Ataques cibernéticos contra órgãos públicos no Brasil triplicam em 2026
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Ana Sílvia Coelho
Maria Cecília Dallau
- Ataques CiberneticosCibersegurança no Brasil · Vulnerabilidades em sistemas públicos · Impacto em instituições financeiras · Inteligência artificial e cibercrime · Investimentos em segurança cibernética
A média mensal de ataques hackers contra órgãos públicos mais que triplicou em um ano. Entre janeiro e fevereiro de 2025, o Gabinete de Segurança Institucional registrou uma média de 1.500 notificações de ataques cibernéticos e de tentativas de invasão de sistemas.
Já até fevereiro deste ano, esse número subiu para mais de 4.600 casos por mês. Os dados são do Centro de Prevenção, Tratamento e Respostas a Incidentes Cibernéticos do governo federal, que identifica também pontos de fragilidade que possam funcionar como uma porta de entrada para criminosos adentrarem sistemas de entidades públicas. O GSI é o órgão do governo responsável por monitorar a segurança cibernética do Estado brasileiro e a segurança cibernética do governo.
e identificar riscos aos sistemas nacionais. De acordo com o gabinete, esse crescimento da média mensal não indica apenas um aumento do número de ameaças do ano passado para cá. Ele também mostra o resultado da ampliação de ferramentas usadas para detectar esses incidentes. São mecanismos que estão sendo desenvolvidos para evitar ataques de grande porte a instituições financeiras, cada vez mais frequentes.
E as ameaças não se restringem às instituições públicas. No último fim de semana, clientes do BTG Pactual não puderam realizar transferências via PIX após o banco suspender as operações ao identificar um ataque hacker que desviou R$ 100 milhões da instituição.
Em nota, o BTG Pactual afirmou que a invasão não conseguiu acesso às contas dos clientes e que nenhum dado foi extraído. Há suspeitas de que o grupo responsável seja próximo ao que invadiu a empresa C&M Software em julho do ano passado e desviou mais de R$ 800 milhões, o que foi considerado o maior ataque hacker ao sistema financeiro do país.
No entanto, mais do que o prejuízo monetário, ataques cibernéticos como esses colocam em xeque os dados pessoais dos clientes da instituição invadida. É o que alerta Ana Sílvia Coelho, advogada e professora de privacidade e proteção de dados.
Quando a instituição financeira tem os recursos que estão lá dentro desviados, embora eles sejam dos consumidores, quando o dinheiro sai de lá de dentro, realmente os consumidores não vão ser onerados, porque ela vai ter que repor. O problema é que quando os dados são vazados...
número de conta, nome completo, CPF, data de nascimento, informações sobre a sua identidade e vida privada, você se torna vulnerável a cair em golpes. Com o maior poder computacional, os agentes hackers têm se especializado cada vez mais em automação e inteligência artificial, aumentando o potencial de ameaça para violar a segurança cibernética.
Fernando Marino, executivo em solução antifraude do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, afirmou que vivemos em uma era de industrialização dos ciberataques.
Os ataques estão muito mais sofisticados e principalmente mais escaláveis. É importante dizer que a inteligência artificial não criou o crime digital, mas ela aumentou muito a capacidade de personalizar golpes, de automatizar tentativas de invasão e de tornar fraudes muito mais convincentes do que eram. Hoje, o problema não é só o hacker gênio, é a industrialização do golpe. No fundo, a gente também acaba vivendo uma crise digital.
Nesse cenário de insegurança, o sentimento de maior vulnerabilidade a esses ataques tem feito empresas brasileiras optarem pela prevenção. De acordo com um levantamento da PwC realizado em mais de 70 países, incluindo o Brasil, 66% das empresas brasileiras estão aumentando o investimento em segurança cibernética neste ano. Em escala global, apenas 6% dos entrevistados afirmam que as organizações são muito capazes de resistir a um grande ataque cibernético.
De São Paulo, Maria Cecília Dallau.