Quem será o próximo líder supremo do Irã?: Se filho de Ali Khamenei assumir 'ele vai querer lutar mais', diz especialista
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- Relacoes EUA-IraProcesso de escolha pelo Conselho de Especialistas · Candidatos principais (Mustafa Khamenei, Rafsanjani, Hassan Rohani) · Qualificações religiosas dos sucessores · Interferência dos EUA na sucessão · Impacto da escolha na postura belicosa do regime
- Conflito EUA-IrãInterferência americana na escolha do líder iraniano · Demandas dos EUA sobre enriquecimento de urânio · Restrições ao programa de mísseis balísticos · Violações de sanções e embargo de armamentos · Postura negociadora vs belicista
- Atuação de Lucia na políticaRafsanjani como ex-presidente · Conhecimento em direitos internacionais · Negociação do JCPOA · Hassan Rohani e estudos islâmicos · Capacidade de diálogo com o Ocidente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que precisa se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder supremo do Irã. Segundo Trump, o filho de Ali Khamenei é o sucessor, que é considerado ali o sucessor mais provável, ele disse que considera o resultado inaceitável e quer interferir na escolha da sucessão de Ali Khamenei. Isso tudo em meio a esse clima de guerra que estamos vivendo, não só o clima, mas a esta guerra que estamos vivendo.
Tentar entender o cenário que se desenha a partir desse momento, com tudo que aconteceu ao longo dessa última semana, nós contamos com a colaboração do professor Najad Kuri, que é sócio-fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Oriente Médio, professor da Fundação Getúlio Vargas, da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica também. Professor, muito obrigado pela sua gentileza de estar conosco aqui no Jornal da CBN. Bom dia para o senhor. Bom dia, Milton. Tudo bem?
Professor Najad Kouri, qual a probabilidade de haver esta interferência que o presidente Donald Trump fala, da escolha do sucessor de Khamenei, e qual o risco desta atitude dele? Olha, o sucessor do Khamenei, ele tem muita responsabilidade nesse momento, porque seria o terceiro aetolá, o líder espiritual, como eles chamam,
uma superpotência, que claramente está querendo derrubar ou mudar alguma coisa substancial no Irã, regime, que preocupa com a segurança em primeira mão de Israel. E, ao mesmo tempo, ele está em antagonismo com seus vizinhos. Então, qualquer líder que seria escolhido tem muita responsabilidade, além de tirar o Irã da guerra ou intensificar a guerra.
O problema da sucessão, ele passa por várias camadas no Irã, entre elas a escolha pelo conselho dos experts, que queriam, digamos, um corpo de 88 conheceres da religião siíta e que vão escolher um sucessor. Então, tem cinco contenders, tem cinco candidatos.
Ayatollah Khomeini Kamenei, que é Mustabá. Mas Mustabá não tem qualificações religiosas, ele não tem alto grau em conhecimento de religioso e, ao mesmo tempo, se imagina que ele vai chegar numa liderança importante, sensível, onde seu pai foi morto pelos Estados Unidos. Então, ele vai, eventualmente, vai endurecer mais o Irã. Então, o Irã deve ser
os órgãos de inteligência do Irã, que estão preocupados com a sobrevivência do regime, a prosperidade do Estado e acabar a guerra, porque a guerra não pode ser eterna, como o Irã e o Iraque durou oito anos de guerra, não pode durar muito tempo na guerra. Então, deve estar preocupado com outras alternativas. E existem dois outros nomes que são importantes, que é o Rouhani, que é o ex-presidente, que tem até grau elevado em estudos em direitos,
internacionais, ele negociou o GCPOA, ele foi negociador-chefe do Irã, junto com a Agência Internacional de Energia Atômica, e tem um neto do Ayatollah Khomeini, que é Hassan Rouhani, Hassan Khomeini, que é, ele tem mais grau, mais elevado em termos de estudos islâmicos. Então, obviamente, isso deve estar preocupado tanto para o Irã, quanto para o mundo.
e a escolha do Mustafa Khamenei, ela pode ser mais prejudicial para o Irã, que benéfica numa hora dessa de guerra e que precisa de uma voz de afastamento ou descongelamento do antagonismo com os Estados Unidos, que estão em guerra agora. Pelo que o senhor está nos explicando, da complexidade dessa escolha, a maneira como normalmente ela é realizada,
um ponto de vista muito pouco realista do presidente dos Estados Unidos, de achar que ele vai conseguir interferir diretamente nesse processo. Eu acho que é prejudicial. Eles têm orgulho da sua própria revolução, orgulho do seu nacionalismo. E, às vezes, o fato que uma pessoa de fora quer interferir internamente vai criar um clima desfavorável à pessoa. Mas são uma alerta que procede, porque os Estados Unidos querem também
um interlocutor que possa dialogar com ela. Esse interlocutor não seria uma pessoa para negociar igual para igual, porque eles já provaram que não há negociação, no caso entre os Estados Unidos. Eles querem impor sua vontade em que o Irã parasse de enriquecimento de urânio a zero grau, note bem, zero grau, apesar que o Irã é assinante do acordo nuclear, onde ela pode, de carta,
de não proliferação de armas nucleares, então ela teria direito à proliferação para fins pacíficos, que é uso em medicina, geração de eletricidade e tudo mais. Mas os Estados Unidos e Israel querem que zero grau de enriquecimento. Outro caso, os Estados Unidos querem que Irã parasse e limitasse o alcance dos seus mísseis, que é a sua defesa própria. Irã já vinha sendo sancionado desde 1980,
para armamentos sofisticados, nem aviações sofisticadas. Então, ela desenvolveu esse programa de mísseis balísticos a um grau bastante sofisticado, que alcança esse Israel. Estados Unidos está muito preocupado com isso, Israel também não aceita. Então, já que o programa nuclear hoje está sob controle, digamos, os mísseis balísticos têm que estar sob controle, que é limitar o alcance deles a 400 quilômetros, não a 1.000 ou 1.200 que alcança esse Israel.
rendição a teorema político do Irã que manter, digamos, uma defesa avançada e tudo mais. Então, e agora a guerra está no Irã. Antigamente a guerra estava em outros lugares, em Hezbollah, no Líbano, em Hamas, em Israel e tudo mais. Agora a guerra chegou dentro do Irã, não é as fronteiras, né? E enquanto isso, o espaço aéreo está aberto e a marinha está sendo sob risco.
E os Estados Unidos estão nas suas águas marítimas. Então, realmente precisa de uma pessoa que possa dialogar com os Estados Unidos, que é bom para os dois lados, senão a guerra pode causar mais destruição. A extensão dessa guerra passa por esta decisão?
interna com os guardas revolucionários que estão sendo atacados, que possivelmente seriam dissolvidos ou incorporados numa outra fórmula do Estado, ele vai querer lutar mais. Os caras mataram o pai dele, mataram a mãe, mataram, não sei se é filha dele, alguma coisa assim. Então, se ele vier a ocupar, ele tem uma postura totalmente bélica, mais bélica ainda, sem pragmatismo. Então, qualquer decisão que, nesse sentido, ela pode afetar
guerra é o mundo inteiro, afetar você, a mim, a peça do petróleo, porque a guerra está numa região das mais, digamos, explosivas do mundo, onde tem 50% do petróleo mundial naquele região, onde tem choke points, onde tem o estredo do Hormuz, onde tem vários países que estão quase sendo envolvidos por Irã, Arábia Saudita, os Emirados, Catar, até a Azerbaijão está sendo envolvida, eventualmente Turquia, então, Iraque, então,
é uma decisão altamente sensível para o Irã e para o mundo. Najad Kouri, muito obrigado pela sua análise e experiência aqui no Jornal da CBN. Um bom dia.