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Equiparação com preço internacional do petróleo vai ocorrer em algum momento, afirma Gilberto Braga

11 de março de 202615min
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O preço dos combustíveis, teoricamente, não deveria subir, já que a Petrobras não anunciou reajustes, mas os comerciantes estão se antecipando, afirma Gilberto Braga. Segundo o economista, como o valor interno está defasado, os proprietários de postos sabem que, em algum momento, haverá equiparação com os preços de fora.

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Assuntos5
  • CombustiveisDefasagem de preços internos vs. internacionais · Aumento preventivo nos postos sem anúncio oficial da Petrobras · Especulação dos comerciantes sobre equiparação futura · Defasagem de 85% no diesel e 49% na gasolina
  • Preços de Combustíveis e PetróleoImpacto das declarações políticas de Donald Trump no preço · Conflito no Oriente Médio e pressão sobre cotações · Flutuações entre $70 e $120 por barril · Preço atual em torno de $87-80 por barril
  • Bloqueio Estreito OrmuzPassagem de 20-25% do petróleo mundial · Colocação de bombas em embarcações e navios · Impossibilidade de navegação segura · Redução de produção nos países árabes por falta de escoamento
  • Aumento de custos operacionaisPreço do frlete marítimo aumentou 200% em um ano · Aumento no custo de navegação por região em conflito · Impacto nas exportações brasileiras
  • JurosTaxa de juros atual em 15% · Expectativa de queda de 0,25 ou 0,50 pontos percentuais · Influência da pesquisa de aprovação do governo · Possibilidade de reduções menores em reuniões futuras
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CBN, valorizando o seu bolso, com Gilberto Braga. Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar sobre economia, o professor economista Gilberto Braga, sempre valorizando o seu bolso. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí? Tudo em paz, Paulo Henrique Calvão, e com você? Comigo está tudo bem, mas a gente está apreensivo, claro, não só no Brasil. É rico novo, né? Você acha que o São Paulo vai agora?

O futebol é a coisa mais importante, entre as menos importantes, iria o Arrigo Saki, né? Então, as preocupações... Todo mundo preocupado, realmente. É, mas vamos ver. Um novo técnico, vamos ver se melhora as coisas, né? Mas, bom, já que você puxou o assunto, tem que dar os parabéns, porque o seu Flamengo levantou mais um caneco, né? Pois é, fizeram a injustiça aqui com o Felipe Luiz, mas no final deu certo.

Eu espero que recuperem o ano, que o ano realmente não seja frustrante depois dessas besteiras que as diretorias fizeram. Tinha que dar espaço para o Felipe Luiz consertar e continuar o trabalho dele. Foi muito feio o que aconteceu ali, realmente foi muito chato. A forma como foi feita foi horrorosa. Bom, vamos falar então da nossa conjuntura econômica, preocupação. O presidente Donald Trump falou na segunda-feira

mas não explicou como. Ninguém acreditou nisso. O fato é que há muitas consequências econômicas. Eu queria começar pela questão do combustível, Gilberto, porque até agora a Petrobras não anunciou nenhum reajuste. Apesar do petróleo ter subido até, passou para R$ 120, R$ 100, agora baixou, a Petrobras, por enquanto, não se manifestou. Porém, o Clausson Dutra fez uma reportagem essa semana que em São Paulo tem posto vendendo gasolina a R$ 9.

O próprio sindicato já admitiu que eles estão aumentando. Há justificativa para isso? O que você pode falar sobre esse aspecto, Gilberto? Para aumentar o combustível não há justificativa nenhuma, a não ser o fato de que todo mundo sabe que tem uma guerra e que o preço interno está defasado. Significa o quê? Que a Petrobras não reajustou os combustíveis, mas muitos postos já estão aumentando a gasolina e o diesel para o consumidor final.

porque já sabem que em algum momento vai ter que haver uma nova equiparação, uma paridade entre o preço praticado aqui e o preço praticado lá fora. A ANP diz que o preço médio no Brasil está fechado na sexta-feira, ela publica toda segunda-feira um levantamento semanal, está em 6,30 o líquido da gasolina.

em São Paulo, porque tem gente vendendo a nove, então é um aumento preventivo. Não é o geral, mas foi encontrado o posto ali a nove. Eu, como costumo abastecer com álcool, confesso que não sei quanto é que está, uma média assim, mas deve ter muita gasolina aí a sete, oito reais, então é uma coisa absurda. O álcool está cinco, cinco e tanto. Pois é, a verdade é que não houve

justa ainda nas refinarias brasileiras. Então, teoricamente, o preço não deveria subir. Mas todo mundo sabe que tem um problema de petróleo, que está chegando mais caro. E hoje já tem uma defasagem importante nos preços praticados no Brasil. O diesel, a estimativa dos especialistas, é de uma defasagem de 85%. E na gasolina é de 49%, ou seja, praticamente a metade do preço.

Em algum momento, se essa gangorra que os economistas chamam de volatilidade do preço do petróleo permanecer, isso vai ter que ser repassado por preço. Mas a Magda Chambriard, presidente da Petrobras, disse que não haveria decisões nervosas. Ou seja, a ideia seria esperar. E, de fato, a gente tem que reconhecer que, como você comentou aqui no início do nosso bate-papo,

o nosso presidente norte-americano abre a boca e faz uma declaração, ele mexe com o preço do petróleo a nível internacional. Quando diz que tem guerra, o petróleo sobe. A guerra acabou, o petróleo cai. E aí a gente não sabe qual é de fato a realidade, o que isso significa. Mas a gente sabe que a região que está em conflito é uma região importante.

aproximadamente 20 a 25% de todo o petróleo produzido no mundo. Nessa última terça-feira, houve informações dadas pelos iranianos que eles estão colocando bombas, espalhando bombas pelo canal, ou seja, quem tentar navegar pode ir de encontro a uma bomba e explodir uma embarcação, um navio carregado de petróleo, e aí você está explodindo algo que é inflamável,

incandescente, que pode gerar um acidente de proporções ainda maiores pelo produto em si, e que eles estão colocando barcos também com explosivos para criar dificuldades e impedir a navegação. Então, isso tudo gera apreensão e ninguém sabe se o preço vai cair ou se o preço vai subir. A verdade é que no início dessa confusão estava abaixo de 70, chegou a 120 e agora, para falar em números redondos, está em 87.

e 80% o Brent, em números precisos, melhor dizendo. Então, 87,80% está caro, mas é uma queda nessa última terça-feira de 11,27% na cotação que abriu as vendas no mercado de petróleo. Então, a gente vê como existe essa volatilidade, esse nervosismo no mercado. Sim. Agora, Gilberto, voltando um pouco só para a questão aqui dos

Compostos de combustíveis, né? Eles estão inaugurando aí uma nova forma de atuar, né? Porque a gente sempre percebeu que quando há algum anúncio da Petrobras de aumento do preço dos combustíveis, eles no momento exato ali já elevam. Quando há anúncio de redução do preço, eles falam que não, nós compramos mais caro, tem que esperar chegar a nova remessa para baixar. E agora eles estão se antecipando ao anúncio, né?

destacou aí, quer dizer, teoricamente não deveria subir, mas como eles sabem que deve subir, eles já estão se antecipando, a gente sabe que a gente vive num sistema aqui de livre mercado, a gasolina, o álcool não é tabelado, mas sabemos também que é um setor que normalmente quando há uma elevação assim, é um aumento generalizado, todo mundo aumenta ao mesmo tempo ali, é uma coisa meio estranha, não é não? É, a única coisa que a gente tem certeza

que ninguém erra quem vai pagar a conta. Você tem dúvida ou não? Eu sei quem vai pagar a conta, somos nós. Então, a verdade é que não tem, no certo sentido, lógica na racionalidade econômica, mas faz todo sentido na racionalidade do bolso de quem lucra. Então, o comerciante tem essa possibilidade, ele já repassa. O fato é que existe hoje um problema global,

A gente precisa entender que é a região dos países árabes que são os maiores produtores de petróleo do mundo. O maior volume de geração está lá. Com essa dificuldade de navegação no Estreito de Hormuz, que é o corredor por onde passam os navios petroleiros, a produção está tendo que ser diminuída nos países árabes, porque eles já têm o hábito de produzir,

não tem uma capacidade de estocagem muito grande, e como os navios não estão conseguindo navegar, os estoques já estão abarrotados, ou seja, os tanques onde eles armazenam o petróleo extraído, eles estão já lotados, e aí o que acontece? Você tem que diminuir a produção para poder ajustar as margens de volume.

por conta da dificuldade do escoamento. Fora isso, a gente já tem querosene de aviação aumentando no mundo. Nessa última terça-feira, a maioria das companhias aéreas já anunciou um aumento nos tickets, nas passagens aéreas, justamente por conta dessa situação. Para você ter uma ideia, Galvão, o preço do container transportado,

por cento em menos de um mês. Então, o preço para você fazer a navegação marítima naquela região, levando produtos. Então, a gente precisa lembrar que o Brasil exporta grãos lá para aquela região, então existe uma produção aqui para nós brasileiros que fica também, não é só o que a gente compra, além de defensivos agrícolas, petróleo, fertilizantes, a gente exporta para lá

açúcar, trigo e outros produtos que são do agro. E esses produtos estão vendendo menos. Então, de alguma maneira, também frango e milho. Então, isso tudo prejudica a economia brasileira. E ninguém sabe quanto tempo vai durar. Essa aqui é a questão. Então, quanto mais tempo ficar, maior o risco de uma inflação global e para o Brasil. E quanto mais rápido houver uma solução,

menos risco a gente corre com relação a todos esses efeitos ruins. Então hoje ninguém sabe o que vai acontecer. Acho que o que a gente mergulha é uma total falta de previsibilidade. Que atrapalha demais a economia. Você sempre destaca aqui que a imprezibilidade é muito ruim porque os agentes econômicos não conseguem se planejar e isso acaba sendo muito ruim.

Não tem como a gente não falar de juros, porque você está destacando como toda essa situação está pressionada à inflação no mundo inteiro, também no Brasil, e temos a reunião do Copom já na semana que vem, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que vai definir a Selic, atualmente em 15%, e a gente sabe que muita coisa está acontecendo, mas queria saber qual é a expectativa para a queda, 0,25%,

meio ponto, como é que está? Olha, todo esse cenário ainda se mantém, nós tivemos uma declaração nessa terça-feira mais cedo do ministro, ainda ministro Fernando Haddad, lembrando que saiu aí que ele deve se desincompatibilizar para concorrer à Prefeitura de São Paulo. O governo, né? O governo. Desculpa, é o governo de São Paulo. É o futuro ex-ministro, né? Exatamente, o futuro ex-ministro. E ele disse que

estão fazendo as contas, não vão tomar nenhuma medida assodada, estão trabalhando com vários cenários e que, de alguma forma, tudo está mantido. Ou seja, a princípio, existe uma expectativa de que será confirmado o início do cerco de queda de taxa de juros. Existe cada vez mais uma polêmica se essa queda é 0,25 ou 0,50.

continua apostando em 0,50. Até porque com pesquisa ruim de aprovação do governo, ano eleitoral, acho que tudo isso converge para você criar um fato que é a expectativa que já se criou na população, nos agentes econômicos. Se vier uma queda menor, talvez eu acho que em vez de você dar uma notícia boa, você vai dar uma notícia boa, mas com viés ruim, se é que eu posso falar isso.

Muito bem, professor economista Gilberto Braga, sempre valorizando seu bolso aqui no CBN,

feira e madrugada. Gilberto, mais uma vez muitíssimo obrigado, uma excelente semana e até a próxima, hein? Um abraço a todos e até semana que vem.