Mesmo sem prêmio, cinema brasileiro ganha espaço internacional, avalia especialista
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- Brasil no OscarAgente Secreto sem prêmios · Indicações brasileiras · Expectativas frustradas · Reconhecimento internacional · Visibilidade do cinema brasileiro
- Oscar e Prêmios de CinemaVencedores principais · Uma Batalha Após a Outra · Pecadores · Filmes premiados · Categorias vencedoras
- Impacto do reconhecimento no cinemaIncentivo a novos cineastas · Fomento de políticas públicas · Abertura do mercado internacional · Diversidade cultural · Incentivo à indústria audiovisual
- Industria Audiovisual BrasileiraPeríodo de enfraquecimento · Impacto da pandemia · Políticas públicas · Retomada recente · Investimento em produção
- Cinema BrasileiroFestival de Veneza · Festival de Cannes · Reconhecimento internacional · Participação em festivais importantes
- Jesse Buckley HamletVitória de melhor atriz · Desempenho em competições · Prêmio BAFTA · Atuação emocional · Indicador de vitória no Oscar
- Campanhas de Conscientização e PrevençãoInvestimento em campanhas · Atuação de grandes distribuidores · Lançamento em festivais · Estratégia de visibilidade
- Cinema e SériesRepresentação feminina · Falta de diretoras premiadas · Histórico de exclusão · Diretora de Hamlet não venceu
- Visibilidade e mobilização socialCuriosidade do público · Engajamento em redes sociais · Conversas fora da sala de cinema · Alcance de audiência
- Categoria de Direção de ElencoCategoria inédita · Primeira edição · Expectativas · Desempenho
Já conversamos com você aqui no Jornal da CBN sobre a festividade do Oscar. Uma batalha após a outra foi um grande vencedor nessa temporada de 2026. Levou seis estatuetas, melhor filme, melhor roteiro adaptado, edição, aquela categoria inédita, direção de elenco. Depois pecadores, vem na sequência, quatro vitórias também, participação importante. E a expectativa que havia dos brasileiros em relação ao agente secreto ficou frustrada porque se esperava uma das estatuetas
estávamos concorrendo nas quatro indicações e também, quem sabe, até em fotografia, na quinta participação brasileira. Infelizmente, a estatueta não veio e o que fica deste Oscar? Para conversar conosco sobre este assunto, nós convidamos a Aline Pereira, que é editora-chefe do Adoro Cinema. Aline Pereira, bom dia para você. Oi, bom dia, tudo bom? Tudo bem, obrigado pela gentileza de atender o nosso convite. Eu pergunto a você sobre o que fez com que a gente secreto não conquistasse, pelo menos,
uma das estatuetas que estava concorrendo? Olha, infelizmente, apesar de toda a nossa torcida, que não foi pouca, acho que acabou dando a lógica nessa edição. Foi um ano complicado, com muitos concorrentes bem fortes. Nas categorias de atuação, a gente já tinha alguns vencedores um pouco mais anunciados, digamos assim.
que é a categoria de elenco, que é uma categoria inédita, foi a primeira vez, então a gente não tinha muito como avaliar, não tinha o histórico para avaliar, a gente tinha esperança de que pudesse ganhar, mas a gente veio num ano em que uma batalha após a outra, que foi o filme que ganhou o prêmio de melhor filme esse ano, veio muito forte em outras categorias também, isso acabou atrapalhando, infelizmente, o desempenho do nosso agente secreto. Agora, em outras categorias, nós não tivemos grandes surpresas,
Por exemplo, agora há pouco a gente estava conversando aqui com a Miriam Leitão a respeito do Hamnett e estava lembrando a protagonista, a atriz Jessie Buckley, que ganhou o prêmio e essa era uma vitória que já era esperada, né? Ah, com certeza. Essa, acho que entre todas as categorias, a vitória dela era a mais certa, né?
Quais o filme passou. E recentemente ela venceu também. O Actors Award. Que é um indicativo muito importante. Que geralmente. Indica quem serão os atores. Premiados no Oscar também. Porque compartilha. O mesmo número de votantes. São as mesmas pessoas que votam. Então a categoria dela. Entre todas era mais certa. E acho que merecido também. Ela fez um excelente trabalho. Acho que Raminate foi um filme que. Sensibilizou muita gente.
E muito disso veio de uma atuação muito emocionante, muito emocional da Jessie Buckley. Aliás, eu esperava também que a diretora do filme fosse conquistar o prêmio, que acabou não acontecendo. É triste, né? Porque a gente tem pouquíssimas mulheres diretoras indicadas na história do Oscar. A Chloe Zhao, que é uma excelente diretora, foi uma das primeiras. Há alguns anos atrás, ela já apareceu com Nomadland, que é outro filme excelente.
Mas, como eu falei, esse ano, Uma Batalha Após a Outra, veio se destacando lá desde o começo da temporada, desde a sua estreia. O Paul Thomas Anderson é uma figura muito querida em Hollywood, com muito prestígio, com um longo histórico. Então, é difícil que quando um filme dele apareça, o filme vá sair de mãos abanando. Então, Uma Batalha Após a Outra era a grande marca desse ano mesmo.
para o cinema brasileiro após essa edição do Oscar e tanto destaque que se teve ao longo de toda essa jornada das premiações anteriores ao Oscar, mas também em função da festa americana? Olha, eu acho que apesar de a gente não ter conquistado prêmios esse ano, isso não é motivo para a gente se abater. Desde o ano passado, com as indicações de ainda estou aqui, não faltam motivos para a gente se orgulhar desse alcance que o cinema brasileiro
realmente está conseguindo. A gente sempre soube que o cinema brasileiro é de altíssima qualidade e é maravilhoso ver como o mercado internacional, o mercado hollywoodiano também se abre ao nosso cinema. Não é só um prêmio, acho que é um grande reconhecimento, é uma porta muito grande e aberta para o nosso cinema que pode incentivar outros cineastas, novos atores, novos artistas, fomentar políticas públicas.
Então, essa expansão da nossa fronteira, ela é muito importante, além de, é claro, levar a nossa cultura, que é tão diversa, é tão rica, é tão bonita, para o resto do mundo conhecer, porque a gente sabe o quanto é bom. Agora, Aline, além da qualidade das obras, claro, a que mais a gente poderia atribuir essa evolução que o Brasil vem tendo nos últimos dois anos no Oscar, em termos de indicação, em termos dos resultados que a gente tem conseguido, para além dos prêmios, de fato.
Porque embora esse ano, por exemplo, a gente não tenha tido prêmios, a gente teve muita visibilidade. O Agente Secreto foi muito assistido no Brasil, fora do Brasil também. Para você, o que está ajudando nesse processo de a gente ser mais reconhecido no Oscar? Olha, eu acho que a gente tem tido mais incentivo para essa produção nesses últimos dois anos. Depois de a gente ter passado alguns anos anteriores muito enfraquecidos,
quanto por um período de pandemia, né? Que paralisou tantas indústrias, inclusive a audiovisual. E acho que nesses últimos anos a gente vem nessa toada de retomar a ida ao cinema. E aí a gente vem com grandes filmes, como ainda estou aqui, como agora com Agente Secreto, que trazem grandes diretores e grandes elencos, né? Elencos, atores muito queridos, muito conhecidos, que fazem trabalhos excepcionais.
Tem também os grandes estúdios por trás, as grandes distribuidoras por trás para investirem em campanha, para levarem esses filmes para festivais internacionais. No ano passado, o Ainda Estou Aqui teve muito destaque lá no Festival de Veneza, que é um festival muito importante. Agora, nessa última temporada, o Agente Secreto foi bastante premiado, bastante reconhecido no Festival de Cannes. Então, a gente tem essa campanha mais forte para esses dois últimos filmes.
E com reflexo na bilheteria dos filmes aqui no Brasil, ou seja, com maior participação de público no cinema brasileiro?
As pessoas estão indo ao cinema. E aí, como eu falei, ter toda essa visibilidade, ter um filme indicado ao Oscar, ter um filme aparecendo em festivais internacionais, só contribui para que o nome do filme, para que a história chegue em mais pessoas e desperte a curiosidade mesmo. De fazer assim, vale seu ingresso, vá ao cinema assistir, porque está todo mundo assistindo, nem que seja para fomentar a conversa fora da sala de cinema. Acho que isso é muito importante.
em si que você assistiu ontem, qual é a sua opinião? Gostou dela de uma maneira geral? Achou que faltou alguma coisa? Além das estatuetas para o Brasil? Enfim, qual é a sua opinião aí? Olha, eu tô aqui em Los Angeles, inclusive eu vim cobrir o Oscar em loco aqui. Fiquei lá na sala de imprensa junto com os jornalistas internacionais durante a cerimônia. Tava gostando muito no começo, sabe, assim, da apresentação
do Conan O'Brien, tava achando o monólogo dele bem assertivo, assim, bem ácido, e aí depois eu senti que essa parte mais do entretenimento deu uma apagada, assim, geralmente a gente tem grandes performances, né, durante o Oscar, esse ano a gente teve a apresentação de Golden, né, que foi a música da animação Guerras do K-Pop, que ganhou o prêmio de melhor canção original, mas fora isso a gente teve poucos momentos, assim, daquela, aquele entretenimento, sabe, aquela interação,
apresentações, alguma coisa assim, sentir um pouco de falta disso nessa edição do Oscar. Muito obrigado, Aline Pereira. Um bom dia pra você. Muito obrigada. Aline Pereira, editora-chefe do Adoro Cinema, conversou conosco. Ela, como disse, estava lá em Los Angeles, acompanhando de pertinho toda esta cerimônia que se realizou ontem à noite.