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Oriente Médio: efeito da alta do petróleo não deve ser imediato no Brasil, explica Padovani, do BV

09 de março de 202611min
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Na escalada de tensões e conflitos no Oriente Médio, sem sinal de apaziguamento, o preço do petróleo voltou a subir nesta segunda-feira (9). No momento, se aproxima de US$ 120 o barril. Em entrevista ao Jornal da CBN, o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, explica que o efeito do aumento não será imediato no Brasil. A maior possibilidade, por hora, é de afetar as decisões de consumidores e investidores.

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Assuntos7
  • Preços de Combustíveis e PetróleoEfeito não imediato nos combustíveis · Impacto psicológico em consumidores e investidores · Reajuste da Petrobras · Inflação generalizada · Aumento de custos
  • Conflito EUA-IrãEscalada de tensões entre Irã e outros países · Fechamento do Estreito de Ormuz · Duração esperada do conflito · Fraqueza diplomática do governo iraniano · Postura de conflito permanente dos EUA
  • Inflação e Política MonetáriaAumento generalizado de preços · Crédito mais caro · Desconforto global com inflação · Redução do crescimento econômico · Custo de vida para população
  • Geopolítica de Trump, Xi e PutinAmbiente político muito instável · Conflitos sucessivos (Venezuela, Irã, Cuba) · Baixa previsibilidade de ações americanas · Cautela de investidores internacionais · Postura agressiva dos EUA
  • Decisão do Copom sobre taxa de jurosCorte de juros limitado · Juros elevados · Impacto na bolsa brasileira · Decisões futuras baseadas em cenário
  • Impacto global em mercados emergentesMundo crescendo menos · Ambiente cauteloso internacionalmente · Favorecimento ou desfavorecimento do Brasil · Comparação com mercados desenvolvidos · Redução de investimento em emergentes
  • Mercado FinanceiroPressão no dólar · Padrões históricos comportados · Fuga de capital para mercados emergentes · Incerteza geopolítica
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Agora são 10 horas 47 minutos. Falávamos há pouco a respeito das mudanças relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Semana começando com petróleo acima dos 100 dólares o barril. Depois aquela escalada na tensão entre os conflitos que estão acontecendo no Irã e se espalham pelos países do Oriente Médio. No Brasil, dólares, juros futuros avançam com a versão global ao risco.

Juntos, nós convidamos o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, que está conosco na linha. Já agradeço a participação. Bom dia para você, Roberto. Oi, bom dia. Obrigado pelo convite. Nós que agradecemos a participação para tentar esclarecer, de fato, o que essas notícias que impactam o cenário mundial vão, de fato, impactar o nosso dia a dia. O que acontece, a partir de agora, quando a gente tem um petróleo chegando acima de 100 dólares o barril?

por exemplo, nos postos de combustíveis aqui em São Paulo, no Brasil? Não, o efeito não é imediato. O que talvez seja mais rápido é a cautela de consumidores, investidores, empresários. Está todo mundo assustado, isso acaba afetando as decisões de consumo, investimento, crédito. Então tem um impacto muito mais psicológico nesse momento. Pensando no nosso bolso em termos reais, o que a gente vai ter que avaliar é a extensão desse conflito.

100 dólares no barril, maior a chance que a Petrobras reajuste os preços de combustíveis e aí sim você tem um impacto real na economia. Isso vai implicar um aumento generalizado de preço. No final do dia, o Banco Central pode cortar menos a taxa de juros, então o crédito fica mais caro e o que a gente vai ter com a inflação subida, menos poder de consumo da população, as coisas vão ficar mais caras,

crediário ainda muito caro. Então, no final, é menos crescimento econômico. Mas isso ainda é um processo que precisa ser observado. A gente não está lá ainda, mas existe essa preocupação. Eu falei em acima dos 100 dólares o barril, já está se aproximando dos 120 dólares por barril. Uma conta rápida ali, cerca de 630 reais, viu, Muniz? O Padovaninho ia perguntar isso. Pelo que eu estou entendendo da sua fala, mais do que o valor do

dólar, a cotação do barril bater um índice muito alto é a extensão prolongada desse valor muito alto que mais preocupa. Se eu tiver feito uma análise equivocada, me corrija, mas a minha pergunta vai nesse sentido. Qual é um período em que a gente consegue evitar que o petróleo, essa alta do petróleo, impacte aqui nos combustíveis no Brasil? Por quanto tempo que essa alta, a partir de quanto tempo que essa alta pode acabar preocupando?

E se tem uma relação desse período mais prolongado com o fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passa a boa

do petróleo internacional, que está fechado esse estreito desde que essa guerra começou. Então, por quanto tempo é possível evitar, a partir de quanto tempo, essa alta no preço do petróleo pode acabar, sim, refletindo nos preços aqui no Brasil? E qual é a relação que você vê com o fechamento ou a reabertura do estreito de Hormuz para suavizar esses preços? Não existe uma regra clara, assim, quantas semanas a Petrobras vai reabertar os preços internos. O que existe é muito mais uma leitura de que, se caso haja um convencimento,

de todos os empresários, de que esses preços vieram pra ficar por um motivo ou por outro. Isso vai estimular com que todas as empresas repassem esses custos, principalmente a Petrobras. Isso tem muito mais a ver com a leitura consensual em relação à extensão do conflito. O que prevalece hoje é a noção de que esse fechamento do estreito, que afeta a distribuição de petróleo no mundo, não é algo que vai ser duradouro. Por que não?

Porque você tem um governo iraniano diplomaticamente, politicamente fraco, com baixa capacidade militar. Por outro lado, os Estados Unidos não podem também prolongar esse conflito, porque isso traz um custo no ano eleitoral para eles. O petróleo sobe, o repasse nos Estados Unidos é muito mais rápido. A agenda política do governo não é essa nos Estados Unidos. Existe também um desconforto global com o aumento eventual da inflação.

apoio muito discreto, preocupações com a China, por exemplo. Então, os incentivos não são de que esse conflito vá durar muito e, portanto, o estreito não fique fechado por muito tempo. Agora, caso haja uma leitura de que não, essa é a história a partir de agora e o petróleo mudou definitivamente de patamar, esse vai ser o gatilho para reajuste. Eu diria que, nas próximas duas, três semanas, todo mundo vai avaliar o quadro antes de partir para reajuste. Então, a gente tem uma preocupação potencial com o aumento da inflação,

custos da gasolina aqui no Brasil. Mas ainda a gente está na fase de monitoramento. O mundo está olhando com muita atenção para ver o que acontece com o cenário dos próximos meses. De certa forma, quando a gente olha todo esse cenário, há uma situação envolvendo também não só o petróleo, mas outros produtos importantes. Gás natural, os preços da energia acabam sendo alterados diante de todo esse embrólio de guerra. Se fala em reserva de emergência. Com essa perspectiva,

há um temor justamente dessa onda inflacionária que afetaria, de certa forma, a economia global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimiza essa alta do petróleo. Destaca que é importante eliminar a ameaça nuclear do Irã. Está seguindo nessa linha. Agora, por mais que a guerra não se prolongue por muito tempo, os impactos desse período serão sentidos globalmente. De que forma, além do petróleo, quais são outros fatores

Olha, uma coisa que a gente está aprendendo neste ano de 2026 é que o ambiente geopolítico é muito instável. A gente teve o episódio da Venezuela, depois a história grave da Groenlândia, agora Irã. Então, o que a gente nota é que a postura de política externa do governo norte-americano é uma postura de conflito permanente. Os temas vão se sucedendo, até a gente, nos últimos dias, foi levantada a história de Cuba,

pode ter alguma tensão na América Latina também. Então, o que está sendo sinalizado é de que a gente vive um redesenho da ordem global com instabilidades muito pronunciadas e, mais do que instabilidade, um quadro de baixa previsibilidade. Ninguém consegue antecipar qual é o próximo passo da política externa norte-americana. Isso daí gera uma postura de cautela dos investidores internacionais. O que a gente tem sentido dificuldade é de avaliar como isso impacta o Brasil,

Por um lado, quando você tem um mundo que cresce menos, de um ambiente muito mais cauteloso, historicamente isso não favorece fluxo de capitais para cá. Então, o que a gente tem é dólares subindo de preço, o que afeta também o custo das empresas. Mas, curiosamente, você pode ter um movimento diferente que a gente tem visto, por exemplo, ao longo do ano passado. As pessoas olham os Estados Unidos como uma fonte de ruído e aí os investidores acabam reduzindo sua posição na economia norte-americana,

e isso acaba favorecendo o mercado de emergência como o brasileiro. Então a gente está num redesenho da ordem global e a gente ainda não entendeu se isso mais atrapalha ou mais ajuda economias como a brasileira. Eu diria que nesse momento a situação está relativamente controlada. O dólar está pressionado, mas para padrões históricos bem comportado. Existe uma desconfiança em relação aos Estados Unidos que favorece os mercados emergentes. Então tem muita coisa acontecendo.

Mas tirando o petróleo, a resposta é que claramente o que vai bater aqui é o movimento do dólar. Eu ia te perguntar um pouco também sobre essas repercussões no mercado, mas pensando na Bolsa de Valores, Padovani. A gente teve a Bolsa, o Ibovespa, superando os 180 mil, ficando ali perto dos 180 mil por muito tempo. E agora a gente está, nesse momento, com uma queda 0,22. Não é uma queda super expressiva, mas a 178.965 pontos, algo por volta disso. Como que você entende isso?

Por que isso tem relação com esse conflito no Oriente Médio? O que mudou no humor dos investidores? E se você entende que essa deve ser a tendência se essa crise continuar ou se o Brasil pode voltar a ter, ainda assim, bons desempenhos na Bolsa de Valores, ainda que o conflito continue no Oriente Médio?

instável favorece fluxos de capitais para mercados emergentes. Então, isso acaba segurando um pouco a Bolsa. Agora, o que está prevalecendo nos últimos dias é a leitura de que você tem imprevisibilidade do cenário e uma eventual pressão inflacionária que faça com que o corte de juros pelo Banco Central seja limitado. O que a gente sabe é que taxas de juros elevadas não ajudam a Bolsa brasileira

O primeiro deles é que com juros elevados, isso torna a vida financeira das empresas mais complicada e, portanto, diminui seu valor no mercado. A gente também tem o cálculo de valor dessas empresas, ele acaba diminuindo com juros muito altos. E, por fim, tem investidores que preferem ficar aplicados em renda fixa e em renda variável. Então, o que está prevalecendo no final é essa leitura mais negativa, de que você tem um ambiente instável, imprevisível, juros mais altos.

Isso historicamente não é bom para as bolsas em lugar nenhum do mundo, mas principalmente aqui no Brasil. Bom, a gente continua monitorando, acompanhando o que ocorre lá no Oriente Médio, os impactos não só no Brasil, mas no mundo todo. Te agradeço muito, Roberto Padovani, pela sua participação com a gente, economista-chefe do Banco BV, esclarecendo um pouco desse cenário aqui no CBN São Paulo. Um abraço e até a próxima. Obrigado pelo convite e até a próxima. Muito obrigado, bom dia.