Escolha de novo líder supremo sinaliza continuidade das políticas do país, diz especialista
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- Relacoes EUA-IraMochtaiba Khamenei como novo líder · Continuidade de políticas · Rejeição a pressões dos EUA e Israel · Morte de Ali Khamenei · Decisão da Assembleia de Especialistas
- Capacidade Militar IraArsenal militar americano · Recursos militares do Irã · Gasto de munição · Recompletamento de capacidades · Indústria de defesa
- IA Operacoes MilitaresExpectativas de Trump · Mudança de narrativa · Falta de plano claro · Assassinato de líderes iranianos · Incerteza sobre objetivos finais
- Relações InternacionaisRelação bilateral Irã-Rússia · Fornecimento de drones iranianos à Rússia · Capacidades bélicas russas ao Irã · Suporte a conflitos múltiplos · Complexidade de interrelações
- Atuação de Lucia na políticaProtestos internos · Repressão do regime · Unidade contra agressão externa · Inimizade histórica com Israel · Coesão nacional
Em relação ao conflito no Oriente Médio, ainda uma das novidades no noticiário foi a nomeação de Mostab Khamenei como novo líder supremo do país, nomeação essa feita pela Assembleia de Especialistas do Irã. Mostab Khamenei é filho de Ali Khamenei, que foi morto recentemente, no dia 28 de fevereiro, nos ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel.
Agora, nós convidamos o professor Vinícius de Carvalho, que é professor do Departamento de Estudos de Guerra do King's College London. Professor Vinícius de Carvalho, muito obrigado pela gentileza de nos atender no Jornal da CBN. Bom dia para o senhor. Bom dia, é um prazer e uma alegria estar com vocês hoje. Bom dia. Qual é a mensagem que se recebe quando a Assembleia de Especialistas do Irã nomeia Mostab Khamenei como líder supremo do país?
pelo pai, pelo Khamenei. Quer dizer que não há nenhuma concessão às demandas e pressões dos Estados Unidos e de Israel para que houvesse uma mudança na condução do regime. Isso quer dizer que a resposta às agressões que o Irã sofreu recentemente continuarão da mesma maneira e não haverá uma concessão às demandas e às pressões impostas ao país. Aparentemente, esse era um cenário que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
não esperava que ocorresse, né? Aparentemente, sim. A questão toda é entender qual é o cenário que o presidente Trump imagina. É muito difícil determinar, a partir das declarações que ele vem fazendo, qual é o cenário, em termos de relações internacionais, em termos de soberania de país, que ele espera ao fim desse tipo de conflito. Há uma mudança constante a cada dia, é uma explicação distinta pela qual essa campanha foi iniciada, esse ataque foi iniciado.
A cada dia há uma explicação diferente para as ações que os Estados Unidos vêm tomando. Obviamente, o plano principal, essa ideia de uma mudança de regime, ela ficou muito evidente desde o princípio, mas ela nunca foi aliada de como isso aconteceria. Enfim, eliminar o Kamenei foi um dos principais elementos disso, mas não havia um plano claro e conciso e preciso de como se implementar uma mudança de regime. Isso não se faz simplesmente matando-se o líder.
novo regime a partir daí. E essa falta de uma clareza de ação, uma clareza de operação, uma clareza de objetivos, ela é muito clara e demonstrada nesse momento. Enfim, não se sabe nem precisamente quanto tempo os Estados Unidos e Israel preveem uma campanha como essa. A princípio fala-se em alguns dias, depois semanas e sempre com uma linguagem muito dúbia. Ou seja, repetindo a sua pergunta inicial, talvez não seja isso que o que Trump imaginava,
é muito difícil saber o que ele imaginava. A presença de Mostab Khamenei nos leva a pensar que o Irã está decidido, a resistência, e isso estenderia ainda mais este conflito? Obviamente que sim. O Irã não é um país que é fraco militarmente falando, não é um país frágil, não é uma nação que não dispõe de meios, recursos e capacidades militares para fazer frente a uns ataques como esse. Considerando-se o tamanho desse ataque,
notório essa resistência que o Irã tem demonstrado. Além do mais, talvez, e eu não sou um especialista em Oriente Médio, portanto, tomem isso que eu vou dizer como uma hipótese apenas e não como uma declaração muito explícita do que é, mas talvez tenha havido também um equívoco de se pensar que havia suficiente divisão dentro do país após os conflitos ou as pressões internas que o país sofreu recentemente,
com protestos e com assassinatos por parte do regime do Khamenei, de alguns cidadãos que protestavam contra o regime, se imaginou talvez que fosse mais fácil que esse grupo tomasse o poder, levando em conta a pressão interna. No entanto, a agressão ao país, ao Irã como um todo, pode ter servido como um aglutinador desse povo que vai resistir contra uma agressão externa, especialmente vindo de Israel, que é historicamente um inimigo do país. Esses países, considerando Israel,
Estados Unidos e o próprio Irã chegam nesse décimo dia de conflito do ponto de vista de poderio bélico. Eles ainda têm munição suficiente, arma suficiente, recursos suficientes para manter esse conflito? Quem estaria em vantagem? Quem estaria em desvantagem? Obviamente, os Estados Unidos dispõem de um arsenal militar inigualável no mundo hoje.
países no mundo atualmente. O que acontece é que, num conflito de duração que não é calculada, que não é prevista, que não é preparada, muitas vezes o gasto de munição de pessoal e de meios é muito maior do que a capacidade de recompletamento disso tudo. Nesse sentido, para um país como o Irã, que dispõe de meios comparativamente menores do que os Estados Unidos, o alongamento disso é favorável porque também satura a capacidade logística e a capacidade de
do atacante nesse sentido, Estados Unidos e Israel. É preciso observar agora como a indústria de defesa desses dois países vai reagir, vai recompletar as suas capacidades. E naturalmente, por terem uma indústria maior e mais diversificada, a chance de que se recomplete é muito maior do que o Irã, que tem visto sua infraestrutura ser bastante reduzida. O complicador desse elemento é, se continuar por algum tempo, quais serão os aliados
e os parceiros que o Irã vai encontrar em termos de indústria de defesa. Historicamente, Rússia ha sido sempre um país muito próximo ao Irã, muito amigo do regime e com um comércio bilateral bélico grande. O Irã proveu com regularidade drones para a campanha Rússia na Ucrânia. A Rússia proveu sempre o Irã também com capacidades bélicas. Se isso se agravar e se isso continuar, é possível que essa relação bilateral
e o que pode estender a capacidade do Irã por muito mais tempo recebendo esses meios russos. É importante notar que também todos os dois lados desse conflito estão sob uma pressão muito grande de apoio a um outro conflito, que é o conflito russo-ucraniano. Então, é preciso levar em conta que boa parte daquela munição e equipamento usado pela Ucrânia contra a Rússia, ela também provém de arsenais americanos. E é preciso levar em conta que muito desses que a Rússia usa na Ucrânia
dos arsenais iranianos. Ou seja, a gente está criando um quadro bastante complexo de inter-relações entre conflitos que tende a se agravar. Professor Vinícius de Carvalho, muito obrigado pela sua análise e conhecimento compartilhados aqui com os ouvintes do Jornal da CBN. Um bom dia para o senhor. Bom dia e muito obrigado mais uma vez. Bom dia. Professor do Departamento de Estudos de Guerra do King's College London, Vinícius de Carvalho, conversou com você no Jornal da CBN.