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Dia D: campanha de vacinação contra gripe começa sábado

28 de março de 202611min
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Em entrevista ao Jornal da CBN, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, falou sobre a importância da vacinação, especialmente, para grupos prioritários. Ouça.

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Participantes neste episódio2
C

Cássia

HostJornalista
R

Renato Kfouri

ConvidadoVice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações
Assuntos1
  • Vacinação contra GripeImportância da vacinação · Grupos prioritários · Complicações da gripe · Atualização anual da vacina · Contraindicações da vacina
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Hoje é dia 28 de março de 2026, data em que começa a campanha nacional de vacinação contra a gripe. Campanha que começa em meio ao aumento dos casos de doenças respiratórias aqui no país. E nós vamos conversar ao vivo sobre esse assunto, inclusive com imagens que já estão na sua tela, com o doutor Renato Kifuri, que é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. Doutor Renato Kifuri, bom dia, muito obrigada por estar conosco nesta manhã.

Bom dia, Cássia. Sempre é um prazer estar com vocês aqui na CBN. Um dia importante, né? Um dia que a gente começa a vacinação contra uma doença evitável, hoje, que é a gripe. E uma doença, né, doutor, que muita gente pensa que é alguma coisa à toa, mas pode se tornar uma doença com complicações, principalmente em determinados públicos, né? Olha, longe de ser uma doença benigna, né, Cássia? A gente tem...

os chamados grupos prioritários, aqueles que por suas condições de saúde ou por sua idade ou pelo momento de vida tendem a desenvolver doença mais grave. Ou seja, as crianças menores de 6 anos de idade, os idosos acima de 60 anos, as gestantes, aquelas mulheres que acabaram de dar luz nos primeiros 15 dias e qualquer um que tem alguma doença crônica. É diferente do adulto, jovem, saudável, sem nenhum fator de risco?

Esses indivíduos, quando adquirem o vírus influenza, têm um risco maior de complicações. E elas são, muitas vezes, relacionadas ao próprio vírus, como pneumonia, doenças, inflamação em outros órgãos como o coração, miocardites, às vezes infecções de ouvido nas crianças sinusites. Muitas vezes essas complicações podem ser também neurológicas, convulsões, às vezes alterações em cefalite.

ou seja, as complicações e descompensando nos idosos as doenças que eles têm de base. Então, o idoso que é diabético, que tem uma doença cardíaca, que está controlada, pega um vírus influenza e pega uma gripe e acaba sendo descompensado da sua doença. E cada vez mais cresce a associação ou reconhecimento da gripe com uma doença inflamatória. Ela inflama não só a árvore respiratória, mas complica também com outras condições, como infarto agudo pós-gripe.

acidente vascular cerebral, quadros de trombose, ou seja, a gripe promove um estado inflamatório que acaba levando ou aumentando o risco dessas doenças em indivíduos predispostos. E por último, as grandes gestantes, né, Cássia? Aqui, uma influência na gestação, além dessas complicações na grávida, pode levar a um abortamento, a um parto prematuro, ou seja, nós temos razões de sobra para vacinar toda essa...

Vacinar a todos, mas em especial, como você bem destacou, essas populações mais vulneráveis. E justamente por isso que essa campanha começa com esse grupo prioritário que costuma acontecer aqui no Brasil, é que lá para o finalzinho da campanha normalmente sobram doses que são destinadas à população de uma forma geral. E claro que quem está fora desse grupo tem a possibilidade de tomar em uma clínica, de tomar na farmácia essa vacina, pagando por ela, também é uma coisa boa de se fazer.

Agora, doutor, me conta uma coisa, por que a gente tem que atualizar tomar essa vacina todo ano? Uma das principais características, talvez a característica mais marcante do vírus da gripe é a sua capacidade de mutação. Todo ano ele sofre variações.

E chegam no inverno, geralmente concentram-se cerca de 70%, 75% dos casos de gripe e acontecem entre abril e agosto. Ou seja, abril e julho, dependendo da região do país, na região norte, depois começa mais cedo. Então, essa concentração de casos faz com que a campanha comece agora, justamente no final de março, começo de abril, para justamente ter o melhor aproveitamento da vacina, ou seja, protegendo a população na época de maior circulação.

Então, nós conseguimos antever, para o inverno que vem, que vírus que vai circular. Há uma previsibilidade. Então, a Organização Mundial de Saúde faz, através de vigilância de alguns laboratórios, o Brasil faz parte dessa rede, a gente manda amostras, a gente estabelece o que está acontecendo em termos do caminho genético do vírus, e a gente consegue dizer, por exemplo, em setembro passado, olha, em inverno de 2026, aqui no Hemisfério Sul, vai circular tal, tal vírus, provavelmente.

E os laboratórios produzem as vacinas. Aqui no Brasil, a gente tem 100% da produção feita aqui no Brasil pelo Instituto Butantan. É bom ressaltar que Butantan não só produz, como exporta a vacina de gripe hoje.

E a gente produz essa vacina lá em outubro, novembro, dezembro, para chegar agora em abril com a vacina, com essa expectativa. O ano que vem é a mesma coisa. Por isso que ela precisa ser renovada, já que o vírus escapa do nosso sistema imune e vem um pouquinho diferente no ano seguinte, enganando e causando doença. Olha, em 15% a 20% de todos nós, 15% a 20% da população brasileira, todos os anos se infecta pelo vírus da gripe.

Quem não pode tomar a vacina nesse momento? Por exemplo, se a pessoa tiver nesse momento gripada, ela deve receber essa imunização? Na verdade, a gente contraindica a vacina de gripe só para quem está com febre, Cássia.

Febre, se você está com secreção no nariz, está com resfriado, está com um pouco de tosse, está tomando antibiótico, está com diarreia, está tomando um remédio para rinite, para qualquer outra doença, tem um câncer, tem uma doença grave, está fazendo quimioterapia, mais ainda, você tem uma imunidade rebaixada e precisa tomar vacina. São duas praticamente contraindicações que a gente lembra aqui. Menores de seis meses não podem ser vacinados.

Então, aí a importância também da vacinação da grávida, porque o grande benefício adicional que a vacinação da gestante traz é ao vacinar a gestante, a gente protege o bebê diretamente nesses primeiros meses de vida pela passagem dos anticorpos. E a segunda contraindicação, na verdade não é bem uma contraindicação, é um motivo de adiar a vacinação, é o que nós falamos agora, a febre. Então, indivíduos febris, a gente aguarda pelo menos 48 horas sem febre para poder ser vacinado.

Estando com febre, adie. Tem menor de seis meses, não vacine. E, obviamente, quem teve alguma reação alérgica ou grave a uma dose anterior de vacina de gripe também. São raríssimos esses casos, alguém que tem alergia à vacina, mas às vezes acontece uma contraindicação formal para as doses subsequentes.

Tá certo. Bom, a campanha começou hoje em todo o país. É uma imunização de extrema importância. Eu queria finalizar, doutor, perguntando o seguinte. Alguém que teve gripe, que está com gripe, a partir de que momento isso deve ser um sinal de alerta de agravamento do quadro?

Vou te responder essa e mais uma pergunta, começando pelo que eu acabei de inventar agora, Cássia, que é aquele que está com gripe, quanto tempo depois? Se ele precisa ainda tomar a vacina, quanto tempo depois? Sim, a primeira resposta é que deve tomar mesmo quem já teve um quadro gripal, porque você pode ter mais de um episódio no ano, então são vários tipos, a vacina tem três ou quatro tipos, as vacinas disponíveis, então a resposta é sim, você estando melhor, recuperado, pode tomar a vacina.

Eu até esqueci a sua pergunta, Cássia. A pergunta é a seguinte, a partir de que momento você que está com gripe deve considerar que é preocupante procurar ajuda médica? Boa, boa. Sinais de alarme, vamos lá. Então, isso depende muito de quem nós estamos falando. Então, crianças e idosos e, obviamente, aqueles que têm algum grau de comprometimento imunológico. Então, quem tem um câncer, quem tem 70, 80 anos de idade, um bebê de 6 meses, a gente tem muito mais atenção para esses quadros. Então, febre alta.

falta de ar, cansaço, alteração da cognição, confusão mental nos idosos, são sinais e fé em qualquer febre em indivíduo que é imunocomprometido. Esse, claro, precisa ser tratado de uma maneira diferente, esses grupos, e grávidas também.

Indivíduos fora do grupo de risco, claro que iniciam com sintoma respiratório, eles precisam ficar atentos ao desconforto respiratório, a cansaço, a falta de ar, porque a gripe é uma doença aguda. A gente parece que reconhece o dia e a hora que ficou doente. Eu comecei a ficar doente ontem às 4 horas da tarde, estava bem até então. O início é súbito.

E a dica que é fundamental, Cássia, nesses casos, nessa população de maior risco, é que existe um tratamento, existe um antiviral para a gripe.

Então, para esses grupos de risco, se você está grávida, se você tem mais de 60 anos, se você tem uma doença crônica e começou com sintomas de influência, até 72 horas de doença, se você confirma que o diagnóstico é influência, faz aquele teste do cotonete e reconhece que é o vírus influenza, há um antiviral que modifica o curso dessa doença, diminui o tempo de duração da doença, diminui o risco de complicação, de hospitalização e de morte. Nós tivemos, infelizmente, em 2025, Cássia...

3.500 mortes por gripe, pelo vírus influenza, as que nós conseguimos confirmar. Teve outras, diversas mortes por doenças respiratórias que nós não chegamos ao diagnóstico. Mas daqueles que a gente confirmou, 3.500 foram pelo vírus influenza e 75% deles pertencentes a esses grupos de risco. Ou seja, não é à toa que a gente começa a vacinação. Então, o vírus já está circulando aqui na região sudeste.

Quem tem mais de 60 anos, não atrase, não demore, é hoje, é amanhã. As unidades de saúde ficam abertas aí no seu bairro. Procure, se vacine, porque é fundamental prevenir de uma doença que pode ser evitada, como eu falei. Não há vacina contra o arrependimento, né, Carceira? É isso aí. Doutor Renato Kifuri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Muito obrigada por ter estado aqui ao vivo conosco, falando da importância dessa vacina que começa a ser aplicada hoje em todo o Brasil. Obrigada, doutor. Até uma próxima. Obrigado, Cássia. Um ótimo dia. Um bom fim de semana a todos.

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