, isso a gente também mudou um pouco nessa estrutura para ajudar a motivar os alunos a seguirem a carreira de engenharia. Muito legal. Gustavo Hender, professor, coordenador do curso de Engenharia Eletrônica e Sistemas Computacionais da PoliUSP. Obrigada pela sua participação aqui com a gente e boa sorte nesse novo curso.
engenheiros que queiram participar e ingressar nessa nova modalidade. Um abraço. Muito obrigado, um abraço Marcelo e Guilherme. Muito obrigado, bom dia.