Oscar 2026: crítico vê disputa equilibrada entre 'O Agente Secreto' e 'Valor Sentimental'
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- Agente SecretoDireção de Kleber Mendonça Filho · Atuação de Wagner Moura · Cenário do Recife · Indicações brasileiras · Circuito de festivais
- Atuação de Lucia na políticaO Agente Secreto vs Valor Sentimental · Chances de vitória equilibradas · Campanha de O Agente Secreto · Prêmios precursores (BAFTA, Producers Guild)
- Cinema BrasileiroImportância de campanha ativa · Circuito de festivais · Distribuição internacional · Dificuldades históricas do Brasil · Mudança com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto
- Chances de Wagner Moura - Melhor AtorQuebra de estatísticas · Atuação impecável · Falta de indicação BAFTA · Filme em língua não-inglesa · Presença em Hollywood
- Oscar e Prêmios de CinemaDomínio de Dune: Parte Dois · Ascenção de Conclave · Vencedor de BAFTA e Producers Guild · Incerteza até última semana · Possível surpresa
- Internacionalização de instituiçõesNovos membros de fora do circuito anglófono · Aumento de membros latinos · Filmes em língua não-inglesa como prioridade · Impacto do filme Parasite
- Brasil no OscarDois prêmios de filme internacional em sequência · Motivação para novos produtores · Visibilidade em redes sociais · Mudança estrutural da indústria · Engajamento brasileiro nas redes
- Adolpho Veloso FotografiaQualidade do trabalho · Falta de prêmios precursores · Favorito é Dune: Parte Dois · Quebra de estatísticas improvável
- Nova Categoria - Seleção de ElencoPrimeira edição no Oscar · Falta de prêmios precursores · Reconhecimento para O Agente Secreto · Precedentes desconhecidos
Vamos de Oscar? Sim, tem Oscar no domingo e nós agora há pouco falamos lá do Recife, já mostrando a expectativa que existe em torno deste Oscar, especialmente pelo agente secreto que tem a cidade do Recife como seu principal cenário. Será uma série de atividades por lá, mas o Brasil inteiro evidentemente está de olho neste Oscar que tem cinco indicações brasileiras. O agente secreto é o principal destaque, tem o Adolfo Veloso também, fotografia,
Enfim, para entender quais são as possibilidades de vitória nas categorias em que estão concorrendo, a gente vai buscar a palavra de um especialista. Valdemar Dalianogari, professor universitário, crítico de cinema. Prazer falar com você aqui no Jornal da CBN. Muito obrigado pela sua gentileza de ter aceitado o nosso convite. Bom dia. Olá, muito bom dia. Obrigado pelo convite. Sempre bom falar sobre Oscar, especialmente em mais um ano que o Brasil está em alta. No ano passado nós tivemos essa onda de ainda estou aqui.
com Agente Secreto, também com Adolfo Veloso para fotografia. Então é tudo para ser um Oscar, mais uma vez, muito bonito, com destaque para o cinema brasileiro. E é claro que a expectativa fica em torno de quais das categorias o Brasil tem mais chances de uma estatueta. É possível se ter esta ideia neste momento ou realmente é uma disputa muito equilibrada em todas elas? Eu acredito que dá para a gente entrar no Oscar, por exemplo,
vez pela categoria de filme internacional. Filme internacional é diferente do ano passado, que ainda estou aqui, estava em alta e tinha todas aquelas polêmicas com Emília Pérez. Nesse ano, Valor Sentimental é um filme que tem mais indicações e não só isso, ele venceu o prêmio precursor, que é o BAFTA, e ele estava indicado para o Sindicato dos Produtores. Então, pegando prêmios do Indústria, Valor Sentimental tem um favoritismo teórico, só que as duas últimas semanas de exibição de um agente secreto nesse período de votação foram extraordinárias.
repercussão, toda a base justamente de conseguir colocar o Agente Secreto em alta pelo estúdio. Então foi muito, muito, muito interessante. Eu estava acompanhando de perto e me deixa com a impressão de que para filme internacional Agente Secreto contra Valor Sentimental é uma disputa 50-50, em que tudo pode acontecer e realmente o Brasil pode ganhar esse Oscar. Por outro lado, nós vamos ter uma nova categoria, que é seleção de elenco. E essa categoria é a primeira vez que vai acontecer no Oscar.
para a gente ter ideia do que é precursor para essa categoria, apesar de ter um sindicato que pecadores vencem essa categoria, mas como é a primeira entrega, seria muito bonito ver o reconhecimento para o agente secreto pela forma como é feita a seleção de elenco. Então eu dissacaria essas duas categorias inicialmente. Claro que a torcida também no Brasil é gigantesca para o reconhecimento do Wagner Moura, que está impecável em um agente secreto. Eu até estou comentando aqui,
que se o Wagner vencer melhor ator, é a maior vitória de todos os tempos, porque ele quebraria com todas as estatísticas. Tem uma estatística, por exemplo, que nunca um ator venceu essa categoria sem ter uma indicação para o BAFTA, que é o prêmio da Academia Britânica, ou para o prêmio do Sindicato dos Atores. Então, seria épico ainda mais para uma atuação de um filme em língua não inglesa. Ou seja, é um Oscar que o Brasil vai entrar com chances de vitória.
O Agente Secreto falou recentemente uma coisa que eu concordo, que só não dá para ficar frustrado se o Brasil não vence nada, porque realmente a competição é gigantesca e o Agente Secreto fez um circuito incrível nessa temporada. E, Valdemar, aparentemente o Brasil vem fazendo a lição de casa. A partir do que a gente teve já no ano passado, com a Fernanda Torres, com Ainda Estou Aqui, a gente vem conseguindo muita projeção dos filmes indicados.
Exemplo nestas categorias. No caso do Agente Secreto, mais uma vez, a exemplo do que aconteceu no ano passado, o filme está sendo muito visto, muito comentado. E o Wagner Moura tem tido ali um trânsito em Hollywood, que é impressionante, né? É verdade, sem dúvida alguma. No caso de Ainda Estou Aqui, na temporada passada, foi gigantesco alcance e o interesse. A indústria de cinema quer ver filmes brasileiros, né? E existia, até o caso de Ainda Estou Aqui, mais ou menos que uma visão de que o Brasil estava com dificuldade.
Tinha dificuldade de colocar filmes em festivais internacionais, ter campanha. Os próprios filmes que eram indicados do Brasil para o Oscar para representar o nosso país, eles tinham muita dificuldade de captação de recursos. Ainda estou aqui, claro, que tem um Walter Salles envolvido. Corta para o ano seguinte, nós temos mais um diretor, que é o Kleber Mendonça Filho, de renome envolvido. E eu acredito que tudo que está acontecendo nesses dois anos, em que o Brasil tem uma possibilidade histórica, raríssima, de conseguir, por exemplo, dois prêmios de filme internacional,
em sequência, serve também para motivar novos produtores, diretores, roteiristas, de que é possível fazer um circuito internacional, existe caminho para fazer esse circuito, e que, claro, tudo depende de investimento, de campanha, tudo depende de você conseguir uma distribuição, mas que é uma diferença que eu considero muito relevante com o que vinha sendo feito pelo Brasil. Na era das redes sociais, pela primeira vez o Brasil foi ter uma indicação no ano passado,
E a gente vê cada vez mais agora, por exemplo, entrando no perfil da academia de cinema, em diferentes redes sociais, que qualquer post que tem o Brasil viraliza de uma maneira única, porque o Brasil é mestre nisso, é engajamento. Então, eu vejo que isso não só dá visibilidade para o cinema brasileiro, como eu penso que internamente, para a nossa indústria de cinema, tende a motivar para mostrar que é possível, tem um caminho possível. E eu torço que exista essa mudança estrutural para a mentalidade,
para daqui a 10 anos a gente não ficar como se isso aqui, o agente secreto, fosse em meras notas de rodapé. E, Valdemar da Helena Gari, essa maior participação, por exemplo, dos filmes brasileiros ou das indicações do cinema brasileiro, isso passa também por mudanças que o Oscar fez nesses últimos anos, inclusive nos seus critérios em termos de escolhas? Eu diria, eu citaria duas mudanças. A primeira mudança, concordo com você, é interna do Oscar.
mas adotando um processo de internacionalização. Antigamente os novos membros eram mais do circuito anglófono, Estados Unidos, Reino Unido, e agora os novos membros são membros de fora desse circuito. Isso faz com que a academia tenha cada vez mais latinos, ela traga justamente pessoas de outros continentes que não estavam entrando. Então isso facilita muito o processo também de assistir filmes,
em língua não inglesa como prioridade. O caso de Parasita vencendo o melhor filme é uma marca definitiva nesse pensamento. E a outra questão para a valorização dos filmes brasileiros, eu acho que é a nossa ideia interna de... E é isso que precisaria mudar, e que está mudando, eu acho que não adianta o Brasil só ter um filme muito bom, e é o que estava acontecendo em alguns casos, e chegar e falar assim, olha, a academia vai reconhecer o filme porque o filme é muito bom, e você não faz campanha,
você não faz absolutamente nada. O Brasil enviava os filmes contando que a academia iria achar bonito e iria indicar. Se a gente pegar, por exemplo, o caso de O Agente Secreto, o filme estreou no Festival de Cannes do ano passado, em maio venceu dois prêmios, e a partir do mês de setembro, de setembro a fevereiro, a campanha é contínua. Do Kleiber Mendonça Filho em sessões fechadas, debatendo o filme, colocando o filme para festivais, o Wagner Moura cada vez mais no circuito dos Estados Unidos,
mostrando filme também, participando de programas, ou seja, tudo isso é necessário. O Oscar, querendo ou não, acaba sendo uma espécie de jogo político, nesse caso, em que você vai ter, por exemplo, 300 filmes que estão aptos para concorrer para melhor filme, só que desses 300 filmes aptos, você sabe que vai acabar enxugando uma lista para uma lista bem pequena. Então, colocar isso como prioridade, fazer todo esse circuito de campanha é determinante. O Brasil estava com muita dificuldade para isso.
o que ainda estou aqui foi uma mudança considerável e o Agente Secreto continuou nesse viés. Em relação ao prêmio principal de melhor filme para você, quem chega forte nessa disputa? Nesse ano nós tivemos até duas semanas atrás um domínio impressionante de uma batalha após a outra do Paul Thomas Anderson, que assim, o filme estava vencendo absolutamente tudo. Quanto a prêmios da crítica, quanto a prêmios da indústria, tinha vencido o BAFTA, venceu o sindicato dos produtores,
eu ainda considero favorito, mas eu preciso citar aqui que no prêmio do Sindicato dos Atores venceu o Pecadores, que é do Ryan Coogler. E essa última semana de votação do Oscar mostrou uma alta de pecadores, de modo que apesar de uma batalha após a outra ainda ser considerado, e eu considero ainda o favorito para o Oscar de melhor filme, não dá para chegar como era no caso do Oscar de Oppenheimer, que a gente já sabia tudo o que ia acontecer, que Oppenheimer ia vencer o Oscar de melhor filme. Eu acho que daria para
num filme correndo por fora e esse filme seria Pecadores. Valdemar Délio Magari, claro que nós temos toda uma expectativa em torno de agentes secretos porque são quatro indicações. Agora, Adolfo Veloso com fotografia no filme Sonhos de Trem. Pode surpreender? Esse é um trabalho lindo do Adolfo Veloso. O Sonhos de Trem lançou em janeiro de 2025. Nós estamos em março de 2026 com o Oscar e é muito difícil sustentar um circuito por mais de um ano.
A questão da categoria de fotografia é que aí entram justamente esses prêmios precursores que eu falei. E todos os prêmios precursores da indústria foi para Uma Batalha Após a Outra, do Paul Thomas Anderson. Então, Uma Batalha Após a Outra é super favorito para vencer fotografia. E no caso de uma vitória do Adolfo Veloso, quebraria com todas as estatísticas também. Apenas uma vez na história, um filme vence fotografia sem ter os prêmios precursores, pelo menos um prêmio precursor na categoria.
E aí nós estamos falando de dois sindicatos e da premiação do BAFTA, da Academia Britânica. Então é um trabalho lindo, mas não entra como favorito. E se o Adolfo vencer, seria até pela história do Oscar considerado um azarão. Valdemar, muito obrigado pela gentileza de nos atender. Obrigado por compartilhar o seu olhar, seu conhecimento sobre o tema e boa cobertura. Valeu, muito obrigado. Um grande abraço, um ótimo dia. Obrigado. Valdemar Dahlia Nogari conversando conosco, crítico de cinema.
Nós teremos uma cobertura especial também aqui na programação da CBN. Tati vai estar no comando, Tati Vasconcelos vai estar no comando do programa, com especialistas, comentaristas, tudo sendo relatado para você, esteja você onde estiver, você estará bem informado com as disputas do Oscar. E claro, claro, você também é nosso convidado a participar do bolão mais tradicional, bolão do Oscar mais tradicional do rádio brasileiro, o bolão do fim de expediente.
.com.br, você encontra lá o formulário para preencher as categorias. Não encontrou? Não tem problema nenhum. Manda seu WhatsApp para cá, 99911-9981-DDD11. A gente manda o link para você. Nós queremos a sua participação nas categorias que estão em jogo lá no bolão do fim de expediente. Melhor filme, fotografia, ator, atriz coadjuvante, filme internacional e melhor figurino.