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CEO do Grupo Pão de Açúcar diz que operação 'segue normalmente' e não prevê demissões

11 de março de 202611min
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O Grupo Pão de Açúcar anunciou um acordo com credores para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas por meio de um plano de recuperação extrajudicial. A medida permite à empresa negociar diretamente com parte dos credores e ganhar tempo para reorganizar as finanças. Em entrevista ao Jornal da CBN, o CEO do grupo, Alexandre Santoro, afirmou que a recuperação envolve apenas dívidas financeiras não operacionais e não deve afetar o funcionamento das lojas.

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Assuntos8
  • Recuperação Extrajudicial do GrupoAcordo com credores · Renegociação de R$ 4,5 bilhões · Dívidas financeiras não operacionais · Prazo de 90 dias · Segregação do perímetro de ação
  • Continuidade operacionalFuncionamento normal das lojas · Ausência de demissões · Relação com fornecedores preservada · Experiência do cliente mantida · Reposição de produtos nas gôndolas
  • Engajamento de credoresAdesão de 46% dos credores · Necessidade de 50% mais um para acordo final · Negociações ativas · Consenso sobre viabilidade do negócio · Múltiplos cenários em discussão
  • Estrutura de Capital e Desequilíbrio FinanceiroVencimentos de dívidas no curto prazo · Desequilíbrio entre dívidas e geração de caixa · Fatores históricos acumulados · Reformulação da estrutura de capital
  • Portfolio de Marcas e PosicionamentoMarca Pão de Açúcar · Formato Minuto Pão de Açúcar · Marcas próprias (Qualitá) · Canais de proximidade · Presença digital
  • Força operacional base clientesMilhões de clientes · 37 mil funcionários · Evolução de margens · Negócio saudável e estável · Crescimento operacional
  • Mercado FinanceiroJuros elevados · Pressão adicional nas despesas financeiras · Realidade econômica do país · Pragmatismo na adaptação
  • Comércio VarejistaAvaliação de venda de divisões · Valores em discussão · Alternativas em negociação
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Uma das redes mais tradicionais do varejo brasileiro entrou em um processo de reorganização financeira. O grupo Pão de Açúcar anunciou um acordo com credores para renegociar cerca de 4 bilhões e meio de reais em dívidas por meio de um plano de recuperação extrajudicial. É um mecanismo que permite a empresa negociar diretamente com parte dos credores, com isso ganha tempo para acertar as contas e evita uma crise ainda maior.

o Minuto Pão de Açúcar, tem algumas marcas próprias também do Grupo, Qualitai, Taec, entre outras. Para entender o que levou a companhia a esse ponto e quais são os próximos passos, nós vamos conversar agora com Alexandre Santoro, CEO do Grupo Pão de Açúcar, a quem eu agradeço pela gentileza de ter aceitado o nosso convite aqui no Jornal da CBN. Um bom dia para o senhor. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Prazer estar aqui com vocês. Agradeço a oportunidade de falar com vocês e também com os ouvintes da Rádio

que tenho certeza muitos deles são nossos clientes. Bom dia. Alexandre Santoro, recuperação extrajudicial suspende pagamentos, permite renegociar dívida com parte dos credores. Vocês dizem que as lojas permanecerão abertas. O que garante ao mercado e aos consumidores que essa medida não é apenas um adiamento de uma crise ainda maior e daqui três meses, 90 dias, se perceba que as ações terão de ser mais drásticas? Milton, a intenção de uma recuperação extrajudicial é justamente você limitar claramente

Então, a gente está falando aqui de dívidas financeiras não operacionais, na qual a gente já está engajado na conversa com 46% dos credores. A gente precisa de 50% mais um para ter o acordo final. A gente tem esse prazo, realmente, de até 90 dias para fazer. E o que acho que é o mais importante é que é uma recuperação, repito, de dívidas financeiras não operacionais

desse perímetro o dia a dia do nosso negócio, ou seja, a relação com os nossos fornecedores, a relação com os próprios funcionários, a operação das lojas. Então, esses são assuntos completamente segregados e por isso a decisão de ir por uma recuperação extrajudicial, porque ela te permite isolar exatamente o perímetro e a abrangência e você ter tempo para fazer essas negociações e, em paralelo, a operação segue rodando normalmente. Neste momento, essa reestruturação vai implicar em demissões?

Não, absolutamente não, Cassio. É exatamente o oposto. Eu gosto de estar dando esse exemplo nesse momento. Eu acabei de tomar café aqui numa das nossas lojas. Se vocês forem, qualquer um de nossos ouvintes aqui que forem numa loja nesse momento, vai ver funcionando normalmente, clientes chegando, clientes saindo, produtos sendo repostos nas gôndolas, caminhão chegando para abastecer as lojas. Ou seja, esse dia a dia não tem absolutamente nenhuma ruptura.

definida esse desenho de uma recuperação extrajudicial que nos permite exatamente isso. A gente tem tempo para agora organizar a questão financeira não operacional da companhia e em paralelo a gente preserva o nosso dia a dia e principalmente a experiência dos nossos clientes. Se a operação continua gerando caixa, por que o modelo financeiro se tornou insustentável? Milton, essa é uma excelente pergunta. Tem uma série de fatores que levam a uma situação como essa.

de ter sido entrado agora, é que existem vencimentos relevantes de dívidas e de algumas obrigações no curtíssimo prazo, aqui no curto prazo da companhia. Isso se dá à estrutura de capital da companhia, que é uma consequência de uma série de fatores que aconteceram ao longo dos anos. Muito difícil aqui precisar, não teve um fator específico, mas é uma conjunção de situações que levaram a você ter um desequilíbrio

entre a sua dívida, essas obrigações financeiras não operacionais e a capacidade de geração de caixa operacional da companhia. Qual que é a expectativa do grupo Pão de Açúcar para conseguir resolver essa situação e entrar novamente em um momento de maior conforto financeiro? Olha, a gente tem exatamente esse prazo de 90 dias, Cássia, onde a gente já está bastante engajado, no fato relevante ontem, a gente explicita isso,

que a gente tem como signatário 46% dos credores. Então, a gente já fala com mais do que 46%, na verdade. Então, a gente está numa mesa agora proativa, acho que todo mundo bastante engajado, principalmente com essa consciência, não só acho que de dentro da companhia e também dos credores, de que a gente tem um bom negócio, a companhia tem um negócio que é saudável, tem uns milhões de clientes, mais de 37 mil funcionários que fazem o Pão de Açúcar,

de açúcar ser o que é. Então isso nos dá, obviamente, muita confiança que a gente tem um negócio que ele é forte, ele é estável, ele cresce, melhora as margens ao longo do tempo e a gente tem agora que segregar essa conversa específica da dívida financeira não operacional e encontrar uma solução. E a gente acredita que a gente vai ter todos os elementos para a gente conseguir isso dentro dos próximos, até dentro de um prazo menor, mais rápido do que os 90 dias.

O que é o financiamento dessas dívidas e também buscar algum aporte na empresa? Milton, nesse momento é uma mesa de negociação onde tem vários cenários. Eu não posso agora te antecipar porque justamente existem várias alternativas na mesa que estão sendo discutidas aqui com muita celeridade e com muita tranquilidade entre nós, junto com os credores e também, obviamente, os próprios acionistas.

também é um desafio no modelo de negócio que precisa ser repensado hoje. Não, Mito, a gente tem um modelo, acho que assim, pensa dentro do nosso portfólio de marcas e posicionamento. A companhia está muito bem posicionada. A gente tem a marca Pão de Açúcar, que é um segmento um pouco diferente do Extra, que nos ajuda a atender perfis de consumidores bastante diferentes. A localização das nossas lojas, a gente tem pontos muito bem localizados.

a gente tem clientes muito fiéis, a gente também tem uma alternativa dentro do nosso modelo, a questão de proximidade, que é o minuto pão de açúcar e o próprio mini extra, que é uma outra ocasião de consumo, um pouco diferente, sem contar também no próprio e-commerce, que a gente tem praticamente 10% das nossas vendas acontecendo através dos meios digitais. Então, eu diria que a gente está muito bem posicionado, a gente tem parceiros muito fortes, fornecedores são parceiros muito importantes aqui,

O Pão de Açúcar, o grupo Pão de Açúcar, quando eu falo Pão de Açúcar, na verdade é o grupo, né? Todos esses canais que a gente possui são canais muito importantes para a indústria também. Então, a gente, óbvio, sempre tem oportunidades aqui de melhorar a nossa operação, de melhorar a experiência do cliente, mas eu entendo, nós entendemos que a gente está muito bem posicionado e os resultados operacionais, quando a gente vê a evolução de margens e o que a gente vem fazendo nesse sentido, confirmam esse ponto.

O grupo está avaliando um aporte de até 700 milhões de reais? Olha, esse número, eu te digo que eu não sei de onde veio exatamente, Milton. Existe uma série de discussões acontecendo, mas eu posso te afirmar que essa discussão desse número ainda não está na mesa, não. Eu estava até ouvindo o senhor falar agora há pouco aqui, traçando ali o perfil do negócio e também a situação das empresas nas operações.

entra com uma recuperação extrajudicial, mas não vai ter impacto nenhum na loja, nem com demissão, fechamento, mudança do mix de produtos. Como é que isso é possível? Esse é um ótimo ponto e obrigado por me dar essa oportunidade de esclarecer. Justamente, quando você entra numa recuperação extrajudicial, Milton, você negocia com um grupo muito claro, um perímetro muito claro de credores, que é o caso de credores financeiros não operacionais.

mostra que o que existe, na verdade, na Copanema é um problema operacional no dia a dia dela. Ela tem um problema de desequilíbrio entre o tamanho da dívida e os vencimentos que ela possui e a sua própria geração de caixa. Não quer dizer que ela não gere caixa, não quer dizer que a operação não seja positiva, não seja estável, mas existe, sim, um reconhecimento de um desequilíbrio entre essa geração de caixa e esses compromissos financeiros. Então, a recuperação extrajudicial, ela entra justamente

preservar a operação, dado que ela é positiva, dado que temos milhões de clientes, 37 mil funcionários, volto a reforçar, que operam e operam muito bem. Então, é uma ferramenta para você conseguir isolar exatamente esse ponto e conseguir readequar esse passivo, essas dívidas, à sua geração operacional de caixa. Então, essa é uma medida legal, prevista em lei, justamente em situações como essa, onde você busca reequilibrar a estrutura de capital da companhia.

Para fechar aqui essa nossa conversa, como o atual cenário econômico do país ajuda ou atrapalha nesse processo? Olha, Milton, a gente trabalha com o cenário existente atual, então a gente se adequa a essa realidade. É claro que o cenário atual de juros colocou e coloca uma pressão adicional, que a taxa de juros impacta diretamente nessa conta da despesa financeira.

Então, a gente está trabalhando em cima da realidade que a gente possui e encontrando junto com os credores a solução. Só fiquei na dúvida se ajuda ou atrapalha. É a realidade, Milton. Então, a gente trata a realidade com muito pragmatismo. Alexandre Jesus Santoro, muito obrigado pela gentileza de conversar conosco. Obrigado pela sua informação. Um bom dia. Muito obrigado, Milton. Muito obrigado, Cássia. É um prazer falar com vocês e com todos os ouvintes. Bom dia.

Pão de Açúcar.

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