Inovação na saúde pública: SUS realiza primeiras telecirurgias robóticas
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- Telecirurgias Robóticas no SUSPrimeira realização de telecirurgias robóticas no sistema público · Procedimentos realizados entre 24-26 de fevereiro · Fase experimental e fase clínica do projeto · Cinco cirurgias em cinco especialidades diferentes · Taxa de sucesso de 100% nos procedimentos
- Conectividade e infraestrutura de redeUso de rede não dedicada e não paga · Latência de transmissão de dados · Redundância de bandas (três bandas simultâneas) · Tecnologia 5G como alternativa · Transmissão via fibra ótica · Possibilidade de transmissão via satélite
- Democratização do Acesso a Cirurgias de Alta ComplexidadeRedução de desigualdades regionais · Acesso público versus setor privado · Ampliação do acesso para cidadãos do SUS · Transformação da técnica em economicamente viável
- Segurança e SaúdeRegulamentações do Conselho Federal de Medicina (CFM) · Redundância de sistemas como medida de segurança · Presença de console de backup no local da cirurgia · Contingenciamento automático em caso de falha · Mesmo cenário de segurança em ambos os locais
- O que é Telecirurgia RobóticaDefinição e funcionamento técnico · Diferença entre cirurgia convencional e robótica · Sistema de joystick e braços robóticos · Operação à distância entre locais diferentes
- Cirurgia EsterectomiaCirurgia de cabeça e pescoço com ressecção de nó · Prostatectomia oncológica · Histerectomia em paciente com mioma · Treinamento prévio em modelos de silicone
- Universidades e inovaçãoLiderança de instituições públicas em inovação · Transformação de conhecimento científico em prática · Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (PROMIM) · Apoio institucional e coordenação acadêmica
- Perspectivas Setoriais e TecnológicasImplementação em curto prazo · Expansão para toda a rede pública do país · Escalabilidade e viabilidade prática · Extensão de tratamento de alta qualidade em âmbito nacional
Eu te conto uma grande novidade. Pela primeira vez, telecirurgias robóticas foram realizadas no SUS, Sistema Único de Saúde. Os procedimentos ocorreram no final de fevereiro, entre os dias 24 e 26, e foram conduzidos por equipes da Faculdade de Medicina da USP, a Universidade de São Paulo. Agora, o que é uma telecirurgia robótica e o que significa a realização desse procedimento no âmbito do Sistema Único de Saúde, o SUS?
questionamentos pra gente agora, ao vivo, é o professor Everson Artifon, que é coordenador do Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos, o PROMIM da Faculdade de Medicina da USP. Professor, bem-vindo, obrigada pela participação, bom dia. Bom dia, bom dia aí, Marcela, Guilherme e seus ouvintes da Rádio CBN, realmente é uma grande honra falar com vocês, muito bom dia a todos. Bom dia. Honra é nossa falar sobre isso, queria entender justamente que o senhor começasse do começo, o que é uma telecirurgia
E por que é tão importante esse marco, essa realização desse tipo de cirurgia pelo SUS? Tá certo. Bom, na verdade, quando nós estamos tratando essa matéria, é muito importante a gente chamar a atenção que a telecirurgia robótica no SUS é um marco para a saúde pública e para a transformação digital do Brasil, Marcela. Mais do que uma incorporação de uma inovação tecnológica, sem dúvida, esse movimento sinaliza um caminho concreto, né?
complexidade. Claro que reduzir desigualdades regionais e estruturar modelos replicáveis no SUS, que é o fundamento da academia. E, claro, a telecirurgia robótica, ela reforça o papel estratégico das universidades públicas na liderança e agências estruturantes e na transformação do conhecimento científico em políticas sustentáveis. E por esse motivo, que no começo de fevereiro, nós fizemos, na verdade, a fase um desse projeto,
Nós fizemos, na verdade, esse projeto estruturado exatamente para ter duas fases, a fase experimental e a fase clínica. Na fase 1, nós fizemos no começo de dezembro de 2025, onde 28 cirurgiões capacitados em cirurgia robótica, ou seja, eles tinham experiência entre 50 a 100 cirurgias realizadas em loco.
conectividade da rede. E por que eu te falo a conectividade da rede? Por causa que a gente utilizou uma rede chamada não dedicada, ou seja, uma rede não paga. Exatamente porque o propósito nosso é a gente transformar essa técnica exatamente isonômica pra todo o Brasil. Então, nesse sentido, nessa fase 1, Marcela, a gente verificou que o sinal entre a Faculdade de Medicina da USP, onde se encontrava o
um console cirúrgico, onde fica um cirurgião mexendo de uma espécie de joystick. E os braços robóticos que se encontravam a cerca de 12, 15 quilômetros dali, da faculdade de medicina, no hospital universitário, eles tiveram, olha só que coisa interessante, apenas 12 milissegundos de delay. Então vejam que depois dessa fase que nós, na verdade, percebemos que a conectividade foi plena, nós passamos por uma segunda fase, tá certo, Guilherme?
que é a fase chamada 2 ou a fase clínica. Foi feita em fim de fevereiro, onde foram realizadas cinco cirurgias em cinco especialidades diferentes. Ou seja, foi feita duas pneumectomias oncológicas, foi feita, na verdade, uma cirurgia de cabeça e pescoço, onde foi feita uma ressecção de um nódono e hipofaringe, e foi feita uma prostatectomia oncológica.
da cirurgia, foi feita uma esterectomia em uma paciente com mioma. E o que que foi uma coisa realmente fantástica? Foi que todos esses procedimentos, eles foram feitos com sucesso de cem por cento. Então, na verdade, isso aí representa o papel da instituição, tá certo? Que foi, na verdade, apoiada pela nossa diretora geral, tá certo? A professora Eluísa Bonfá, Guilherme, e coordenado também, não podemos esquecer, pelos professores titulares Giovanni Thierry e professor José Pinhato Tosch.
Muito bom, são ótimas notícias, professor. Bom saber que todas correram bem. E aí eu te pergunto isso, né? É uma cirurgia ainda, foi um processo ainda experimental, foi o início ainda de um processo que a gente espera que possa ser ampliado. Mas eu queria entender o seguinte, essas deram certo e claro que a gente espera que esse programa, a cirurgia robótica, possa ser disponível no SUS com maior facilidade, para mais pessoas.
Qual seria o benefício, tanto para o paciente, quanto para o Sistema Único de Saúde como um todo,
a gente puder passar a ter esse tipo de cirurgia robótica sendo oferecida mais frequentemente no SUS, professor? Exato. A sua questão é realmente muito importante e muito relevante, porque vale a pena a gente chamar a atenção que hoje em dia a grande parte das cirurgias robóticas convencionais, onde tanto esse console cirúrgico como a torre dos braços robóticos se encontram na mesma sala, eles são feitos normalmente em mais de 90% das situações em hospitais privados.
E pouquíssimos centros no Brasil, nós temos para o sistema público esse tipo de cirurgia robótica. Então, a ideia seria a gente tornar essa técnica isonômica ao paciente SUS, ao cidadão brasileiro, o que é uma coisa realmente bastante complexa. Obviamente que envolve várias situações estruturantes, envolve, na verdade, não apenas a academia, mas também os nossos governantes.
Tá certo, Guilherme? É a gente tornar essa técnica que é restrita à área, digamos que privada hoje em dia, factível ao paciente, ao cidadão do SUS. Essa é a ideia. Muito bom. Importante ter esse acesso, ainda mais porque são cirurgias de certa complexidade, ou melhor, de alta complexidade. Isso, exatamente. Agora, quais são os procedimentos de segurança? Pergunto isso porque tem algumas mensagens chegando aqui. Estamos falando de São Paulo, querendo ou não, né?
de Brasil. Há uma preocupação, por exemplo, com uma queda de rede, falta de internet, queda de energia elétrica. Existe, por exemplo, algum funcionário que precisa, algum médico, algum profissional que fique ali de prontidão, caso seja necessário fazer alguma coisa no ambiente onde a cirurgia está sendo realizada. Enfim, quais são todos esses procedimentos de segurança que garantem que esse processo vai ser o mais tranquilo possível?
extremamente relevante no sentido que nós temos que estruturar isso não apenas do ponto de vista técnico-médico, mas você falou muito bem, do ponto de vista de TI, do ponto de vista de engenharia clínica, é extremamente importante. E quando nós estamos tratando desse projeto, da implementação disso aí a nível de sistema público, é muito importante nós definirmos que a estrutura é muito complexa. E por esse motivo, inclusive, que o CFM, que é o Conselho Federal de Medicina,
E pula algumas regras, Marcela, tá certo? Onde você tem que ter pelo menos três bandas funcionando concomitantemente, onde nós temos uma banda mãe e temos mais duas bandas redundantes, que a gente chama, né? Duas bandas redundantes no sentido de que falha uma, temos a outra. Se falhar essa segunda, temos mais uma. E hoje em dia, felizmente, nós temos também a possibilidade da inclusão do sistema 5G, né?
possibilidade do uso das fibras para transmitir essas ondas para a gente operar à distância, temos a possibilidade de 5G. Está tendo alguns estudos hoje em dia que nós estamos tentando também colocar via satélite. Então, as vias de acesso para nós, na verdade, normatizarmos a telecirurgia robótica hoje, tem três canais fundamentados, quais sejam as fibras óticas, a tecnologia 5G e a chamada via satélite de baixo, salvo engano,
parece que de baixa altura, tem um termo técnico que não lembro agora, mas na verdade são ondas que são um pouco mais rebaixadas que vão permitir essa acessibilidade realmente bastante plena. E uma coisa bastante importante lembrar também é o seguinte, quando nós estamos falando de telecirurgia, o mesmo cenário que nós temos no foco da cirurgia é o mesmo que temos que ter no sítio à distância. Por exemplo, quando nós fizemos essas telecirurgias robóticas,
A questão de segurança plena do paciente, nós tínhamos um console na Faculdade de Medicina da USP, que estava este cirurgião principal, e no Hospital Universitário da Faculdade de Medicina também tinha um outro console, onde estavam alocados os braços robóticos. Ou seja, se na comunicação desse console que estava na faculdade tivesse qualquer problema com esse braço robótico que estava no HU, automaticamente o console que estava em loco no HU assumiu.
a cirurgia. Então, pro paciente é 100% seguro. Professor, muito rapidamente pra gente encerrar num cenário otimista. Em quanto tempo que a gente pode sonhar com o aumento desse tipo de cirurgia na rede pública de saúde do país? Olha, eu acho que em poucos anos, em poucos anos, eu acho que isso aí vai ser uma coisa realmente bastante prática e viável. Agora, quanto tempo exato é extremamente complexo, mas eu acho que estamos realmente bastante próximos aí, Guilherme. Que bom. Que bom. Boa notícia. Boa notícia.
É isso. Quanto mais a gente puder estender o tratamento de alta qualidade, de ponta, pra todos no país inteiro, melhor. Professor Everson Artifon, coordenador do Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos da Faculdade de Medicina de São Paulo, na Faculdade de Medicina da USP, é também um dos coordenadores desse projeto de telecirurgia robótica, explicando pra gente todos esses detalhes a respeito desse inidetismo, né? A telecirurgia robótica realizada pelo SUS.
obrigada. Até uma próxima oportunidade. Feito. Então, forte abraço pra vocês, Guilherme e Marcela. Grande abraço. Bom dia a todos. Muito obrigado. Bom dia.