USP lança projeto para estudar cenas abertas de uso de drogas e orientar políticas públicas
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Moni
Nadedia
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- Relatório sobre narcotráficomapeamento de segurança pública · estudo longitudinal
- Modus operandi e administração de drogasabordagens humanistas · abordagens policiais
- Comparação com Legislações Internacionaisvulnerabilidades sociais · estudos comparados internacionais
A USP lançou uma iniciativa que reúne pesquisadores e gestores públicos, tudo para analisar regiões das cidades em que existe o consumo de drogas ao ar livre. São as chamadas, tecnicamente chamadas, cenas abertas de uso. No popular, a gente costuma chamar de cracolândias, e elas acabaram se espalhando pela capital paulista, então tem muita gente também que se refere a isso como mini-cracolândias. Essa iniciativa da USP é chamada de Centro de Ciência para o Desenvolvimento, CCD.
E aí tem o complemento, cenas abertas de uso de drogas. Sobre isso, a gente conversa agora com o pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, Amâncio Oliveira, que vai poder contar um pouco mais para a gente sobre essa iniciativa. Amâncio Oliveira, bom dia. Obrigado pela sua participação aqui na CBN. Bom dia. Eu que agradeço o convite. Um prazer.
Amâncio, essas possíveis soluções para cenas abertas de uso de drogas, a gente acompanha muito aqui no noticiário, no dia a dia da cidade. E essas soluções, quando são propostas pelos gestores públicos, elas costumam gerar muita divergência sobre abordagens mais humanistas ou focadas mais, essas abordagens mais humanistas e focadas na saúde, ou aquelas abordagens mais policiais para tentar reprimir o tráfico e o consumo.
De que forma que o Centro de Ciência para o Desenvolvimento pode contribuir com esse debate daqui para frente, hein, Amâncio? Olha, já há um certo conhecimento de que abordagens isoladas não resolvem o problema.
Na verdade, o projeto tem como algo distintivo a contribuição justamente entender o impacto das políticas públicas integradas no enfrentamento desse problema, que venha da segurança pública, que venha da área da saúde, da área de apoio de saúde mental, trabalho e, portanto, é um grande projeto que reúne.
várias secretarias, tanto no nível municipal quanto estadual, e a Universidade de São Paulo para entender esse fenômeno da perspectiva científica. Para a gente entender como funciona esse processo, essa dinâmica da pesquisa, que tipos de dados podem ser coletados e de que maneira?
Olha, nós temos, através da segurança pública, nós temos um mapeamento que é semanal e os dados são agregados no nível mensal. Portanto, a gente tem uma longa série histórica que observa o fenômeno agregado. Quando eu falo fenômeno agregado, eu me refiro ao fenômeno das cenas abertas. A quantidade, a composição, o tempo de permanência, a dinâmica das cenas abertas, portanto, da sua ótica agregada.
E do ponto de vista do acompanhamento individual, da passagem das pessoas no hub de cuidado, por exemplo, ela vai sendo acompanhada como se houvesse um grande prontuário das passagens, dos tratamentos, dos...
da assistência social e ali justamente isso nos permitirá, em conversa com as pessoas e com familiares, tentar compreender o que é que surtiu maiores efeitos na mitigação ou no tratamento.
Como é que vai ser a participação, Amâncio, de órgãos, por exemplo, do governo estadual, da prefeitura, seja de São Paulo ou de outras prefeituras? O quanto que vocês vão depender da participação desses agentes públicos para poder avançar com o trabalho de vocês? Ou o quanto vai ser possível caminhar independentemente disso? E para além disso, né, Amâncio?
Trabalhos feitos, propostas, políticas feitas em gestões anteriores também vão poder ser mapeadas por vocês? Vocês dependem de algum tipo de compromisso maior para poder avançar nisso? Como é que você entende essa parceria entre a academia e a parte pública para poder avançar nesse estudo?
Na verdade, essa é a própria natureza do edital da FAPESP, do programa da FAPESP. Centro de Ciência para o Desenvolvimento, ela pressupõe uma parceria entre o setor público e a academia.
Portanto, essa pesquisa não pode ser feita de maneira isolada da academia. Ela é interdependente, mas não no sentido de depender de boa vontade. Ao participar da pesquisa, o poder público já está dizendo que vai fazer em parceria.
É um trabalho de cocriação. A dependência dos dados é máxima, porque, na verdade, a gente, quando precisa dos dados, da segurança, e nós vamos associar a segurança com assistência e saúde, e também elementos urbanos, somente o poder público tem esses dados e que serão integrados para a gente entender, baseado em evidência, quais são os impactos. Portanto...
A sinergia precisa ser bastante boa. Com relação às políticas retroativas, elas serão examinadas. Essa é a primeira fase da pesquisa. Entender a evolução das pesquisas e o enfrentamento desse problema e entender o que aconteceu até então. E daqui para frente a gente faz uma pesquisa prospectiva para saber os próximos anos, como é que isso vai evoluir.
Então, é uma espécie de movimento circular, né? Vocês analisam os efeitos das políticas que já foram implementadas, mas aí, a partir dessas análises também, os dados podem ajudar a nortear as políticas futuras, é isso? Não tenho dúvida. As políticas passadas, elas são tomadas como comparativos, ou seja, a gente entende quais foram as políticas aplicadas num determinado momento, entende o efeito que tiveram com relação às cenas abertas, e aí eu estou falando no nível macro.
No nível micro é a novidade, porque não foi feito ainda de maneira tão sistemática uma pesquisa olhando o nível micro. Então essa parte vai ser uma parte nova que a gente vai implementar através do que a gente chama de estudo longitudinal, ou seja, uma série de tempo observando as pessoas ligadas às cenas abertas. Se elas saem, saem precocemente, por que saem?
e, eventualmente, porque retornam. Então, esse é o elemento novo. Isso não tem como retroagir. Evidentemente que agora a pesquisa passa a observar essa dimensão de maneira particular. Amancio, eu te apresentei aqui logo no começo como pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, mas sei que você também tem aí uma formação específica na ciência política, é professor do Instituto de Relações Internacionais da USP. E aí eu te pergunto, diversos países, mundo afora, já adotaram políticas...
das mais diferentes formas para tentar também corrigir e consertar esse problema, que é um problema que pode ter características diferentes de um país para o outro, de acordo com as questões daquele país regionais, mas, infelizmente, esse problema das cenas de uso de drogas e a dependência, a adição às drogas, acaba aparecendo aí em tantos cantos do mundo, mundo afora.
Vocês vão também analisar exemplos internacionais? Eles podem, na sua opinião, servir de algum tipo de baliza para esse estudo que vocês vão fazer também a partir da nossa realidade aqui no Brasil?
Eles ajudam, servem de referência. Para determinadas políticas a gente pode estabelecer alguma comparabilidade, mas a gente tem que ter a clareza de que o nosso caso é específico porque ele combina um conjunto muito amplo de vulnerabilidades que às vezes em país, por exemplo, desenvolvido não tem.
Portanto, a gente está trabalhando com o público numa quantidade e num nível de vulnerabilidade bastante distintivo, mas evidentemente que a gente vai fazer um estudo comparado internacional com os países que já aplicaram e tiveram políticas direcionadas para essa temática. Então, essa é uma fase inicial de conhecimento.
prospecção, retrospecção das políticas, mas nós precisamos ter em tela que o nível de vulnerabilidade que a gente encontra aqui é distintivo.
Muito bem, bom, a gente vai acompanhar aí o trabalho do Centro de Ciência para o Desenvolvimento, cenas abertas de uso de drogas, para entender como é que a gente pode avançar, debater um pouco melhor essa questão das áreas públicas, as cenas abertas de uso ou as cracolândias aqui no nosso estado, no nosso país. Então a gente conta também em voltar a falar com vocês. Amâncio Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, muito obrigado pela sua participação aqui na CBN, um bom trabalho por aí, até uma próxima.
Eu que agradeço a sua participação. Um grande abraço.
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