Disponibilização de 400 milhões de barris de petróleo é solução a curto prazo para conter preços, diz especialista
- Preços de Combustíveis e PetróleoMedida inédita da IEA · 400 milhões de barris liberados · 32 países membros · Contenção de preços no curto prazo · Impacto limitado no mercado estrutural · Total de reservas disponíveis (1.2 bilhões de barris)
- Conflito EUA-IrãAgressão militar dos EUA e Israel · Ataques do Irã e ameaças de preço em 200 dólares · Ataques a navios no Golfo Pérsico · Incerteza política e volatilidade de preços · Prejuízos sociais e humanitários · Diplomacia como mecanismo de resolução
- Estreito de OrmuzBloqueio do Estreito de Hormuz · 20-25% do petróleo mundial circula pela região · Restrições à passagem de navios petroleiros · Riscos à segurança energética global · Necessidade de novas rotas comerciais
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinDisputa geopolítica por combustíveis energéticos · Novas rotas comerciais de petróleo · Importância do Catar como produtor de gás natural · Aceleração de produção em países exportadores · Mercado de GNL (Gás Natural Liquefeito)
- Mudanças TecnológicasGradualism das transformações · Limitações de mecanismos de curto prazo · Necessidade de longo prazo para estruturação
- Energia ElétricaImportância para crescimento soberano das economias · Autonomia energética · Natureza estratégica do sumo energético
- Seguranca MaritimaTrump e uso moderado de reservas americanas · Diferença entre abordagem dos EUA e IEA
Nós temos agora nove horas e nove minutos. Vamos voltar a olhar para os impactos econômicos da guerra que está ocorrendo no Oriente Médio. Dentro do noticiário, no campo da energia, do petróleo, a Agência Internacional de Energia adotou uma medida inédita no seu maior liberação de reservas de petróleo da história para segurar a alta do preço. 400 milhões de barris de suas reservas de emergência. E, por outro lado, o comando militar do Irã afirmou, após os ataques,
mais três navios ali no Golfo Pérsico, que o mundo deve se preparar para o petróleo atingir 200 dólares por barril. Para conversar conosco sobre este assunto, nós convidamos Mahatma Ramos dos Santos, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Mahatma Ramos dos Santos, muito obrigado pela sua gentileza de nos atender aqui no Jornal da CBN. Bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
e com os ouvintes da CBN. Bom dia. Mahatma, essa declaração do Irã deve ser entendida como parte da estratégia de guerra, pressão geopolítica, ou existe de fato um cenário econômico, energético, que poderia levar o preço do petróleo a esse patamar histórico? Bom, Milton, gostaria de começar repudiando essa agressão unilateral dos Estados Unidos, de Israel contra o Irã. A guerra é um instrumento de resolução de conflitos muito primitivo, mas que ainda hoje, infelizmente,
comunidade internacional. Então, até o momento que a gente observa, é um saldo dessa guerra de elevação das incertezas geopolíticas globais, um aumento das incertezas e volatilidades dos indicadores econômicos, em especial do preço do petróleo, e também prejuízos sociais de humanos incalculáveis. Eu acho que, como você bem mencionou na chamada, há um esforço dos principais países produtores de petróleo, que compõem
OPEP, também do G7, de disponibilizar parte das suas reservas estratégicas de petróleo para minimizar, eu acho que ao menos no curto prazo, essa explosão nos preços do petróleo no mercado internacional, mas eu acho que a gente tem que olhar para isso com muito cuidado. É claro que a extensão desse conflito e a abrangência, se ele vai extrapolar a região do Oriente Médio, se ele vai se restringir a um, a dois, a três ou a quatro países,
isso tudo vai influenciar na volatilidade, no aumento ou não dos preços do petróleo e também no patamar que ele pode alcançar. O que a gente observa hoje é um grau de incerteza muito alto, inclusive porque o esteito de Ormos, que é responsável pela circulação ali, onde circula cerca de 20 a 25% do petróleo que é comercializado no mundo, está com essas restrições. A gente já observou nos últimos dias ataque a navios petroleiros na região.
A gente tem que ter muito cuidado e pensar que o alcance, a extensão temporal dessa guerra vão ser elementos estruturais para a gente acompanhar ou avaliar os impactos no preço do petróleo e suas consequências nos mercados internacionais e no mercado doméstico brasileiro. E neste momento de tanta incerteza, o que representa estes 400 milhões de barris de petróleo que foram liberados por 32 países membros da Agência Internacional de Energia,
das próprias reservas. Qual que é o impacto de uma liberação como essa? Bom, como eu disse, é um impacto que eu acho que ajuda no curto prazo. Hoje, nós temos no mundo uma demanda global de petróleo diário em torno de 100 a 105 milhões de barris por dia. Então, se nós estamos falando de disponibilização de uma reserva em torno de 300 a 400 milhões, esses atores acreditam que esse conflito deve ter uma resolução
deve se minimizar nas próximos dias ou nas próximas semanas. Mas isso não é uma ação que altere estruturalmente o mercado de óleo e gás mundial. Então, eu acredito que eles estão pensando em uma redução ou mitigação dessa aceleração dos preços no curto prazo mesmo. O que são essas reservas e também qual é o tamanho das reservas que existem disponíveis ainda que poderiam ser utilizadas de forma estratégica?
Tocou no ponto, primeiro, que o petróleo continua sendo um insumo energético estratégico para qualquer país, para qualquer economia que pretende crescer de forma soberana e autônoma. O que nós temos de dados hoje é que as reservas desses 32 países girem em torno de 1,2 bilhões de barris de petróleo. Então, elas seriam suficientes para que, se colocadas no mercado ao longo das próximas semanas, minimizassem,
esses efeitos sobre os preços internacionais. Mas, como eu disse, a questão toda não vai ser resolvida apenas com a disponibilização dessas reservas. É preciso uma retomada dos fluxos comerciais na região do Oriente Médio, uma redução da intensidade ou paralisação desse conflito. Como eu falei, a guerra ainda é um instrumento primitivo de resolução de conflitos. Eu acho que a gente precisa retomar um movimento de fortalecimento
instituições multilaterais de diálogo entre as nações. Infelizmente, o Trump retomou uma política externa de guerra, de conflito, e isso prejudica a economia global. Então, acho que é preciso a gente retomar o instrumento da diplomacia como principal mecanismo de combate a essa crise, que tem efeitos econômicos, mas também tem efeitos sociais e humanitários muito severos para todos nós.
do conflito seria a principal iniciativa para a gente ter esse problema resolvido. Mas como neste momento isso ainda parece ser uma coisa distante, existem outros mecanismos de mitigação dessa situação de escassez de combustíveis que a gente já deve começar a sentir nos próximos dias? Bom, o que nós observamos é que no setor de energia, no setor energético global, as mudanças são muito lentas e graduais.
além dessa disponibilidade dessas reservas, que possam impactar de maneira profunda essa questão agora no curto prazo. O que eu acredito é que se esse conflito se prolongar, se estender no tempo, ele vai incentivar, por um lado, aqueles países produtores e exportadores de petróleo a acelerar as suas explorações, produção e comercialização de petróleo, mas também uma reconfiguração das rotas comerciais,
evitar que esse fluxo de petróleo, que normalmente passa, e em alguns casos obrigatoriamente passa pelo Estreito de Ormos, ele encontre novas saídas. Inclusive, isso deve gerar uma disputa geopolítica em torno da comercialização de insumos energéticos, tanto do petróleo quanto do gás natural, que, por exemplo, o Catar, que está nessa região e já foi atingido, é um dos grandes produtores de gás natural do mundo.
implementações também no transporte e comercialização de GNL, que o próprio Estados Unidos é uma das lideranças globais nesse mercado, e é um crescimento ou aceleração da produção nos países produtores de petróleo, assim como no Brasil. Marta Ramos dos Santos, eu quero agradecer a sua análise aqui no Jornal da CBN, compartilhando aí esse olhar e também conhecimento a propósito deste tema. Muito obrigado e um bom dia para você.
Obrigado, Milton. Muito obrigado, Cássia. Bom dia a todos. Obrigada. Mahatma Ramos dos Santos é diretor técnico do Instituto de Estudos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Conversou com você no Jornal da CBN, agora que são nove e dezoito.