Uso de IA e comunicação mais acelerada provocam redução em cargos de liderança
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- Lideranca ReligiosaEliminação de posições de gerência e diretoria · Números no Brasil (322 mil vagas eliminadas desde 2020) · Estruturas horizontalizadas · Impacto na carreira dos profissionais
- Inteligência ArtificialImplementação de tecnologias IA · Automatização de funções · Redução de níveis hierárquicos · Impacto nos modelos de gestão
- Comunicação acelerada nas empresasEliminação de camadas intermediárias · Fluxo direto de ideias · Proximidade entre gerência e operação · Redução de burocracia corporativa
- Carreira em Y (dual track)Trilhas de crescimento técnico · Especialização sem necessidade de gestão · Carreira inípsolom · Promoção sem virar gerente
- Habilidades valorizadas no mercadoHabilidades técnicas especializadas · Comunicação efetiva · Adaptabilidade · Habilidades sociais e cognitivas
- Esquerdomachismo EmpreendedorismoEstruturas hierárquicas clássicas · Formação de líderes · Desenvolvimento consistente de profissionais · Integração de tecnologia com estrutura organizacional
- Impactos organizacionais da reestruturaçãoLeveza financeira · Integração entre times · Fluidez operacional · Acesso direto do cliente à empresa
Imagina se preparar para ser promovido para um cargo dentro de uma empresa e, de repente, ele deixar de existir. Foi o que aconteceu com a advogada Michelle Coguta, que teve que ponderar o que fazia sentido para o plano de carreira dela quando a empresa de tecnologia em que trabalhava decidiu enxugar as linhas hierárquicas. Como coordenadora, ela almejava o cargo de gerente, mas a posição deixou de existir e ela entendeu que não teria uma promoção tão cedo.
migrar para uma empresa com um modelo de gestão mais tradicional. Porque o mercado ainda não enxerga um pulo de um cargo de coordenação para um cargo de rede automaticamente. O mercado ainda exige que você tenha exercido a função de gerente para cargos mais elevados, mais estratégicos, mais executivos.
uma empresa de modelo tradicional, mas de tecnologia também, para que eu conseguisse alcançar essa parte da carreira, que para mim é importante, e para eu continuar crescendo profissionalmente. Michelle não foi a única a passar por esse movimento. Desde 2020, o Brasil eliminou 322 mil vagas de gerência e diretoria, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. A ideia de horizontalizar a estrutura das empresas,
hierárquicos dentro das equipes. Uma das motivações para essa movimentação é a implementação de tecnologias que usam inteligência artificial para automatizar funções. É o que explica a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Leila Nascimento. Quando a gente começa a trabalhar numa estrutura tecnológica, o modelo passa a ser outro e a diminuição de níveis hierárquicos e da estrutura
que a empresa até então trabalhava com grandes áreas, ela tende a diminuir. Os clientes acessam melhor a empresa por uma plataforma, há uma possibilidade maior de estar acessando os seus serviços, os seus produtos, ouvidoria. Hoje tem várias plataformas muito ágeis nessa função.
O possível motivo para se cortar cargos de liderança é a necessidade de acelerar a comunicação dentro dos times. Foi o que idealizou o CEO de uma empresa de gestão de marketing, Vitor Delorto, ao promover esse enxugamento. E dentro desse corporativismo a gente começa a ter o que a gente chama no mundo de gestão de teto de vidro, onde parece que não há espaço para as pessoas que estão na operação sugerir ideias, sugerir melhorias, seja de processo, melhorias de produto, de serviço.
E uma vez que a gente eliminou essa camada, essas ideias fluem com mais liberdade e permite que a gerência esteja mais próxima da operação, entendendo aonde estão os gargalos. Além disso, trouxe mais integração entre os times. A empresa ficou mais leve, tanto financeiramente falando, e o trabalho acabou fluindo com mais facilidade. Mas ainda tem muita gente que defende um modelo mais tradicional de hierarquia.
acredita que o processo de evoluções dos profissionais faz toda a diferença no rendimento individual.
os líderes têm que ser bem preparados, a tecnologia integra e forma um modelo sustentável e competitivo no longo prazo. Com mais ou menos cargos de lideranças, os profissionais precisam se preparar para as mudanças e tendências dentro do mercado. A menor quantidade de posições de liderança não elimina a possibilidade de um profissional ganhar mais reconhecimento ou ter um aumento de salário. O profissional pode escolher entre seguir para cargos de liderança mantidos ou especialização técnica,
sem precisar virar gerente para ser promovido e valorizado. E pode ser uma opção para quem precisa recalcular a rota. Esse modelo é chamado de carreira em Y. É o que explica o advogado, diretor em RH e especialista em movimentos de liderança Daniel Rui. As empresas vão precisar criar novas trilhas de crescimento, carreira, que não dependam exclusivamente da ascensão a um papel de gestor. Algo como carreiras técnicas, especialistas, projetos,
carreira em Y. E no mercado de trabalho, essa mudança já pode ser vista. As habilidades técnicas vão ser importantes. Toda área, toda indústria, todo segmento precisa dos seus especialistas. Mas eu posso ver que cada vez mais as habilidades e as demandas sociais, cognitivas, de aprender coisas novas, de comunicação, e a mais importante de todas, a capacidade de se adaptar e ajudar os times a se adaptarem também, vão ser cada vez mais valorizadas. E essa tendência de redução na liderança,
não acontece só no Brasil. As vagas para gerentes que incluíam competências de supervisão diminuíram mais de 20% nos últimos anos nos Estados Unidos. É o que mostra um estudo publicado na Harvard Business Review, que analisou 34 milhões de anúncios de emprego. Do Rio de Janeiro, Júlia Viana.