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O culto do bem-estar: Você consegue se lembrar da última vez que se sentiu livre?

07 de março de 202623min
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Em entrevista ao Revista CBN, a psicóloga Ilana Pinsky fala sobre como a ideia de autocuidado muitas vezes se torna perniciosa, ao transformar o que deveria trazer bem-estar em mais uma obrigação que acaba sobrecarregando as pessoas.

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Assuntos14
  • Cuidado Pessoal e Bem-estarPerversão do conceito de autocuidado · Procedimentos estéticos como autocuidado · Sobrecarregamento com novas obrigações · Sensação de fracasso · Perfeccionismo feminino
  • Tecnologia EmpresarialCapitalismo e exploração da busca por bem-estar · Lucro trilionário · Apropriação estratégica da vida atribulada · Marketing enganoso · Produtos caros e elitistas
  • Fundamentos básicos de bem-estarSono adequado · Atividade física regular · Alimentação saudável com redução de ultraprocessados · Relacionamentos significativos · Senso de propósito · Comunidade e pertencimento · Leitura
  • Crítica a instituições e sistemasExclusividade de classe social · Falta de acesso para população de baixa renda · Desigualdade social · Inacessibilidade de práticas de bem-estar · Diferença entre ter privilégio e não ter
  • Bem-estar baseado em evidência científicaEnsaios clínicos randomizados · Publicações em revistas científicas · Questionamento de protocolos sem base · Diferença entre ciência e marketing · Importância da pesquisa de longo prazo
  • LiteraturaAutora Rina Rafael · Jornalista especializada em saúde e tecnologia · Prefácio para edição brasileira · Reflexão sobre bem-estar como religião · Crítica baseada em pesquisa
  • Saúde Mental JuvenilAnsiedade e depressão em adolescentes · Pressão de perfeição desde cedo · Medo de fracasso · Índices crescentes de transtornos mentais · Transmissão geracional de pressões
  • Florecimento humanoContato com si mesmo · Caminhos individuais e coletivos · Relacionamentos no centro do bem-estar · Recursos financeiros até certo ponto · Contribuição para outros · Riqueza não garante florecimento
  • Espiritualidade new age e falsos gurusComercialização da espiritualidade · Lei da atração como marketing · Falsos gurus nas redes sociais · Apropriação de termos espirituais · Espiritualidade genuína vs. superficial
  • Busca por bem-estar e segurança emocionalAspiração legítima · Lado positivo da procura · Desejo de sentir-se melhor · Lado problemático da comercialização · Equilíbrio entre esperança e crítica
  • Influenciadores DigitaisInfluenciadoras aderindo a espiritualidade new age · Validação através de testemunhos anedóticos · Apelos emocionais em marketing · Propagação de mitos nas redes sociais · Falta de pensamento crítico
  • Importância da curadoria de informaçãoDesconfiança de protocolos superficiais · Pesquisa em bases científicas · Revistas científicas brasileiras · Leitura de livros vs Instagram · Tempo para reflexão crítica
  • Profissionais de saúde sem rigor científicoPsicólogos com protocolos superficiais · Médicos vendendo soluções simplificadas · Falta de crítica entre profissionais · Apropriação indevida de termos científicos
  • Contaminacao AmbientalMarketing de produtos naturais · Impacto ambiental escondido · Lavagem verde (greenwashing) · Contradição entre bem-estar e sustentabilidade
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Revista CBN. Uma hora e 38 minutos. Revista CBN. Comportamento. O culto do bem-estar. Você consegue se lembrar da última vez que se sentiu livre? Consegue se recordar de uma época em que não estava sendo consumida? E consumido também, né? Por notificações de texto, atualizações de software do computador, lista de compras, levar e buscar as crianças na escola, e-mail de trabalho.

notícias e a necessidade de perder aqueles últimos quilinhos? Lembra de quando se importava menos com as coisas? De quando estava psicologicamente mais leve e relaxada? Se você não se lembra, muitas pessoas também não. E é nesse sentido, é nesse bojo que existe aí uma demanda e uma indústria que se apropria dessa nossa vida extremamente atribulada. Eu falo agora aqui no Revista CBN,

Sobre um livro que está sendo lançado, o Culto do Bem-Estar. É obra de uma jornalista também americana, a Rina Rafael. Ela, que além de ser jornalista especializada em saúde, bem-estar e tecnologia, foi colaboradora de uma das principais revistas de comportamento nos Estados Unidos. E traz nesse livro, o Culto do Bem-Estar, uma reflexão muito importante sobre, além da nossa vida atribulada, também as demandas que a gente tem do wellness.

de estar bem a todo custo e como a indústria também se apropria disso. E como isso, ao invés de virar bem-estar, vira mais uma obrigação nas nossas vidas. Para falar a respeito desse assunto, eu converso justamente com quem fez o prefácio da edição brasileira desse livro muito bacana, que é a psicóloga clínica Ilana Pinsky, pesquisadora, doutora pela Unifesp, amiga do Revista CBN,

gente para trazer reflexão sobre comportamento e também pesquisas científicas quentes que estão saindo pelo mundo e ela prefaciou o Culto do Bem-Estar, essa edição brasileira, essa edição em português e vai falar um pouquinho para a gente como essa ideia do autocuidado tem sido muitas vezes perniciosa e quer dizer muitas vezes o oposto do que o autocuidado de verdade quer dizer. A Ilana

está aqui com a gente hoje, Ilana. Boa tarde. Boa tarde, Petra. Boa tarde a todos que estão nos escutando. E é importante falarmos a respeito desse assunto nessa véspera do Dia Internacional da Mulher, né, Ilana? Esse livro que foi lançado pela editora Contexto me interessou muito para fazer o prefácio por várias razões. Uma delas é isso que você já colocou no início, né, que o quanto uma indústria que deveria, que viria para nos melhorar,

para a gente se sentir mais leve, para a gente se sentir melhor, mais bonita, mais bonito, mais cheio de energia, acaba trazendo, na verdade, muitas vezes a gente ir para baixo pelas obrigações que junta as nossas outras obrigações. E realmente tem tudo a ver com nós mulheres, Petra, porque vem ao encontro daquelas ânsias que nós temos de poder fazer tudo perfeitamente

de fracasso ainda. Sem contar que eu acho que nos afasta, como você estava dizendo, das coisas básicas que são o bem-estar. Então é isso que eu acho que seria muito interessante a gente conversar. Nesse caso da jornalista que escreve, que é a Reina Rafael, ela aqui cobre, eu me senti muito identificada com ela, na verdade, por isso que eu quis tanto trazer, porque tem um lado que eu falo muito de qualidade de vida aqui, olhando para esses índices,

Ilana, assustadores que nós temos de depressão, ansiedade, burnout. Inclusive, os meus livros, eles vão nesse sentido de trazer informação para as pessoas a respeito desse... Muita informação. Mas eu tenho uma crítica muito contundente ao mercado de wellness que está se estabelecendo como estilo de vida, que é estilo de vida para muito poucos, para poucos. Custa caro, extremamente elitista, enquanto a gente tem ferramentas,

de bem-estar, extremamente democráticas, simples e que não custam nada. Tem essa antítese. Queria que você falasse um pouco desse trabalho que tanto a Rina Rafael fez, quanto que você própria vê, do ponto de vista de ser uma psicóloga, de uma pessoa que está olhando para comportamento e essas pressões imensas que nós vivemos para ter desempenho. Porque o bem-estar acaba virando desempenho também, né? Olha, a Rina Rafael tem uma história muito legal e por isso que

livro é muito interessante porque ela, primeiro, ela conheceu essa indústria quase como uma vendedora, ela mesma fala, porque ela começava a falar sobre as novidades que aconteciam no mercado e daí pareciam, em vez de ser saúde, porque é bem-estar, parecia moda. Ela começou a reparar nisso, mas daí antes dela reparar, ela percebeu que ela mesma se tornou uma incrível consumidora. De repente, ela se dá conta que ela tem várias prateleiras,

da casa dela, cheias de suplementos, cheias de protocolos, exatamente, e ela começa a pensar, peraí, o que eu estou fazendo comigo? E, ao mesmo tempo, ela começa a entrevistar alguns pesquisadores, e os pesquisadores começam a perguntar, escuta, mas esse suplemento que você está utilizando, quais as evidências de que isso realmente funciona? Esse protocolo que se utiliza super chique em relação à atividade física, tem que ser isso mesmo? Onde que está a evidência científica?

disso, porque a indústria acaba também, estrategicamente, falando que essas evidências existem quando elas, na verdade, Petra, não existem. A Rina começa, então, nesse caminho, a questionar tudo isso e começa a perceber que é uma indústria trilionária, é gigantesca e utiliza argumentos natural, vai no oposto da indústria farmacêutica, como se essa não fosse uma indústria,

a do bem-estar, e começa a vir com esse tipo de obrigação. Aí ela começa a ficar mais cética, tanto que ela vai muito em palestras, encontros de pessoas céticas, ou seja, pessoas da área de pesquisa que começam a tentar pensar o que de verdade tem nessas coisas todas, o que a gente extrai. E daí que ela constrói esse livro. Então é muito interessante. Ela fala do culto do bem-estar se tornando uma nova religião.

que tem uma base científica que pode nos ajudar, se torna uma crença. E uma crença com bases, vamos dizer, que a gente chama shake, ou seja, que não são muito grandes. Em relação à questão das mulheres, eu acho muito importante falar que as meninas, já começam muito cedo, viu, Petra? As meninas, elas estão com índices de depressão, ansiedade, há anos gigantescas, que também vão passando para frente, infelizmente,

dessas várias ideias da perfeição. Eu vejo meninas desde cedo desesperadas por errar, desesperadas por escolher a profissão equivocada que elas acham que é, equivocadas com medo de parecerem feias. A coisa começa muito cedo. E daí essa indústria entra com aquela ideia de que vamos miraculosamente resolver todas essas ansiedades. Eu acho isso muito importante da gente falar. A coisa começa cedo, viu, Petra?

trouxe isso aqui no Revista CBN algumas vezes, e tudo vestido de cuidado, é o skin care, é o cuidado da pele. E aí que vai, descamba, aí é tanto skin care, skin care, que aí o Botox começa rapidinho, né? Ah, 20 anos! E isso é chamado de autocuidado. Outro dia, eu publiquei nas minhas, nos meus stories, uma publicação muito boa da Danza Medicina. Cada vez que uma mulher fala que Botox, esses procedimentos cirúrgicos,

São autocuidado, morre uma fada. Ela falou assim. Esse é muito bom. Esse é muito bom. Isso eu dei muita risada, viu, Petra? Porque, Petra, vamos começar pelo básico. Então, tá, vamos lá. Sono, tá dormindo bem? Atividade física, qualquer uma, tá bom? Qualquer uma. Tá fazendo o básico, tá fazendo sempre, tá fazendo com alguma frequência. Não fuma, bebe pouco ou não bebe.

reduzindo os ultraprocessados de maneira geral? Você está tendo tempo? Você está tendo tempo de passar com as pessoas que você gosta, as pessoas importantes para você? Você tem uma sensação de você ter algum objetivo na vida, de você ter senso de propósito? Como é que está isso? Esses, por incrível que pareça, são os básicos, um senso de comunidade, de a gente ter tempo de se relacionar com outras pessoas.

leitura aí, porque aí, pra mim, isso daí é muito básico também, leitura não de Instagram pessoal, tá? Leitura de livro mesmo. Se a gente acrescentar isso, se a gente começar a conhecer as coisas que são básicas e que são tão difíceis a gente conseguir, daí depois a gente vai pro creme super natural e etc, etc. Tem coisas muito básicas, mas isso não vende, né, Ilana? Isso não vende, isso não é atrativo. E me parece que dos dois lados, sabe?

problema. Porque a pessoa vai estar na rede social e ver que é tão simples, ela não quer. Ela prefere acreditar que é caro. Eu não sei se eu tô sendo uma hereja que parece muito mais eficaz quando você tem que comprar uma coisa. Se eu falasse pra você, respira melhor, dorme direito, ama quem você ama, abraça quem você ama. É simples demais, parece. Imponha tempo na sua vida pra respirar e ter.

muito difícil, né? Muito mais fácil ir lá na prateleira e comprar e achar que aquilo vai... E fora o nível de poluição também que esses produtos causam, né? Dizendo que são naturais e tal. E ela fala um pouco sobre isso também, desse questionamento dela, não, Ilana? Ela fala sobre isso, ela fala sobre... E são coisas que a gente nem pensa, né? Quer dizer, a questão da poluição, a questão do quanto a gente deixa de fazer coisas que acabam, às vezes, sendo importantes. A gente não se cuida de maneiras que não só é,

mas até ir ao médico em algumas situações e seguir o que o médico vai falar em algumas situações, porque a gente vai usar aquele protocolo milagroso ou aquela outra situação. Mas as pessoas fazem isso, Petra, porque querem se sentir bem. As pessoas fazem isso porque elas estão, e nós mulheres, muitas vezes precisando achar uma forma de simplesmente sentir menos angustiada. Esse lado é o lado bom que as pessoas estão procurando coisas para se sentir melhor.

muito importante da gente dizer. Agora, o problema realmente é que, como você diz, a gente quer achar aquela coisa miraculosa muitas vezes e os apelos emocionais que são feitos para vender esses produtos são difíceis muitas vezes da gente questionar e olhar criticamente. Eles parecem tão reais, eles parecem tão rápidos. E daí a gente também tem aquela noção porque a nossa amiga ou a filha da sogra, não sei quem, falou que melhorou com não sei o que lá, com aquele creme natural, com aquela atividade específica,

de física, a gente acha que isso daí vai ser a mesma coisa para a gente também. Que é outra visão da ciência. A gente fica falando de ciência, mas é importante, gente. Ciência não é quando alguém falou. Ciência é, são protocolos que são feitos com muitas pessoas por um tempo grande, com ensaios clínicos randomizados, publicados em revistas. É difícil a gente achar uma coisa que é cientificamente provado. Mas essas coisas são importantes, porque a longo prazo,

são as que funcionam. A longo prazo, são as que funcionam. Ilana, outro ponto muito importante, a gente há pouco tempo esteve aqui no Revista CBN, quando saíram aí alguns nomes nos arquivos Epstein, de pessoas ali circulando no convívio dele, e caindo mitos, né? A gente falou muito de falsos gurus também na nossa última conversa, e tem um capítulo muito legal, que ela traz uma visão sobre a espiritualidade

era. E eu queria que você falasse um pouco sobre isso, do ponto de vista da gente conseguir ser crítico em relação ao que pipoca nas redes sociais e nesses circuitos. Primeiro, muitas influenciadoras, né? Que ela até cita aqui, aderindo a essa espiritualidade nova era. E é uma espiritualidade muito engraçada, porque ela parece um banco de comércio, né? Você faz o negócio pra ganhar mais dinheiro, a lei da atração, que de espiritualidade,

não tem nada. E aí, a gente vê caindo alguns falsos gurus ao longo da história, se apoiando nesse discurso da nova era. E é muito ruim, porque existe uma espiritualidade muito profunda e muito especial e muito importante da gente cultivar. E aí, parece que vai tudo para o mesmo balaio. E aí, é uma confusão danada e muita gente se aproveitando disso, né? Do ponto de vista de mercado mesmo, né, Ilana? Me fala um pouco sobre isso.

A questão do mercado é o mais importante. Quer dizer, a maior dica da gente é...

só está ganhando dinheiro, ganhando bastante dinheiro com esse tipo de coisa, então desconfie, tá? Essa espiritualidade que ela fala, que é muito legal esse capítulo mesmo, eu sugiro muito que as pessoas deem uma olhada, as pessoas têm a espiritualidade um pires, né? Você me desculpa falar dessa forma. É isso mesmo. Mas não tem aquela... Pega uma coisinha aqui e ali, que é a mesma coisa desses falsos gurus que eu e você temos conversado volta e meia, não são falsos gurus, às vezes são pessoas até de profissão,

da profissão específica, infelizmente na minha própria profissão psicologia, na medicina, muitas pessoas, eu acho que elas consideram que os outros não têm senso crítico mesmo, e elas estabelecem protocolos extremamente superficiais, tanto da espiritualidade como em outras áreas, e vendem esses protocolos superficiais, em que vocês pegam palavras-chave da espiritualidade, por exemplo, como você está dizendo, ou da medicina ou da psicologia,

E apenas vendem aquela coisa simplificada, como se isso fosse resolver ou fosse ajudar a pessoa a ficar mais elevada, no caso da espiritualidade, e mais tranquila. E, na verdade, isso daí não tem base, não tem mais nada por trás disso. Então, é importante a pessoa ver o quanto realmente esse guru estudou essa questão, o quanto é da área dela específica, mesmo na medicina e na psicologia,

que ela está vendendo, por exemplo. Ela está ganhando dinheiro de novo, está ganhando dinheiro com isso? Vamos desconfiar, pessoal. Vamos pesquisar um pouco mais isso. A pesquisa tem que ser feita, eu acho que nos meios de comunicação mais amplos. Tem vários locais que a gente pode achar também informações sobre isso. Claro, quem lê inglês tem um local que se chama PubMed, que eu quero dizer para todo mundo, que nós podemos colocar lá e entender um pouco como a pesquisa funciona.

Para o meu último livro, inclusive. Eu sei que é um pouco elitista falar isso, porque nem todo mundo fala inglês. Mas nós temos também algumas formas de... Temos revistas brasileiras, científicas muito boas, que também podem dar informações sobre isso. As pessoas precisam de um pouco mais de tempo antes de acreditar na primeira coisa que vem para elas. O tempo não é só para o tempo gasto com as pessoas que a gente gosta. É o tempo para a gente acreditar nas coisas que são vendidas. E olha, gente, se parece muito bom para ser verdade,

É, tá? Em geral, é. Se parece muito rápido resolver aquele problema, aquela angústia da gente, em geral, é. Porque as coisas demoram um pouco mais de tempo para a gente resolver, né? Eu acho que essas são dicas importantes. Então, a Irina Rafael, ela vai fazendo essa reflexão nas várias áreas, mas é importante dizer, é um livro a favor do bem-estar, não é contra. É um livro que fala simplesmente que, porque é a favor do bem-estar,

Funciona para não ficarmos pensando que tudo é a mesma coisa e que, na verdade, nada funciona. Ao contrário, é importante a gente pensar no nosso bem-estar. E olha só, para quem está no YouTube, eu estou mostrando aqui a capa do livro, livro importante para todos nós, O Culto do Bem-Estar, da Rina Rafael, pela editora Contexto. E eu quero terminar essa conversa, Ilana, com você, aproveitar você aqui,

o que é bem-estar? O que é você cultivar esse ambiente de felicidade em tempos tão desafiadores como o que nós vivemos, bombardeados por informação? Informações muito tristes também, como é o que a gente vê desde o Brasil até o mundo. E para você que cuida de saúde mental, né, Ilana? Qual é o caminho para a gente construir uma questão

de bem-estar de verdade independente do quanto de dinheiro a gente tem no banco lembrando que quem tem menos sofre muito mais então não tem como a gente falar de bem-estar e se descolar da imensa desigualdade social que a gente vive falar de bem-estar e falar de prática de yoga do alto do seu tapetinho e das suas roupas de moda sem olhar para o que acontece na realidade de um país como o Brasil

vergonha, como muitas pessoas fazem hoje no Brasil. Fala para a gente, Ilana. Eu não sei se você lembra, há vários meses a gente falou sobre a questão do florescimento. Não sei se você lembra desse termo. Então, eu não estou diminuindo, acho super importante a gente falar sobre a questão realmente financeira relacionada a quem tem o privilégio de poder fazer coisas ligadas a isso, enquanto muitas das pessoas da população brasileira, uma quantidade gigantesca,

Não tem. Mas no florescimento humano, que é a questão da gente ter... É uma questão muito ampla, né? Mas é uma questão da gente ter um contato com a gente mesmo e achar caminhos individuais e coletivos, que essa parte é muito importante, a gente esquece, da melhor forma que nós podemos ser. Não tem uma forma única, evidentemente, mas várias dessas individuais e coletivas que a gente falou,

Estar em contato com os outros ou fazer o que a gente faz melhor com qualquer dinheiro que a gente tem é uma das questões importantes. Mas quando a gente falou de florescimento, a gente viu que muitos dos países mais ricos não eram necessariamente ou que tinham a população que florescia mais. Então, a questão financeira é importante, principalmente até um certo ponto, para a gente poder ter segurança, para a gente poder ter saúde, mas ela não é o principal.

extremamente bem ou bastante bem quando a gente se relaciona bem com as pessoas. Eu acho que relacionamentos estão no centro disso tudo. Eu diria isso, tá? Eu diria se eu tivesse que escolher uma das coisas, relacionamento, é muito desafiador, mas está no centro de tudo isso, né? E que nós podemos fazer uma situação que seja boa para a gente quando a gente pensa o que a gente pode fazer pelos outros. Parece um pouco, assim, idealista, mas eu certamente sinto

que nos ajuda mais como seres humanos. Ah, eu concordo totalmente. E eu vou reforçar, eu não tenho como não reforçar isso, tá? Eu falo nos meus dois, eu tenho um livro que fala sobre escuta e silêncio e um outro que fala sobre inteligência intuitiva. As duas dependem da gente, independe de quanto dinheiro eu tenho no bolso, entende? Existem técnicas e práticas extremamente democráticas, mas a gente precisa de informação.

de boa informação. E é por isso que é uma alegria conversar aqui com a Ilana Pinsky, psicóloga. Ela prefaciou O Culto do Bem-Estar. Como eu sempre digo, é amiga do Revista CBN. Frequentemente está aqui comigo para trazer informação boa para você sobre a questão da saúde mental. Querida, beijo para você. Que esse livro seja um sucesso, que chegue em muitas pessoas para acabar com essa falácia da indústria,

Vender coisa cara, quando na verdade é uma construção muito mais profunda essa do bem-estar. Obrigada, Ilana. Super obrigado, Petra. Um abraço para todos. Até a próxima. A Ilana Pinsky está lá no Instagram, viu, gente? Para vocês que quiserem seguir, acompanhar o trabalho dela, sempre trazendo pesquisas científicas, reflexões super importantes a respeito dessa questão da saúde mental e emocional. Como eu sempre digo, fazer essa curadoria de boas informações para você,

hoje, essa curadoria ela é fundamental