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Morador de São Carlos é preso por recrutar pessoas para o Estado Islâmico

10 de março de 20269min
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Um homem de 44 anos, morador de São Carlos, no interior de São Paulo, foi preso acusado de recrutar pessoas para o Estado Islâmico. Segundo Eduardo Gonçalves, repórter do jornal O Globo que acompanhou o caso em Brasília, o suspeito atuava em fóruns e redes sociais, criando grupos de estudo voltados à articulação do grupo terrorista. Ele se aproximava de jovens, estudantes de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de cooptá-los para atividades ilícitas.

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Assuntos10
  • Recrutamento para Estado IslâmicoAtuação em redes sociais e fóruns · Grupos de estudo como fachada · Aliciamento de pessoas vulneráveis · Método de recrutamento · Perfil salafista 8-60
  • Prevencao LesoesIdentificação pelo FBI · Detencimento em 2024 · Condenação · Continuação das investigações · Conexões com outras pessoas
  • Gestão de MateriaisSubstâncias químicas para explosivos · Facão com inscrições em árabe · Bandeira do Estado Islâmico · Equipamentos eletrônicos · Operação Machete
  • Perfil e background do suspeitoMorador de São Carlos · Idade de 44 anos · Formação em engenharia de materiais · Experiência como programador · Conversão ao islamismo
  • Fabricação de explosivosRecrutamento de alunos universitários · Relatos de testemunhas · Registros na universidade · Procura de pessoas para confeccionar artefatos · Passagem de informações para polícia federal
  • Gestão de RiscosAvaliação como risco de segurança pelo FBI · Informações repassadas à Polícia Federal · Continuidade das investigações · Cooperação internacional
  • Filosofia e PensamentoCuidado em não criminalizar religião · Separação entre islamismo e extremismo · Análise de preconceito · Elementos específicos de crime
  • Tentativa de entrada ilegal em outro paísViagem para região de fronteira · Porte de facão com inscrições · Uso de visto · Apreensão de material
  • Defesa JuridicaNegação de identidade online · Alegação de preconceito contra muçulmanos · Defesa argumentando montagem · Acusação de vizinho
  • Prisão de jovem de 18 anosOutro preso no começo do governo · Relação com o suspeito principal · Investigações relacionadas
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Convidamos nosso colega, parceiro do Jornal Globo, Eduardo Gonçalves, de Brasília, para falar um pouco sobre uma matéria que ele fez a respeito do recrutamento de pessoas aqui no Brasil para o Estado Islâmico. Era um recrutador que foi preso, ele era morador de São Carlos, aqui no interior de São Paulo. Ele foi avaliado como um risco de segurança para o Brasil, de acordo com o FBI, que informou a Polícia Federal. A gente acompanhou esse caso aqui, né, Muniz?

em São Paulo a respeito dessa prisão. Mas agora o Eduardo Gonçalves destrinchou toda essa articulação desse recrutador do Estado Islâmico no Brasil e conta pra gente detalhes dessa reportagem especial feita para o Jornal Globo. Tudo bem, Eduardo? Bem-vindo. Bom dia. Tudo bem, Marcela? Bom dia. Bom, você conta pra gente essa história desse morador de São Carlos, Tiago Barbosa de Paula, 44 anos.

Ele foi identificado nessas investigações da agência americana. Enfim, isso foi levado para a Polícia Federal. Ele foi detido. Havia participado de vários cursos, enfim. E nas redes sociais, em alguns fóruns específicos, ele praticamente montava um grupo de estudos sobre articulações para o Estado Islâmico. Eu queria que você contasse para a gente, de fato, quem é essa pessoa e o que ela fazia. Vamos lá.

A investigação começou a partir de um comunicado do FBI, da didância do FBI aqui no Brasil para a Polícia Federal. E aí eles informavam que tinha um perfil ali, o Salaf 860, que até acho que é uma referência a um trecho do Alcorão. Enfim, eles identificaram que essa pessoa estava recrutando gente aqui no Brasil e passaram para a Polícia Federal alguns IPs.

E aí a Polícia Federal foi investigar e esses IPs caíam em São Carlos. E chegaram a essa pessoa, que acabou sendo presa em dezembro de 2024, depois foi condenada, enfim. E a Polícia Federal continua investigando o caso para ver as pessoas que tinham conexão com essa pessoa. Até teve um outro jovem de 18 anos que foi preso no começo desse ano, que parece que também tinha relações com o Thiago,

E aí a polícia foi avançando as investigações para entender como que funcionava esse tipo de recrutamento, como que se dava isso. Enfim, acho que uma coisa relevante que as investigações da PF mostram

estudo, vamos dizer assim. Ele já tinha feito cursos de informática, ele estava cursando o curso de engenharia de materiais, ele já trabalhava como programador há 20 anos, como ele mesmo contou em depoimento. Ele tem esse conhecimento todo, esse estudo todo, mas pelo que as autoridades investigaram e pelo que você conta na sua matéria, ele também tinha uma

Sim. O que as investigações mostraram é que ele tentava se aproximar dos estudantes de baixa renda ou pessoas bem jovens que não tinham muita capacidade financeira para tentar cooptá-las para esse movimento.

A defesa dele, e ele próprio no processo, ele nega que ele é o perfil, o Salah, sei lá, 860, que o FBI passou para a Polícia Federal. Ele só diz que ele é reconvertido ao Islam. Ele até, enfim, a defesa dele até aponta preocupações ali com certo preconceito contra pessoas que processam o Islam.

Enfim, que são muçulmanas, né? Mas, enfim, a PF e o Ministério Público fazem investigação mostrando provas de que ele realmente estava por trás desse perfil. Até porque encontraram, inclusive, materiais com ele que indicariam ali, eram materiais que poderiam ser usados para, por exemplo, explosivos, para algum tipo de atividade violenta, né?

de não criminalizar uma religião, de não criminalizar um grupo, independentemente da sua origem. Mas nesse caso aqui, a polícia chegou a encontrar outros materiais para além da troca de mensagens, mas também materiais que poderiam ser usados para fabricação de bombas, de coquetéis molotov e assim por diante, né? Sim, sim. Encontrou... O nome da operação, em 2024, se chamava Machete, que era justamente uma referência a um facão, porque ele chegou a fazer uma viagem em 2022 para a região ali da Tripsi,

fronteira e ele tentou atravessar ali a divisa justamente com esse facão e tinha umas inscrições em árabe nesse facão, né? Aí chegaram a prender o facão, depois ele foi liberado e aí a polícia encontrou esse facão de novo na residência dele, encontrou uma bandeira do Estado Islâmico, enfim, aprendeu ali os equipamentos eletrônicos dele, aprendeu materiais que lhes indicam

que poderia ser usado para fazer explosivos, enfim, algumas substâncias químicas ali, isso tudo foi apreendido na residência dele. Tanto que na defesa dele, a defesa questiona, justamente falam que, tipo, a defesa, é até um pouco difícil de explicar, mas a defesa diz que foi meio que montado isso na casa dele, sabe? Diz que ele tinha briga com o vizinho,

que o vizinho meio que armou pra cima dele, enfim. Claro que é uma investigação toda complexa, né? Até porque, como você bem citou, né, Edu? Surgem outros elementos, como o fato do preconceito com pessoas de religiões diferentes, enfim, não é muito usual. E aí traçam, os agentes, enfim, traçaram esse perfil, né, dessa pessoa. Foi o próprio FBI que fez esse alerta à Polícia Federal aqui. Então, de fato, são vários elementos que precisam ser estruturados

Agora, o que chama bastante a atenção é justamente o que o ministro trouxe aqui na nossa conversa, que essa forma de recrutar outras pessoas atribuídas a ele não se traçava, não acontecia apenas no ambiente virtual, não só com o uso de ativos virtuais. De acordo com os investigadores que você aborda na sua matéria, esse recrutamento não era só de maneira virtual. A Polícia Federal listou uma sequência de ocorrências registradas,

pela Universidade Pública, onde ele cursava Engenharia de Materiais. Em uma delas, um aluno relatou ter sido procurado por ele para ser cooptado para a fabricação de bombas. Ou seja, são vários elementos e envolvem também testemunhas, né? Não é uma investigação que partiu do nada. Sim. Os investigadores juntaram vários relatos que já tinham sido registrados na universidade e mostram que revelam justamente isso.

ele pra fazer esse tipo de artefato. O outro é o segurança do campus, que ouviu ele falando sobre questões estranhas, assim, de produzir enfim, de produzir um artefato à distância. Isso tudo estava sendo registrado pela universidade e depois foi passado pra Polícia Federal. Eduardo Gonçalves, repórter do Jornal O Globo, tá com essa matéria na capa do Jornal de hoje, aqui no site, o globo.globo.com

Vale a pena conferir. Te agradeço muito pela sua participação aqui com a gente, meu amigo. Obrigado, viu, Marcelo. Obrigado, Guilherme. Muito obrigado. Bom dia. Até uma próxima.

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