Reunião do Copom: BC deve começar cortes de juros em 25 pontos, analisa economista-chefe do Banco Bmg
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- Decisão do Copom sobre JurosCorte de juros de 25 pontos base · Redução da Selic · Ciclo de cortes em 2026 · Sinalização do BC para próximas reuniões · Impacto da guerra nas decisões monetárias
- Desempenho EconômicoDesaceleração da atividade econômica · Evolução das expectativas inflacionárias · Taxa de inflação em 15% · Cenário de médio prazo · Espaço para cortes de juros ao longo de 2026
- Conflito EUA-IrãAumento de incerteza econômica · Volatilidade do preço do petróleo · Inflação de curto prazo · Mudança de cenário desde janeiro · Risco de escalação de tensões
- Investimentos FinanceirosCautela diante de incertezas · Evitar decisões de longo prazo em ambiente inseguro · Ganho de confiança no cenário futuro · Ganho de graus de liberdade do BC
Começo de semana, uma semana que tem no campo da economia, o encontro do Copom, que se reúne a partir de amanhã e quarta-feira anuncia a taxa de juros. Qual a expectativa que se tem? Como entender o que pode acontecer? Mudou o que da última reunião do Copom para agora? Para conversar conosco sobre esse assunto, nós convidamos o Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG.
de nos atender aqui no Jornal da CBN. Bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia a todos que estão com a gente hoje no Jornal da CBN. Bom dia. Um dos aspectos que não tínhamos na última reunião do COPOM era uma guerra no Oriente Médio, nos moldes da guerra que estamos assistindo agora. O quanto essa guerra pode realmente impactar na decisão tomada pelo COPOM? Vamos lá. Bom, acho que a guerra aumenta o ambiente de incerteza. A gente já vivia um ambiente de incerteza no campo internacional.
essas questões geopolíticas que estavam no radar já desde a última reunião. Mas de lá da última reunião para cá, a gente veio com uma confirmação de um cenário econômico, na verdade um pouco melhor. Vinha com um cenário de desaceleração da atividade, desaceleração da inflação e alguma reancoragem das expectativas, ainda que parcial. Então a gente pega a Focus, a Focus estava perto de 4, 4 e poucos para esse ano, ano que vem 3,80 e depois indo para 3,5.
Esse cenário então evoluiu favoravelmente e estava teoricamente permitindo o BC,
sinalizar um corte de juros, que foi o que ele fez na última reunião, sinalizou o corte de juros para essa reunião. Tivemos a guerra. O que isso faz? Aumenta o preço do petróleo, aumenta a incerteza e, obviamente, dificulta um pouco o trabalho do Banco Central. Ainda assim, a gente acha que essa semana o BC começa um processo de corte de juros. Agora, de que forma a gente vai perceber essa mudança de perspectiva? Porque antes da guerra, o que se esperava? Que a partir da reunião dessa semana, a gente tivesse aí uma noção
exata do tamanho e da velocidade dos cortes. Agora, esse cenário mudou. Então, o que a gente pode esperar na sua avaliação? Exatamente. A gente imaginava, depois a comunicação do Banco Central e essa evolução favorável que a gente teve de lá para cá, até começar a guerra, o BC já começar o ciclo de 50 pontos com um corte de 50 pontos, ou seja, a taxa de juros cairia de 15% para 14,5% e, muito provavelmente, ele sinalizaria já um ajuste de mesma magnitude para a próxima reunião. Mudou. A gente está com um cenário
Então, agora, o que a gente está imaginando? Que o BC vai começar o processo, um processo com 25 pontos, então, ele começa mais devagar, de maneira mais comedida, a taxa selic cai, então, para 14,75 e, provavelmente, ele deixa a cinalização aberta, porque a gente está em um ambiente de maior incerteza. Então, ele prefere, a gente chama de ganhar graus de liberdade e fica com mais opções na manga. Se continuar o cenário mais adverso, ele vai dar um outro corte de 0,25.
final de abril melhorar, ele pode acelerar pra um corte de cinquenta pontos. A ideia é mais ou menos essa. Então, aumentou a incerteza, ele prefere ficar sem muita sinalização e esperar a evolução do cenário pra tomar a sua melhor decisão. Deixar a taxa como está não seria uma opção, considerando que ela parte de um patamar muito alto, mesmo diante de uma guerra. Exatamente. A gente entende até que existe esse risco, né? Mas o mais provável mesmo é o Banco Central começar a cortar. A gente já falou um
mais favorável de inflação e, mais importante, a taxa de juros está em 15%. Então, a gente vai pegar o cenário de guerra, ele é um cenário que fica mais circunscrito ao curto prazo. Então, ele vai trazer volatilidade, ele pode aumentar a inflação no curto prazo, mas a ideia é que o cenário de médio prazo não se altera muito. Então, o que a gente está imaginando o BC mais conservador, mas ele ainda tem espaço para cortar juros ao longo desse ano.
Então, talvez por isso que não mude tanto. Claro que a gente pode falar de um cenário, como a gente está falando de guerra,
e a gente pode ter aumento das tensões, eventualmente o preço do petróleo subindo muito mais. Ele poderia até parar antes o processo, mas acho que tem um certo espaço para corte de juros que ele não se altera. O BCC só vai tomar um pouco mais de cuidado para fazer esse processo. Para quem é investidor nesse momento, está olhando todo esse cenário na expectativa do que vem na quarta-feira, qual é a recomendação? Cautela. Assim como o Banco Central tem sinalizado,
hoteloso, esperando a gente ter um cenário que é mais incerto, então tentar ser precavido e evitar aí decisões de médio e longo prazo num ambiente mais incerto, né? Eu acho que com o tempo a gente vai ganhar confiança no cenário, na evolução, as taxas de juros vão cair, a gente vai entrar num cenário que teoricamente é um pouco mais favorável pra ativos financeiros. Flávio Serrano, muito obrigado pela sua avaliação e sua informação aqui no Jornal da CBN, um bom dia pra você. Obrigado e um bom dia a todos. Bom dia.