Preço do petróleo: cenário pode piorar e pede atenção nos próximos meses, diz ex-diretor da ANP
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- Riscos econômicos domésticosEscassez de combustível · Crise de percepção · Fator psicológico · Comportamento de mercado · Especulação
- Preços de Combustíveis e PetróleoEscalada de preços · Impacto no mercado global · Diferença entre preço importado e produzido · Pressão sobre oferta · Volatilidade do mercado
- Petrobras política de preçosPreservação da empresa · Eficiência operacional · Fornecimento de petróleo · Pressões governamentais · Estrutura de mercado
- Conflito EUA-IrãEstreito de Ormuz · Tensões Irã-Arábia Saudita · Impacto na transportação de petróleo · Declarações de risco · Potencial escalação
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinPerspectiva de curto prazo · Duração estimada · Cicatrizes econômicas · Monitoramento necessário · Previsões de instabilidade
- Impactos secundários na cadeia de suprimentosSuspensão de exportações de fertilizantes · Insumos agrícolas · Afetação da Rússia · Problemas regionais · Efeitos em cascata
E nós temos a oportunidade, vamos continuar tratando dessa questão do combustível, da energia e do abastecimento. Nós temos a oportunidade agora de conversar com o Davi Silberstein, que já foi diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e professor do Instituto de Energia da PUC do Rio de Janeiro. Davi Silberstein, muito obrigado pela gentileza de nos atender aqui no Jornal da CBN. Bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia.
quantidade de combustível de diesel que esteja disponível no país? Essa é uma preocupação? Olha, objetivamente, sim. Eu estava ouvindo agora há pouco o comentário da Miriam Leitão e ela foi muito clara nessa questão. Você tem uma parte do seu combustível que é importado. É muito simples de até explicar. Você tem uma parte do seu combustível que é importado. Ele é importado pelo preço internacional, que teve um aumento de... Hoje o petróleo caiu um pouco mais alguma coisa da ordem de 50%, um pouco menos.
ao longo de três semanas. E você tem um preço interno que é produzido pela Petrobras que está abaixo desse valor. Quem importaria, quem deveria importar, não vai comprar um combustível que vai pagar 100 para ter que vender 70 dentro do mercado brasileiro ou até menos. Então, essa diferença, primeiro, é um dos fatores, vamos dizer assim, se a gente fizer a conta, uma conta aritmética vai faltar. E tem um conceito econômico, e tem um lado até psicológico também,
Quando você tem uma perspectiva de escassez, o preço aumenta. Mesmo que você não tenha ainda a restrição física, você já de antemão, quem negocia, quem comercializa, aumenta. E tem um terceiro ponto, quer dizer, existe também que eu falei que é a questão psicológica. As pessoas, quem vende também, e a quem vende interessa naturalmente um clima de que pode faltar, de que pode, enfim, e que vai aumentar.
Então tem todo aí um conjunto de situações que essa distorção vai levando e seguramente o risco, como você, na sua pergunta, objetivamente pode faltar sim. E quais seriam as medidas a serem adotadas neste momento, que é um momento difícil, já que nós já temos a crise de percepção da escassez instalada. Mas o que pode ser feito agora? Olha, Carlos, a primeira coisa, eu acho que o governo deveria, claro, como tem muitos governos no mundo que estão praticando,
medidas de sinalização econômica com subsídios. É uma medida que tem sido tomada no resto do mundo. A diferença, primeiro, é que lá você tem um mercado mais diversificado de quem produz o combustível. Aqui no Brasil, a gente tem praticamente duas fontes. A Petrobras, com cerca de 70%, 75%, e o resto importado. Então, fica mais difícil você ter certeza de que o mercado é competitivo na ponta. Então, essa é a primeira coisa.
Mas eu acho que a coisa mais importante é que o governo não chegou em nenhum momento assim. Como aconteceu no primeiro choque do petróleo, que já tem mais de 50 anos, quando aconteceu no segundo choque do petróleo, é dizer para a sociedade que nós estamos enfrentando uma situação externa, que não depende de nós, mas é uma situação de guerra. Nós estamos numa guerra. Quando a gente está numa empresa e tem um problema, que a gente tem que fazer um ajuste, você chama de economia de guerra. Mas é uma metáfora. Aqui, no caso, nós não temos uma metáfora.
de guerra. E o governo tem que ter, como aconteceu no passado, em governos já longínquos, de ter medidas que, de alguma maneira, reduzam essa dependência e os impactos desse preço. Porque não há alternativa. O Brasil, como todos os países do mundo que não estão diretamente envolvidos no conflito, são vítimas, entre aspas, desse processo. Mesmo os Estados Unidos, que é ativo, que é o país mais ativo no conflito, se você
pegar o preço do combustível, você tinha alguma coisa de 2 dólares, alguma coisa por galão, já está praticamente 4 dólares o galão. Não tem muita alternativa. Então, eu acho que o governo tem que, sim, pode tomar medidas de custo restritivo em termos de amenizar o custo com os subsídios, mas eu acho que ele tem que, de alguma maneira, também mostrar para a sociedade, buscar, por exemplo, campanhas de informação para redução de consumo,
tentar aproveitar o momento para você melhorar a logística. Porque se você melhora a logística, a gente sabe que todo transporte, praticamente todo transporte rodoviário de mercadoria, de pessoas, transporte urbano no diesel, você pode já começar até um momento na crise, você busca soluções que não vão ter resultado imediato, mas que poderiam aproveitar. O Churchill dizia que o estadista, a melhor coisa para um bom estadista é a crise. Quando na crise ele cria soluções, que talvez algumas de curto prazo,
longo prazo. E a última questão, eu acho que é a mais relevante, eu acho que é a preservação da Petrobras. A gente viu no passado que o artificialismo dos preços na Petrobras só prejudica a empresa e não beneficia a sociedade. Trazem malefícios da sociedade porque a Petrobras é uma empresa pública, o principal acionista é a sociedade brasileira. Então você perde quando você dá o subsídio pelo contribuinte e você vai perder também e que não vai resolver. A história mostra que
também não vai resolver quando a Petrobras vai segurar. Eu acho que tem que tomar muito cuidado também com a preservação da empresa. Qual é o papel da Petrobras nessa crise? Olha, o papel da Petrobras, o primeiro papel dela é fornecer o máximo de diesel que ela pode. E ela faz bem. A Petrobras é uma empresa muito, muito competente no que ela tem a determinação de fazer. É uma das melhores empresas do mundo, diga-se passagem. E por isso que eu digo, exatamente, essa eficiência não pode ser
de alguma maneira, machucada por conta de pressões do principal acionista, que é o governo. O governo tem mecanismos que estão aplicando, mas ele não pode, na minha opinião, contaminar a Petrobras em relação a isso, porque não dá certo. O que está acontecendo hoje, a notícia de vocês, a Miriam colocou, nós estamos caminhando, mesmo que a guerra se interrompa, que é um desejo de todos, nós vamos ter sequelas,
por algum tempo, sequelas e cicatrizes nesse processo. Então, sem contar que nós vamos ter não só, nós estamos falando de abastecimento de transporte, mas ontem a Rússia suspendeu a exportação, a maior parte da exportação de fertilizantes. No Oriente Médio, a gente tem a exportação de nitrogenados, de enxofre, de uma série de insumos para a agricultura. Então, nós vamos ter aí um problema,
que não vai se limitar só à questão que a gente está falando aqui do diesel. E eu acho que esse pacote, vamos chamar de pacote entre aspas, deveria ser uma preocupação do governo no sentido de chamar a sociedade para um processo, vamos dizer assim, como vamos inventar uma situação de guerra. Ontem, depois de países europeus e países aliados dos Estados Unidos falarem em uma iniciativa para tentar reabrir o Estreito de Hormuz, o Irã disse que embarcações que não são hostis
transitar pela passagem. Isso pode significar, ao longo das próximas semanas, alguma melhora no cenário que a gente tem hoje? Pode, mas pode sim. Claro, porque você vai aumentar a disponibilidade, mas agora é uma afirmação muito vaga, né? Primeiro, e tem que se ver que na realidade isso vai acontecer. E a gente vive, enquanto dura o conflito, ainda situações de muita tensão e potencialmente ainda situações de piora. Por exemplo, a Arábia Saudita,
está deixando transportar uma parte do seu petróleo pelos treinos de Hormuz está desviando por um oleoduto que leva até o Mar Vermelho. Esse oleoduto é muito frágil. É mais frágil ainda do que os treinos de Hormuz. Então, você tem aí, potencialmente, se a guerra se tornar mais aguda e as declarações da Arábia Saudita em relação ao Irã são preocupantes também, vamos dizer assim, no limite da Arábia Saudita participar do conflito, você tem aí outros
Outros, vamos dizer assim, mecanismos de transporte de petróleo que podem ser afetados também com muita facilidade. Então, é uma situação latente e potencialmente ruim em termos que pode piorar. Agora, claro, só que você, para ter uma ideia, o State de Hormuz transportava aproximadamente 100, 150, até 150 navios por dia. Nos últimos 21 dias foram 21 navios.
do transporte no Stade Hormuz. Quanto vai melhorar? Você vai chegar a 5%, vai chegar a 10%. Ainda é uma situação bastante crítica. A única saída plausível é a interrupção do conflito. Fora isso, eu vejo que a coisa tem como piorar, inclusive, por conta de ataques às instalações, enfim. E o que a gente tem que levar em consideração, nós estamos pensando com razão, com uma preocupação de hoje, mas eu acho que já deveria
haver uma sinalização e uma preocupação do que vai acontecer pelo menos por um bom tempo, em termos de pelo menos alguns meses até que a situação se normalize. Davi Zuberstein, muito obrigado pela sua análise no Jornal da CBN. Bom dia. Obrigado, bom dia. Um abraço para vocês. Obrigada. Davi Zuberstein, que já foi diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP, é professor do Instituto de Energia da PUC do Rio de Janeiro. Conversou com você.