Um mês de guerra no Oriente Médio: entenda a escalada do conflito
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Leandro
Najad Kuri
- Guerra no Oriente MédioConflito entre Irã e Israel · Estratégias do Irã · Papel do Hezbollah · Impacto econômico global · Possibilidade de cessar-fogo
Oi, pessoal! Aqui é a Astrid. Deixa eu te falar uma coisa como mãe, tá? A gente tenta acompanhar tudo, mas quando o assunto é internet, é insano conseguir ver de perto. Por isso, eu achei legal dividir uma coisa com vocês. No TikTok, contas de adolescentes já vêm com mais de 50 configurações de segurança e privacidade ativadas automaticamente. E ainda tem a sincronização familiar, onde pais e responsáveis conseguem ajustar conteúdo e tempo de tela de um jeito bem simples. Assim, a gente fica mais tranquila, né? Clique no banner e saiba mais!
E a gente fala então sobre a guerra no Oriente Médio, como eu disse, completou hoje um mês, com agora um impasse diante de dois caminhos, a possível negociação de um cessar-fogo ou até uma invasão terrestre do território iraniano. Está com a gente para falar sobre esse assunto o professor Najad Kuri, da Fundação Getúlio Vargas, sócio-fundador do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio. Seja bem-vindo, professor. Boa tarde.
Tudo certo, professor. Obrigado por aceitar o nosso convite. Um mês de guerra, isso ultrapassa as estimativas iniciais que havia sobre a duração desse conflito, né? É, esse conflito começou para ser finalizado no fim de semana, né? Ao estilo de Trump, né? Começa sábado e segunda-feira terminaria e a vida continua, as bolsas continuam trabalhando e tudo mais. Entretanto, houve várias...
Mudanças estratégicas e dramáticas, apesar que o ataque inicial matou o líder Khamenei e também matou várias lideranças iranianas e destruiu várias instalações vitais.
o Irã reagrupou e usou novas estratégias e ampliou o conflito. Então, além de o conflito seja entre Irã, Estados Unidos e Israel, Irã ampliou o conflito para...
abrigar as instalações petrolíferas do Oriente Médio e os países em redor que contêm bases americanas instaladas naquelas regiões, principalmente árabe saudita. O Qatar, que é amigo do Irã, tentou fazer as intermediações, os Emirados, que sempre ajudou o Irã nas suas...
digamos, no seu isolamento, ele sempre escoava produtos financeiramente, apoiava o Irã, até Oman, que estava intermediando a operação de paz, ela foi atingida. Então, o Irã saiu do ataque contra ela para contra-atacar. Além de Israel, além das bases americanas, ela ampliou o conflito para envolver...
o mundo do Golfo, as Emiradas do Golfo. Assim sendo, fazendo o custo dessa guerra, seja ampliado não só para o Irã, também para a região, mas para todo mundo, para nós, Estados Unidos.
O hidróleo subiram, a inflação começou a aumentar, nós no Brasil fomos afetados, como vocês estão sabendo, de diesel, outros produtos que não podem sair, não podem entrar, orelha, produtos brasileiros sendo exportados naquela região estão parados. Então, o Irã ampliou esse custo e, por final, a guerra não só no bombardeio para cá e para lá, mas no fechamento do Golfo Pérsico.
do Golfo de Hormuz, que é onde escoa as maiores produções de petróleo do mundo. Lá naquela região, a bacia tem as maiores reservas de petróleo do mundo, 50% das reservas mundiais estão lá, então não pode sair ou pode sair seletivamente de acordo com a intenção iraniana.
que é ruim para o comércio, para a navegação mundial, que precisa daquele jeito para que o escoamento de petróleo e outros produtos sejam normalizados. Então, o custo aumentou. Essa capacidade de resistência do Irã não era conhecida? Isso não era previsível?
Era previsível, mas o cálculo dos Estados Unidos e Israel era que se matasse a liderança, que é o Amat al-Khomini e alguns outros personagens importantes, como a Lilia Rejane e outras pessoas, o Irã ia roer e a população ia sair nas ruas.
para protestar, para continuar os protestos. Você se lembra, em janeiro, houve protestos fortes no Irã, mas eram contra a economia, as dificuldades econômicas. O pessoal do bazar, o pessoal do Sudan saíram.
E a população saiu e morreram várias milhares de pessoas. Então, o cálculo americano e israelenses achavam que esse pessoal vai sair na rua, já que a liderança foi desarticulada e houve vários ataques a prédios, a instalações militares, instalações nucleares e tudo mais. Mas o que não aconteceu, porque o Irã desativou essa possibilidade de protestos, decretou uma lei que confiscasse.
os bens das pessoas, então se você sair na rua, Irã confiscaria sua casa. Então isso praticamente anulou qualquer possibilidade de protestos durante a guerra. E também os iranianos são nacionalistas, enquanto o pessoal está atacando, ele não vai encontrar seu país. É uma traição que pode enfrentar a morte. E o Irã também usou uma outra técnica de defesa.
mosaica. Então, ele descentralizou o comando. Então, se o chefe de uma unidade morrer, essa unidade continua lutando, mas em outras partes do Irã. Irã é grande. Irã tem dois milhões de quilômetros quadrados, quase um quarto do Brasil. Então, ele é chamado de defesa de mosaico. Então, se o comando central morresse, ou seja...
Eles continuam lutando independente e soltando seus mísseis para cá e para lá, dosando esses mísseis também, que também tem limite, podem acabar. Mas então eles estão administrando muito bem essa defesa, que está prendendo os Estados Unidos e Israel, obviamente, que estão atingindo o Talhaví, atingindo a Mona, que é onde tem instalação nuclear de israelenses.
E hoje, ontem, atingiram uma base americana em Riyadh, que machucaram quase 13 ou 14 pessoas, estão em estado grave. Na área saudita.
Arábia Saudita. Então, o Irã está lutando porque é uma luta de sobrevivência para eles. Então, se eles caem, o regime cai. Eles não querem isso. Isso aqui está deixando Trump numa situação que não sabe o que fazer. Ele pediu ao Paquistão intermediar-se, uma cessar-fogo, ou vitória para o Trump, e cada um vai alegar a vitória para o seu lado.
O Paquistão é um país nuclear, ele tem peso importante, o Paquistão ajudou, digamos, na época do Nixon, de reatar.
As relações diplomáticas com China, então ele tem um peso forte diplomaticamente, ele tem aliança com a Arábia Saudita de defesa, que é de suma importância. Então, diferente do Catar, que é um país pequenininho, um power broker pequeno, ou de Oman, que é outro power broker. Então, o envolvimento do Paquistão...
pode dar ao Trump um cessar-fogo e uma declaração de vitória que destruiu o Irã, mesmo não atingindo, derrubar o regime do Irã. Enquanto isso, o Irã continua soltando seus mísseis, continua lutando, ampliando o custo para o mundo e atingindo as telas petrolíferas e tudo mais.
E fala pra gente do papel e também do perigo da atuação de outros grupos aliados ali na região. Nesse sábado, a gente teve a informação de que os ruts do Iêmen...
aliados do Irã, reivindicaram um ataque, seria o primeiro ataque contra Israel desde o início da guerra. E aí a gente tem o Hezbollah no Líbano, vamos falar da atuação de Israel no Líbano mais tarde. O Hamas ainda tem algum poder, qual que é o papel desses grupos? Olha, o Hezbollah do Líbano, que tem, digamos, uma afinidade de 100% com o Irã, que segue as mesmas dogmas xiitas, né?
Então, precisamente, um braço do Irã, Hezbollah. Então, Hezbollah faz tudo o que o Irã quer no Líbano. São pagos por Irã e soltaram os mísseis contra Israel agora recentemente, que causou uma possível invasão israelense ao Líbano e tudo mais como está acontecendo agora. Os russos, eles têm uma agenda própria, eles são xiitas, mas seguem outra dogma xiita, dos haidis. É um pouco diferente do Irã.
Então, não segue 100%, digamos, o que o Irã quer. Eles têm uma agenda própria de fortalecimento, controle do Iman. O Iman tem três governos, um central, eles e um outro agora que está sendo desenvolvido no sul do Iman. É uma diferença entre a Árabe Saudita e os Emirados. Então, a agenda deles é própria, mas eles se reservam direito.
a atacar se Irã, digamos, mais uma pessoa entra na guerra, um outro grupo entra na guerra, se outros países foram atingidos. Então, eles soltaram agora, digamos, uma ameaça. Eles têm um poder muito grande que eles estão no Bab al-Mandeb. Bab al-Mandeb é a outra entrada do Mar Vermelho que escoa quase 10% do produto de comércio mundial. Então, você tem...
no Golfo e tem no Bar Vermelho quer dizer, só pra localizar o nosso ouvinte, a gente tem ali toda a península arábica, aí de um lado tá o Estreito de Hormuz, que é onde tem a costa do Irã também, que é onde tá tendo todo esse problemão que a gente tem discutido e aí do outro lado tem o outro estreito, que é onde fica o Iêmen e os Hutsis tem atacado lá já há alguns anos inclusive, navios por ali também, né fala
Exato, exato. Os Estados Unidos chegou a acordo com eles, conseguiram conter esses acordos, pagando algum dinheiro, e agora, se eles fecham aquele babalmande, aí o tráfico mundial fica estrangulado e o custo fica insuportável. O petróleo pode subir mais ainda do que está agora.
Lógico, o petróleo não tem limite, porque aí não tem escoamento, porque complica muito. Aí fica só a Arábia Saúde está conseguindo mandar acho que 7 milhões de barris por dia, em vez de 9, 10 ou 12 pela tubulação, então passa pelo canal do Suez. Mas se estrangula o Bab al-Mandeb e o outro lado, aí a coisa fica bastante custo para o mundo.
E aí Israel diz que está tentando conter também o Hezbollah no Líbano. Mas essa incursão de Israel no Líbano tem chamado a atenção, né?
Tem, porque havia interesse, digamos, na França, do Líbano, em que conter Hezbollah. Hezbollah é um grupo armado político ao mesmo tempo no Líbano. Então, eles têm dois papéis no Líbano. Eles têm deputados, o chefe do parlamento é chiíta, então ele representa indiretamente o Hezbollah. Ao mesmo tempo, eles têm braço armado, que está mais armado que o exército do Líbano. Então, o Líbano tentou.
várias vezes induzi-los a largar as armas para se incorporar à vida libanesa, civil e militar, mas eles não aceitam entregar as armas, sabendo que acabar as armas, entregar as armas é o fim do braço armado deles, igual ao Hamas, Hamas não quer entregar as armas em Israel, Parisina, porque seria o fim desses grupos.
digamos, de resistência que o Irã sustenta financeiramente em treinamento e tudo mais. E é isso mesmo? O Hezbollah, ele é mais poderoso do que o próprio exército do Líbano?
Por isso, o exército libanês não consegue conter e não consegue desarmá-los com força. Então, há atrativos para que eles se incorporem e vingar somente um grupo político. Como aconteceu na Irlanda com a Ira, com outros países, que a resistência acabou.
Mas, infelizmente, Hezbollah não aceita entregar as armas e, no meio, digamos, da guerra entre Israel e Estados Unidos, ele envolveu o Líbano de uma maneira totalmente irresponsável, porque o Líbano não fazia parte da guerra.
Aí o Hezbollah soltou mísseis lá, alguns dizem que não eram Hezbollah, eram agentes iranianos infiltrados no Hezbollah, soltaram os primeiros cinco mísseis contra Israel e a coisa desencadeou e agora Israel está ameaçando tomar o sul do Líbano ao sul do Rio Litane, que eles querem que seja a nova fronteira entre Líbano e Israel.
E sobrou para a população do Líbano, tem mais de mil mortos no Líbano, a gente teve notícias de jornalistas mortos no Líbano também, ataques israelenses.
um milhão de migração interna, um milhão pro Líbano, significa no Brasil 50 milhões de pessoas sendo deslocadas da sua terra. Você imagina 50 milhões, que é o estado de São Paulo, o estado do Rio, o estado do não sei o que, sendo desabrigados, perdendo suas propriedades, perdendo seu negócio e sendo expulsos das suas casas e não tem para onde ir.
Num país que está sofrendo desde 2019, com a explosão do porto, com dificuldades econômicas, financieras, quebra dos bancos. Então, realmente, o Líbano está numa situação muito delicada.
e a gente não sabe qual seria a solução. Irã, Israel, declarou que ela vai expandir sua ocupação, como ocorreu no Golã, ela não sai do Golã, e nada impede, eles têm muita força, nada impede que eles ocupassem uma parte do sul do Líbano como buffer zone, como uma zona tampão, para que Hezbollah não atacasse mais a parte norte de Israel.
Professor, existe a análise de que Israel é quem tem muito mais interesse em todo esse conflito, que Israel puxou os Estados Unidos para essa guerra, a The Economist colocou na capa...
o Donald Trump com um capacete de soldado tapando os olhos, né? Eles fizeram até uma brincadeira com o nome da operação, que era a Operação Fúria Épica, é o nome da operação, e eles colocaram na capa a Operação Fúria Cega, que Trump não saberia para onde está indo, né? O senhor concorda com essa análise? Faz sentido? Olha...
Desde sempre, Israel se declarou contra qualquer programa nuclear iraniano, mesmo para fins pacíficos. O Irã é parte da Agência Internacional de Energia Atômica. E, sendo membro, ela teria direito ao uso pacífico de...
de energia nuclear para fins medicinais e para geração de eletricidade. Israel sempre advogou que ela quer zero enriquecimento de urânio no Irã, que seria a única ameaça.
dela no Oriente Médio, já que Israel tem hoje acordos de paz com Egito, com Jordânia, com Síria não e com Líbano não. Mas a única potência no Irã que podia fazer frente ao Israel era o Irã.
E Irã nuclear, com um programa de mísseis avançado, que eles têm provado que pode atingir Israel, mesmo com todas as defesas que tem, doma de ferro, antipatriotes, FADs e tudo mais, Irã provou que ela consegue atingir. Então, Irã tendo mísseis avançados e uma bomba nuclear, ela pode acabar com Israel. Então, Israel, desde...
Você se lembra, em 2015, quando foi celebrado o GCPOA, o acordo nuclear iraniano entre, inclusive, Estados Unidos e Europa, as Nações Unidas e Irã, o Netanyahu foi no Congresso americano, embaixo do nariz de Obama, e foi contra esse acordo, dizendo que Irã não pode ter...
zero enriquecimento de petróleo. Então, ela sempre advogou isso. E hoje, com Trump, o Netanyahu tem, aparentemente, uma entrada livre. Ele esteve na Casa Branca uns dez vezes esse ano e conseguiu, digamos, convencer Trump a ajudá-lo pela segunda vez, que ano passado, durante negociações entre Estados Unidos e o Irã, diga-se negociações entre aspas, porque com Trump não se negocia. No Trump, você faz o que ele quer, ou ele não negocia com Trump, ele faz o que ele quer.
Então, durante a negociação do ano passado, em junho, entre Estados Unidos e Irã, Israel e Estados Unidos atacaram as instalações nucleares com aqueles superbombardeios. Pela segunda vez, esse ano, no meio da negociação, também o Netanyahu esteve com o Trump e convenceu ele a entrar na guerra, os dois acreditando ou calculando que a guerra seria no fim de semana.
E realmente houve um erro de cálculo e tudo mais, apesar que o Estado-Maior dos Estados Unidos alertou Trump, que não é tão fácil, que Irã tem resistência, Irã tem dois exércitos, tem 350 mil a 450 mil homens armados, preparados para sacrificar e tudo mais. Então realmente a gente pode concluir que o Netanyahu convenceu Trump na guerra na esperança que em dois dias ou três dias...
destruísse com a morte do Aytola Komeini, que o Irã ia roer, e a população ia ocupar e caiu o regime. E nada disso aconteceu, que o Irã provou que ele é mais resistente e a resistência é durável. Então agora, qual seria a saída? Eu acho que o Trump está pensando em alguma saída, que ele tem que declarar a vitória, obviamente. O Irã vai declarar a vitória também, que ele resistiu, então vamos ver se nos próximos, sei lá, um mês, a coisa acaba, se não.
pode custar mais para o mundo. Professor, vou pedir para você ficar com a gente mais um pouquinho, cinco minutos, a gente vai para o repórter CBN e eu vou retomar a sua conversa já já, tudo bem? Ok. Até já. Estamos de volta com o professor Najad Kuri, sócio-fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Oriente Médio, professor da Fundação Getúlio Vargas, sobre este primeiro mês de guerra no Oriente Médio. E aí...
Nesta semana, professor, o presidente Donald Trump adiou mais uma vez a trégua de bombardeios contra a infraestrutura de energia, aí pelo menos até o dia 6 de abril, alegando que as negociações com as lideranças do Irã estão em andamento. Para você, o que é que tem de realidade nisso? O que é que tem de jogo político? Até porque essa alta do petróleo também prejudica a própria popularidade do presidente Donald Trump.
Olha, desde o início das negociações entre Estados Unidos e Irã, não mudou nada. Então, o que mudou? Estados Unidos, o que ela quer do Irã? Ela quer que não enriqueça o petróleo, o ronho, limitar seus mísseis, alcançar seus mísseis para não atingir Israel e não dar apoio aos seus aliados, proxies aqui no Oriente Medina, principalmente isso.
O que o Irã quer? O Irã quer que saia e levanta as sanções contra seu programa nuclear e agora acrescentou. Ela quer indenização pelo ataque americano e israelense. Quer dizer, quem vai pagar esse custo? O americano vai pagar esse custo? Aparentemente há 2 mil sites destruídos, há milhares de pessoas mortas, escolas, hospitais. Esse é um custo de guerra tremendo. Quem vai pagar isso? Trump?
Israel não vai pagar, obviamente, né? E quem vai pagar? Pode ser os árabes que vêm a pagar, como eles estavam pagando em Gaza, uma parte da destruição que ocorreu em Gaza, certo? Mas isso nada certo, porque agora Irã atacou os árabes e os árabes podem dizer, olha, então você tem que me pagar. Então, não mudou nada da equação, né? Então, as duas...
partes estão distantes. A zona de negociação entre os dois está distante. Inclusive, o Irã, os Estados Unidos, matou um monte de líderes que poderiam, acredito eu, tentar uma negociação, tomar uma decisão. Hoje, o Irã está sem liderança, porque o Artur La Caminei Jr., ele até agora não deu as caras. Ele está escondido e a gente não sabe se ele está muito machucado ou muito ferido ou não.
As outras lideranças, o Irã conseguiu matar praticamente um monte de... Shemhani, que era negociador do programa nuclear, Larejani, que era moderado, que poderia, digamos, costurar entre a complexidade... O comando iraniano é muito complexo, porque eles têm o Aitola Kamehine, o Aitola Kamehine Júnior, digamos, tem o Presidente da República, tem o Segurança, tem dois exércitos. Então, tem...
tem conselho de guardiões, tem conselho de sábios. Então, o Irã é altamente complexo. E quem que vai sentar e vai dizer, eu vou negociar com um americano? O cara que vai dizer isso, ele vai ser morto pelos próprios iranianos. Então, Estados Unidos e Israel mataram lideranças iranianas que eram importantes para costurar um acordo com eles. E agora, quero costurar um acordo. Em que base?
O acordo para os Estados Unidos, para o Trump, é rendição praticamente. Então ele deu 15 itens, ele mandou 15 itens dos quais a gente mencionou e quer que o Irã aceita isso cegamente e aí depois vai negociar. Isso que é a negociação do Trump, não é a negociação de igual para igual.
Então, não mudou nada por enquanto. Então, qual seria a saída? Paquistão, que é um país nuclear, que é forte, então ele pode eventualmente fazer algum avanço, digamos, um pouco mais concreto, sendo ajudado por Turquia, que é outro membro da OTAN, e por Árabe Saudita, que é o principal interlocutor árabe na região. Agora, não mudou nada das condições.
E o senhor vê a possibilidade de alguma operação por terra por parte dos Estados Unidos? Olha, Leandro, orientemente tudo é complicado.
Agora, uma ocupação por terra é mais complicada ainda. Então, primeiro, para você entrar em terra, você tem que abrir o Estreito do Hormuz, que o Irã hoje tem controle total. E uma das condições do Trump é a abertura do Estreito do Hormuz, na boa vontade. Então, o Irã entrega o Estreito do Hormuz. O Estreito do Hormuz, que a maioria dele tem 32 quilômetros, dos quais 25 são no território iraniano.
Tem uma parte que não é navegável, mas da parte navegável, a principal parte é do Irã e outra parte pertence aos Emirados e a Oman e tudo mais. Então, ele quer que o Irã entregue o Estreito do Hormuz. O Irã quer que total controle do Estreito do Hormuz e quer que ele cobre no futuro um direito de passagem, como se o Canal do Panamá...
Então, veja bem, o contraste entre as duas posições. O estadista, lógico, com maior potência mundial, ela tem como desembarcar por aviação, 2 mil, 3 mil soldados para ocupar a ilha do cargo. Mas ela vai estar cercada por...
Irã tem 350 mil homens armados. Não tem exército de duas pessoas. É um dos maiores exércitos do Oriente Médio. Acho que é mais exército do que a França e a Inglaterra. Ela só pede para a Turquia, praticamente. Esses pessoas armados, eles têm armas na mão deles. Então, ok, podem ocupar. Fácil não é. Impossível é. E depois? E depois? Vão ter cercados por Irã, que pode bombardear a Ilha do Cargo.
Para desembargar um território principal, vamos enfrentar mortes e vai gente no caixão para os Estados Unidos, vai ter uma pressão muito grande, a inflação gigantesca. Eu acho que fica em uma posição bastante difícil. Ficou bem claro que a situação é bem complexa e parece que está longe de ter alguma solução.
Professor, eu agradeço muito, ninguém sabe. Agradeço demais a sua participação aqui no Show da Notícia. Um ótimo fim de semana e até uma próxima.
Muito obrigado e boa tarde para vocês. Boa tarde, professor Najad Kuri, sócio fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Oriente Médio, professor da Fundação Getúlio Vargas nos MBAs de Política e Estratégia da Escola de Comando, Estado-Maior do Exército e também da Escola de Comando, Estado-Maior da Aeronáutica. Conversou com você aqui no Show da Notícia.
Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra pra trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990,00 pra CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test-drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
BYD
Dolphin Mini