'Aprovação do governo explica desempenho eleitoral de Lula nos estados', diz diretor do Instituto Quaest
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6h46, Viva Voz está de volta e como eu tinha anunciado, está com a gente na linha o Felipe Nunes, cientista político, diretor da Quest, que vai nos ajudar a destrinchar esse recorte que o Instituto divulgou hoje com as intenções de voto para presidente em 10 estados. Boa noite, Felipe. Boa noite, Vera. Tudo bem? Prazer falar com você. Obrigado pelo convite.
Obrigada. Felipe, eu vou começar por Minas, seu estado, porque eu achei que existe um certo paradoxo mineiro detectado pela pesquisa, que é o fato de que o Lula tem a rejeição superando a aprovação no estado, que é chave, a gente sabe, para a eleição, mas ele ainda leva uma vantagem, pelo menos numérica, embora esteja numa situação de empate técnico com Flávio Bolsonaro.
quando o assunto é intenção de voto. O que está acontecendo em Minas? O que a pesquisa nos mostra nesse momento para esse estado pêndulo do Brasil? Estamos começando bem.
O principal insight que a pesquisa da Quest traz hoje é que a aprovação do governo explica boa parte do desempenho eleitoral que o Lula tem nos estados. Se a gente faz uma comparação, o Lula vai bem e tem boa vantagem no Nordeste e no Pará, enquanto que o Flávio, no Brasil inteiro, reproduz a força da direita no Sul, São Paulo, Rio e ali em Goiás, que é o estado do Centro-Oeste.
Mas a aprovação não explica tudo. Como você muito bem disse, nesse estado pêndulo nacional, o Lula tem um saldo negativo de aprovação, mas aparece competitivo contra Flávio. Por que a palavra competitivo? Por que eu escolhi essa palavra para explicar esse cenário? Porque se a gente compara a eleição de 2022, onde a gente teve basicamente um 50-50...
Em Minas Gerais, Minas que reproduziu ali a dinâmica nacional, agora o Lula está 4 pontos percentuais na frente do Flávio em Minas. Essa vantagem, claro, é empate técnico, porque a gente está falando de uma pesquisa com margem de 3 pontos, mas do ponto de vista numérico é como se a gente tivesse uma oscilação de vento nacionalmente, o Flávio numericamente à frente do Lula, mas em Minas acontece o contrário.
Tem dois aspectos ali, Vera, que são relevantes para ajudar a entender esse quadro, até para a gente pensar depois como isso vai evoluir. O primeiro deles é que, em Minas, o Lula tem 40% de potencial de voto, enquanto tem 57% de rejeição. Essa é a realidade do Lula em Minas.
O Flávio tem a mesma rejeição, 57 pontos, mas tem um potencial de votos que é menor. Enquanto o Lula tem 40, o Flávio tem 35. Ou seja, os mineiros rejeitam Lula e Flávio no mesmo patamar.
mas dão um potencial de voto maior a Lula do que a Flávio. Por quê? Porque Lula é praticamente conhecido por todo mundo e Flávio ainda tem 10% que não conseguem opinar sobre ele. Isso está diminuindo o potencial de voto dele no Estado. Vamos ver como é que os mineiros independentes, que não estão necessariamente ligados na polarização, vão avaliar o desempenho do Flávio daqui para frente.
E rapidinho, só complementando sobre Minas, Romeu Zema não é o suficiente ser de Minas, ser o ex-governador de Minas, para romper essa polarização por lá, como acontece, por exemplo, no estado de Goiás. É, Nadege, esse é um boa noite, prazer falar com você. Esse é outro dado interessante em Minas, né? Quer dizer, a gente conseguir olhar o comportamento dos mineiros...
presidencial nos permite, por exemplo, perceber que o Zema tem 11% das intenções de voto no primeiro turno, o que não o gabarita para ir para o segundo turno, mesmo na opinião dos mineiros. É diferente do Caiado, que tem uma vantagem, ele ganha de Lula e de Flávio no seu estado. A gente sabe que ganhar em casa, geralmente, é uma estratégia importante para poder depois ganhar fora de casa. Tem essa diferença.
A que eu atribuo isso? Os mineiros estão, aos poucos, avaliando o governo Zema, esse governo que acabou, ele abriu mão do mandato para ser candidato a presidente, mas a avaliação dele ao longo desses últimos dois anos foi diminuindo. Ele teve desgastes nesse fim de ciclo.
Esse fim de ciclo acabou não sendo, digamos, de lua de mel entre Zema e o eleitorado mineiro. Então ele, digamos, saiu ali com algum arranhão, com algum desgaste. Vamos ver se ele recupera isso ao longo da campanha eleitoral.
De Minas para São Paulo, café com leite. A gente sabe o grande mantra dessa eleição, que para o Lula perder por pouco em São Paulo, será fundamental para garantir uma vitória no plano nacional. Isso funcionou em 2022.
Mas agora a gente vê uma distância um pouco maior entre Flávio Bolsonaro, que está na frente aqui no Estado, em relação ao Lula, do que o Jair Bolsonaro teve em relação ao Lula em 22. A gente está falando de um aumento da distância em quatro pontos percentuais. Isso caracteriza um quadro pior necessariamente em São Paulo ou você acredita isso ao fato de que a campanha ainda não começou, Filipe?
Então, Vera, esse é o segundo ponto importante, quer dizer, hoje, na pesquisa como um todo, a vantagem que o Lula ganha em Minas, ele perde em São Paulo. Basicamente, a gente está falando quase de percentuais que numericamente se empatam, se isolam. É bom lembrar para o nosso ouvinte que em 2018, o Bolsonaro saiu de São Paulo contra o Haddad.
Uma distância de 68 a 32 pontos. Nós estamos falando de uma distância enorme. Lá naquela eleição de 2018, o Lula se recupera, melhora o desempenho do PT em 2022. O Haddad, que tinha tido 32, viu o Lula ter 45 no segundo turno em São Paulo. E agora a pesquisa Quest mostra que ele está no patamar de 43. É muito próximo, Vera.
numericamente, do que a gente tem em 22, pensando do ponto de vista estatístico, está na margem de erro, mas...
O viés, nesse momento, é um viés de alta. Por quê? Porque o Bolsonaro já era conhecido, já era testado em 2022 e ficou ali no patamar de 55. Seu filho, Flávio, que acabou de ser apresentado, começa a disputa numericamente melhor que ele, com 57 pontos. Lembrando que em São Paulo a rejeição do Flávio é de 53 pontos.
enquanto a rejeição do Lula em São Paulo é de 63 pontos. Então, tem espaço ainda, claro, me parece, para uma mudança desfavorável a Lula em São Paulo e isso pode ser decisivo, já que é o maior colégio eleitoral do país. E do Nordeste, acho que a gente pode dizer que veio o resultado esperado, né, Felipe?
O Nordeste tem três cenários, Bahia, Ceará e Pernambuco. É curioso porque no Ceará o Lula está pior do que esteve em 22 e do que esteve em 2018.
Em Pernambuco acontece o contrário, o Lula aparece melhor agora do que apareceu em Pernambuco, do que apareceu em 22, ou seja, o estado de Pernambuco compensa o resultado do Ceará. E na Bahia, o que a gente está vendo é uma mudança muito marginal. O PT que teve 73% em 18, 72% em 22 e na pesquisa Quest de abril de 26 tem 71 pontos.
De novo, tudo margem de erro, o Lula garantindo, mantendo essa enorme vantagem nesses três estados, Bahia, Pernambuco e Ceará, que são os grandes colégios eleitorais do Nordeste, apontando que...
Lula, se acontecer algo, piora um pouquinho, mas nada significativo o que traz de novo o foco para a análise de como São Paulo, Minas e Rio vão desempenhar o processo político, a disputa política desse ano.
Saindo do Nordeste e indo para o Sul, a situação do presidente é bem mais delicada e isso replica resultados já de 18 e 22. Apesar do PT ter governado esses estados, Paraná e Rio Grande do Sul, aliás, só o Rio Grande do Sul de estado. Mas já teve candidatos importantes no Sul no passado, mas agora há muito tempo, muito mal.
O que explica essa rejeição enorme na região sul e ali é desistir ou tem o que fazer para o PT? O bom de eleição, né, Vera, é que nunca existe essa ideia do desistir, né? A eleição é sempre disputada, não tem eleição que é vencida de véspera, né?
Então, é claro que o presidente e o Partido dos Trabalhadores terão que estudar, avaliar, entender o que está acontecendo no sul do Brasil. É bom dizer que a região hoje cuja rejeição ao PT é maior no país, então, claro que tem ali uma dificuldade.
Mas é curioso, Vera, porque no Paraná, um estado muito conservador, o resultado de 22 na eleição, no segundo turno, Lula Flávio, é praticamente o mesmo que a Quest observou agora. O Lula com 38 e o Bolsonaro com 62. Agora, a grande surpresa para mim, eu preciso confessar, é o que aconteceu no Rio Grande do Sul. Pois é.
44% foi o desempenho do PT lá em 2022 e agora a gente capturando apenas 35%. Com isso, o Flávio Bolsonaro tendo nove pontos a mais do que o seu pai teve na eleição de 22. Chamo atenção, Vera...
por uma questão que para mim aqui ajuda a explicar este cenário, que é a altíssima rejeição que o Lula passou a ter no Rio Grande do Sul, rejeição que é a terceira maior do Brasil. No Paraná, o Lula tem 68 de rejeição.
Goiás, 66% e no Rio Grande do Sul, 63%. Ou seja, existe ali uma rejeição que está se consolidando e, de fato, distanciando, piorando até os prognósticos eleitorais de Lula, pelo menos nesse momento, lá na ponta sul do Brasil.
E a gente falou de Goiás, ao falar de Minas, essa comparação, dá para aprofundar rapidamente em isso também, Felipe? Porque a gente vê a diferença, no caso de Goiás, é um governador muito mais bem avaliado, que é pré-candidato à presidência, que é o Ronaldo Caiado, e lá sim isso mostrou um impacto e um potencial de fazer diferença mesmo no restante do cenário nacional.
Na verdade, eu não tenho dúvida que se tem um candidato que hoje disputa para quebrar a polarização e que sai de casa realmente ungido pelo seu eleitorado é Ronaldo Caiado. Ronaldo Caiado que é o governador de todos os estados que a gente avalia na Quest mais bem aprovado, 84% de aprovação.
E tem ali na agenda da segurança pública e da educação, fala-se pouco da educação, mas os números dele de avaliação de educação também são positivos, assim como são obviamente os da segurança, sai de lá com algo que não acontecia há muito tempo. O ouvinte vai se lembrar, Ciro Gomes já conseguiu vencer uma eleição presidencial no Ceará, na disputa, se eu não me engano, de primeiro turno em 2002.
Acho que foi em 2002. E a gente está vendo o Caiado ganhar o primeiro turno em Goiás. O problema é que nem Goiás, nem o Ceará...
são grandes o suficiente para servirem aí de grande alavancagem. Mas é óbvio que do ponto de vista simbólico, isso significa sair de casa com a tropa organizada, com um bom discurso para vender para fora do Estado e tentar, no caso de Caiado, quebrar essa polarização nacional, que também nos Estados parece muito forte e que na disputa regional reforça a tese.
Nordeste, vermelho. Sul, azul. E Minas Gerais, ali, São Paulo, sendo os estados que vão fazer a diferença nesse processo eleitoral.
É isso, Felipe Nunes, cientista político, diretor da Quest, desenhando aqui os números para a gente no Viva Voz. Felipe, já fica o convite para você voltar em outras ocasiões, porque é sempre muito bom te ouvir com o seu didatismo. Obrigada. Semana que vem, Vera, temos pesquisa genial Quest nacional, e aí vamos ver os efeitos de tudo que está acontecendo. Amanhã tem reunião com o Trump, tem toda a discussão do Desenrola, vamos ver o que acontece.
nesse próximo capítulo, semana que vem, voltarei com o maior prazer pra conversar com vocês. Obrigado, Vera. Já tá convidado, então. Obrigada, querido. Um abraço. Obrigada. Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O Gigi na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão.
Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$ 199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
Magalu
Promoção de volta a se verQuaest
Sebrae
Semana do MEI