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Cerca de 150 brasileiros querem deixar o Bahrein após escalada de ataques, diz embaixador

10 de março de 202610min
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O Bahrein, no Golfo Pérsico, tem sido alvo de ataques em meio à escalada de tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em entrevista ao Jornal da CBN, o embaixador do Brasil no Bahrein, Adriano Pucci, afirmou que diversas estruturas foram atingidas. De acordo com ele, cerca de 300 brasileiros vivem atualmente no Bahrein, principalmente na capital, Manama. Desses, aproximadamente 150 manifestaram interesse em deixar o país.

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Assuntos7
  • Ataque Assembleia IraEstruturas atingidas · Hotéis internacionais · Edifícios comerciais e residenciais · Aeroporto internacional · Planta de desalinização · Data center Amazon · Refinaria · Base militar americana · Frequência dos ataques
  • Conflito EUA-IrãConflito Irã vs Estados Unidos e Israel · Retaliação iraniana · Padrão de espelhamento de ataques · Diplomacia como solução · Incerteza nas declarações iranianas
  • Conflito armado e vida cotidianaRestrições de movimento · Frequência de ataques · Qualidade do ar · Cenário urbano · Orientações ao cidadão
  • Sistema de defesa e abrigosAbrigos civis · Sirenes e aplicativo de alerta · Preparação prévia · Capacidade dos abrigos · Evacuações
  • Ressurreição e EscatologiaNúmero de projéteis recebidos · Drones lançados · Taxa de interceptação · Mortos e feridos · Brasileiros afetados
  • Transporte MaritimoEstreito de Ormuz · Rotas comerciais · Seguros internacionais · Bloqueio psicológico e financeiro · Riscos à navegação
  • Facilidades de saída do paísPonte terrestre com Península Arábica · Espaço aéreo fechado · Controle de imigração · Geografía arquipelágica · Dificuldades logísticas
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Nós vamos agora para essa região do conflito. Nós vamos para o Bahrein. O Bahrein fica ali no Golfo Pesco, próximo da Arábia Saudita, do Catar, importante rota comercial. E tem sido um dos alvos de ataques do Irã e retaliação aos Estados Unidos e Israel. E para conversar conosco, nós estamos em contato com o embaixador do Brasil no Bahrein, embaixador Adriano Pucci. Muito obrigado pela sua gentileza de nos atender aqui no Jornal da CBN.

Um bom dia para o senhor. Bom dia aí. Boa tarde aqui. Parabéns pelo serviço de informação à sociedade brasileira.

estamos à disposição. Bom dia. Nós estamos falando aí no Bahrein, agora deve ser uma hora e quarenta, mais ou menos, uma hora e trinta e nove. Exatamente. São mais seis horas. São mais de seis horas de diferença. Embaixador, quais são as estruturas do Bahrein que têm sido atingidas neste confronto que nós estamos acompanhando? Essa é uma questão muito pertinente. Nós temos aqui já atacados três hotéis grandes de renome internacional.

seis edifícios comerciais e residenciais, o aeroporto internacional, uma planta de dessalinização, que é muito importante, porque 90% a 100% da água consumida aqui é dessalinizada, um data center da Amazon, uma refinaria, todos com danos materiais, alguns com vítimas. Portos, a base aérea do Bahrein,

a base militar e também a mais importante de todas, a base naval americana, que tem 9 mil soldados aqui. Foi duramente atingida nos últimos, já no início do conflito, no primeiro dia do conflito e com sérios danos às suas instalações. Embaixador, o senhor está em Manama, que é a capital do Bahrein? Exatamente, estou em Manama. Aqui é uma cidade de em torno de 700,

800 mil habitantes, o país todo tem 1 milhão e 600 mil, e aqui moram em torno de 300 brasileiros, aproximadamente 150 querem sair, e nós estamos trabalhando nessa facilitação. Uma particularidade do Bahrein é que ele é um arquipélago, então é mais difícil aqui a situação, o espaço aéreo segue fechado, e a única maneira de conectar o Bahrein com a Península Arábica, esta ilha, é por meio de uma ponte de 25 quilômetros,

onde está o controle de imigração. Então, o único meio de sair aqui é por via terrestre pela ponte. E qual é o perfil dos brasileiros que vivem nesta cidade? É uma amostra bastante representativa da sociedade brasileira. Nós temos desde jogadores de futebol, manicures, médicos, engenheiros, funcionários de empresas multinacionais,

É uma amostra bastante plural e é uma sociedade bastante trabalhadeira e bastante ordeira e que tem colaborado muito conosco no equacionamento dessa grave situação. Embaixador Adano Pucci, os ataques têm sido frequentes? Sim, nós recebemos mais de 300 projéteis aqui, mais de 100 mísseis, quase 200 drones,

A taxa de interceptação aproximada é de 90, 95%, mas qualquer drone que passa já é por si só grave. Tivemos dois mortos, 40, 50 feridos até o momento e nenhum brasileiro, graças a Deus. Embaixador, e como que é o cotidiano, como está sendo o cotidiano nesses dias de ataque na cidade de Manama, também na região metropolitana?

Tem algum tipo de orientação para que as pessoas não deixem as casas? O comércio está funcionando? Como que a cidade está operando? Olha, o governo tem um app, um aplicativo, por meio do qual ele faz soar sirenes. Nós recebemos, o Bahrein recebe uma média de 30 ataques por dia, um pouco aleatórios, indiscriminados, tanto quanto aos alvos, como em relação aos horários.

O cenário na cidade é muito semelhante ao início do lockdown na pandemia de Covid. As ruas estão liberadas para a defesa civil, ambulâncias, polícia transitarem e atenderem aos chamados de emergência. Os brasileiros devem permanecer em suas casas, evitar quaisquer deslocamentos que não sejam indispensáveis, manter os suprimentos,

E o céu aqui hoje amanheceu encoberto porque já a fumaça dos incêndios, dos destroços e os químicos dos ataques aéreos levantaram esses fragmentos. Então a qualidade do ar hoje está um pouco deteriorada. Qual é o sistema de defesa coletiva que existe no Bahrein, mas também de segurança individual?

por exemplo, para a proteção em momentos como esse de alerta de ataque? Excelente pergunta. O Bahrein já havia testado os seus sistemas de proteção à população na guerra dos 12 dias de junho passado, que implicou o Irã também. Então, já está razoavelmente preparado para o atual cenário. São 33 abrigos, 10 dos quais foram ativados.

hoje abrigam em torno de 2.600 pessoas que permanecem por lá algumas horas quando são evacuadas das áreas adjacentes, sobretudo a instalações militares, como a base americana aqui. Embaixador, qual é a expectativa que se tem a partir da postura do Irã, que também é uma postura que vem mudando muito,

Israel de alguma forma, ou que tenham bases destes países. Em outros momentos, o Irã se desculpa com estes países por estar fazendo estes ataques. Qual é a expectativa que vocês têm em relação a esse conflito para os próximos dias? Cássia, na prática existe um descompasso entre as declarações e o que efetivamente está acontecendo aqui. Os ataques continuam intensos, talvez até crescentes e incessantes.

Uma avaliação muito pessoal minha aqui é de que há um padrão de espelhamento entre os ataques contra o Irã e os contra-ataques iranianos. Então, atacam uma instalação, digamos, um aeroporto no Irã, atacam um aeroporto aqui, atacam uma escola no Irã, atacam uma área residencial aqui.

é um processo de retroalimentação que somente a diplomacia pode resolver tão logo possível. Uma última informação, e eu não sei se o senhor tem condições de confirmar isso, até porque também há aí uma série de controvérsias quando se fala do assunto, que é o Estreito de Hormuz. Ele está fechado ou não? Olha, a questão, a meu juízo, é que fechado ou não é arriscado.

Então, é perigosíssimo e as companhias de seguro internacionais estão incluindo as cláusulas de risco político em suas apólices e algumas empresas não querem, com razão, navegar através daquele estreito. Então, eu creio que isso vai além de um bloqueio físico propriamente dito, é também um bloqueio psicológico e um bloqueio financeiro,

o transporte marítimo atua também com base em expectativas. Então eles podem, nós temos notícia de que esse trânsito está prejudicado independentemente do fluxo de navios naquela passagem. Embaixador Adriano Pucci, nosso desejo de dias melhores para o senhor, para a população brasileira que aí vive, para a população do Bahrein que passa por mais esse conflito.

Muito obrigado pela sua gentileza, suas informações aqui no Jornal da CBN e um bom dia para o senhor. Disponha, seguimos à disposição e um abraço. Obrigada. Embaixador Adriano Putin é embaixador do Brasil no Bahrein e conversou com você trazendo aqui parte aí dessa situação. Ainda ontem nós conversamos também com o embaixador brasileiro nos Emirados Árabes Unidos, mostrando qual é o cenário dessas áreas de conflito que tem sido alvo de ataques como retaliação ao ataque feito pelos Estados Unidos e Israel ao Irã.