Endividamento de jovens no Brasil cresce com acesso fácil ao crédito
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- Endividamento das famílias brasileirasNovo Desenrola Brasil · Aumento do acesso ao crédito · Falta de educação financeira · Consumo estimulado por redes sociais · Inadimplência precoce · Rennan Guimarães
- TikTok educação e finançasDiagnóstico financeiro pessoal · Regra de gastos (50% essenciais, 20% futuro, 30% estilo de vida) · Priorização do pagamento de dívidas · Cuidado com parcelamento e juros rotativos · Controle do limite do cartão de crédito · Racionalidade nas decisões financeiras
- Digitalização e eficiência fiscalFacilidade de acesso ao crédito digital · Aumento de vínculos com instituições financeiras · Perda de dimensão do gasto com cartões · Necessidade de racionalidade e educação financeira
O novo Desenrola, programa do Governo Federal para reduzir o endividamento das famílias, deve ser lançado hoje, detalhamento dessas medidas vai ficar a cargo do Ministério da Fazenda. Esse programa chega na esteira de um aumento histórico do endividamento, né, Moniz? A gente tem acompanhado os números da semana passada, percentual.
de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4% em março, o maior nível da série histórica da PEIC, a Pesquisa de Endividamento e Na Diplência do Consumidor, que é feita pela CNC, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Agora, tem um ponto desse contexto todo de endividamento que chamou a atenção aqui.
da gente no CBN São Paulo. O aumento do acesso ao crédito entre jovens brasileiros que têm acendido um alerta para inadimplência precoce, ou seja, cada vez mais jovens estão com dívidas na praça. Essa população acaba entrando mais cedo no sistema financeiro, muitas vezes sem educação financeira.
suficiente para lidar com todas essas dívidas. Dados do Banco Central, que foram divulgados pelo Jornal Globo, mostram que o número de jovens ali entre 15 e 29 anos, essa é a classificação de jovens de acordo com o Banco Central, o número de jovens com acesso ao crédito dobrou em oito anos.
passando de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões em 2024. São os números mais recentes que estão disponíveis no Banco Central. Sobre esse assunto, agora sim a gente está na linha com o Renan Guimarães, que é economista do Optio, conversando conosco no CBN São Paulo. Renan, bom dia, bem-vindo. Bom dia, Marcela. Bom dia, Muniz. Muito obrigado pelo convite.
A gente que agradece a sua participação para falar desse tema, endividamento, principalmente quando a gente fala em endividamento dos jovens. Esse avanço do ingresso de jovens nas dinâmicas de mercado financeiro, na construção do crédito, foi puxado, sobretudo, por uma população de menor renda. De acordo com os dados do Banco Central, cerca de 70% desses jovens ganham até dois salários mínimos.
E aí eu acho que a gente pode introduzir nossa conversa falando muito sobre a vontade do consumo. Esse jovem entra no mercado financeiro, ele está ganhando dinheiro e ele quer gastar, quer comprar itens que ele considera necessários. E muitas vezes o salário não acompanha o ritmo dessa compra.
Qual é a melhor forma de garantir o parcelamento? E aí que vem o endividamento, né? É um ciclo silencioso de dependência. Paga a dívida, mas para fazer mais dívida. É mais ou menos assim que começa essa história, né?
Perfeito, Marcela. Exatamente assim. Na verdade, o jovem, como um todo, ele tem acesso hoje a muitos meios de comunicação. Então, ele fica aí nas redes sociais, uma parte do dia, uma parte relevante, e ele tem acesso a estilos de vida que são totalmente diferentes da renda hoje que ele tem.
Ele cria, vamos dizer assim, uma expectativa ou um desejo para consumir aquele mesmo bem que aquele público consome. E o que acontece é que o jovem acaba buscando, como você mesmo acabou de introduzir, meios de conseguir atingir esses bens e ele busca por crédito. Então, ele começa a abrir contas em diferentes bancos.
Hoje, até o Banco Central estima que cada brasileiro tem, em média, cerca de sete vínculos com instituições financeiras como um todo. E o que ocorre é que ele começa a pedir cartão de crédito ali e começa a parcelar. O que ele não consegue entender é que ele não consegue ter a visibilidade de como vai ser os próximos meses.
da vida financeira dele. Então, ele parcela em 10, 12 vezes sem juros, achando que R$50 é pouco, só que quando ele vai ver, a parte significativa da renda dele hoje fica totalmente comprometida. Então, o que os números dizem é que praticamente 30% das rendas de pessoas de baixa renda fica comprometido só com parcelas, que ele fez ali achando que seria um pouco.
E acaba virando uma bola de neve, né, Renan? A pessoa vai se endividando aqui para pagar ali e aí quando vê, às vezes acaba descontrolando tudo. Esse dado também que você mencionou do Banco Central, dizendo que os brasileiros têm de seis a sete cartões, também me chamou muita atenção, me impressionou muito. E a gente vê, inclusive, isso eventualmente acontecendo com os jovens. Está muito mais fácil você abrir uma conta, seja num banco ou nessas instituições financeiras digitais, que nem necessariamente tem a própria agência, mas são ali...
popularizadas pelos aplicativos e pedir o próprio cartão, ele chega quase que imediatamente. Qual que é a orientação? Quando que, de fato, uma pessoa justificaria ter mais de um cartão? Que tipo de controle dá para ser feito, de fato, com mais de um cartão? Mas quando que essa oportunidade pode acabar virando um risco, principalmente quando a gente está falando desses jovens? Perfeito, Muniz. O que a gente tem aqui...
Basicamente, porque isso vira um problema. Hoje, você consegue de fácil acesso abrir essas contas. E o problema é que você consegue esse crédito rapidamente. Então, o que acontece é que, enquanto você tem uma baixa renda...
você ainda está construindo um patrimônio, você já tem um limite que às vezes é 2, 3 salários que você recebe. Então, basicamente, ele cria uma perspectiva de que o crédito passa a ser uma possibilidade de aumento de padrão de vida. Ele não considera que os juros, tudo aquilo que...
vem a partir disso, que é a verdadeira problemática. Então, o que o jovem tem que fazer é sempre adquirir e cada vez mais buscar essa educação financeira, que é prevista em lei, mas basicamente a gente não tem isso nas escolas.
é buscar um pouco mais dessas informações para que ele consiga complementar o que ele conhece hoje de como cuidar da sua vida financeira. Eu vou até passar aqui, então, basicamente, rápidos pontos, né? O que a pessoa pode fazer para tentar ter uma clareza melhor em relação às suas finanças pessoais, tá? E o passo antes de você conseguir o crédito, antes do acesso ao crédito, o que você deve fazer para você conseguir ter uma vida financeira um pouco mais, vamos dizer assim, clara, né? E que vai te levar a uma construção de patrimônio, tá?
Basicamente, então, a parte inicial é você fazer um diagnóstico, tá? Hoje da sua vida financeira. Então, ter clareza do quanto você recebe, de quais bancos você tem conta, o que você tem hoje de cartão de crédito, né? Enfim, ter esse levantamento, essa consolidação, tá? É igual vocês mesmos comentaram, né? Que são seis a sete contas, é realmente algo que é difícil, tá? Esse é um dos motivos pelo qual o Optio existe, que é basicamente te dar essa visualização consolidada em poucos cliques, tá?
Mas, então, basicamente, depois de você ter a consolidação de quanto você tem hoje de receita, de despesa, entendendo as suas parcelas ali, é bom você estabelecer uma regra, tá? Que são, basicamente, o comportamento do seu gasto, o quanto você quer gastar em cada coisa, né? Então, basicamente, o ideal é sempre você comprometer 50% da sua renda para gastos essenciais.
Então, moradia, comida, transporte. Então, vamos supor que você receba R$ 3.000. Desses R$ 3.000, tenta consolidar tudo em R$ 1.500 de gastos para esses gastos essenciais. E aí, o 20% do montante também que você vai receber...
Tem que ter uma visualização do futuro. Então, você tem que se preocupar em quitar suas dívidas, em construir uma reserva de emergência, em investir, que são conceitos que são simples, mas são extremamente importantes. E 30%, no máximo, desse montante que você recebe, ele fica ali destinado a estilo de vida. Então, aí sim, você pode pensar em lazer, restaurante, roupas.
entre outros, tá? Então, é sempre bom ter essa clareza desse montante que você precisa separar e também sempre de que você precisa sempre atacar a sua dívida primeiro, tá? E não se preocupar. Às vezes a pessoa fica pensando, ah, não, preciso começar a investir, preciso dar um jeito de multiplicar o meu dinheiro e esquece que está ali tomando um juros altíssimo do cartão de crédito, juros rotativos, enfim, tá? Que também consome muito do que você está construindo, tá?
Agora, as parcelinhas do cartão, elas entram nesses 30% de estilo de vida? Por que eu pergunto isso? Às vezes você precisa fazer uma compra que demanda um valor maior. Quebrou a geladeira de casa, vai gastar lá uns 2 mil reais uma geladeira nova.
Só dá para gastar, se você ganha 3 mil, só dá para gastar 2 mil numa geladeira nova parcelando. Esse parcelamento tem que entrar ali em alguma dessas janelinhas, desses cofrinhos que você separou nesse diagnóstico que você fez da tua dívida. É importante pensar de que maneira você tem essa relação com o parcelamento. O que pode e o que não pode parcelar? Tem que ter esse cuidado na hora de fazer compras com cartão de crédito?
Claro, 100%, tá, Marcela? O que a pessoa precisa entender é que, basicamente, o cenário ideal é que você sempre tivesse o valor à vista para comprar aquele bem, que você tomasse, parcelasse por uma opção. A verdade é que, na realidade, não funciona muito bem assim, mas o ideal seria esse cenário.
Mas a partir do momento que você precisa parcelar por uma necessidade, como você explicou, não tem como ficar sem geladeira em casa. Então você precisa comprar aquela geladeira. O mais importante é você conseguir ter uma previsibilidade de como ficarão os seus próximos meses a partir da aquisição daquele bem.
Então, não olhar só, por exemplo, ah, não, vai ser R$ 200,00 por mês, cabe no meu orçamento, recebo R$ 3.000,00, pô, R$ 200,00, ainda sobrar R$ 2.800,00, está tudo bem. Não é olhar só nessa perspectiva, você vai ter que sim pegar ali, sentar e olhar, seja numa ferramenta financeira como o Optio, ou por exemplo, uma panilha de Excel, ou até mesmo um papel e uma caneta mesmo, e anotar, né, e separar esses R$ 200,00 que você gastaria.
para essa javadeira, como que ficaria. Então, considerar isso pensando nos seus streamings que você passa no cartão, considerar isso pensando na conta de luz, do seu aluguel. Então, a decisão financeira não pode ser pautada pelo impulso. Ela tem que ser pautada, de fato, por um grau de racionalidade em relação...
ao que você vai estar fazendo ali com o seu dinheiro, tá bom? Porque senão você toma a decisão ali, preciso e comprei, né? E acaba esquecendo que no próximo mês a conta chega e o juros rotativo do cartão, ele é altíssimo, né? Então, aí que realmente começa essa bola de neve que joga contra o seu futuro financeiro, tá?
E o limite do cartão de crédito, Renan? Como a pessoa pode se organizar para ter um limite adequado? Porque hoje a coisa mais fácil que tem é abrir o aplicativo do cartão. A pessoa está na loja, passa o cartão, não passa a compra porque não tem mais o limite. A coisa mais fácil que tem é abrir o aplicativo, aumentar o limite, passar o cartão e aí a compra dá certo.
Isso quando não vem aquela mensagem de seu limite subiu, aumentaram seu limite automaticamente. Olha só que benefício, que bondosos. Que conta a pessoa deve fazer, Renan, pensando aí nesse jovem que a gente está falando, que está começando a se organizar com as finanças. A partir do valor que ela recebe por mês de salário, por exemplo, quanto calcular que deve ser o máximo desse limite no cartão de crédito?
Tá, perfeito. O limite como um todo, ele é uma ferramenta, né? Então, a primeira coisa que a gente precisa ter clareza é em relação a que você tem diversas ferramentas que vão te ajudar a construir um patrimônio na sua vida financeira, tá? Seja o limite do cartão, seja o investimento, né? Entre outros.
O limite por si só, ele se torna um problema por qual questão? Basicamente, quando a gente estuda finanças comportamentais, o que a gente percebeu é que enquanto você gastava com dinheiro, você tinha uma clareza maior que doía ali porque você estava tirando dinheiro, você ficava sem na hora e você já tinha essa percepção.
Hoje em dia, com essa facilidade de, por exemplo, encostar o cartão e já pagar, ou até mesmo, igual vocês comentaram, ter um aumento de limite instantâneo, e tudo isso faz com que você perca a dimensão do que aquilo ali significa para você. Então, você passa ali 200 reais achando que não é nada, e quando você vai ver no mês seguinte, foi exatamente o que te prejudicou. Então, o limite em si...
É legal você sempre ter a razão, não só olhando para o limite, mas sim olhando para a sua vida financeira, para o quanto você recebe e quanto está comprometido da sua renda. O ideal é que você nunca ultrapasse esses 30% que a gente comentou anteriormente, de lazer, restaurantes, entre outros.
do seu limite do cartão de uso. Então, não é necessariamente o número do limite, mas o quanto está em uso. Então, não ultrapassar esse valor da sua renda para que isso não te prejudique. Esse é o principal.
Muito bem. Bom, essa questão da entrada massiva dos jovens no sistema financeiro está ligada diretamente à questão da digitalização e a facilidade? Porque hoje em dia esses aplicativos de banco e até os bancos digitais, eles acabam eliminando algumas etapas que antes a gente passava horas na fila do banco para resolver, simplificam de certa forma.
movimentos que a gente fazia antigamente no banco, que eram mais demorados, mais pensados, a linguagem é mais fácil. Isso facilita para que a gente tome decisões muito rápidas e aí, às vezes, acabe não tomando decisões sábias?
Perfeito, é exatamente isso. Basicamente, o que acontece? A facilidade e a velocidade são bons fatores para evitar que a gente se perca na burocracia do dia a dia. Então, isso é muito importante porque a gente não quer passar horas em filas, seja para qualquer coisa na nossa vida. E para finanças também é a mesma coisa.
O grande problema é exatamente isso, essa facilidade também que traz para quem está consumindo, tem que trazer para ele mais racionalidade, porque ele tem que ter mais uma noção de consequência. Então, o que acontece? Se você abrir diversas contas que são rapidamente abertas, você vai ter um aumento de trabalho também na consolidação.
Então, o jovem vai abrindo várias contas, exatamente, às vezes, até por uma busca de crédito, porque ele acostumou a viver sempre no limite do cartão. E isso prejudica porque ele não tem visibilidade do seu futuro financeiro. Então, o que tem que sempre tomar cuidado é exatamente isso. A facilidade tem que trazer também junto a racionalidade. Então, não se perder por conta disso. Porque se você for, de fato, na cabeça do jovem hoje, é muito fácil de você conseguir abrir uma conta, muito fácil de você conseguir.
fácil você ter acesso ao limite. Então, isso também tem que se trazer com mais facionalidade. Por isso é tão importante a educação financeira, tá? E por isso você deveria estar nas escolas. Renan Guimarães, cofundador do Optio Economista, conversando com a gente hoje no CBN São Paulo. Obrigada, Renan. Muito obrigado. Tchau, tchau. Obrigado, bom dia.
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho, bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$ 199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
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