Nunes Marques pede vista e suspende julgamento sobre Cláudio Castro no TSE
- Renúncia de Cláudio CastroPedido de vista de Nunes Marques · Suspensão do julgamento · Retomada marcada para 24 de março · Voto de Antonio Carlos Ferreira pela cassação · Decisão da ministra Carmen Lúcia
- Atuação de Lucia na políticaContratação de funcionários fantasma · Cabos eleitorais irregulares · Esquema via fundação do Rio de Janeiro · Esquema via universidades estaduais · Desvio de dinheiro público
- Prisão Rodrigo BacelarEnvolvimento com Comando Vermelho · Facilitação de acesso de informações · Impedimento de assumir governo · Plano fracassado · Interferência da Polícia Federal
E o Leandro Rezende está com a gente, acompanhando essas notícias sobre o julgamento do governador do Rio Cláudio Castro e conta para nós o que pode acontecer a partir de agora. Bom dia para você, Leandro. Oi, Milton, Cássia, bom dia para vocês, bom dia para todo mundo que está conosco aqui no Jornal da CBN. Bom, o ministro Antônio Carlos Ferreira demorou quatro meses para dar o seu voto, mas quando deu, concordou com a relatora do caso, a ministra Isabel Galotti,
E votou pela cassação e pela inelegibilidade do Cláudio Castro. E aí a gente já começa a projetar o futuro, falando do que aconteceu imediatamente após esse voto. Enquanto o ministro Antônio Carlos Ferreira estava falando, o ministro Nunes Marques, que vai ser o próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, já pediu vista desse processo. Tem alguns pontos aí que a gente precisa olhar com atenção. Primeiro, vou destacar o voto do ministro Antônio Carlos Ferreira,
extenso. Ele anunciou isso na abertura da sessão. Aliás, um breve parêntese aqui, né? O discurso de abertura da sessão feito pela ministra Carmen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, um discurso muito forte por conta do mês de março, mês internacional da mulher, de todas as questões que a gente tem acompanhado no noticiário. Posto isso, o julgamento começou, veio o longo voto do ministro Antônio Carlos Ferreira e ele passou ali a listar vários pontos bem graves desses
Tema de contratação irregular de funcionários fantasmas via uma fundação do Rio de Janeiro e via Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foram contratados 27.600 pessoas no intervalo de pouco mais de três meses para atuar, segundo o Ministério Público Eleitoral, como cabos eleitorais do governador Cláudio Castro e aí indiretamente do vice, Tiago Pampolla, e do presidente da Assembleia Legislativa, então secretário de governo, Rodrigo Bacelar.
dinheiro público, 248 milhões. O ministro Antônio Carlos Ferreira listou tudo isso. Quando ele estava terminando, a ministra Carmen Lúcia ouviu já o pedido do ministro Nunes Marques para um pedido de vista e para adiar de novo esse julgamento. Lembrando aqui para o nosso ouvinte que esse é um caso que aconteceu em 2022. Nós estamos em 2026. E o processo hoje em dia, todo ele é eletrônico, mas mesmo assim o ministro usou a sua prerrogativa de pedir vista.
E aí Milton e Cássia, qual foi a jogada, qual foi o checkmate na avaliação de algumas pessoas com quem eu conversei após esse julgamento? A ministra imediatamente marcou o julgamento para o dia 24 de março e já organizou, já deixou pré-agendada ali uma sessão para o dia 25 de março. Na avaliação das pessoas com quem eu conversei, isso foi um recado da ministra Carmen Lúcia para dizer o seguinte para os seus pares.
sobre esse assunto, a gente precisa resolver esse processo antes da eleição de 2026. E nós temos agora o aumento da pressão em relação ao governador para que ele saia logo do cargo, Leandro? Isso, Cássia, Milton, é um aumento de pressão no seguinte sentido. O governador já se organizou para ser candidato ao Senado, então ele tem pelo prazo da legislação eleitoral até o comecinho de abril para deixar o mandato. A questão é,
Se chega no julgamento no dia 24 de março e ele é cassado pela norma, a cassação com o governador em exercício do mandato, a essa altura do mandato, a regra determina a realização de eleições diretas para o governo do Rio de Janeiro. Algo que ninguém quer. Nem a oposição ao governador, nem os aliados do governador que já escolheram outro candidato e estão fazendo um outro jogo político aqui. Então, a ideia que vai ser levada ao governador hoje e nos próximos dias,
por presidentes de partidos, por deputado Zé. Governador, saia logo do cargo antes desse julgamento, antes do dia 24 de março, porque o senhor já vai sair mesmo no dia 3 de abril. Sai logo antes, porque caso o senhor seja cassado, nós teremos uma eleição indireta no Rio de Janeiro. E a eleição indireta, pela circunstância do Rio de Janeiro não ter mais vice, o Rio já está mais preparado para resolver do que uma eleição direta no meio do ano,
que a política do Rio, essa, não está disposta a topar, Milton Cássio. E até para contextualizar isso, o Rio de Janeiro não tem vice-governador porque o vice-governador renunciou para assumir um cargo lá no Tribunal de Contas do Estado. Por isso, teria que haver essa eleição aí direta ou indireta, dependendo do cenário. Exatamente, Milton. Foi feito lá atrás um arranjo para que o vice-governador fosse para o Tribunal de Contas do Estado e o presidente da ALERJ, o Rodrigo Bacelá,
como governador em exercício do cargo para, numa eleição indireta, ele se eleger com tranquilidade ali os votos dos seus pares. Porque a norma da Constituição do Rio de Janeiro prevê que, no caso... Leandro Rezende, nós perdemos o seu áudio por algum motivo qualquer aí que eu não saberia explicar. Nós perdemos o seu áudio. Me ouvem? Agora sim, você voltou aqui. Fala lá. Você estava explicando o acordo que havia sido feito
para o Bacelar assumir. Só que não pôde, né, depois. Porque no meio do caminho havia uma Polícia Federal, né? Essas coisas acontecem. Havia uma Polícia Federal no meio do caminho do plano de Rodrigo Bacelar. Ele acabou preso por envolvimento com o Comando Vermelho, por ter facilitado o acesso de informações a um ex-deputado estadual acusado de estar ligado ao Comando Vermelho. E aí o Bacelar acabou perdendo totalmente as condições de continuar no cargo e o Rio se vê diante desse processo.
Uma eleição indireta significa, só para o nosso ouvinte entender, os 70 deputados estaduais do Rio de Janeiro abrem ali inscrição, chapa, tem governador, tem vice, mas é para o chamado mandato tampão, que pelo prazo, hoje é dia 11 de março, pelo prazo, o ritmo que as coisas estão andando, essa eleição é projetada para acontecer no mês de maio. Então, para a gente ficar esperto, a partir de agora, dia 24, retomada desse julgamento até o dia 24,
Muita pressão em cima do governador Cláudio Castro para que ele saia logo do cargo antes de abril para evitar ser cassado ainda no exercício do mandato. Cássia e Milton. Muito obrigado, Leandro Rezende, que daqui a pouquinho estará no comando do CBN Rio também. Até mais.