Datafolha: 'drama está na rejeição', diz Bruno Silva
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- Banco MasterMensagens entre Daniel Vorcário e Alexandre de Morais · Análise técnica da Polícia Federal · Envolvimento de figuras políticas e econômicas · Funcionários do Banco Central envolvidos · Políticos de diversos poderes (legislativo, executivo) · Morte de Luis Felipe Machado de Morais Morão · Vazamento de mensagens
- Segurança OperacionalMilícia comandada por Daniel Vorcário · Monitoramento de jornalistas · Monitoramento de adversários políticos · Planejamento de eliminação de adversários · Conexão com crime organizado
- Atuação de Lucia na políticaCenário de segundo turno Lula vs Flávio Bolsonaro · Intenções de voto (Lula 46%, Flávio Bolsonaro 43%) · Comparação com pesquisa anterior (Lula 51%, Bolsonaro 36%) · Cenário Lula vs Tarcísio (Lula 45%, Tarcísio 42%) · Consolidação de preferências eleitorais · Rejeição de candidatos
- Drama e Rejeição PolíticaAltos índices de rejeição de ambos candidatos · Diferenças entre rejeição consolidada (Lula) e em construção (Flávio) · Cristalização de posições políticas · Campanhas plebicitárias vs escolhas de projeto · Papel do eleitor indeciso
- CorrupçãoApropriação de cargos públicos para benefício pessoal · Influência indevida de empresários sobre ministros · Desvirtuamento dos princípios republicanos · Falta de separação entre público e privado · Corrupção administrativa
- Revelações na DelaçãoOutros atores poderosos potencialmente envolvidos · Quantidade de material ainda a ser divulgado · Negociacao de Conflitos · Menção de Antonio Rueda e David Columbre · Risco de politização das investigações
- Relacionamentos entre elites políticas e econômicasFinanciamento de campanhas por grandes empresas · Relações complexas entre banqueiros e políticos · Decisão do STF em 2015 sobre financiamento empresarial · Efeitos históricos da Lava Jato · Fundo de financiamento bilionário de campanhas
- Eleições Rio de JaneiroQuestionamento do STF pela sociedade · Comportamento controverso de ministros · Críticas sobre decisões judiciais · Rol de Astoffel e Alexandre de Morais · Desproporcionalidade nas ações
- CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre MasterInvestigação parlamentar do escândalo · Possíveis acordos políticos para frear investigação · Pressão de setores políticos para limitar alcance · Interesse político versus busca por verdade · Risco de politização da investigação
- STF Setor PrivadoHipótese de processo de impeachment · Competência do Senado em julgamento · Resistência e negação de envolvimento · Fortalecimento ou enfraquecimento político · Relevância das provas
Revista CBN. Política. Bruno Silva, comentarista de política. Bruno, boa tarde. Eu não sei nem por onde começar. Boa tarde, Petra. Boa tarde a todos os queridos ouvintes. Eu confesso que nem eu sei por onde a gente começa. Então, a âncora aqui sou eu. Tenho que botar ordem nessa Brasília. Vamos começar por Datafolha? Vou sair, a gente fala de Vorkar, o Banco Master, STF.
Mas agora vamos com Data Folha, assunto quente no nosso sábado. Porque a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se consolida no campo oposto do presidente Lula na disputa presidencial. Isso é o que aponta o Data Folha. A gente está dando crédito aqui para a Folha de São Paulo. O senador Fluminense se aproxima do petista nas simulações do primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43%
versus 46% de Lula. Vamos analisar a Datafolha nesse sábado, Bruno? Vamos lá, Petra. Primeiro ponto importante. O Datafolha, na verdade, está reproduzindo o padrão, na verdade, que foi identificado há uns dias atrás por uma outra pesquisa. Passou meio despercebido, porque agora são muitas pesquisas, né, Petra, que começam a surgir. A Atlas Intel, inclusive, quero até sinalizar aqui em 2022, ela trouxe resultados bem interessantes também e chegou bem próximo àquilo que acabou acontecendo nas eleições.
da Folha agora consegue aferir também com outra metodologia, de outra forma, algo muito parecido. O que isso indica para nós? Tem um cenário, pelo menos até aqui, e aí eu vou falar até aqui, porque depois que a gente vai comentar pode mudar sempre a história da política, porque política é aquela coisa, um dia está de um jeito, dependendo dos fatos, pode estar de outro completamente distinto. Mas pelo menos até aqui vai consolidando aquilo que era o óbvio e aquilo que a gente já imaginava.
De um lado você tem o atual presidente da República, Lula, que consegue atingir o percentual de votos
importantíssimos. Então, a gente está falando de 46% das intenções de voto nessa simulação de um eventual segundo turno. E, por outro lado, o Flávio Bolsonaro, que conseguiu, portanto, não só se consolidar, pelo menos com base no que as pesquisas vêm mostrando, mas tem se colocado como, de fato, uma opção que pode ser uma opção a ponto de agregar votos. Onde está o drama todo, Petra, dessa pesquisa e daquilo que a gente vem analisando no cenário político de maneira geral quando se trata de intenção
voto sobretudo. O drama está na rejeição. O drama está na rejeição. Por quê? As rejeições de ambos, tanto Lula quanto Flávio, são bem altas com uma diferença. Lula já é um político que disputou várias eleições majoritárias à presidência, já foi presidente, portanto, três vezes, vai tentar agora o seu quarto mandato. Então, quem gosta, gosta. Quem não gosta, já tem uma preferência relativamente consolidada. Agora, Flávio é um estreante nessa disputa e já tem uma rejeição muito grande, sendo que ainda é um nome
de alguma forma a ser construído. Então, isso nos leva a entender que essas rejeições, na verdade, elas mostram muito daquilo que é o não desejo por parte expressiva dos eleitores. Ou seja, eu não quero que o outro personagem do outro lado, ou seja, Bolsonaro seja o candidato, certamente por parte daqueles que estão ali no espectro, que não querem votar nele, e do outro lado a mesma coisa em relação a Lula. Então, essas rejeições, elas fazem esse apontamento que é relativamente
óbvio, mas mostra para nós o quanto está meio cristalizado, o quanto está meio consolidado essa posição de aversão em relação a um em relação ao projeto do outro. Petra, o que isso também nos coloca como desafio? Pensar que, dependendo de como essas campanhas forem construídas, como esses candidatos chegarem até a disputa, que nós vamos, infelizmente, ter mais uma vez uma campanha plebiscitária no Brasil, ou levar a uma condição de uma campanha plebiscitária à presidência da República, na qual você não escolhe a favor de um projeto,
mas você pode vir a ter que dar um voto útil ali no final das contas, rejeitando aquilo que você entende que poderia vir a ser o mal maior ou a sua falta de preferência maior. Então acho que é complicado. É complicado porque a gente já tem um cenário relativamente bem consolidado nesse início até aqui. E os outros candidatos tentando ainda se desenhar como alternativas. Mas falo até a página 2, que como a gente sabe, em Brasília o caldeirão está fervendo.
que como números, o cenário do Datafolha, o cenário de segundo turno, como eu disse, Lula teria 46% e Flávio Bolsonaro 43%. Só para contextualizar para o nosso ouvinte, no levantamento anterior, foi divulgado em dezembro, o presidente aparecia com 51% das intenções e 36%. Então já deu uma diferença bastante grande. Agora, se a gente for olhar para Lula versus Tarcísio, o Datafolha também,
perguntou aos entrevistados em quem votariam para presidente em um cenário de segundo turno entre Lula e o governador de São Paulo. E aí, Lula aparece com 45 e o governador 42. Mas também não é uma diferença muito grande não, né, Bruno? O que, de novo, aponta para esse cenário de relativa, vamos dizer assim, estabilidade das preferências desses polos que estão em disputa. São polos, né? Exato. São polos, né? Vamos ser honestos e transparentes com o ouvinte, né?
Flávio Bolsonaro, mas na verdade é o Bolsonaro que está por trás também, que é o grande nome, vamos dizer assim, é o Bolsonaro. O pai é que ele não está na condição de candidato e está tentando fazer de tudo para construir o seu filho. Nada também muito diferente, vamos lembrar aqui, né, Petra, do que foram outras eleições quando, por exemplo, o Lula tinha um desafio semelhante quando deve construir Dilma candidato e muitos falam assim, você vai votar em quem?
Eu lembro disso na época das eleições da Dilma. Você vai votar em quem? Eu vou votar na candidata do Lula, né? Então, muitos estão dizendo aqui, eu vou votar em quem? Eu vou votar no Bolsonaro, independente se vai ser o pai, o filho ou quem.
aparecer ali e vai acabar votando neles. Acho que a grande questão a ser respondida ainda pelas eleições de 2026, Petra, é assim. O que o eleitor indeciso e aquele eleitor que, de alguma forma, ele não está dentro dessa lógica, dessa polaridade toda, o que esse eleitor vai decidir? E aí é uma incógnita muito grande, porque muitas das vezes é um eleitorado que não acompanha a política de forma tão intensa, é um eleitorado que não tem uma preferência tão consolidada, mas que acaba sendo decisiva. É aquela que rejeita,
ambos, não queira ambos, às vezes também fala, ah, eu vou dar um voto branco, um voto nulo, mas é esses que tem que ser mobilizados, porque aqueles que já estão de algum modo, vamos chamar assim, cristalizados na sua preferência, e a gente consegue identificar muito bem através das pesquisas isso, né, esses que estão cristalizados vão mudar a sua percepção de modo algum, né, então isso vai permanecer dessa forma, salvo se acontecer alguma coisa muito grave daqui até as eleições como um todo. Bruno, vou fazer uma breve pausa aqui pro repórter CBN,
a gente tem um boletim também do esporte. E aí, na sequência, eu volto com o Bruno Silva aqui no Revista para analisar. Isso é só o começo. Teve data folha, mas tem muito mais para a gente analisar nesse caldeirão que está fervendo em Brasília. Bruno, em instantes eu volto com você, tá bom? Fechado, fechado. Repórter CBN agora. Revista CBN. Política. E Brasil. A gente traz o destaque agora para você,
repercussão que fizemos com o analista Bruno Silva a respeito da pesquisa Datafolha, trazendo aí números importantes, a fotografia do cenário político nacional, a gente entra na grande questão que faz Brasília pegar fogo. O jornal O Globo publicou na noite dessa sexta-feira reportagem informando que os dados das mensagens trocadas no dia 17 de novembro entre Daniel Vorcário e o ministro Alexandre de Moraes do STF,
foram retirados do celular do dono do master por meio de análise técnica da Polícia Federal e que essa análise permitiu visualizar ao mesmo tempo a tela de WhatsApp com as mensagens e as imagens de visualização única nela contida. E a gente vai repercutir um pouco o que veio à tona nesses últimos dias a respeito dessas conversas de Vorcaro com esse número em nome do ministro Alexandre de Moraes, conferido e checado pelo jornal.
O que temos a dizer a respeito de mais esse escândalo, Bruno Silva, a gente que vem aí nos últimos, se a gente pegar a última década, muitos escândalos permeando a história do Brasil. E esse que vai trazendo ainda mais espanto para a gente. Eu queria um pouco da tua análise. Claro que o factual que está acontecendo em Brasília agora, esse quente, a qualquer momento a gente pode ter aí repórteres entrando aqui no Revista CBN,
com a atualização de informação para a gente, mas um contexto de muitas crises vividas pelo Brasil nos últimos anos, Bruno. Não tenha dúvida, Petra. Quando a gente falou ainda há pouco que era difícil até a gente conseguir começar a falar por onde começamos, por onde iniciamos essa história toda, porque é difícil você identificar um ponto, algo que é isolado. Eu acho que esse caso do Master, o que está chamando mais atenção, o que está deixando todo mundo muito estarrecido até aqui,
que obviamente acompanha a política com o mínimo de esperança que ela possa funcionar de modo importante para os cidadãos, devolvendo políticas de qualidade, serviços, enfim, acreditando que é por ali que a gente pode construir uma sociedade melhor. Então, para todos aqueles que olham a política minimamente com esse desejo, a gente fica mais estarrecido ainda de imaginar que o ministro do Supremo Tribunal Federal tenha trocado mensagens com um banqueiro que está sendo investigado, envolto,
pelo menos o que já está se desenhando até agora, de envolvimento entre atores em posições políticas decisórias ou atores importantes de respeitabilidade nas mais diversas instituições da República Pétria. Eu não consigo me lembrar de maneira automática ou de modo tão tranquilo um escândalo que você tenha tantos personagens ao mesmo tempo sendo arrolados. É óbvio que todo mundo vai ter o direito de se defender, vai argumentar a favor de si,
fazendo a sua defesa e tal. Mas o que chama atenção é isso. Ministro Supremo Tribunal Federal, a questão lá do sicário envolvendo a turma, enfim, uma organização criminosa, onde você tem, inclusive, funcionários ligados ali, arrolados do Banco Central. Você tem políticos nos mais diversos poderes, no Legislativo, no Executivo, eventualmente outras tantas figuras que o foco principal está no Poder Judiciário. Então, eu não consigo me recordar, pelo menos no primeiro momento,
tivesse tantos atores envolvidos em posição tão delicada assim. Mas quando a gente fala que é difícil achar o ponto inicial, é porque se a gente voltar um pouco mais na história, o Brasil, infelizmente, vem sendo marcado nas últimas décadas por escândalos e escândalos de corrupção. E a gente não pode negar, sob aspecto algum, fato algum, né, sob nenhum aspecto, que esses escândalos de corrupção, eles acabaram produzindo efeitos que são efeitos práticos muito complexos,
a sociedade brasileira. Eu vou falar só dois deles aqui, mas teria muitos outros para a gente poder debater e pensar. Mas o primeiro deles, Petra, vamos lembrar que muitos dos escândalos, eles estavam intimamente associados, relacionados à questão de financiamento de campanha dos próprios políticos. Ou seja, além de muitos políticos buscarem enriquecimentos ilícitos, beneficiavam-se do financiamento de campanhas ligados a banqueiros, donos de grandes empresas, que desvirtuavam completamente o jogo democrático nesse país. Tanto que em 2015, o Supremo Tribunal Federal, quando decide
que não é mais para as empresas doarem dinheiro de recurso de campanha, é porque a gente já estava no contexto da Lava Jato explicitando coisas que eram relações complexíssimas. Se olhava para o Congresso naquele contexto ali, praticamente metade do Congresso envolta em investigações, lavagem de dinheiro, enfim, recursos que foram financiados com caixa 2, etc. Então, a partir dali, se criou uma percepção de que, olha, estão intervindo para tentar regular um pouco essa situação. Mas o impacto no sistema político,
Ele já tinha sido dado até aquele momento. Dali para cá, o que a gente viu? Um profundo rearranjo do sistema como um todo e os atores cada vez mais correndo para o colo do Estado a fim de poder obter recurso para financiar a campanha. Nós estamos em ano de eleições, estamos falando hora ou outra de eleições, mas o fato concreto é quem paga a conta dessa história toda. Então, quem paga hoje em tese, pelo menos, seria mais a sociedade do que necessariamente empresários, banqueiros e análogos.
Tanto que o fundo de financiamento de campanha, vamos destacar aqui, ele é um fundo bilionário.
né, Petra e ouvintes? É um fundo de 5 bilhões de reais. Mas parece que só isso não explica, portanto, essas ligações, né? Porque o que a gente tem visto, principalmente com base no que está sendo explicitado agora, nesse caso do Master, por exemplo, é que desde pelo menos 2019, muitos dos personagens envoltos nessa história de quando o banco vai sendo criado, estão de alguma forma tendo ligações, estão de alguma forma se beneficiando, votando medidas e tudo mais. Então, acho que aí isso nos desperta para um segundo grande drama
problema, a meu juízo, que nós temos no Brasil também. Primeiro tem a ver com essa questão do financiamento da campanha, dessa relação de promiscuidade, que eu vou chamar aqui, infelizmente, entre muitos políticos ou figuras em posição decisória no Estado brasileiro, com aqueles que são os donos da grana, do dinheiro no país. E aí o segundo, que é um ponto para mim, que ele é complexíssimo, que tem a ver não com o financiamento de campanha, mas tem a ver, por outro lado, com aquilo que é um verdadeiro drama no Brasil, que é o fato de que muitos tratam
coisa pública, como se fosse um puxadinho dos seus interesses, dos seus negócios particulares. Então, muitos acabam se beneficiando de posições, de cargos, acabam se beneficiando da situação em que estão e veem aquilo como um gerenciamento próprio. Ou seja, se eu estou aqui nessa posição, por que não ter influência? Por que não conversar com empresários, etc., o tempo todo? Então, não existe isso. Que empresário vai ter o tempo todo no seu WhatsApp, no seu celular?
Contato de um ministro do Supremo Tribunal Federal que, quando a coisa aperta no momento de uma prisão, manda uma mensagem. Isso é inconcebível, né, gente? Vamos ser honestos. Isso é inconcebível. É algo muito delicado de se tratar. Isso faltou, assim, se de fato ficarem comprovados tudo isso e todas as informações estão sendo trazidas à tona, mostrarem que houve essa troca de mensagens, esse contato, que há relações mais complexas por trás, nós estamos falando de um desvirtuamento republicano profundo, né, Petra? Daqueles que juraram, sobre todos os aspectos,
seguir uma moralidade, uma lógica pública dentro da sociedade brasileira. Então, acho que isso é que torna a coisa muito mais dramática, fora essas ligações envolvendo muitos atores, o que pode resultar em duas coisas, que a gente já falou várias e várias vezes, muito antes de se estourar, porque a gente vem falando isso aqui já faz mais de um mês, e eu venho falando, vamos ficar de olho, vamos ver como é que isso vai estar lá.
Então, há muito, muitas semanas atrás, meses atrás, que a gente vem falando sobre isso, que é o que eu comentava sobre, se você tem muita gente envolvida,
ou a hora que os principais figuras começarem a abrir a boca, pode colocar ali uma situação delicadíssima sobre muitas instituições, para não dizer uma verdadeira implosão em alguns casos, a depender do que ficar explicitado, de quão profunda são essas relações, ou você vai ter o próprio sistema de alguma forma reagindo para tentar se autoblindar, né, Petra? Porque quando está todo mundo envolvido, aí fica difícil entender. Quem vai, vamos dizer assim, quem vai investigar, quem vai fiscalizar,
teoricamente os fiscalizadores. Aí a sociedade vai estar pressionando cada vez mais por ter minimamente respostas. Só que a crise de confiança nas instituições públicas, que já é um dado histórico problemático no Brasil, tende apenas a se acentuar. A questão de esbarrar no STF, isso traz ainda mais dramaticidade para essa questão, certo? Não há dúvida, não há dúvida, porque a gente está falando da mais alta corte no Brasil, que cá entre nós, recentemente tem sido envolto em uma série de polêmicas, tem sido instada também a ter que dar resposta,
teve momentos de atuação que foram momentos muito importantes, inclusive do ponto de vista do sentido republicano, de garantia de direitos e tudo mais. Então, tem um papel que é um papel fundamental e importante institucionalmente falando, mas que alguns atores, vamos dizer assim, vêm sendo sistematicamente questionados pela sociedade ou vêm sendo sistematicamente alvos de críticas incisivas, dado o comportamento que eles têm tido, seja à frente de alguns processos, alguns processos e o julgamento,
o tensionar demais, o torcer demais a lei, seja agora, né, Petra? Em virtude principalmente dessas vinculações. Até o momento, o que chama mais atenção de todos nós, que é de Astófoli e Alexandre de Moraes. Esses dois são os que mais estão chamando atenção até o momento e está todo mundo querendo entender até onde vai essa ramificação, até onde vai essa profunda ligação. Enfim, acho que é direito da sociedade, sobretudo. E certamente, Petra, já antecipo um ponto aqui.
Se já havia, por parte, principalmente, por exemplo, da oposição em relação ao atual governo federal, uma pressão muito grande apontando que as eleições de 2026, a grande disputa estará em torno do Senado, porque há uma leitura política. Vamos lembrar que o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, ele vem reiteradamente nas suas mensagens, nos seus comunicados aos seus correligionários, dizendo, olha, o Senado, a grande eleição, a grande disputa. Mas por que a grande? O que tem de tão grande assim no Senado?
para além, obviamente, da sua importância institucional e nas nossas vidas na aprovação das legislações. É porque o Senado tem competências que são competências importantes que podem, vamos dizer assim, travar a República de alguma forma. Pode conduzir processo de impeachment, é quem faz ali a sabatina e, consequentemente, a indicação, inclusive de ministros do Supremo Tribunal Federal, é uma casa revisora de decisões extremamente importantes, tem um processo de formação de maiorias,
até do ponto de vista numérico, muito mais tranquila, vamos pensar aqui entre várias aspas, de ser montada, de ser organizada do que a própria Câmara dos Deputados, que é muito mais complexa, diversa, plural e tudo mais. Então, eles vêm definindo essa como uma grande eleição com o objetivo claro, que é de avançar, sobretudo politicamente, em relação ao Supremo Tribunal Federal. Então, isso vai ganhando agora o quê? Inclusive, apoio em setores da sociedade de pensar uma reforma mais profunda,
a esses mandatos dos ministros, a questão da própria fiscalização dos ministros. Então, certamente nós teremos novidades, porque do que já foi evidenciado até aqui e aquilo que já tinha sido colocado em jogo envolvendo Toffoli e todas as reportagens, enfim, jornalistas, quem está indo a fundo nessa história toda vem explicitando para a sociedade, já é um verdadeiro absurdo. Agora, envolvendo outro personagem, como é o caso do Alexandre de Moraes e outros tantos atores, isso não vai ficar dessa forma, né, Petra? Nós vamos ter mudanças que são mudanças substanciais acontecendo,
a caminhar a partir de agora. Bruno, só contextualizando aqui também para o nosso ouvinte, o dono do Master foi para a Presídio Federal. A questão, eu fico muito chocada porque é uma verdadeira milícia comandada pelo ex-banqueiro. A gente trouxe informação para você aqui na CBN. Foi confirmada na noite de sexta a morte de Luiz Felipe Machado de Moraes,
suspeito de integrar justamente essa milícia do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com acesso a essas informações que foram vazadas das trocas de mensagens, você percebe o tom, inclusive ali a questão com o banqueiro André Esteves, toda a conversa que foi vazada do ex-banqueiro com a namorada, e ali você tem acesso, a gente fala, tem aquele comentário de elevador,
ele é completamente sujo. E aí, quando você vê, você fala, meu Deus, que sujeira, que sujeira essa cor. A gente teve há pouco, ainda desenrolando nos Estados Unidos, o caso de Jeffrey Epstein e a gente nojado com tudo aquilo que foi trazido à tona e não é nem um por cento da quantidade de trocas entre ele e Poderosa. E é engraçado que eu me perguntava, até falei sobre isso aqui no Revista CBN, quem será que são os Epsteins brasileiros?
novo, saíram informações das festas, muita informação que ainda vai vir à tona. E aí a minha questão para você é a seguinte, Bruno. Primeiro, talvez mais gente poderosa esteja envolvida e venha à tona isso nos próximos dias. Essa é uma questão. E a minha segunda questão. Depois da Lava Jato, o Brasil passou por uma grande crise que vem se desenrolando até hoje. O que deve ser aprofundado?
pode ser aprofundado depois dessa crise que a gente está passando agora no Brasil, Bruno? Essas duas questões. Boa. Essa é uma pergunta muito importante ao meu juízo também, viu, Petra? Primeiro, eu queria só fazer um adendo aqui do que a gente estava falando, que é o seguinte. Quando a gente fala também dessa coisa da podridão, da classe política, de setores envolvidos em corrupção, escândalos... Política e poder, né? Política e o poder como um todo, como ele é desenhado.
Exato. Não, o que eu ia dizer é o seguinte. O que deixa a gente estarrecido é imaginar um empresário,
Que tem uma milícia. Isso é mais grave ainda também. Que tem em torno de si uma organização miliciana com vistas a monitorar jornalistas, a monitorar adversários políticos, pensando inclusive em violência, eliminação, aniquilação. Isso é crime organizado, né, gente? Vamos dar o devido dos nomes aos bois, né? Então, quer dizer, isso é crime organizado acima de tudo, Petra. E deixa a gente estar recido. Porque mostra, mais uma vez, que não é algo que está também só na classe política.
é algo que está na mentalidade de muitos poderosos, como você muito bem chamou, e parte, inclusive, daqueles que são os poderosos do ponto de vista econômico. Então, isso é um drama no Brasil como um todo, porque, como a gente estava falando, lá atrás na Lava Jato, isso já havia ficado explicitado, que era uma relação de promiscuidade entre grandes empresários e os políticos como um todo. Porque, às vezes, a gente também só olha para o lado dos políticos, o político, político, político, mas eles reagem a esse sistema que funciona dessa forma como um todo.
É delicado imaginar toda essa situação envolvendo, inclusive, aqueles que são os empresários. No caso, o banqueiro, o Daniel Vocar, como um todo. E, infelizmente, isso ainda está sendo analisado, está sendo aprofundado. Você perguntou muito bem, será que ainda tem outras figuras poderosas que possam estar envolvidas nesse caso? Não tenha dúvidas que pode ser que sim. Porque a julgar só pelas mensais o material que até agora já foi, enfim, tornado público, de algum modo,
pessoas poderosas, importantes, né? Claro, de novo, insisto, cada um vai ter o seu espaço, a depender de como isso for avançando, pra depois fazer a sua defesa, dar os seus argumentos, seu posicionamento, etc. Mas nós estamos falando de Antônio Rueda, por exemplo, né? Presidente da União Brasil. Ciro Nogueira, senador pelo PP, né? Que é outro personagem também aí que foi citado. Tem a questão envolvendo o que o Davi Alcolumbre vai fazer e se ele está ou não negociando nos bastidores sobre como lidar com isso tudo e as pressões, porque o jogo, Petra,
ele está sendo jogado o tempo todo. E aí é difícil, às vezes, a gente conseguir também agora separar o joio do trigo, no sentido de entender quem vai surfar nessa onda para também ganhar politicamente, desgastar mais alguns atores, a ponto de tentar só focar nesses atores e não estar tão interessado assim com a verdade dos fatos e até onde ela pode nos levar, porque a classe política reage a isso tudo. Não é uma classe que vai sentar ali e falar, não, agora vamos abrir todos os arquivos, vamos ver,
vamos julgar independente de quem seja. Isso soa um pouco até infantil, porque o jogo do interesse político, daqueles que estão nessa posição de tomar as decisões importantes, de levar adiante, por exemplo, vai ter uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a questão do Master, a gente está com a CPMI do INSS, muitos dos materiais estão sendo divulgados a partir dali, porque há ligações também, ramificações Master e INSS, mas vai ou não vai avançar uma CPMI quanto a isso? O Costa Neto, o Valdemar Costa Neto,
o presidente do PL, chegou a dar entrevista dias atrás dizendo, inclusive, que já estão pensando em que acordos podem vir a ser feitos para talvez nem ser levado adiante uma questão de uma CPMI. Então, esse é o risco, quando a gente fala, de muitos atores políticos envolvidos num escândalo tão grande como esse que vem se desenhando até aqui, Pedro. Então, para mim, esse é que é o grande problema. Acabar virando pizza se não houver pressão da sociedade, se não houver clareza de que é preciso analisar mais a fundo isso.
e forçar mecanismos, né? Se você não tem uma resposta, é total desmoralização da política brasileira. Aliás, das estruturas de poder. O que a gente espera agora de Alexandre de Moraes, Bruno? Eu acho que ele vai continuar mantendo a postura do que ele fez hoje mesmo. Vai negar até o fim, que tem qualquer tipo de envolvimento, né? E vai tentar, de alguma forma, esperar ver como a coisa caminha. Agora, as provas é que vão dizer, né, Petra, como vai reagir depois. Porque vamos pensar em hipóteses. Deixar muito claro aqui.
Então, suponhamos que na hipótese que, de fato, tudo aquilo que foi mostrado tem comprovação, é ele mesmo, viu a mensagem, tem algum tipo de influência nessa história toda. O que vai ser razoável imaginar disso tudo? Um processo de impeachment. Um processo de impeachment. Não tem? Porque quem julga os julgadores nessa hora? A Constituição, dentro do sistema de equilíbrio e de estabilidade entre os poderes, o chamado check and balances, ou seja, esses pesos contra freios e tal,
investigar mais a fundo. Mas aí é o que eu estou dizendo. Como tem também outros interesses políticos, aqueles que são adversários políticos de Alexandre de Moraes, aqueles que também querem desgastar, precisa ver até que ponto vai querer, de fato, se investigar para poder colocar luz nos fatos ou apenas gerar novos fatos políticos para poder gerar instabilidade. Então, acho que é complexo. É um caldo complexo demais, Petra. Então, essa é uma das hipóteses.
Pode acabar indo para um processo de impeachment. Ou, outra hipótese, comprovar, ou se ficar nítido,
ou claro, ou se tiveram algumas contraprovas ou algo nesse sentido, dizendo que não se trata disso, trata de uma tentativa de alguma forma de intimidá-lo ou algo nesse sentido, ele vai acabar saindo até fortalecido dessa história. Mas não sei, as provas são fortes, as ligações são complexas, tem a questão do escritório de advocacia ligado ali à sua companheira. Então, tem uma série de outros fatores que vão tornando isso cada vez mais dramático. Cada vez mais dramático. A gente segue analisando,
acompanhando o brilhante trabalho de jornalistas indo atrás da informação e trazendo informação para você, o trabalho importantíssimo do Jornal Globo nesses últimos dias, nesses últimos meses. E a gente segue aqui no Revista CBN repercutindo tudo que é notícia para você. Bruno, muito obrigada pela longa análise. Hoje eu chamei o Bruno aqui de uma análise mais longa. A gente falou de Datafolha, comentamos aqui um pouco dessa questão,
É extremamente... É quase desesperador olhar para o cenário nacional e constatar tudo isso que nós estamos constatando. Mas para isso, análise e muita reflexão para você, reflexão política aqui no Revista CBN. Bruno, obrigada pela conversa. A qualquer momento eu te aciono de novo. Bruno, que sempre nos ajuda. E um bom final de semana para você. Bom trabalho. Obrigado, querida. É sempre uma alegria estar aqui com você. Um abraço forte para você, para todos os ouvintes. Excelente final de semana e estou por aqui.
precisando, a gente vai conversando sempre. Valeu. Repórter CBN agora.