‘Alcolumbre quer dar o troco no Mendonça’, comenta Thiago Bronzatto sobre tensão política na CPMI do INSS
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Fraudes FinanceirasProrrogação da comissão · Investigação de fraudes · Relatório final · Impacto político · Material do caso Mãe da Mãe
- Atuação de Lucia na políticaSabatagem da indicação de Mendonça · Revanchismo político · Histórico de tensão · Proximidade com ex-presidente Bolsonaro
- STF e Politizacao do JudiciarioJulgamento no plenário · Leitura do requerimento até quarta-feira · Prorrogação automática · Poder de contenção do Senado
- Divergência de votos e decisões no STFAliança Moraes-Gilmar-Flávio Dino · Grupo Faquim-Canci-Fuchs-Mendonça · Voto de desempate de Faquim · Fratura institucional
- Relação entre CPMI e caso Mãe da MãeInvestigação de fraudes no banco · Interceptações telefônicas · Pessoas envolvidas no banco · Tensionamento com STF
- Freno do STF às investigações da CPMIImpedimento de quebras de sigilo · Bloqueio de depoimentos · Paralisação de atividades · Proteção de interesses sensíveis
- BolsonaroDecisão de Alexandre de Moraes · Execução da pena · Implicações políticas
A gente está de volta com o Viva Voz e já está com a gente conectado o Tiago Brunzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Débora. Boa noite aos ouvintes. Boa noite. Brunzato, a gente tem aí essa decisão do ministro Alexandre de Moraes, que mandou o ex-presidente Jair Bolsonaro para casa em prisão domiciliar.
visível que ele fizesse isso e o Supremo ainda digerindo desde ontem a decisão do André Mendonça a respeito da CPMI do INSS. Todo dia, pelo menos, uma manchete ligada ao Supremo Tribunal Federal. A gente tem tratado dessa ebulição aqui. Em relação a esse caso aí da CPMI, da prorrogação dela, o Davi Alcolumbre tem dado demonstrações em off, porque não falou em off até agora,
de que está furioso com ela. Que efeito político que decorre de mais essa crise entre os poderes? Pois é, Vera. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, resolveu deixar de lado o seu lado terrivelmente evangélico e resolveu seguir a lógica do olho por olho e dente por dente contra o presidente do Senado da Véu Columbre. O Mendonça determinou ontem que a Columbre faça uma leitura até quarta-feira
da comissão parlamentar que investiga as fraudes no INSS. E caso o Alcolumbre não leia esse documento, porque ele é contra a continuidade da CPMI do INSS, a comissão estará automaticamente prorrogada. Foi isso que decidiu o Mendonça ontem. Ou seja, o Mendonça não só reduziu publicamente o poder de Alcolumbre, de enterrar a CPMI do INSS,
Vale lembrar que o Alcolumbre foi uma das principais pedras no caminho da indicação de Mendonça, o STF. O senador segurou durante muito tempo a sabatina do Mendonça e isso acabou gerando um constrangimento para o ministro. Depois desse episódio de ter segurado a sabatina do Mendonça, o Alcolumbre tentou uma aproximação do Mendonça dizendo que não foi ele que jogou conta,
contraindicação, mas somente atendeu um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que queria outro candidato na época, mas não colou. Isso aconteceu há quase cinco anos, mas o Mendonça nunca se esqueceu. E ao se tornar relator da investigação do escândalo do INSS no STF, o Mendonça teve a primeira oportunidade de dar uma cutucada na Alcolumbre, especialmente quando ele autorizou uma operação da PF contra um aliado muito próximo de Alcolumbre, que é o senador,
o Everton Rocha. E de lá pra cá, a CPI do NSS também virou uma pedra no sapato do Alcolumbre, que também viu um ex-assessor entrar na mira da comissão. O Alcolumbre, ele esperava a primeira oportunidade pra acabar com essa comissão parlamentar que tanto incomoda ele e muita gente graúda em Brasília. Mas ele foi atravessado pela decisão do Mendonça, que acabou gerando uma nova crise e tensão pro Supremo, como você disse.
O Alcolumbre quer dar o troco no Mendonça e passou a se articular nos bastidores com ministros do Supremo para derrubar a decisão de Mendonça no julgamento previsto no plenário da Corte nessa quinta-feira. Irritado, o presidente do Senado tentou acionar a advocacia do Senado para buscar um respaldo jurídico, para rebater o Mendonça e tudo mais.
muito cansado de segurar a pressão de parlamentares da oposição contra o STF no Congresso. Para um bom entendedor, esse recado do Alcolumbre foi bem claro. Agora, Bronzato, nesse julgamento no plenário de quinta-feira, as divisões na corte devem ficar expostas, não? Sim, muito, Lebra. O julgamento que vai decidir sobre a prorrogação da CPMI do NSS, ela pode ser a primeira exibição pública
da fratura do Supremo depois do escândalo Master. E isso que torna o caso tão importante, o julgamento tão importante. Em tese, a discussão é sobre se houve omissão da cúpula do Congresso ou não e se a prorrogação da CPMI é um direito da minoria parlamentar. Mas, na prática, o plenário pode acabar exibindo ao vivo e a cores a nova geopolítica interna da corte. O julgamento vai ser no plenário físico,
e isso significa que os ministros vão debater. Ou seja, não é só voto, é exposição de posição, de tom, de alinhamento e até cutucadas públicas. Os ministros não devem votar apenas por afinidade jurídica nesse caso. O que a gente tem ouvido é que os votos também devem ser movidos por essa gravidade política em torno do escândalo do Banco Master. E o ministro André Mendonça acabou se tornando um grande personagem
personagem nesse caso. Houve ali uma cutucada na semana passada do ministro Gilmar Mendes sobre a decisão do Mendonça no caso do Master, isso acabou aflorando ainda mais os ânimos na corte, mas o que a gente vê hoje, especialmente depois do caso Master, é uma divisão ali de dois grupos. De um lado a gente vê claramente uma aliança formada pelo ministro Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, que tem dado sinais em decisões que são
contra a continuidade da CPMI e do NSS. E tem também o ministro Zanin, que ele é um pouco mais reservado, mas ele já demonstrou em alguns votos dele que ele também acha que a CPMI tem que ter certos limites. E do outro lado, tem um ministro formado pelo ministro Fachin, Carmen, Fux e pelo próprio Mendonças, que tendem a votar juntos em algumas frentes, em alguns temas que eles concordam.
sempre fica no Cássio, como que ele vai votar nesse caso. Embora ele tenha sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, assim como Mendonça, o Cássio costuma flertar com os dois grupos de acordo com a ocasião. E em caso de empate no placar, a decisão fica nas mãos de Fachin, que terá que dar o chamado voto de qualidade que cabe ao presidente do Supremo para desempatar em casos como esse.
do Supremo nos próximos dias. O Bronzato, e qual deve ser o desfecho dessa CPMI do INSS? Olha, Carol, há basicamente dois cenários que estão na mesa. O primeiro é o enterro da comissão, como estava sendo desenhado. Se o Supremo não garantir a prorrogação da CPMI do INSS, os trabalhos acabam no dia 28 e a tendência é que seja apresentado um relatório às pressas. E aí esse relatório, pelo que a gente ouve, vai vir sem grandes emoções, sem grande combustão política.
Porque não deu tempo ali ainda de destrinchar todo o material que chegou na CPMI, né? Especialmente o material do caso Master, que vinha gerando tanto incômodo político. Para o centrão, para o governo Lula, esse seria o melhor dos mundos, né? Porque evitaria que a CPI continuasse produzindo desgaste político, sobretudo num calendário pré-eleitoral, né?
surpreendente, até porque nas últimas semanas a gente tem visto ali uma série de iniciativas do Supremo para frear a investida e a investigação da CPMI. O Supremo vem dado algumas derrotas para a CPMI, impedindo algumas quebras de sigilo, alguns depoimentos e até medidas judiciais. Isso tem, de certa forma, paralisado alguns trabalhos da CPMI.
Bom, e o segundo cenário é se a CPMI continuar a todo vapor. E aí muda bastante coisa, porque se a CPMI ganhar uma sobrevida, ela pode se transformar ainda mais numa fonte contínua desse desgaste eleitoral, tanto para o governo Lula, quanto para nomes importantes do Centrão. E quanto mais tempo essa CPMI continuar em atividade, mais vai gerar desgaste político, com depoimentos, novos documentos,
novas quebras de sigilo e tudo mais. E há também um fator adicional que pode pesar no julgamento do STF, porque quanto mais a comissão avança sobre temas sensíveis no escândalo master, mais ela tensiona essa relação com o Supremo. Vale lembrar que a CPMI está no pé do Fachin para ele informar quem estava usando o celular funcional do Supremo que trocou mensais com o Daniel Borcaro quando ele foi preso. Conforme revelou a colunista Malu Gaspar, o celular pertencia ao ministro
Alexandre de Moraes. De um jeito ou de outro, uma coisa fica clara em toda essa confusão, que quando uma CPMI começa a se aproximar demais dos círculos mais protegidos de Brasília, o debate deixa de ser apenas sobre investigação e passa a ser sobre contenção de danos. Tá certo. Obrigada, Tiago, pela sua análise de hoje. Até quinta-feira. Até mais.