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Ministério da Educação precisa repensar a formação de professores, adverte educadora

21 de maio de 202615min
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Os dados mostram de forma incontestável que o Brasil está ofertando cursos de licenciatura de má qualidade, avalia a diretora executiva do instituto Reúna, Katia Smole. Segundo o MEC, menos da metade dos concluintes na modalidade de educação a distância atingiram a proficiência na Prova Nacional Docente.

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Participantes neste episódio2
G

Galvão

Host
K

Kátia Smole

ConvidadoDiretora executiva do Instituto Reúna
Assuntos3
  • Educação midiática e formação de professoresQualidade dos cursos de licenciatura · Educação a Distância (EAD) na formação docente · Prova Nacional Docente · ENAD · Kátia Smole
  • Valorização da carreira docenteDesvalorização da carreira docente no Brasil · Atração de novos profissionais para a docência · Condições de trabalho e salário · Respeito e reconhecimento social da profissão
  • Reforma educacional no BrasilUniversalização do acesso à educação básica · Melhorias na educação infantil · Financiamento do Fundeb · Alfabetização · Violência e desrespeito contra professores
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Conheça a trilha. Pensar fora da curva é o melhor caminho. Saiba mais sobre a trilha em trilhab3.com.br. Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar sobre educação. A nossa convidada é a diretora executiva do Instituto Reúna, professora Kátia Smolli. Kátia, muito bom dia, é sempre um prazer tê-la conosco aqui na CBN.

Bom dia, Galvão. Feliz de estar aqui conversando com vocês de novo sobre educação. Bom, vamos falar sobre o resultado da Prova Nacional Docente, resultado divulgado nesta quarta-feira. Mais da metade dos cursos de formação de professores, quase 52%, cursos de pedagogia, licenciatura.

na modalidade de educação à distância, ficaram com o conceito Enad 1 ou 2, um conceito que vai até 5. E a gente também aqui tem informação de que 73% dos concluintes de licenciaturas presenciais foram avaliados como proficientes.

Porém, aqueles que fizeram a licenciatura no modo EAD, apenas 46,9% atingiram a proficiência. Tem outros dados aqui, é claro, a gente vai falar sobre estas questões, mas de um modo geral, como é que você avalia esse resultado? Kátia, melhorou, piorou em relação a dados anteriores? A gente tem essa base?

Eu gostaria de começar comentando os próprios dados, porque eu vejo que o Ministério da Educação dá um passo importante em trazer evidências mais claras a respeito das licenciaturas e das modalidades de oferta das licenciaturas.

Dados como esse permitem tomar decisões melhores, fazer investimentos com maior clareza. Então, acho que eu queria muito destacar, inclusive, o valor da prova nacional docente, porque ela está trazendo uma outra modalidade de avaliação, que não é só ver se no final do curso você sabe aquilo que você vai ensinar.

mas também se você sabe como ensinar, como é que avalia. Então, gostaria de destacar esse ponto. Agora, o que as duas avaliações, o ENAD e a Prova Nacional Docente, estão nos mostrando é uma coisa que, de uma certa forma...

O próprio censo escolar já mostrava, o ENAD anterior já mostrava que as licenciaturas que são online, essas que são totalmente à distância, elas não são um modelo mais adequado de formação de professores. É claro que não se trata de dizer, olha...

Num país dessa extensão, nós vamos tirar toda a possibilidade de ter uma formação que use as vias da tecnologia. Mas os dados são incontestes assim. Nós estamos ofertando um curso de má qualidade. E a hora que você compara e na ordem, você vai vendo as federais, as estaduais, mesmo as municipais,

todos os cursos presenciais são mais efetivos na formação do professor. Então, acho que não se trata de dizer que não pode mais ter uma parte à distância, mas não dá para ser como é. E os dados para algumas das disciplinas, como matemática, por exemplo, é muito desafiador.

Nós verdadeiramente precisamos repensar a licenciatura. Eu acho que o Ministério da Educação agora, diante desses dados, seja este ministério ou próximo, no próximo governo, precisa olhar para esses dados e chamar as universidades para conversar, o que é impossível, né? Que nós tenhamos dados tão ruins.

numa das profissões que é das mais importantes que o país tem. A gente tem que lembrar, Kátia, para os nossos ouvintes, que a gente está falando de um profissional que vai trabalhar dentro da sala de aula. E aí é importante que ele esteja aprendendo dentro da sala de aula, e não apenas por meio de um computador. Eu lembro, eu fiz a licenciatura na USP em 2015 e 2016.

E lembro da importância das dinâmicas em sala de aula, das discussões em grupo, quer dizer, isso aí é muito difícil de fazer não estando lá presencialmente, não é? Então, e é interessante porque recentemente nós tivemos o resultado...

Da avaliação dos médicos, você se lembra disso? Sim, sim. Uma comoção nacional de a gente dizer, mas como, olha, como é que um médico está sendo formado? Nós temos que ter a mesma comoção com a formação dos professores, porque são profissões que lidam com a vida, que formam as próximas gerações.

que cuidam das pessoas. Então, como é que nós precisamos nos indignar com essa quantidade de cursos que está fazendo com que as pessoas passem pelo curso e não tenham nenhuma transformação profissional. Elas não saem preparadas para serem profissionais. Então, a indignação tem que ser a mesma.

E aí o que aconteceu? O Conselho Federal de Medicina toma providências, as universidades se explicam, o Ministério chama. Esse é o movimento que eu gostaria de ver também para esse resultado.

do Enargo e da prova nacional docente, sabe? Sim. Bom, Kátia, em que medida tudo isso também não tem a ver com a pouca valorização que, infelizmente, o professor, a professora tem nesse nosso país? Acho que em alguma das nossas conversas aqui nos últimos anos...

Eu já destaquei esse aspecto, eu nesse momento não estou dando aula, mas eu dei aula durante vários anos para segundo e terceiro ano do ensino médio, e principalmente no terceiro eu sempre perguntava ali no começo do ano para saber qual a área que os alunos queriam seguir, a profissão e tal.

E era muito raro ver aluno dizendo que não, eu quero ser professor. Tinha sala, às vezes, de 40 alunos que tinha um, dois. Então, isso a gente percebe no dia a dia, nas pesquisas, como infelizmente a nossa profissão de professor no país não está valorizada. Em que medida isso acaba se refletindo também no mau desempenho desses professores nesses cursos?

Na verdade, eu acho que é um conjunto de fatores todos interligados. Por um lado, você tem a profissão que o Brasil ainda não tem, apesar de nós termos alguns programas, algumas iniciativas dessa própria gestão do Ministério da Educação, mas quando você olha no todo, a carreira docente ainda não está traçada, nós temos um número muito grande.

de professores que são professores contratados na rede pública, não são concursados. Isso também é um sinal de que você não está olhando para a carreira docente. Nós ainda precisamos melhorar bastante a questão do estágio, do estágio probatório. A própria população, muitas vezes, não valoriza o professor como ela deveria.

valorizar, nós temos inclusive muitas vezes pessoas que estão em cargos públicos, como vereadores e deputados que destratam os professores, o que é um absurdo, porque os professores precisam ser respeitados exatamente pelo papel que se tem na sociedade. Então, nós temos esse lado. Por outro lado, veja, os cursos de formação de professores deveriam primar pela formação dos profissionais.

Na medida que eu quero mudar essa situação da desvalorização docente, uma das coisas que precisa ser mais valorizada, assim como a condição de trabalho, salário e tal, é a formação inicial. Então, se nós estamos mostrando por essas avaliações que a formação está muito descuidada, você já tem poucas pessoas que querem ser professores.

Essas pessoas, muitas vezes, fazem um esforço hercúleo para pagar o curso, para fazer o curso, porque são pessoas trabalhadoras. E quando elas vão fazer a prova, a prova mostra que o curso para elas não fez diferença na vida. Você ficou três, quatro anos.

cinco anos, às vezes, fazendo uma licenciatura e ela se mostra frágil, então você só agrava a situação do professor. Isso vira uma bola de neve, porque a formação não ajuda, a carreira não é atrativa. Agora, por outro lado, é muito interessante um dado, um dado de que a gente precisa de 118 mil professores por ano. E...

Os professores que se apresentaram aptos a continuarem sendo professores, até porque a prova nacional docente também tem um plano de que os estados que aderiram, enfim, os municípios que aderiram, podem usar o resultado desta prova, que os professores, em exercício, se quiserem fazer, tenham feito, e esses dados podem ser usados. Obrigado.

para concurso futuro, para processos seletivos, eles mostram que nós tivemos um número ainda acima daquele número que você precisa por ano. Então ainda tem muita gente que é professora, ainda tem muita gente que quer ser professor. É mais uma razão.

para nós dizermos, olha, uma profissão tão importante, então ela precisa de uma boa formação inicial, ela precisa de uma carreira que seja atrativa. Eu acho que os dados estão mostrando que em todo lugar que a gente trata o professor, nós estamos tratando mal o professor. E isso é inadmissível, nós não podemos mais.

sermos um país que trata mal seus professores. A gente está conversando aqui no CBN Madrugada com a diretora executiva do Instituto Reúna, Kátia Esmoli. Kátia, a gente tem mais dois minutinhos aqui. Além da melhor formação dos professores, na sua opinião, que outro aspecto é fundamental hoje no Brasil para a gente melhorar a educação, principalmente pensando, é claro, na educação pública?

bem aquém, se a gente for pensar, em relação à boa parte da rede privada. É interessante se observar que o Brasil vem avançando bastante na educação. Então, olhar o retrato inteiro mostra que nos últimos anos, nos últimos muitos anos, 30 anos pelo menos,

Nós conseguimos colocar mais estudantes na escola, universalizar o acesso para os estudantes da educação básica. Avançamos bastante na educação infantil de 5 e 6 anos. O creche também vem crescendo. Nós temos o financiamento do Fundeb, que é bem relevante, ajuda as redes, inclusive, a pagarem melhor.

os professores. Então, tem um conjunto de fatores que nós vamos vendo uma melhora na alfabetização. Tem um conjunto de fatores que nós vemos que avançaram. Onde é que ainda está o problema? O problema está na falta de um olhar cuidadoso e generoso e que valorize os professores. Eu acho que se a gente tivesse que escolher...

Uma coisa para cuidar como prioridade absoluta na próxima gestão, tanto de governadores quanto de presidentes da República, sem dúvida seria ter uma carreira docente que fosse atrativa, cuidar da qualidade da formação dos professores, mas também cuidar dos professores dentro das escolas. Nós temos visto tantas coisas que aparecem como...

a violência contra os professores, desrespeito contra os professores. Eu acho que a sociedade precisa ser mobilizada para que nós tenhamos, nesta carreira que é tão importante, um professor que, olha, eu acho que é o próximo salto que nós temos que dar, porque sem professor você não faz nada, é só olhar o próprio resultado.

das licenciaturas de EAD, que muitas vezes tem tutor, que muitas vezes não tem atividade síncrona, que o aluno está muito sozinho. O que essa licenciatura está mostrando? Que ela falha. E ela falha, entre outras coisas, por um aspecto que você trouxe, que é tão importante a presencialidade. O professor faz diferença.

nós precisamos de fato entender que o próximo salto virá de uma formação adequada e de uma boa carreira docente. Muito bem, professora Cátia Esmoli, diretora executiva do Instituto Reúna, conosco aqui no CBN Madrugada. Cátia, mais uma vez, muito obrigado, um bom dia e até a nossa próxima conversa. Obrigada a eu, um ótimo dia para todos.

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