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Eleitorado, hoje, é pouco flexível para alterar posições, afirma cientista política

26 de março de 202617min
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A falta de novas lideranças políticas com força nos Estados e a calcificação do eleitorado deixam pouco espaço para uma candidatura do centro ideológico ao Planalto, nas eleições de outubro, afirma a cientista política Luciana Santana. Segundo a professora das federais de Alagoas e Piauí, o apoio ou o ódio incondicionais aos principais candidatos limitam as chances de mudança de posições por parte dos eleitores.

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Participantes neste episódio2
P

Paulo Galvão

Hostjornalista
L

Luciana Santana

ConvidadoCientista política
Assuntos4
  • Polarização PolíticaEngajamento pelo ódio · Cristalização do eleitorado
  • Dinâmica do PSD
  • Eleições PresidenciaisFlávio Bolsonaro · Eduardo Leite · Ronaldo Caiado
  • Impacto Social do EscândaloCPI do INSS · Banco Más
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Oi, pessoal! Aqui é a Astrid. Deixa eu te falar uma coisa como mãe, tá? A gente tenta acompanhar tudo, mas quando o assunto é internet, é insano conseguir ver de perto. Por isso, eu achei legal dividir uma coisa com vocês. No TikTok, contas de adolescentes já vêm com mais de 50 configurações de segurança e privacidade ativadas automaticamente. E ainda tem a sincronização familiar, onde pais e responsáveis conseguem ajustar conteúdo e tempo de tela de um jeito bem simples. Assim, a gente fica mais tranquila, né? Clique no banner e saiba mais!

Muito bem, aqui no CBN Madrugada é espaço para a gente falar um pouco sobre o cenário político, com a aproximação das eleições, e a nossa convidada é a professora Luciana Santana, que é cientista política, professora da Universidade Federal de Alagoas e também da Federal...

do Piauí e também pesquisadora do Centro de Estudos Legislativos da Universidade Federal de Minas Gerais. Professora Luciana, muito bom dia, é um prazer tê-la conosco aqui na CBN. Tudo bem, eu que agradeço o convite, é uma sensação de estar aqui com você.

Bom, queria começar com essa movimentação no PSD, do Kassab. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi entrevistado nesta quarta-feira na Globo News. O blog da nossa colega Júlia, do Ailibe, destaca que o Eduardo Leite disse que é o único presidenciável do centro no PSD.

A gente lembra que esta semana o governador do Paraná, o Ratinho Júnior, desistiu da candidatura e agora fica essa dúvida se o candidato do PSD será o Ronaldo Caiado ou o Eduardo Leite. Queria que você começasse, Luciana, falando como é que você está enxergando essa movimentação do PSD, buscando protagonismo.

E se dá para já dizer se um dos dois tem mais chances de ser o candidato Leite ou o Caiado, hein? Bom, Galvão, ambos os candidatos têm uma avaliação positiva entre os respectivos governos. O Caiado talvez esteja bem mais um pouco a dianteira e ambos poderiam ocupar esse espaço.

e ser ali uma terceira via, uma opção do centro ideológico, que a gente tem no Instituto Ideológico Brasileiro, e tentar, de alguma maneira, contribuir com o debate eleitoral. Porém, a gente sabe que uma candidatura presidencial precisa de apoios e precisa...

é ter outros aliados e estar combinado também com a composição que a gente sabe também no âmbito dos estados. Talvez isso esteja hoje o grande dificultador para que a gente tenha efetivamente uma decisão desses dois candidatos em relação à eleição desse ano. No caso de Caiado, talvez ele tenha uma situação mais tranquila. Por que eu digo? Por que?

até pela avaliação que ele tem dentro do Estado, pela sua trajetória política, ele não sendo presidenciável, ele com certeza vai ser o candidato preferível para uma eleição ao Senado, principalmente com dois cargos em disputa. Então ele poderia pedir exoneração agora, até o período, sem qualquer problema.

No caso do Eduardo, a gente já tem aí alguns complicadores. A disputa para o Senado no Rio Grande do Sul, ela tende ali a ter uma fragmentação maior. E isso cria riscos ali para o eventual disputa. E a gente já teve uma situação aí do Eduardo no mandato anterior, em que ele se afastou do cargo, não cumpriu o mandato.

e acabou disputando novamente a eleição. Então, se ele se descompatibiliza novamente, sem de fato ter uma certeza em relação a um cargo a ser disputado, uma certeza do próprio partido em termos de apoio, então ele cria constrangimentos para ele próprio. Seriam duas vezes que ele estaria deixando o mandato de governador.

Agora, professora Luciana Santana, por que é tão difícil a construção de uma alternativa a essa polarização que a gente tem hoje entre o lulopetismo e o bolsonarismo? E aí eu acrescento alguns argumentos aqui, eu tenho destacado aqui no Cebê, em Madrugada, uma pesquisa que foi feita há um tempinho já pela USP, pela Federal de São Carlos, que apontou...

é o chamado engajamento pelo ódio, como muitos eleitores nas últimas eleições têm votado não porque acredita naquele candidato, porque concorda com as pautas, as propostas, mas porque não quer um outro candidato.

Eu estava dando uma olhada aqui nas pesquisas que mostraram lá atrás, nas últimas eleições presidenciais, pesquisas tanto o Datafolha quanto o Quest, mostrando que cerca de metade dos eleitores, tanto de Bolsonaro quanto do presidente Lula,

votaram não porque queriam aquele candidato, mas porque queriam ou tirar o Bolsonaro ou queriam evitar a volta do PT. Diante desse cenário aí, por que é tão difícil a construção de uma candidatura alternativa? A construção do comportamento eleitoral, das próprias percepções do eleitoral, ela acaba realmente sendo um pouco mais complexa. E aí a gente tem...

eu diria aí, desde 2013, aproximadamente, um processo que se deu aí e que culminou hoje com a cristalização dessa percepção do eleitor. Então, a gente vai ver uma inflexibilidade no sentido de alterar suas posições políticas. E elas foram formadas porque criou-se aí E aí

uma afetividade em relação às figuras políticas, às lideranças políticas, seja pelo apoio condicional, seja, por outro lado, pelo ódio também condicional. Então, a gente tem essas duas situações. O nosso colega Felipe Nunes, da Quest, ele também já vem mostrando isso, que é um processo de calcificação.

desse eleitorado, no sentido dessas posições. E para desfazer, a gente também teria que ter ali no país, no nosso sistema partidário, um quadro de renovação que efetivamente criasse um vínculo com esse eleitorado nos interstícios eleitorais. O que está acontecendo? Essas alternativas que vêm sendo apresentadas...

elas estão sendo discutidas muito próximas à eleição seguinte, onde há um envolvimento natural dos eleitores. E isso, claro, potencializa essa calcificação. Fora que os próprios partidos estão muito fechados em termos de quadro de inovação. Eu falo desses partidos que estão, inclusive...

na frente com o próprio PT. Quais são as alternativas que o PT tem hoje, que não seja o presidente Lula? Será que nesse tempo, por exemplo, houve um espaço para a gente ter ali quadros jovens, um engajamento que vá para o âmbito dos estados, que crie esse vínculo? Não vejo. Por outro lado...

o próprio contexto de polarização política criou-se ali, mesmo sem esse perfil tão forte partidariamente, mas criou uma personalização também em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro e que a gente está vendo claramente que consegue transferir para outro nome da família. Possivelmente, se Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, não

ainda insistido ali na sua candidatura como presidente, provavelmente em detrimento de Flávio, provavelmente a gente teria um cenário diferente hoje, né? Até por causa dessa calcificação, né? Seria mais difícil do eleitor conseguir ali se identificar rapidamente, né? A gente precisaria esperar efetivamente a campanha eleitoral começar.

para ver se haveria um vínculo ali com a candidatura. E acho que é o mesmo risco hoje que corre Eduardo Leite, Caiado e outro nome que possa vir a surgir a partir de agora. Algo que a gente sabe que dificilmente vai acontecer. Então, depende dessa renovação.

Você fala dessa transferência e tem uma pesquisa que foi divulgada nesta quarta-feira, Atlas Bloomberg, mostrando pela primeira vez, num segundo turno, o Flávio Bolsonaro à frente do presidente Lula. Há um empate técnico, o Flávio tem um ponto percentual a mais no segundo turno, perderia no primeiro turno, mas no segundo turno tem um ponto a mais, 47,6% contra 46,6% do presidente Lula.

que pode justificar essa movimentação? Como é que você está vendo essa corrida presidencial numa campanha que ainda não começou oficialmente, mas só oficialmente, não é, professora Luciana? Porque o que a gente mais tem visto aí é pré-candidato em campanha, né? Exatamente. As pesquisas eleitorais, elas são retratos do momento, né? Então, a gente consegue observar aí, desde o final do ano passado,

quando o Flávio Bolsonaro se apresentou oficialmente, como o nome ali é indicado pelo pai, crescendo. E ele cresce não apenas pelos próprios méritos, pela própria transferência natural dos votos, mas também cresce por erros ou a ausência de um protagonismo maior do atual presidente, de Lula. Né?

a gente tem aí um marco muito grande que mostra um crescimento maior depois ali do carnaval. Não à toa, a gente sabe, até quando a gente entra no detalhamento das pesquisas, que a gente vê ali uma mudança maior, principalmente nos grupos mais conservadores, entre as pessoas que se declaram evangélicas.

Então, isso mostra que a gente teve erros, inclusive de comunicação, erros, inclusive, de posicionamento em determinados eventos. E hoje, claro, a gente tem toda essa questão que vem sendo discutida no âmbito do legislativo, judiciário, que envolve o Banco Más, Servo Carves, de uma vez, que eu acho que as pessoas ainda não estão claramente...

entendendo que não se trata necessariamente da disputa presidencial apenas, e talvez esteja delegando também parte dessa responsabilidade pelos escândalos de corrupção, também ao atual governo. Então, acho que a gente tem esses dois marcos. O carnaval e todo aquele desfile, que é uma homenagem ao presidente Lula.

e as pautas conservadoras que foram levadas ali, a crítica, as pautas conservadoras no Carnaval. Então, houve um processo de má recepção por parte desses grupos. E a gente também tem esse processo do Banco Márcia, a CPMI do INSS. Então, escândalos de corrupção, até pelo histórico que o PT tem, desde o Mensalão, o Lava Jato.

isso tudo talvez esteja também nessa conta aí. A gente vai precisar observar, né, Galvão? É, e também, se vier a delação do Vorcaro, a Brasília vai tremer, né? Porque ele montou ali uma rede de proteção que inclui os três poderes, que inclui políticos e todas as vertentes ideológicas, então pode sobrar para muita gente, não é? É, eu acho que a gente precisa observar se o eleitor tem clareza.

sobre essas vinculações. Eu acho que quando essa delação acontecer, caso ela efetivamente aconteça, de fato, isso pode mexer muito com o xadrez eleitoral, não apenas da disputa presidencial, mas também do legislativo. A gente pode ter lideranças partidárias de renome nacional que podem ser afetadas politicamente.

A própria CPI do INSS, de alguma maneira, já tem afetado. O fato dela ser prorrogada, a gente precisa entender também o quanto ela vai impactar em relação a essas figuras.

Tem muita água para rolar ainda, mas isso é o que a gente tem no momento. A gente tem mais dois minutinhos aqui, professora Luciana Santana, cientista política, professora da Universidade Federal de Alagoas e também da Universidade Federal do Piauí. Queria dividir contigo, Luciana, uma reflexão que eu fiz ontem aqui em relação à filiação ao PL do Sérgio Moro. Estava lá abraçado com Flávio Bolsonaro, depois de todas as acusações e tal.

E aí eu lembrei do Raymond Daron, grande cientista político francês, que escreveu que não dá para fazer política sem a capacidade de esquecer. E é o que a gente mais tem visto aí, o amigo de hoje, o inimigo de hoje é o amigo de amanhã, o amigo de hoje é o inimigo de amanhã, e assim vai, né?

Exatamente. Existe um cálculo eleitoral. A gente também fala na ciência política, que o objetivo principal é conquistar o poder, estar ali. Não importa as estratégias que eu tenha que adotar. E isso inclui ter que negociar com aquele que eu fui inimigo um dia, ou que eu fui um adversário político, ou aquele que eu ofendi em uma campanha. Então, essas incoerências que às vezes frustram muito a expectativa,

do próprio eleitorado de buscar uma coerência, isso não existe no mundo da política. A política real é exatamente isso. Ela é marcada por muitas incoerências, por montagens e remontagens, isso é um traço da política brasileira. Então, não vejo com anormalidade esse comportamento, não.

E isso também, Galvão, acho que é bom a gente ressaltar, não é um comportamento que está relacionado a espectros ideológicos, ou seja, não é só à direita que eu vou ver esse tipo de comportamento, eu vou ver também na esquerda, eu vou ver entre aqueles candidatos do centro. O objetivo de todos eles é o mesmo, conquistar poder, estar nesses espaços, de alguma maneira, é um cálculo racional.

E, enfim, se o que puder ser mobilizado para atingir todos os objetivos, com certeza eles vão utilizar. Muito bem. Professora Luciana Santana, cientista política, professora da Universidade Federal de Alagoas e da Federal do Piauí, mais uma vez, muito obrigado pela gentileza com a CBN, um bom dia e até uma próxima. Um abraço e até a próxima.

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