Cenário indefinido na terceira via na movimentação pré-eleitoral
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Ana Tomé
Murilo Medeiros
- Atuação de Lucia na políticaDesistência de Ratinho Júnior · Candidaturas do PSD · Cenário da terceira via
- Desafios do PT no NordestePreferência do eleitorado · Candidatos de centro e centro-direita · Desempenho de Lula
- Estratégia eleitoral do Lula e negociações com CongressoUso da máquina pública · Agenda econômica · Desafios eleitorais
- BolsonaroTransferência de votos · Rejeição do eleitorado · Alianças regionais
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Nosso assunto agora é sempre movimentado, a Semana Política aqui no Brasil. Nosso convidado é o cientista político da Universidade de Brasília, UNB, Murilo Medeiros. Seja bem-vindo mais uma vez aqui à CBN. Obrigada por estar com a gente. Uma boa tarde. Boa tarde, Nadé, e boa tarde a todos os ouvintes da CBN. Prazer meu.
Murilo, quero começar falando com você sobre a movimentação pré-eleitoral, digamos assim, pelo centro. Essa semana a gente falou muito do PSD, né? A gente estava na expectativa inicial de uma confirmação de pré-candidatura de Ratinho Júnior, governador do Paraná, que não veio. Foi um dos governadores que promoveu ali um dia do FICO, né? Decidiu terminar o mandato dele, não se candidatar à presidência. Mas o PSD tinha três candidatos, né? Pré-candidatos.
Então ainda sobraram Ronaldo Caiada em Goiás, Eduardo Leite do Rio Grande do Sul que disputam esse posto, sendo que a gente sabe que o presidente do partido, Gilberto Cassap, queria mesmo era apoiar o Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo dos Republicanos, que por fim, ao que tudo indica, até agora não vai se candidatar. Como é que você está vendo esse cenário? É, Nadej, é um cenário indefinido nesse campo do centro.
e muitos falam de terceira via, mas o Gilberto Kassab fala da melhor via para tentar igualar a competitividade dos pré-candidatos. E hoje há dois nomes no páreo, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Um fato a ser chamado a atenção dessa questão da terceira via, na dédia, é que a última eleição brasileira, onde um terceiro nome...
ganhou muita visibilidade foi na eleição de 2014, com Marina Silva, que chegou a pontuar 21% no primeiro turno. Na eleição de 2018, o melhor nome da terceira via foi Ciro Gomes, mas já com 12%, ou seja, já houve uma queda considerável. E na última eleição presidencial, em 2022, o nome com a melhor performance foi o da Simone Tebet.
com 4%. Ou seja, não conseguiu alcançar nem dois dígitos. Então, o histórico recente das eleições brasileiras indica um cenário desafiador para uma alternativa que consiga furar essa polarização entre um candidato, entre o lulismo e o bolsonarismo. E o tempo corre contra o candidato a ser escolhido, porque tanto Eduardo Leite como Ronaldo Caiado Música
precisam ganhar visibilidade para além das fronteiras de seus estados, o Rio Grande do Sul e Goiás. E possuem ainda o desafio de criar uma diferenciação em relação ao bolsonarismo e ao lulismo também. Então, não é um desafio fácil e parece até um pouco paradoxal, porque as pesquisas indicam que 40% do eleitorado brasileiro gostariam de votar num candidato que não representasse nenhum dos fóruns políticos.
mas as alternativas oferecidas aos brasileiros parecem não entusiasmar o eleitor. E a tendência é que esse candidato mais de centro acabe sendo espremido pelo voto útil, que é aquele onde o eleitor pretende até votar nele, por certa simpatia, mas acaba escolhendo um outro candidato para derrotar o menos pior. Então, digamos assim, é um jogo...
É um jogo complexo e indica-se um anseio da sociedade por um nome que consiga furar essa polarização, mas os nomes apresentados até aqui parecem não entusiasmar o eleitor pelos indicadores de voto, que tanto o Eduardo Leite como o Ronaldo Caiado não chegaram a pontuar nem dois dígitos.
É verdade. Quero aproveitar que a gente começou por esse centro, digamos assim, centro-direita, acho que dá para dizer no caso do PSD, mas para te escutar sobre o seu levantamento sobre a região Nordeste, que a gente sabe o tamanho da importância que tem sido, principalmente na última eleição para o presidente Lula, mas também em todas as outras em que ele se elegeu.
que está demonstrando um interesse maior em se deslocar um pouco nesse espectro político, mas em direção ao centro, não é isso? Exatamente, Nadeja. Esse é um movimento curioso dessa eleição, porque nos últimos 20 anos, Lula e a esquerda como um todo, teve o Nordeste como uma âncora política. Muitos analistas políticos, muitos profissionais do marketing político falam que o Sudeste...
é a região que define a eleição no Brasil, até porque concentra 40% do eleitorado brasileiro. Mas nessa eleição em específico, é bom olhar muito para a performance de Lula no Nordeste. Um levantamento recente que fiz revela que hoje, no cômpito geral dos estados governados pela esquerda no Nordeste, representam 86% do eleitorado. A esquerda hoje governa 86% do eleitorado no Nordeste.
Mas, conforme as últimas pesquisas de intenção do voto, indicam que candidatos de centro e centro-direita podem conquistar terreno em estados importantes, como a Bahia, o Ceará, a Paraíba, o Maranhão, o Rio Grande do Norte. Então, a tendência, caso se confirme os resultados dessas pesquisas, é que esse campo mais à esquerda seja reduzido para cerca de 30% do eleitorado do Nordeste.
Isso é de fundamental importância, porque na última eleição, Lula venceu por 70% dos votos. Foi 70% para Lula e 30% para Bolsonaro. E tudo indica que essa eleição de 2026 vai representar uma inflexão da preferência do eleitor, migrando do campo de esquerda e vindo um pouco mais para o centro, especialmente ali o eleitorado das grandes cidades.
das franjas urbanas, da classe média urbana do Nordeste. E exatamente três temas que acabam influenciando essa mudança de eixo de poder no Nordeste. Primeiro, a questão da violência. Grande parte das capitais do Nordeste hoje sofrem muito com a questão da violência, e esse é um tema que favorece muito candidatos mais conservadores. Segundo, o custo de vida dessa classe média urbana.
onde a carexia, e que muitos dependiam de programas sociais, mas o programa social hoje já não é tão automático a transferência de votos. Essa nova classe C do Nordeste também vai ser indispensável. E terceiro ponto, a fadiga de material de grupos políticos que governam há muito tempo estados alinhados ao grupo político do presidente Lula, como a Bahia, onde o PT está no poder desde 2007, no Ceará também.
no Maranhão. Então, tudo indica que Lula se mantém muito competitivo ainda no Nordeste. Mas tudo indica, tudo leva a crer que a sua margem de vitória pode ser menor em relação às outras eleições.
Isso vai ser um desafio para a campanha governista, porque se ele perde um pouco de margem no Nordeste, ele precisa ganhar margem no Sudeste. Então, o desafio da campanha de Lula é tentar manter esse predomínio, que sempre mantém no Nordeste, mas também com foco de ampliação do seu eleitorado no centro-sul do país.
Perfeito. Quero te ouvir também sobre o andamento das atividades, das agendas do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Eu confesso que me impressionou muito a rapidez da transferência de votos do pai para o filho, a rapidez da evolução ali nas pesquisas, mas tem também aquela questão do teto, porque a gente sabe que a rejeição também é alta, como é alta também para o presidente Lula.
Como é que você está enxergando essas movimentações dele como pré-candidato? Porque a gente tem algumas iniciativas bem marcadas, a tentativa de se apresentar como um Bolsonaro mais moderado, de manifestar preocupação com certas pautas econômicas. É, tem sido curioso essa performance do Flávio Bolsonaro e seu sucessor da família Bolsonaro na disputa presidencial e que teve uma transferência de voto muito rápida.
O que ele tem feito até aqui, no atual estágio do período pré-eleitoral, é jogar parado. Ele pouco foi visado pela máquina governista, tem se esquivado muito de declarações polêmicas e, ao longo de sua peregrinação pelo país, ele tem se colocado como um nome mais moderado.
com uma certa jovialidade ali do bolsonarismo, inclusive com alguns aspectos de algumas danças, algumas declarações que possam dialogar mais com o eleitorado independente. E é aquela parcela do eleitorado, 30% dos eleitores, que não se identificam nem com o lilismo nem com o bolsonarismo. Então, Flávio Bolsonaro, no atual estágio, ficou um pouco...
livre de ataques, inclusive da campanha do PT, e também tem jogado parado, tem focado muito na formação de alianças regionais, mas alguns empecilhos para o seu avanço, quando a campanha começar para valer, e a alta taxa de rejeição que ele acaba herdando.
do seu pai, e o desafio dele agora é tentar criar conexão com esse eleitorado moderado, tal como Lula fez na última eleição em 2022, ao criar a frente ampla. Para Flávio Bolsonaro conseguir êxito na campanha presidencial, certamente ele também deve focar muito na criação de uma frente ampla, porém mais à direita. E essa candidatura do PSD pode ser decisiva para ele.
Porque caso o nome escolhido seja o de Ronaldo Caiado, Caiado deve vir com uma linha mais dura de enfrentamento ao PT. Isso favorece muito Flávio, porque ele divide o ônus da artilharia do PT com Ronaldo Caiado. Enquanto Ronaldo Caiado tem um discurso mais roraiz em relação ao governo Lula, Flávio pode dialogar mais com esse eleitorado mais de centro. Isso pode favorecê-lo.
como um todo nessa composição. E também, na DED, um ponto interessante é que as pesquisas indicam que quando o candidato do PSD não está no páreo, na disputa, grande parcela desse eleitorado, que vai com Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, eles migram para uma candidatura mais de centro ou de direita. Então, ao longo da campanha, Flávio Bolsonaro vai ter que...
pesar muito o seu discurso em relação a essa candidatura do PSD para não quebrar pontes, inclusive pensando em conquistar o apoio dessa candidatura, desse eleitorado que vai votar no candidato do PSD em um eventual segundo turno.
E o que a gente pode imaginar sobre o caminho, por outro lado, do presidente Lula até o início da campanha, já que no momento ele tem a vantagem que todo chefe do executivo tem quando vai disputar a reeleição, de poder agir como o chefe do executivo. Então, ainda pode inaugurar obras, ainda pode mostrar os feitos do seu governo até que a campanha comece. Lula ainda está muito no modo institucional da presidência da República.
ainda não entrou Lula na campanha. E ele tem uma performance histórica, tradicional, de disputar eleições desde 1989. Ele vai buscar agora seu quarto mandato. E a reeleição foi pensada como um instrumento para quem busca realmente vencer, conquistar um novo mandato. E Lula certamente vai utilizar artifícios da máquina pública que o presidencialismo... Que<|el|>
e agora como inauguração de obras, abertura de mais crédito para a população, focalizando muito nessa agenda econômica e ressaltando muito o apelo emocional em que essa vai ser a última eleição em que ele vai pedir voto aos brasileiros. Então, certamente, ele vai apelar muito para o lado emocional e também vai tentar resgatar os feitos econômicos de sua gestão.
Mas aí tem alguns desafios, porque com todo esse ambiente conflagrado de pessimismo do brasileiro em relação ao futuro do Brasil, é muito provável que o tema, a agenda central da campanha eleitoral seja deslocada do ambiente econômico para um tema de mais moralidade, de integridade, até mesmo por esse ambiente conflagrado.
inclusive das revelações da atelação do Daniel Borgaro, da crise do INSS, que pode respingar na sua performance eleitoral. Então, certamente, Lula vai usar e abusar da máquina pública para tentar ganhar terreno nesse período pré-eleitoral, mas também vai encontrar dificuldades de fidelizar esse voto.
Perfeito. Murilo Medeiros é cientista político da Universidade de Brasília. Obrigada por compartilhar mais uma vez aqui seu tempo, sua análise com a gente. Contamos com você para esse caminho, já não tão longo até a eleição, mas durante o qual certamente muita coisa ainda vai acontecer. Até logo. Obrigado, Matédi. Boa tarde a todos. Boa tarde.
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