Wandi Doratiotto lança novo álbum 'Um Passeio Paulista' com participações especiais
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Leandro
Wandi Doratiotto
- Carreira de Juninho PaulistaWandi Doratiotto · Participações especiais · Marisa Orth · Zeca Baleiro · Fabiana Cozza · Cida Moreira
- Processo CriativoInspiração em haicais · Composições acumuladas · Histórias da cidade de São Paulo
- Música e CulturaLei Rouanet · Transformação social pela arte
- Influencias Musicais na InfanciaRá-Tim-Bum · Jovem Guarda · Tim Maia
A gente sabe que o ritmo do noticiário não para. Tentar acompanhar tudo com dor de cabeça não dá. E o alívio precisa ser rápido. Conheça o novo Novalgina Flash. Combinação poderosa de dipirona 1 grama e cafeína que age duas vezes mais rápido e é duas vezes mais analgésico na dor de cabeça. Sente o poder da rapidez do Novalgina Flash. Novalgina Flash analgésico, dipirona monoidratada e cafeína. Se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.
Eu vou levar você, mãe, no pico do Jaraguá. No teu aniversário sai o meu salário e nós vamos pra lá.
Já te escolhei um tênis, mãe. O Denis me emprestou, ele não usa. Vou te casar com o verde, pois naquela altura o frio já começou. Ah, é um passeio paulista. O nome do novo álbum do cantor e compositor Vandi Doratioto, que todo mundo conhece do Premeditando Breck.
do saudoso programa Bem Brasil da TV Cultura e muito mais. Disco fresquinho, hein? Chegou ontem nas plataformas digitais. Tem participações de Marisa Hort, de Zeca Baleiro, Fabiana Cosa, Cida Moreira, Arrigo Barnabé, entre outros. Vandi Doratioto, palco... Oi, oi, oi. Oi, oi, oi, Leandro. Viva nós tudo. Viva nós. Tudo certo? Seja bem-vindo.
Tudo ótimo. Sabe quando o entrevistado fala, é um prazer estar aqui com você? Mas é de vero. Eu toda hora entro no carro, acesso à rádio. Então é uma alegria, cara. Tamo junto. Que delícia. 15 músicas esse disco, tem 47 minutos. Como é que é? Você vai acumulando músicas, aí chega a hora de gravar. Como é que foi nesse caso? É bem isso. É bem isso. A gente, os compositores na média, Leandro...
Eles têm aquele arquivo, tem lá uma parteada, uma música, umas anotações aqui e acolá, agora com internet, com esse jogo todo, é muito mais fácil. E muitas, quando você está estimulado, você vai criando. E a maioria delas criei por esses tempos agora. Daí, há casos que você tem uma primeira parte numa busca tradicional, com A, B.
introdução, volta ao tema, etc., que você acaba falando, pô, velho, aqui acho que dá samba, vamos fazer uma segunda, etc. É por aí. E eu escrevo muitos raicais e poemas isolados e tal. Daí você tem um arquivo grande no celular, na internet, que eu vou olhando, de repente, um certo jogo de palavras, etc.
e vai estimulando a surgirem novas canções. Vira e mexe você até posta alguma coisinha na internet, no Instagram e tal. É, é vero. E o treino do Raikai, como a poesia, a etimologia da palavra poesia já dizia, que é o que é? É fazer, é fazer. Então, a gente não pode ter um julgamento rigoroso, isso aqui será que é bom, isso aqui é...
façam, como dizia o outro, se alguém não estiver ouvindo, façam. Depois você revisita como um ouvinte normal, você vai ver que aquilo que você fez nem parece que foi você. E você, segundo sua visão estética, vai, né? Essa aqui é ruim, essa aqui é melhor. E aí você fica com um balaio de possibilidades. E eu venho escrevendo muito, muito. Isso aqui não quer dizer qualidade, mas só esse ano, umas 200, uns 300, aí cai.
e poesias curtas, que me servem como um pavio, um fósforo, para que se possivelmente se acenda um fogo maior. Agora, um passeio paulista. Aí você foi vendo que as músicas tinham a ver com o clima da cidade de São Paulo. Como é que foi? É, é verdade. Eu sou um amante grande da música do Adoniram Barbosa, e todos aqueles que fazem...
críticas e coisas crônicas da cidade, como era, falar dos antigos, do Wilson Moreira, Noel Rosa. O cara quando se sentava, né, nos anos 10, o Noel, o seu garçom, eu faço um favor. É um cara num bar, observando a coisa toda. Você gosta de contar histórias, né? São músicas que contam histórias, né?
Isso, eu adoro historinha, eu tô rodando na internet, qualquer coisa, se eu ouço no metrô, no ônibus, na rua, na feira, o cara falando, eu já estico o ouvido e me interessa demais essas reações populares que saem coisas únicas, daí você filtra e tal, e eu tenho uma família muito engraçada e musical, oriunda assim com ascendência italiana.
escandalosa, então facilita também, né? Tudo junto, né? Eu sou geminiano, Leandro, e eu tenho um apreço profundo pelas artes em geral. Por exemplo, balé, que a maioria hoje, muitos não prestam muita atenção. Eu amo o balé. E hoje você vê balés que foram feitos, música por Arnaldo Antunes, João Bosco, né? Pessoas outsiders.
desse meio mais costumeiro com música erudita e tal, né? Fica a dica aí pro Tibote Chalamet, que não gosta nem de balé e nem de ópera. Agora, deixa eu... Você é de onde? Aqui de São Paulo. Você nasceu aqui na capital, né? Opa!
Eu sou lapiano da gema. Lapiano. Muitas pessoas falam da Lapa do Rio, a Lapa do Rio, antológica. Que também é maravilhosa. Maravilhosa, a história é impressionante. Mas a Lapa de São Paulo tem uma característica. Hoje virou tudo diferente, os bairros viraram um pouquinho cabeça de porco, como diz assim, pela condição econômica do Brasil. Mora um monte de gente num buraco só. Mas nos anos 60, 70...
Era um bairro impressionante. Tinha orquestra com maestro, tinha a bossa nova rolando. Nós éramos fãs dos Beatles começando, o primeiro trabalho, para quem não sabe, 62, Love & Doop. E os festivais da Record. E, sobretudo, para mim, a Jovem Guarda. Eu amava a Jovem Guarda de paixão deslavada, como gosto até hoje de muita coisa que rolou. Achou o Roberto Carlos um absurdo e maravilhoso.
De uma época, né? Depois mudou, etc. Mas fez minha cabeça, como eu diria, mais do que os Beatles. Foi a Jovem Guarda. E a Lapa... Diga, e a Lapa? Era pródiga em ficar ligada nesses acontecimentos porque tinha alguns músicos incríveis na Lapa, mesmo. Pessoas altamente dotadas musicalmente. E eu circulava, meu pai me levava desde os cinco anos pela mão ver o que rolava.
nos bares, nas ruas. Era impressionante mesmo. É um fato que fica só na memória, porque ninguém mais saberá. Ô, Vandi, qual dessas músicas aí, dessas 15 músicas, que é a música de trabalho, que vai estourar assim, vai competir com a Anitta? A Anitta que se cuida. Agora que ela chegou no top das músicas dos Estados Unidos, eu fico feliz.
Eu fico feliz, cara. Eu acho que o trabalho da Anitta, só um aposto, é muito legal, cara. É muito legal. Ela é um exemplo de coisas que vem dos cinturões e vem por força própria, abrindo caminho, manja? E tal. Você pode falar, olha, eu não gosto dessa estética do funk, do rap, não é meu caso, porque eu acho que tem músicos do rap, se tá o Emicida, que já é uma antologia, né? Já é uma legenda do rap. Mano Brown. Mas Mano Brown.
mais 10, são incríveis, cara. Tem letras, olha aí, que são tão grandiosas quanto eram e são as do Chico Buarque, assim, você entende? Num plano... É uma coisa impressionante o que os caras... A articulação dessa gente. E eu acho que a renovação do que está rolando no Brasil passa necessariamente pelo hip-hop, sem nenhum papo de populismo, mas se você vir o que rola...
nas periferias e tal, é uma das poucas coisas realmente novas e densas que estão surgindo. Então, viva a Anitta e outros. Você pode falar, eu não gosto, essa é coisa de performance, velho.
música é aquela que está rolando no nosso tempo. Tem música do que Eliton falou. Existem dois tipos de música. A música boa e a música ruim. Então, vamos discernir, nos anos 10, 20, que eram os anos de ouro, também existia muita coisa ruim. Você que está nos ouvindo e é jovem, esquece o seu tio, o seu avô, e fala, a música era do meu tempo.
Isso sempre teve, né? Nos anos 50 tinha gente, ó, a música do meu tempo era melhor. Sempre teve. Mas escolhe uma música aí pra tocar no rádio. É, como eu falo. Desde o tempo do Premier, pra quem não sabe, o Premier Tando Breck é um grupo antigo, tem oito álbuns gravados. A gente nunca tinha, moramos no Rio, fizemos na Odeon produção do Lulu Santos, Caetano cantou no disco, no sentido de que tava inserido numa mídia.
E a gente chegava nas rádios, isso é engraçado, explica a tua pergunta. O cara, qual a música de trabalho? Ah, não sei, escolhe aí. Imagina, você chegar pro radialista, escolhe aí. O cara já punha no Escaninho, LP, velho, e Boa Noite, eu só não queria mais saber. Mas eu acho que uma música que tange a minha intenção estética e de gandaia, e etc. é o Chinelão, uma delas. E abre o disco, né?
E abre o disco, eu coloquei ela abrindo. Dá uma ideia. Dora avante eu vou andar só de chinelo e meia. Não quero ser moderninho. Vampiro de juventude não é meu caminho.
Podem me chamar de chinelão de coetão. E podem me chamar de velho brocha sem noção. Que eu não digo não. Quero ouvir os sons da natureza. Vandi, é autobiográfica ou você criou um personagem?
Pois é, eu consigo sempre fazer baseado em coisas da família, o jeito que minha mãe tinha de ser. Eu falo da minha mãe porque tem coisas aqui que tem o jeito dela, como eu fiz também na Brastemp. Quando eu fiz aqueles comerciais da Brastemp, eu falava do jeito da minha mãe, porque ela era uma pessoa engraçada, etc. Meu pai também. Mas a gente filtra essas coisas que a gente ouve em família.
e faz do nosso jeito. Então entra exatamente a ficção, meu desejo afetivo pelas coisas boas do Brasil, e a história que a gente conhece. Eu amo sentar na praça, ver as pessoas, conversar com...
com pinguço de bar. Tem pessoas engraçadíssimas em São Paulo, no Brasil, etc. No Rio de Janeiro, sobretudo. Em suma, então, tem autobiografias, às vezes, literais, quase, e outras que são ficção, né? Ficção, como os escritores fazem nos romances, nos contos. E é essa chinelão, para não fugir muito do assunto.
Tem, eu sou um setentão e vi tanta coisa, né? Então, essa coisa do cara querer ser só moderninho por força, fica feio, né? O cara às vezes é um esquisito e tal. Então, o chinelo e meia é uma metáfora.
da coisa meio ultrapassada, mas que os aposentados sonham com isso. Quando eu me aposentar, vou botar meu chinelo em minha neve e vou ficar lá no cadeirão vendo rádio, velho. Então, só que daí eu vou para um lado mais poético, né? Quando chove, a terra se incomoda. É isso que me faz a cabeça. Um pouquinho mais de chinelão. Minha companhia mais querida é minha mão Que eu não ligo não Ah, vá, vá, vá, vá, vá ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник ник
Eu não devo nada pra ninguém, acordo cedo e vou ouvir os passarinhos. Boto os documentos na sacola e vou andar sem celular. Até gastar a sola, até gastar a sola. Eu não vejo a hora de pôr os documentos na sacola e sair sem celular. É, é verdade, o celular é uma maravilha absoluta.
Mas todo mundo já sabe o outro lado da questão. Eu acho, Leandro, principalmente para a geração, para a minha geração, que o celular é uma coisa fantástica.
as coisas modernas, o Waze, nós somos do tempo, e a maioria mais nova também, pegava o guia, parava na rua. Guia, quatro rodas. Quatro rodas. Onde fica a rua, o cara, acho que você rola, velho, hoje você no mundo inteiro, a gente toma as rodadas por aí, pra onde vai, você põe o Waze, é um absurdo de bom.
Em contrapartida, tudo tem dois lados na vida. A internet está causando problemas. Então, é o termo aristotélico. Temos que achar um meio aí. Para a minha geração e outros tantos, é fabuloso. Aí eu fiquei curioso com algumas participações aqui, mas principalmente da atriz, que é cantora também, Marisa Hort. Como é que veio essa proximidade de vocês? Porque ela participa de mais de uma música, né? Várias. Várias. A Marisa Hort, primeiramente.
É uma brasileira notável, é uma artista de primeira grandeza, eu não preciso falar, a história dela está exposta. O que rola? Quando nós éramos bem jovenzinhos, tinha um bar chamado Barofi aqui, uma graça tocada por gente de primeira qualidade em termos artísticos. Onde que era? E Barofi era no centro.
ali perto da 9 de Julho, Itaim, um bar, velho, um buraquinho assim, com palquinho semi-italiano, meio arena, e pintava lá. Marisa Hort, Angela Dipp, Grace Janucas, e vai por aí afora.
N pessoas, o Marcelo Mencio, o Arthur Coll, eu fazia também minhas brincadeiras, o Arthur, Renato Caldas. A Marisa era de toda essa turma aí, é? E a Marisa era ali. E nós, a gente não se conhecia ainda e tal, e eu estava lá. Um dia assistindo todo mundo, e de repente entra a Marisa. E falei, cara, mas que coisa, que força que tem essa mulher, os cambau. E daí nós convivemos juntos nos camarins e de lá pra cá.
De lá pra cá, Marisa, né? Marisa Hort. E ela tem um apreço profundo por quem tem habilidade por música, né? Embora ela seja aquela atriz consagrada, ela tem a paixão pela música. Tanto que ela tá fazendo o Belchior agora, né? Com a Tassiana Barro. Tá lá. Bom, ela faz musical, ela fez a Mortícia na Família Adams. A Mortícia. Eu fui assistindo. Canta pra caramba.
Canta pra caramba. E ela é o máximo. Ela tem o dom do humor, do drama no ponto. É uma artista completa, cara. Uma showwoman. É, é, é. Dá uma ouvida aqui, né? Eu sou descendo italiano, eu arranco até o fone de ouvido aqui, ó. Dá uma ouvida nessa aqui, ó. Nós podia estar roubando. Peraí, vamos pegar do comecinho, do comecinho.
Eles estavam desistindo da música. Nada dava certo. Até que leram num poste um cartaz. Mãe Bruna resolve seu problema. Gente, foi como tirar com a mão. Olha a altura que chegaram.
Essa é a história de como o Vandy ficou rico. Dá uma ouvida.
Fomos salvos pelas artes, pela música do Brasil, que de vida sua grandeza tirou nós do desvio. Hoje nós temos carro e moto, já compramos um jet de ski, nossa casa tem piscina que é pra nós se divertir. Aí, o fã de Doratioto, desfrutando de toda a riqueza dele, que ele conseguiu com a lei Rouanet, certamente.
Eu e o Chico Bach do Lando... Os dois, né? Em Paris. Nós somos um problema em Paris. A gente tem apartamento à beira do Sena, mas a turma não compreende. É, é... Eu, passando, é bom falar uma coisa, Leandro, que é uma parte sábio, você sabe. As pessoas falam da Lei Rouanet, não é o caso desse álbum, que é do Proac, da Aldir Blanc, que, aliás, está ligado a uma lei que leva o nome do Aldir, já é uma consagração. Bom, a maioria fala da Lei Rouanet, que nem sequer conhece.
O Chico nunca usou. Eu, este humilde compositor brasileiro, nunca. Se pintar uma coisa honesta, vamos juntos. Cada dólar é estatística. Aplicado em cultura, lei ou amê, etc. Reverte em 3,70 para... São milhares de empregos. Fora que sem arte, o mundo derrete a arte.
é a ferramenta mais poderosa de transformação do ser humano. Tenho certeza que tem ouvinte aqui relaxando agora nesse momento, enquanto a gente dava tantas notícias ruins de guerra, entre outras coisas. Graças à arte. E houve um tempo que nós éramos todos comunistas e muito combativos, e que cada tempo é seu tempo.
Mas falavam, é o futebol, é o futebol, né? A azar, a música, é o ópio do povo. Calma, Zé, não fica nervosa. Isso é tão relativo, né? A abertura, a abstração que a arte causa, ela ajuda que as sinopses compreendam melhor todos os movimentos do mundo.
Senão, você fica que nem aquele livro do George Orwell, de 1984. Você fica obnubilado, obtuso pelo serviço, pela produção e pã. Então, a arte, ela não serve para nada, mas ela serve para tudo. Muito bom. Ô, Vandi, quando alguém te para na rua, assim, geralmente te lembram pelo quê? Qual fase da sua vida? É boa, porque eu vou muito para a Paulista.
Andar na cidade, no centro e em outros lugares. Agora mesmo no domingo. Você não é... Principalmente pela voz, Leandro. Eu ressalto, não é por vaidade, é pura... Não tem mais... É marcante, né? Marcante. O cara fala, ah, eu sou do tempo do... Por exemplo.
Do Rá-Tim-Bum, a música Como Se Faz, a música Eu Vou Mostar Para Moçada, Como Fazer. A turma, você é mais novo ainda. Não, tá aí, ó, tá na agulha, ó. É. Caraca.
fez parte de toda a minha infância, como eu amava. É, é bonito. A gente não sabia o que estava fazendo. Hoje, Leandro, eu rodo pelo Brasil, como todo mundo que trabalha nessa praia, e tem crianças, cara.
Lá, onde? Belém, num cantinho, numa corrotela que não tem nem prefeitura. E eu tô lembrando de um fato, uma criança eu falei, onde tá essa rua aqui, bem? Ela olhou assim com os olhos, com o óculos tapado com coisa, ela falou, oh, o cara do Rá-Tim-Burco, eu acho que eu esmaguei. Aí eu falei...
Uma emissora outsider que não tem propaganda, que não tem nada. Olha a altura que se chegou, como diríamos, no sentido de afeto. É uma criação, como você declarou, quem viu o Rá-Tim-Bum são pessoas melhores. Eu sou uma pequena areia lá nesse grão que rolou. São cidadãos melhores, é verdade. Aprendeu a vida com...
com dignidade, sem querer vender o produto de tudo que fala. Como é que você chegou lá? Te encomendaram um monte de músicas? Faz 10 músicas de como fazer tal coisa? Como é que foi? Isso, isso. Bom, o meu querido, grande, querido amor, amigo eterno do Fernando Meirelles. Só isso. Fernando Meirelles. Se eu conseguir alguma coisa na praia de atuar, que eu não me sinto ator, isso não é mais nem menos. Eu sou um músico e me dou bem em algumas coisas. Como ator, seguro.
Mas não é aquele ator Shakespeare. Daí o Fernando ia nos assistir sempre, essa aqui explica a tua pergunta. Eu via ver o premier o Fernando Meirelles, ele falou, Vânia, vamos fazer um comercial? Eu falei, não, Fernando, eu tenho vergonha. Realmente, eu sou uma pessoa também envergonhada. Pode dizer que eu estou inventando. Daí eu falei, não, Fernando, eu não tenho jeito. Ele disse, não, velho, vamos fazer, vamos fazer assim no final dos anos, começo dos 80.
Falei, tá bom, precisava de grana, era um duro. E começamos. Fiz alguma coisa lá, com o fato de outras coisinhas, brincadeira, açúcar lá do sul. E comecei a ficar à vontade, porque o Fernando é um gênio. Ele tira o melhor de você. Se eu pego um diretor e falo, faça um drama, não sei o que lá, lembrando de Hamlet.
Estou ferrado. Eu vou vazar porque se ele chega a entender onde eu sou capaz, eu posso render. E o Fernando fez isso. Foi me dando confiança, eu confia. Por extensão do conhecimento com o grande Fernando Meirelles, querido, eu acabei pegando várias coisas. O Rá-Tim-Bum, Brastemp ganhou a campanha, ganhou até Leão de Ouro em Cane. Foi abrindo a tampa, você foi ficando confiante. Foi uma coisa escandalosa em termos de projeção.
capa do meio e mensagem, que era a Bíblia da propaganda. E eu nem sabia o que era isso. E as músicas do Como Se Faz lá, você fez tudo sozinho? Tudo sozinho. E é bom falar, eu já estava viajando. Essas aí, Leandro, foi jogo brabo, velho. Só quem estava precisando de dinheiro faria. Trinta músicas, trinta. Trinta? Eu recebi, olha você. Uma e explica o resto. Como se faz violão.
Então, o cara põe um filminho de um minuto, todos um minuto, gravado. Abre a tampa, passa o verniz, põe a corda, gruda. E eu tinha que olhar aquilo e falar, tentar falar de tudo aquilo que estava acontecendo, cair no refrão e acabar. E um minuto? Cara, foi uma dificuldade medonha. Minha mulher ficava junto. Eu mostrava as rimas, vinha sugestões.
absurdo. E todos nós, isso é um detalhe, mas ganhávamos uma minxaria, porque era assim, né? Então não era porque, ó, pô, velho, tô vendo uma... e etc e tal. Hoje, com tanta música que a gente tem no prender, eu tenho tanta música gravada, que, pãs, o que único que deu direito a atuar um pouco melhor e que fez mais sucesso são as músicas do Ratinho. É mesmo?
E outra coisa, Leandro, é o Bem Brasil, um programa que me honrou fazer, velho. De 91 a 2008, passaram pelo programa quase mil apresentações, 800, com gente do Naipe, desde Pitty, Dominguinhos, Lulo Santos, Gal Costa, Funk, Chico Saia. Por algum motivo eu lembro do programa que estava o Tim Maia.
Tim Maia, Tim Maia. Quando eu me pergunto em entrevista, então, o que eu falo? Qual é o melhor programa? Jesus. 800 programas, melhor. Eu sou geminiano, eu escolhi 400. Mas o Tim Maia, acho que foi no combo do que é um programa de TV, o que é um artista de primeira grandeza, o que é a malandragem brasileira no melhor sentido, Tim Maia. O Tim Maia, por exemplo, quando eu cheguei lá, ele já tinha passado o som.
Eu cheguei nervoso, falei, cara, se ele não aparecer... Só o fato dele ter ido já foi uma vitória. Ele foi. Só um resuminho. Ele saiu do passagem de som, eu estava descendo para ir para o meu camarim, ele falou assim, literalmente, ô, Vande, nem sabia da minha existência. E o Premier? Falei, ô, Tim, ô, bicho, você conhece o Premier? Aí foi lá, pegou o telefone, ligou para uns amigos para fazer o nosso songbook. Falei, não, ninguém vai querer o songbook do Premier, é tudo avacalhado.
Um cara de uma generosidade, fez um programa de uma hora e meia, ainda falou, quando subiu o crédito, era ao vivo, pra quem não se lembra, ele falou, você quer que faça mais uma ou duas pra deixar de stand-by e tal? Ou seja, eu brinquei lá, tem gente que fala que o Tim Maia tá gravado. É difícil, não entra nessa. O Tim Maia é um gênio maravilhoso e generoso. E um doce, né? É, velho, velho. O Tim Maia tá aí na agulha também, é? Opa!
programa, hein? A técnica tá de parabéns. Débora Gonçalves. Débora Gonçalves, na técnica? Ela faz também os programas Tatiana, da Tatiana Vasconcelos. Faz de tudo, faz de tudo. Débora, ô querida, parabéns, velho. Muito legal, ó.
Antes do Repórter CBN, eu quero ficar batendo papo com o Vandy. Não tem jeito. Vandy Doratioto está conversando com a gente aqui na CBN. Tem mais uma memória de infância aqui. Foi o câmera Zé, o câmera da Darlene lá no Rá-Tim-Bum. O repórter Darlene está chamando diretamente da floresta. É com você, minha flor.
Chapeuzinho! Chapeuzinho? Ô, chapéu! Chapeuzinho? Chapeuzinho! Chapeuzinho! Ó, dona Dona Nene, nós precisamos achar logo o Chapeuzinho Vermelho, viu? Eu já quebrei minha câmera, já perdi meus óculos. Como é que eu vou ficar daqui a pouco? É, vamos, é, vamos, vamos embora. Precisamos achar urgente o Chapeuzinho. É urgente! Chapeuzinho! Chapeu!
Eu lembro disso, eu lembro disso, cara. Chapéu! E aí, o Câmera Zé, também marcou, hein? O Câmera Zé, e eu contracenei com a Ellen Helene, que junto com o Rose Campos são as melhores atrizes que eu conheci, da nossa metier num país que tem Andréa Beltrão, Fernanda Montenegro, Fernanda Torre, não, não, não, Deus o livre. Mas com quem eu convivi mesmo, Shakespeare, com a Andréa Beltrão, com o Fernando dirigindo, né? E tudo. Então...
É uma satisfação imensa, né, velho? A Ellen Helene, uma voz linda e etc. E a Ellen é aquela que fazia, para quem não se lembra, lembrava uma coisa linda, aquelas brincadeiras. Ih, o fulano foi. Ela fazia com um pregador. Ela pegava os objetos para contar historinha, com apontador. Era ela a dona da Ellen, Leandro. Então, você quando contracena com uma pessoa de primeira grandeza como ela...
com tanta vivacidade e pertinência, você fala, velho, você tá com o seu melhor. Nós fizemos um programa juntos há pouco, deu 300 mil views, de verdade, por causa dela e tal. Enfim, sou um cara de sorte, né? É, e nós também, de te ouvir, de ter te acompanhado toda essa carreira. Sem falar do Prêmio Editando o Breco. Bota São Paulo, São Paulo aí também, que a gente ouviu no começo do programa. Também tem seu dedo, né? Tem, tem. Você está aberto para mim? Tá, pode falar.
É, somos... Fizemos todos juntos. Quem trouxe a ideia imitando New York e New York foi o Oswaldo Luiz, que é um cantor magnífico do tempo, que ele estava no primeiro. E nós todos fizemos juntos, com um mapa na mesa e um brainstorm e rolou. Agora conta, como é que foi o negócio aí?
Numa tarde só? Vocês pegaram o mapa de São Paulo? Como é que foi o negócio? Na hora dos bairros, Butantão, Tinguem, Boibirim, Brás, Belém, Chora Menino, Reguezido, aí a gente abriu uma cana, virou uma daqui, aqui.
Pegamos os bairros, né? Mas, assim, faltaram muitos, é óbvio. E tem uma coisa que tinha sido dito, ainda mais aqui com o lastro que tinha sido dito. O Nelson Aires, maestro nobre de São Paulo, fez conosco o arranjo com os melhores músculos.
São Paulo, que a gente teve nessa gravação, os sopros e tudo. E ele que acelerou, porque a música vem vindo. O Tantão, o Tinga, em Boi, Birim, Brás, Belém. Ele que sugeriu essa dobrada, manja? Sim. Então, eu colocaria o Nelson Aires como um autor. Falei com ele todas as vezes que nós nos encontramos, e foi, ô, velho, fomos injustos com você de não ter colocado. Uma grande maestra, o Nelson Aires, que dá uma gulgada, gulga aí o maestro para saber o que ele faz.
Que categoria, um pouquinho de São Paulo, São Paulo. Tomar um banho no Tietê Ou ver TV Na grande cidade me realizar Morando num BNH
Na periferia, a fábrica escurece o dia Agora, aí Chora menino, freguesia do ó Garandiru manda aqui Aqui Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina Vila Carlão Morumbi
Sensacional.
Vandi Doratioto, muito obrigado pelo papo. Vandi que está lançando então o seu mais novo álbum Um Passeio Paulista, disponível nas plataformas digitais. Agradeço demais pelo papo. Quero saber quando tiver show, se tiver algo programado por aí, pode contar pra gente, hein? Então eu falo rapidinho aqui. Diga. Dias 20 e 29 de maio, 20 e 29 de maio, Centro Cultural São Paulo, o lançamento...
Vai rolar lá, estamos assim esperando as participações nobres até ajustar os tempos, tá bom? E falar para a CBN, às vezes eu estou no carro das oito horas, pelo menos de meia hora eu consigo chegar no jornal, às vezes eu fico a par de tudo pelo que rola ali e todos os programas eu acompanho, sobretudo quando eu estou no carro e tal.
E que beleza de... Eu acho o rádio, Leandro, juro para o Nossa Senhora da Aparecida, ainda, graças a Jesus, a melhor forma de comunicação ainda é o rádio, cara. Eu que fiz televisão, teatro, é o rádio, que coisa linda, viva! Modéstia à parte também acho, viu? É uma honra para a gente ter você como ouvinte.
Muito obrigado, velho. Obrigado, Vandi. 20 e 29 de maio no Centro Cultural São Paulo, já vamos botar na agenda. Um ótimo fim de semana e bons shows pra você. Obrigado, Leandro. Um abraço e um beijo pra Débora. Até já!
Mas também tá ruim pra todo mundo, né, Valdir? Você quer ver um caso igual ao meu? Eu tô há 17 anos na mesma loja, eu tô 25 de março. Você sabe quanto me der de aumento? 5%. Rama, eu fiquei pistola, velho.
Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br.
Novalgina
Novalgina FlashTikTok
Segurança para adolescentes