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Literatura infantil vai além da faixa etária

14 de março de 202616min
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No Páginas da Infância, Janaína Barros fala sobre a relação entre idade e escolha de livros para crianças. Segundo ela, embora a faixa etária seja um critério comum na indicação de leituras, não deve ser usada como limite para o acesso das crianças à literatura.
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Assuntos8
  • Proximos compromissos da SelecaoIdade não deve ser limitador · Faixa etária como recurso comum mas não determinante · Diferença entre capacidade de decodificação e interesse literário · Rompimento de barreiras etárias na leitura
  • Construção de repertório leitor através da curiosidadeOportunidade de construir sentido junto com a criança · Dúvida e curiosidade como motores de aprendizado · Enriquecimento do repertório leitor · Exposição a livros além da zona de conforto
  • Diversificação de formatos e linguagensLivros ilustrados e com imagem · Livros informativos · Poesia e cordel · Teatro · Projetos gráficos inovadores · Livros captulados versus livros sem texto extenso
  • LiteraturaLivro sem idade definida · Direito de se expressar · Ser diferente como narrativa central · Livros fora do padrão · Prêmio PCA · Personagens que não se encaixam em classificações
  • Diversidade em eventos e participaçãoAutores negros · Autores indígenas · Autores internacionais · Representação em obras infantis · Ampliação de perspectivas e janelas de pensamento
  • Resposta ao conceito de Zona de Desenvolvimento ProximalGoogle da dismo · Desafio equilibrado na leitura · Oportunidade de crescimento · Abertura de mundos
  • Leitura como prática familiarLeitura com bebês recém-nascidos · Primeiras impressões e contato com literatura · Transmissão de conteúdo e vibração emocional · Responsabilidade do comunicador com o público invisível
  • Literatura indígena e infantilAutores indígenas como sugestão · Continuidade de produção de conteúdo · Representação indígena na literatura
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Páginas da Infância, com Janaína Barros. Ela tá mais cedo comigo hoje aqui, Janaína Barros. Boa tarde, Jana. Boa tarde, Petra. Boa tarde também aos nossos ouvintes. Livro tem idade, Jana? Eu já estou vendo... Olha, eu tô vendo um livro aqui, que inclusive eu acho que ele é de uma... Ela foi professora da IAEL, sabia? É a Lígia, se não me engano. Outro dia ela tava com esse livro, ela falou tanto desse livro, a IAEL.

Conta aí dos livros. E aí é minha filha, tem 10 anos, é leitora, voraz. E a Jana vai trazer aqui pra gente. Livro tem idade, Jana, hoje? Petra, uma dúvida recorrente de muitos ouvintes. Querendo indicação de livro pras crianças, de acordo com a idade delas. E eu acho que é sim um fator, um recurso bastante usado. Talvez um recurso que venha de bem distante. Que a gente sempre conheça e sempre parta dele pra escolher.

escolher as nossas leituras, mas que não deve ser um limitador. E é essa conversa que eu queria ter aqui com os ouvintes hoje. Não limite as suas escolhas pela idade da criança. E tome cuidado também pra que essa leitura não entre numa prateleira do utilitário. Ah, isso é demais, né? Porque a partir da idade da criança, é chato. A gente já consegue saber quem tá alfabetizado, quem não tá. Quem, portanto, já tá conseguindo decodificar quem não tá. Mas isso não é um impedimento.

Ao contrário, talvez seja uma porta aberta para muitas explorações. E é muito... A gente entende, Petra, esse desejo de olhar a criança pela idade, pelo que ela consegue e pelo que ela não consegue. É válido, é ok, mas não vamos parar nisso. Hoje, eu queria dar ideias para a gente avançar.

Crianças, que temos falado muito aqui, nessa idade de virada para a pré-adolescência. Crianças, portanto, que já são autônomas na leitura, já conseguem ler livros de bastante fôlego, livros capitulados, que são independentes e querem texto, o que é também ótimo. Mas não vamos deixar de ofertar outros livros, que são livros que trazem outras linguagens e que trazem outras formas de conhecer mundos e a própria literatura.

livros ilustrados, os livros que têm só imagem, os livros que, porventura, não trazem aquele texto tão grande que elas querem. Não vamos fechar possibilidades. E aí, o que pode acontecer? De repente, uma criança mais nova vai acessar o que ela tem de repertório numa leitura. E tudo bem. O que ela não tiver ainda de repertório vai gerar o quê? Dúvida, curiosidade. Vai gerar o que a gente quer? Conversa. Construção de pensamento.

Troca. Vai gerar uma oportunidade para você construir sentido junto com essa criança e enriquecer o repertório leitor dela. E aí a gente lembra do gugudadismo, aquele termo que eu já falei, que é acunhado pelo Afonso Cruz, o escritor. O que vai acontecer com a criança se a gente der para ela livros para além do que ela está acostumada? Os livros coloridos, os livros com palavras fáceis, os livros com texto,

É confortável. Se a gente der além disso, o máximo que vai acontecer é essa criança falar para além de Gugu Dadá. Veja que importante que é abrir mundos. Então, ao invés de pensar só na idade, vamos pensar nos gostos dessa criança? O que ela gosta? Quais são os assuntos que ela curte? Quais são os assuntos que ela ainda não conhece? Quais são os assuntos que podem gerar curiosidade nela? Esse é um ponto. E se a gente pensar nos aspectos estéticos? Ilustrações. O que ela curte? Ela curte desenho?

Curte pintura, de repente uma aquarela, um lápis de cor, um traço de giz de cera, uma colagem, algo disruptivo que tire ali daquela zona de conforto que ela sempre está acostumada. Algo que agrade, mas também algo que possa ser uma boa surpresa. Diálogo com a realidade. Quais são os assuntos pulsantes? Quais são os assuntos que estão inquietando essas crianças? A fase da vida, de repente.

que ela queira conversar com você e que gere uma abertura de mundo. De repente, algo que está no noticiário. Alguma coisa que essa criança já está perguntando recorrentemente. Ela está com curiosidade de saber. A literatura pode ser uma porta de entrada. E isso pode ser uma boa escolha também, para além da idade. Outra coisa é formatos. Formatos de livros diferentes, projetos gráficos diferentes. E aí, relembrar, não vamos nunca abandonar a Pétria.

pelos textos grandes, os livros ilustrados, os livros com imagem, os livros informativos, são livros que a gente já falou aqui, que trazem a informação e o diálogo com a realidade, que não são enciclopédias, e trazem a informação junto com a arte, com o projeto gráfico bacana, poesia, teatro, cordel, amplia, e sempre, algo que a gente não pode esquecer, bibliodiversidade. Quais são as autorias que a sua criança

Será que ela já conhece todos os mundos? Quais são os mundos que ela ainda não conhece? Autores internacionais, autores negros, autores indígenas. Uma baita oportunidade, né? Autores que trazem novas janelas de pensar. A gente não pode se limitar. Pense, a literatura é uma porta aberta, assim, há tanto para explorar. Então, essas são algumas ideias para a gente. Claro, leve em consideração a idade.

se isso é uma preocupação sua. Mas pense que isso não é um fator que vai limitar a leitura da sua filha, do seu filho, da sua família. E para professores também. E para professores também, para educadores. Vamos pensar em novas possibilidades para além da idade. E aí eu trouxe dois livros aqui. Trouxe um, Pétria, que eu acho que conversa bem com isso que a gente estava conversando agora. É um livro sem idade.

Ele chama Ximlop. É do Gustavo Piqueira. Isso é pela editora Joaquina. Eu estou mostrando aqui para quem está vendo nas transmissões uma capa vermelha. Ximlop é o título grande em letras pretas. Dois olhos e um nariz. Alguma feição aqui. Esse livro não tem idade definida como muitos dos trabalhos do Gustavo. Ele faz questão de dizer isso. Não é um livro que é só pensado para as infâncias.

para a infância, na hora que ele está fazendo e pensando neles. É uma conversa que interessa muita gente. E aqui ele fala sobre o direito de se expressar, Petra. O direito de falar o que a gente pensa, de estar no mundo, de ser o que somos e de, talvez, lidar e estar aí confortável com as nossas particularidades. Eu fui ouvir o Gustavo sobre a ideia de fazer esse livro. Vamos ouvir o que ele conta? Bom, a ideia do livro, na verdade, assim, é difícil de dizer,

onde vem, né? Meus livros normalmente não surgem de uma ideia específica. Mas a minha produção toda de livros é uma produção que não é de livros voltados para a infância, né? Na grande maioria. Ela é uma produção voltada para livros. Meus livros são livros fora do padrão. Livros que normalmente você não consegue encaixar numa ou outra categoria e que muitas vezes até brincam com essa ideia das categorias. Então, esse princípio do livro fora do padrão é um tema que, no fundo, é um grande norte.

da minha produção. No caso do Chimilope, o que eu fiz foi tentar tornar isso, que normalmente não vem como narrativa, ele vem no livro em si, mas a narrativa é sobre outras coisas. No caso do Chimilope, eu tentei tornar isso a narrativa, a narrativa em si. Mas o tema do fora do padrão, de poder agir, pensar e se expressar, pensar não, mas se expressar fora do padrão e como isso hoje em dia está cada vez mais

cada vez menos permitido é algo que está em volta de mim desde sempre. O que ele fala aí é o direito de ser esquisito. Por que não? Nessa sociedade que tem um discurso tão pronto, um discurso tão uniforme e que não está disposto ou a sociedade não está disposta a ouvir o diferente. Pessoas que estão aqui nesse livro, mas que ele diz que são personagens que lembram pessoas

que lembram figuras humanas, mas que ele não quis encaixar em nenhuma classificação. Então, é algo que diz respeito ao humano mesmo. Chega aqui a figura, que é a figura principal, e diz xinlope. Num grupo que fica olhando assim, nossa, mas o que ele está querendo dizer? E xinlope é uma palavra que não diz nada exatamente, como o Gustavo respondeu para a gente aqui na CBN, nessa entrevista. É uma palavra curiosa,

diferente. É uma palavra que vai gerar alguma coisa. Esse grupo aqui só diz A. E é um A que encobre esse chinlope. Aí o personagem vai tentar se comunicar de novo. E esse grupo diz um A que é um A forte. Parece uma gritaria. Parece uma imposição. Então, é algo que tá ali já na sociedade. Tá posto. E ele vai tentando se comunicar com outros grupos. Grupos que falam B. Grupos que falam diferente.

Sempre tem essa grita. Então ele vai silenciar. E vai refletir. E vai falar. Vai ser o que ele quer ser. De um jeito muito forte aqui. E depois ele silencia. Depois de um tempo esse diferente. Vira o normal. Outras pessoas vão falar como ele. E aí vem o novo. Novamente. E a gente vai lidando com esse novo. E vai se colocando no mundo da nossa forma. E vai tentando escutar as pessoas. E também.

escutado. Chinlope, do Gustavo Piqueira, foi premiado pelo APCA esse ano. E é uma baita dica aí pra conversar com crianças de todas as idades sobre... sobre existir, né, Petra? Sobre existir. E aquela coisa, né, lembra? Qual que é aquele do Ziraldo que a gente leu que fala sobre as cores? É o... Flix! Esse, pra mim, ele é... Ele é basal de todas essas...

Toda essa produção atual, acho que influenciou muitos autores e autoras a escrever sobre o diverso. Esse livro é um marco na literatura infantil, né? Ele traz ali as cores como personagens. Ele traz um design diferente do que estava sendo produzido. Ele pensa na criança, no que interessa para a criança. Traz um projeto gráfico incrível. O Flix é um livro que todo mundo deve ter na sua biblioteca, né?

Um bônus, muito rapidinho aqui. Ouvintes pedindo livros para meninas de 12, de 11, de 13. Eu me lembrei tanto desse livro ultimamente nas discussões que a gente tem sobre ser menina, sobre ser mulher, sobre estar no mundo dessa forma e sobre sofrer tantas violências. A Bolsa Amarela, da Lígia Bojunga. Está aí uma outra oportunidade para conversar com as crianças, ler autores clássicos, autores que têm uma obra, um grande repertório,

A Lígia traz aqui a Raquel, que é uma menina que tem três grandes vontades que ela coloca dentro dessa bolsa, porque ela não quer muito mostrar, ela não sabe como lidar com isso. A de ser gente grande, a vontade de ter nascido menino, porque ela entende que o menino tá num mundo de uma maneira diferente. Ele pode se colocar, ele não tem medo, ele pode ser o que ele é. E o desejo de ser uma escritora.

com essas três grandes vontades que ela guarda nessa bolsa amarela. E ela vai... Olha que fofura, um bebê aqui nos ouvindo no Páginas da Infância, ouvinte que manda uma foto pra gente aqui. Então, deixo a bolsa amarela como um bônus de hoje. A Raquel vai lidando aí com essas vontades, vai se entendendo no mundo, vai amadurecendo. E como ser criança, passar pra adolescência é uma dor.

até se entender, até achar o seu lugar, até poder se expressar, como a gente trouxe aqui no Chinló. Maravilhosa! Janinha, se você quiser mais, tá lá no Beijo Naína. Eu faço aqui questão de falar do Francesco, ele que mandou essa foto. Aperta, eu tô aqui com o meu recém-nascido, em Campo Grande, vendo páginas da infância, o Revista CBN, ele tá assim com o nenenzinho no colo e vendo a gente na tela, na TV dele, no quarto do bebê. Olha que coisa mais maravilhosa!

Leia com o seu bebê. Leia com o seu bebê. E isso, essa foto que ele traz aqui pra gente, me faz lembrar ainda mais da responsabilidade que a gente tem aqui de trazer boas palavras. De trazer, junto com o que a gente informa pra vocês, vocês estão aí ouvindo no rádio agora, a gente trazer informação, mas também trazer a vibração do nosso coração pro que a gente leva pro outro lado do rádio. A gente não sabe quem tá ouvindo,

E às vezes pode ser um bebê recém-nascido que tá recebendo as primeiras impressões do mundo dessa forma. Obrigada pela audiência e obrigada, Janinha, pelas dicas de hoje maravilhosas. Se você quiser mais ou perdeu alguma coisa, vai lá no arroba Beijo na Ina no Instagram, que a Jana deixa tudo arquivado e as dicas esmiuçadas pra você também nas redes sociais. Beijo, meu amor. Beijo, até a próxima semana. Mandem perguntas, mandem sugestões. Ouvinte pedindo aqui livros de literatura indígena.

de autores indígenas. Já trouxemos, mas Diana vai trazer mais. Já trouxemos e vamos trazer mais. Dúvidas, sugestões, questões, arroba beijanaína, onde essa conversa sempre continua durante a semana.