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Sete em cada dez mulheres em São Paulo relatam já ter sofrido assédio, aponta pesquisa

06 de março de 202613min
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Sete em cada dez mulheres dizem já ter sofrido assédio em São Paulo. É o que aponta um levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis. Segundo a pesquisa, os casos ocorrem com mais frequência em ambientes externos, como ruas, praças e parques. O transporte público aparece em segundo lugar, seguido pelo ambiente de trabalho.

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Assuntos9
  • Assédio contra MulheresSete em cada dez mulheres em São Paulo relatam assédio · Normalização do assédio na vida cotidiana · Comparação com expectativas pessoais dos hosts · Aumento da percepção e denúncias
  • Locais de negócios e comércioEspaços públicos (ruas, praças, parques) · Transporte público (ônibus e metrô) · Ambiente de trabalho · Bares e casas noturnas · Ambiente familiar · Transportes privados e aplicativos
  • Assedio e DenunciaMudança na compreensão do que é assédio · Culpabilização das vítimas pelo vestuário · Empoderamento feminino e denúncias · Normalização de comportamentos inadequados · Aumento na concentração das mulheres sobre situações
  • Medidas solicitadas pela populaçãoAumento de penas contra crimes sexuais · Ampliação de serviços de proteção · Agilização de investigações · Treinamento de funcionários · Garantia de segurança para denunciantes
  • Violência contra a mulherAumento consistente de casos · Crescimento de 3-5% para 20% em São Paulo · Mudança de rota por motoristas · Impossibilidade de sair do veículo · Responsabilidade das empresas de transporte
  • Atuação de Lucia na políticaCanais de denúncia formalizados · Políticas de tolerância zero · Acolhimento de vítimas · Proteção de identidade · Seguimento pós-denúncia
  • Ideologia e Papéis de GêneroAumentos de homens concordando com maior punição · Mulheres enfatizando treinamento de funcionários · Experiência feminina diferenciada · Responsabilidade masculina no combate
  • Historia da CienciaParceria Ipsos e Tec · 3.500 entrevistas · 10 maiores capitais brasileiras · Questões sobre desigualdade doméstica
  • Cultura e SociedadeCelebração vs. luta e resistência · Contexto de feminicídios em São Paulo · Importância de dados e pesquisas · Reflexão crítica sobre a data
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A gente tem detalhes, estamos na semana da mulher, né? Já oito, dia da mulher. É uma data que gera certa controvérsia, né, Muniz? Porque de um lado, claro, tem as comemorações, a questão de dar flores, né? Exaltar as nossas mulheres. Por outro lado, é uma data de muita luta, de resistência, ainda mais em um período que estamos vivendo aqui em São Paulo, de tantos feminicídios e de tantos casos ruins relacionados a mulheres, né?

a respeito de uma pesquisa, um levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis, é que sete em cada dez mulheres dizem já ter sofrido assédio em São Paulo. Esse número não me surpreende. Na verdade, me surpreende por ser só sete. Porque na minha visão, no meu meio, conversando com todas as mulheres que eu conheço, não existe uma pessoa, uma mulher, que não sofreu um assédio ou uma situação de importunação aqui em São Paulo. Pelo menos esse é o meu meio, claro.

não é o ideal, né? Já alguma coisa aconteceu. Alguma coisa aconteceu. Não existe, pelo menos no meu círculo, Alice. Eu saí perguntando aqui na redação para todas as mulheres que estão ali sentadas, pelo menos uma já sofreu algum episódio de assédio ou de importunação ou algo que a deixou desconfortável. Porque é isso, andar na rua simplesmente, pegar o ônibus, andar no metrô, ocupar a cidade, ocupar os espaços públicos, ainda é um desafio para muitas mulheres por causa de situações como essas

levantadas aqui pelo Instituto Cidades Sustentáveis. Sobre esse assunto, sobre essa pesquisa, esse levantamento, a gente vai trazer dados e entender essa realidade das mulheres com o Igor Pantoja, que é coordenador de relações institucionais da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis. Está com a gente na linha para falar mais sobre esse assunto. Igor, obrigada pela sua participação. Bom dia. Bom dia, Marcela. Bom dia, Guilherme.

Bom dia aos ouvintes. Obrigado aqui pelo espaço. A gente que agradece, né? Até é importante que a gente tenha esse tipo de dados, esse tipo de levantamento.

para se pensar em soluções, pensar em políticas públicas voltadas para a segurança da mulher. E aí eu já começo te perguntando quais são os principais dados, os principais recortes que vocês tiraram deste levantamento. Olha, a pesquisa foi feita em parceria com a Ipsos e PEC em 10 maiores capitais brasileiras. Então foram 3.500 entrevistas e a gente pergunta em cada uma dessas cidades, como você já falou, as mulheres que já se sentiram vítimas de assédio

de alguma maneira, e em quais locais esse assédio ocorreu. Além de uma pergunta sobre questões de desigualdade nas tarefas domésticas e de eventuais prioridades para combater esse tipo de problema. Então, sobre o assédio especificamente, e até olhando com mais detalhe para São Paulo, a gente vê que é nos espaços públicos que isso acontece mais. É nas ruas, nas praças, nos parques, que as mulheres relatam terem sofrido principalmente esse tipo de situação.

O transporte público está em segundo lugar. Em terceiro vem o ambiente de trabalho. Depois vem casas noturnas, bares, ambiente familiar e, por último, transportes privados, principalmente táxis e transporte por aplicativo. Nesse sentido, eu acho que, até pensando muito nisso que você falou, de políticas públicas, de como reverter, como é que essa pesquisa também pode ajudar nesse sentido,

do assédio no transporte privado, apesar dele não ser o principal local, mas ele tem aumentado ao longo dos últimos anos, de maneira consistente. Então, comparando com os outros espaços, ele foi o único espaço que aumentou do ano passado para agora. Como eu estava falando, ele vem aumentando a cada ano, enquanto em outros ambientes isso até tem uma pequena diminuição em alguns casos. Então, considerando que são duas empresas, principalmente,

que são as responsáveis por esse transporte por aplicativo, eu acho que é muito fácil de você ter o endereçamento e do envolvimento dessas empresas. Eu acho que já passou da hora, porque comparando com dados aqui de São Paulo, há alguns anos, que a gente já faz essa pesquisa há pelo menos uns 5 ou 6 anos, esse percentual era de 3%, 5%, ele era bem menor e já está na casa dos 20% em São Paulo. Então, acho que aí já passou da hora de ter um olhar mais específico, porque até ouvindo algumas pesquisas qualitativas,

conversaram com as mulheres de maneira mais aberta sobre isso, as mulheres relatam que são situações absolutamente amedrontadoras, porque ela não tem como sair do carro, a pessoa, de repente, o motorista muda de rota. Então, também acho que é uma questão que, se você for escutar as mulheres de maneira mais aberta, vai ter muito relato nesse sentido. E, no final das contas, a gente vê que no transporte público não melhorou a situação, está em estabilidade do ano passado para cá, e num patamar muito alto, acima de 50%, 52%,

por cento de mulheres dizendo que já foram vítimas de alguma situação de assédio no transporte público e aí, se ela recorre ao transporte particular, ela está vendo esse aumento. Agora, eu queria te ouvir também sobre um outro ponto, que é o seguinte, a pesquisa mapeou os relatos de assédio em situações como bares e casas noturnas. A gente vira e mexe e acompanha episódios, relatos muito chocantes de casos que acontecem nesses lugares.

Também está em estabilidade, queria uma análise sua sobre isso, tem algum tipo já

impacto das políticas que foram criadas, como aquela tolerância zero, a política do não é não, nesses locais. É possível já fazer algum tipo de análise sobre uma melhora também nos comportamentos em bares e casas noturnas? Olha, é interessante notar que quando a gente olha o número de São Paulo, que está na casa dos 30, 34% das mulheres que relatam já terem sofrido assédio nesse tipo de espaço, São Paulo está um pouco no meio das 10 capitais. Em Porto Alegre, por exemplo, isso chega a quase 50%.

das mulheres que já relatam sobre assédio em bares e casas noturnas, enquanto em outras cidades isso é muito menor. Fortaleza, Salvador, por exemplo, está em 27%. Não é tão baixo, mas está abaixo do patamar de São Paulo. É importante, sim, acho que você fala diretamente desses protocolos, dessas políticas, porque elas têm um efeito positivo, e elas servem não só para bares e casas noturnas, mas também para outros ambientes privados. Então, o próprio assédio no espaço de trabalho, uma vez que você tem um canal

institucional de denúncia, você tem ali cartazes, você mostra para as mulheres que elas têm aonde recorrer, acho que isso é o que faz a diferença. Pelo histórico, como você falou, comparando com o ano passado, está estável, está na casa dos 34% das mulheres que relatam isso. Então, acho que esses protocolos são uma abertura, vamos dizer assim, de um canal, é importante isso ser, vamos dizer assim, o mínimo para existir,

A consequência depois que a mulher faz a denúncia também é importante, né? Saber se as medidas vão ser efetivamente tomadas, se a mulher vai ter o sigilo garantido, se ela vai ser acolhida da maneira correta. Então, é interessante também ver esse percurso todo depois que a pessoa é vítima de um assédio, né? Será que, de certa forma, a gente vê esses dados, né? Que estão subindo, né? Há um evolutivo com relação aos anos anteriores, no comparativo com as pesquisas. Eu fico me perguntando, será que esses números também,

aumentaram, não só pelo aumento no número de casos e de importunações, mas também porque agora as mulheres entendem algumas atitudes como assédio e antigamente não entendiam, a gente consegue fazer essa relação? Pergunto porque a gente tem casos de muitas mulheres que se culpavam ou acreditavam que tinham responsabilidade sobre o que estava acontecendo com elas, numa situação como essa, ah, mexeu comigo no ônibus, mas é porque eu estou com shorts curto, né? Então, enfim,

não entendia que aquilo era uma situação de assédio ou uma situação de importunação e não se colocava nessa posição. Agora, a partir desse movimento que vem crescendo de empoderamento de mulheres, será que essas mulheres também entendem isso como um assédio e por isso esse número vai aumentando a cada ano? A gente pode ter um pouco dessa perspectiva? Olha, eu acredito que sim, porque a gente também... Essa é uma pesquisa de percepção, né? Então ela não é baseada ali no boletim de ocorrência,

uma formalização de uma denúncia. Mas quando você compara com também os dados de denúncia, você vê que isso tem aumentado. Então, é possível sim que tenha a ver com esse aumento da conscientização das próprias mulheres em relação às situações que não são mais toleráveis. E claro que, enfim, pode ter um duplo efeito. Tanto a gente tem que sim direcionar a comunicação para os homens para que esse número diminua, seja por qualquer motivo,

por conta da percepção das mulheres, ou seja, por conta do aumento da ação dos homens, acho que tem que direcionar para a ação masculina nesse sentido, e também, claro, reforçar e sempre estar mostrando, de alguma maneira, para as mulheres que a sociedade não tolera mais esse tipo de situação, de que não é normal certos tipos de comportamento masculinos, enfim. Então, eu acho que é uma via de mão dupla, mas também, certamente, tem esse efeito que a Marcela mencionou,

feminino, do aumento das denúncias, de não normalizar certas situações. Rapidamente, para a gente encerrar, essa pesquisa também mapeou o que as pessoas ouvidas acham que deve ser adotado como medida para reverter essa situação de assédio. O que você destaca para a gente como essas medidas que a população mais pede para evitar os assédios contra as mulheres? Tanto em São Paulo quanto em nível nacional, a principal resposta é o aumento das penas contra quem comete violência contra a mulher. Isso é uma tendência em várias outras pesquisas,

que o brasileiro tem esse desejo de alguma maneira de aumentar penas para combater certos crimes, enfim. Não necessariamente é uma solução que resolve o problema, mas ainda é a principal resposta. O que chama atenção é que do ano passado para agora aumentou o percentual de homens que também acreditam que vale aumentar as penas.

mais essa responsabilidade de dizer que, olha, realmente isso não é tolerável e é crime, né? Necessariamente tem que ser punido. Então, acho que é um aumento pequeno em São Paulo, mas acho que é importante ser colocado também. Bom, e aí a gente fala sobre esses caminhos para mudança, né? Que também é destacado nesse levantamento de vocês, porque a gente tem punição, mas também existe essa necessidade de amparar essas mulheres que sofrem violência, sofrem assédios e sofrem importunações.

destacam como o principal caminho para mudar essa realidade? Logo na sequência dessa questão da punição, a resposta que é mais comum aqui em São Paulo é sobre a ampliação dos serviços de proteção, agilizar o andamento das investigações. Acho que esses pontos são exatamente nesse sentido que você falou, de dar após a denúncia o que acontece. Então, tem que ampliar o serviço de proteção, tem que pensar essa estrutura, esses serviços como um sistema, de certa maneira, que garanta o anonimato,

que dê condições de proteção da mulher, que ela consiga eventualmente se manter, sem necessariamente o apoio daquela pessoa com quem ela se relacionava. Então tem várias medidas aqui que são apontadas. Eu destacaria também o fato de que entre as mulheres, quando a gente pergunta isso para homens e para mulheres, as mulheres respondem bem mais do que os homens sobre a importância de treinar funcionários

acolher melhor as mulheres quando elas procuram canais de denúncia. Então isso, obviamente, tem muito a ver com a experiência das mulheres e é por isso que elas acabam respondendo muito mais nesse sentido. Então também já fica um recado, vamos dizer assim, para as políticas públicas ou para as ações até do próprio setor privado de que esse é um ponto importante para as mulheres. Igor, agradeço muito a sua participação. Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais da Rede Nossa São Paulo e no Instituto Cidades Sustentáveis, conversando com a gente aqui no CBN São Paulo.

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