Reabertura do espaço aéreo nos Emirados Árabes permite que brasileiros saiam do país, diz embaixador
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- Conflito EUA-IrãMísseis e drones · Alvos (aeroportos, áreas públicas) · Taxa de interceptação · Impacto nas ruas · Sirenes e abrigos
- AviacaoCorredor aéreo protegido · Voos normalizados · Autorização da Defesa · Segurança operacional · Capacidade de passageiros
- Opções de saída para brasileirosVoos para Brasil · Fronteira com Omã · Fronteira com Arábia Saudita · Rotas alternativas · Capacidade de 800 pessoas/dia
- Geopolítica EnergéticaBloqueio do estreito · Navios retidos · Impacto comercial · Repatriação de passageiros · Cruzeiro com 5.350 brasileiros
- Tecnologia Seguranca PublicaPaís naturalmente seguro · Défesa eficiente · Índice de interceptação 95% · Drones desviados para o mar · Impacto na reputação
- Impacto de ataques em vidas e quadro internacionalTrabalho remoto na embaixada · Efeitos em crianças · Trauma e Comportamento · Normalização gradual · Adaptação às sirenes
- Relacoes EUA-IraSucessão de Mojtaba Khamenei · Anúncio de novo líder supremo · Timing dos ataques · Contexto político iraniano
Nós voltamos a olhar a situação no Oriente Médio. Já tivemos aqui conversas com especialistas, atualizamos informações. E agora nós vamos para a região dos Emirados Árabes Unidos, porque temos oportunidade de conversar ao vivo com o embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos, embaixador Sidney Romero, a quem eu agradeço pela gentileza de ter aceitado o nosso convite. Um bom dia para o senhor, embaixador. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Obrigado pelo convite, por participar. Bom dia. Embaixador, os Emirados Árabes Unidos,
Seguem sendo alvos de ataques do Irã como resposta aos Estados Unidos e Israel nestas últimas horas? Sim, segue Milton. Na verdade, os Emirados Árabes têm sido o principal alvo. Depois de Israel, esse país é o que tem sido mais alvejado nessa retaliação iraniana. Então, só nesse fim de semana, nós tivemos, só ontem, nós tivemos 16 mísseis e 113 drones.
240 mísseis e quase 1.500 drones. Então, é uma situação bastante tensa. E o país tem conseguido interceptar esses mísseis, esses drones? Qual é a situação pelas ruas das principais cidades do país, embaixador? Cássia, tem conseguido. Eles são muito preparados, eles têm uma indústria de defesa bastante eficiência, já tinha antes do conflito, mas ninguém esperava que fosse nessa intensidade.
Shelters, abrigo para a população quando soam os alarmes. Mas, de modo geral, eles conseguem avisar a gente, faltando alguns minutos antes da interceptação. Então, quando eles mandam esses avisos pelos celulares, a gente procura se abrigar embaixo da escada. Mas pegou todo mundo de surpresa, de maneira que o clima é bastante tenso aqui ainda. E quais são os alvos dos ataques do Irã nesta região? Olha, nos Emirados Árabes,
Existem os aeroportos, tanto aqui de Abu Dhabi quanto de Dubai, também hotéis, os drones, que não têm um calibre perfeito. Então, eles atacam também, eles caem em hotéis, em áreas públicas, em shopping centers, como a gente viu semana passada. O próprio consulado americano em Dubai foi afetado. O índice de interceptação dos mísseis é algo como 95%, é bastante alto.
Embaixador, qual o número estimado de brasileiros vivendo nos Emirados Árabes e qual que é o perfil dessa comunidade?
É uma comunidade da qual nós temos muito orgulho. São profissionais de diversas áreas, da área de aviação. Só de jiu-jitsu aqui, de instrutores de jiu-jitsu, nós temos quase 2 mil, entre homens e mulheres, engenheiros, médicos. São bastante qualificados. E é um país que oferece muitas oportunidades. Nós temos aqui 30 empresas brasileiras, empresas de alto padrão, sabe?
Então, eles perfazem essa comunidade que é muito ativa, muito motivada. Nós temos muitas feiras com representantes brasileiros aqui, muito empreendedorismo, né? Muitos investimentos dos Emirados no Brasil também, dos fundos soberanos. Então, nós temos uma relação muito intensa que atrai muitos brasileiros para vir para cá. Como é que tem sido impactada a dinâmica de todas essas pessoas, do próprio trabalho da embaixada e das pessoas que estão vivendo hoje nos Emirados Árabes?
quando começou, isso tudo começou no sábado, né? Domingo estava todo mundo ainda impactado e na segunda-feira, conversando com os outros colegas de outras embaixadas, empresas aqui, quase todo mundo suspendeu, passou a ser trabalho virtual, né? Então, nós suspendemos, passamos a trabalhar virtualmente até quarta-feira e a gente vai se adaptando, né? Quando soam os alarmes, a gente busca abrigo em algum lugar e no dia-a-dia, quando a gente retomou o trabalho na quinta-feira,
É vida normal, continuamos trabalhando na embaixada e quando soam os alarmes, o pior é de madrugada mesmo, é quando é mais impactante para crianças e tudo mais, é bastante traumático. O barulho dos alarmes, os estrondos de interceptação dos drones, é algo que não se esquece, ao longo da vida a gente não se esquece. Os brasileiros que queiram deixar o país, tem como fazer isso atualmente, embaixador? Sim, nós trabalhamos bastante,
desde semana passada. A fronteira com Oman está aberta e a fronteira com a Arábia Saudita também. A fronteira de Oman é relativamente simples. São duas horas daqui de Abu Dhabi até a fronteira. Você pode entrar no país com visto de 14 dias. A estrada é tranquila, é segura. Depois de ir da fronteira até Mascate, a capital, deve ser algo como três ou quatro horas mais. E aí pode-se pegar o avião. Mas os voos estão saindo normalmente aqui de Dubai. Nós temos dois aviões,
que saem daqui para o Brasil. Temos um A380 com capacidade para 500 passageiros e temos um 777 que vai para o Rio de Janeiro e depois prossegue para a Buenos Aires. Esses dois aviões estão saindo normalmente, todos os dias. O para o Rio sai às 8 da manhã e o que vai para São Paulo sai às 9. Então aí nós já temos uma vazão de quase 800 pessoas por dia que podem ir para o Brasil.
as passagens online e se dirigindo ao país se não quiser ficar no país. Mesmo com esses riscos de ataques, os aeroportos estão funcionando hoje normalmente? Funciona, Milton, mas é assim. Por exemplo, as pessoas vão no domingo, por exemplo, o voo saiu só duas da tarde, porque caiu um drone lá, pegou fogo numa área externa do aeroporto, mas eles são muito ansiosos aqui, são muito precavidos, então só liberaram depois que eles tinham
100% de segurança. Então, o voo foi adiado. Deveria sair às 9, saiu às 2 da tarde. De modo geral, tem saído no horário. Um às 8 da manhã e o outro às 9. Mas a autorização aérea aqui do Ministério da Defesa só autoriza quando é 100% seguro. Isso dá muita segurança, porque eles criaram a espécie de um corredor aéreo que sai dos Emirados até o Golfo. Não o Golfo Pérsico, mas o Golfo ali do Iêmen. Ali não tem muito mais
risco, o risco maior é aqui em território. Então, a gente está falando de 40 a 1 hora, que é um espaço de maior vulnerabilidade. E esse corredor aéreo é bastante protegido. Então, quando eles dão autorização, é porque os riscos são quase inexistentes. O senhor se referiu agora há pouco sobre fronteira com Oman, Emirados Árabes Unidos, tem Oman, tem Arábia Saudita e na outra ponta, seguindo em direção ali, olhando o mapa em direção a Dubai, você tem lá o Estreito.
situação ali no Estreito, o senhor tem alguma informação que o senhor poderia relatar conosco? Meu, o Estreito está sendo uma área mais complicada agora, né? O Estreito está fechado. Nós tínhamos, inclusive, a situação de um navio, semana passada, que estava ali com 5 mil passageiros desses, 5.350 eram brasileiros, imagina, vieram fazer um cruzeiro aqui pelo Golfo, iriam voltar, o navio iria sair dali, iria passear depois nessa região
aqui, com a guerra, ficou impedido de sair pelo Estreito de Hormuz. E não tinham para onde ir, foram alguns dias de bastante tensão para tentar repatriar essa comunidade de brasileiros. No final, eles conseguiram, ficaram poucos, acho que tem apenas uns 20 aqui hoje, mas é só para te dar uma ideia da escala, o quanto o fechamento de Hormuz pode impactar não só a vida comercial, mas a vida civil também aqui nos Emirados. Embaixador, concluindo aqui essa nossa conversa com o senhor, eu lhe pergunto
O senhor já disse que, primeiro, foi uma surpresa e tem sido uma surpresa para essa região ter sido alvo desses ataques num momento como esse. Qual é a expectativa que vocês têm de uma solução para esse cenário que nós estamos assistindo agora, olhando aí até do ponto de vista político nessas negociações? Milton, quando o governo iraniano informou no domingo, no sábado, que iria parar os ataques, isso trouxe muito alento para todo mundo.
tinha, é que isso iria dissipar rapidamente a tensão e a vida ia entrar em normalidade, porque o que afeta a segurança aqui hoje é basicamente isso, são esses ataques. Esse é um país seguro, é conhecido por ser um país seguro. Se você conversar com qualquer pessoa, não sei se você já veio para cá, mas é um país extremamente seguro, não tem, você pode sair com seu relógio na rua, duas da manhã, ele é conhecido pela segurança. Tudo isso foi prejudicado agora por esses ataques. Então, quando o governo iraniano informou que iria
suspender, houve um grande alento, mas rapidamente, no mesmo dia à noite, começaram os ataques e isso trouxe mais desânimo agora para a gente. Estamos convivendo com essa realidade, muito difícil, e estamos acompanhando. O governo brasileiro fez tudo o que é possível. Nós nos informamos diretamente com o Itamaraty, com outras embaixadas, com o governo emirático, com a comunidade brasileira, que é sempre tão atenciosa, sempre tão compreensiva. Então,
a gente faz o que é possível, mas é bastante tênis. Embaixador, muito obrigado pela sua gentileza de conversar conosco, pelas suas informações aqui no Jornal da CBN. Um bom dia para o senhor. Bom dia, Milton. Bom dia, Cassio. Um bom dia para vocês. Obrigado. Embaixador Sidney Romero, embaixador brasileiro nos Emirados Árabes Unidos, conversou com você agora que são 9 horas e 19 minutos.