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'Ficou difícil para Vorcaro convencer investigadores de que amizade com Ciro Nogueira era sem fins lucrativos'

07 de maio de 202611min
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Foi deflagrada nesta quinta-feira (7) uma nova fase da Operação Compliance Zero, que atingiu o primo de Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira. Thiago Bronzatto, diretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília, comenta a operação e analisa a possibilidade de a delação do Daniel Vorcaro ser aceita.

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Participantes neste episódio4
C

Carol

HostApresentadora
N

Naded

Host
V

Vera

Host
T

Thiago Bronsato

ConvidadoDiretor da sucursal de Brasília do jornal O Globo
Assuntos4
  • Delação de Daniel VorcaroCiro Nogueira · Daniel Vorcaro · Mesada · Hospedagem em Nova York · Negócios societários duvidosos
  • Operação Compliance ZeroDaniel Vorcaro · Ciro Nogueira · Banco Master · Delação premiada · Operação Compliance Zero
  • O Papel do Centrão na Política BrasileiraBrasília · Ciro Nogueira · André Mendonça · Jorge Messias · Governo Lula · Bolsonaristas · Flávio Bolsonaro
  • Proximos Passos InvestigacaoDaniel Vorcaro · Ciro Nogueira · André Mendonça · Polícia Federal · STF · Fabiano Zettel
Transcrição31 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

A gente está de volta com o Viva Voz e quem está com a gente já na linha é o Thiago Bronsato, diretor da sucursal de Brasília do jornal O Globo. Boa noite, Thiago. Boa noite, Vera, Carol, Naded, boa noite aos ouvintes.

Boa noite. Tiago, a gente amanheceu hoje com essa nova fase da Operação Compliance Zero, que atingiu o primo do Daniel Vorcaro e a estrela do dia, que foi o senador Ciro Nogueira. Falei que ele inaugura a fila dos políticos, nesse caso, algo que já existia uma expectativa há alguns meses.

O que essa operação nos conta sobre a possibilidade da delação do Daniel Vorcaro ser aceita e sobre esse sacolejão aí no mundo político? Olha, Vera, você tem algum amigo que já pagou para você uma mesada de 300 mil reais, uma hospedagem no hotel em Nova York com diárias de 50 mil reais?

E liberou um cartão de crédito pra você gastar vontade no final de semana? Não tenho nem amigo, nem parente, nem marido, nada. Estamos querendo, né? É, a gente vai pegar presente.

Eu também não tenho. Talvez a gente não tenha, porque a gente não é o Ciro Nogueira, né? Que é essa figura estrelada, como você falou, que mantinha uma relação que ele dizia ser de muita camaradagem com o banqueiro Daniel Vocaro, dona do Banco Master, né? E você sabe, assim, que quando essas investigações do Banco Master começaram a avançar e começou um bobrinho em Brasília, dessa relação estreita entre o Ciro Nogueira...

E o Daniel Volcaro, eu até cheguei a perguntar ali para a defesa e para as pessoas próximas do Volcaro se a investigação da Polícia Federal iria bater na porta do senador Ciro Nogueira.

E a resposta, na época, Vera, foi bem taxativa. Me disseram que tinha chance zero disso acontecer, porque não tinha nada contra o senador Ciro Nogueira, e que os dois só nutriam uma bela relação de amizade. Essa confiança da defesa de que o Ciro Nogueira e o Vercano passariam em colume...

em qualquer investigação da Polícia Federal, era tão grande que na proposta de delação premiada feita pelo vocário, ele não incluiu o Ciro Nogueira no rol de pessoas delatadas. Ou seja, ele dizia que não tinha nada delatado do Ciro Nogueira porque tudo era lícito, foi tudo feito de forma muito tranquila e transparente. Só que agora a investigação da Polícia Federal revelou que tinha não só esses...

300 mil reais, que às vezes poderia chegar até 500 mil reais, como também tinha essas vantagens indevidas, com hospedagem em Nova York, com cartão liberado à vontade para gastar final de semana, e também negócios societários duvidosos. E a contrapartida para esses pagamentos, segundo mostrou a Polícia Federal, era a mão amiga que o Ciro Nogueira estendia para favorecer os negócios do Vocaro nos projetos no Congresso. E diante dessa revelação...

Ficou muito difícil provocar, convencer os investigadores de que a relação com o Ciro Nogueira era só uma amizade sem fins lucrativos. Amizade sem fins lucrativos é muito bom. O Bronzato, como é que o mundo político se moveu em Brasília depois dessa operação da PF e atingiu o cardeal do Congresso? Porque o Ciro Nogueira é um nome muito relevante. Pois é, Carol. Essa operação envolvendo o Ciro Nogueira, ela produziu...

É um abalo imediato aqui em Brasília, porque...

acabou confirmando uma suspeita que já circulava há um tempo nos bastidores, que o escândalo Master poderia ter uma extensão política muito maior do que algumas pessoas gostariam de admitir. E diante desse abalo sísmico em Brasília, ocorreram ao menos dois movimentos políticos muito importantes. O primeiro, como de costume, a cúpula política passou a espalhar a versão de que essa operação da PF envolvendo o Ciro Nogueira nada mais era da palavra do Ciro Nogueira.

do que uma forma de retalhar o Congresso, especialmente depois da votação que rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. Isso porque o André Mendonça, que é o relator do inquérito do Master no Supremo,

teria, segundo essa versão, ficado muito bravo com a derrota do Messias, a quem ele apoiava, e aí mandou a Polícia Federal investigar o Silvio Nogueira. Só que essa versão não se sustenta, é falaciosa, porque a própria PF já tinha avisado o Mendonça que tinha encontrado indícios envolvendo o Silvio Nogueira e que enviaria um relatório com todas as informações que eles levantaram sobre o senador. E o segundo movimento, que também é considerado importante,

foi uma antecipação de uma disputa eleitoral entre governistas e bolsonaristas. Integrantes do governo Lula fizeram questão de lembrar que Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e adotou como estratégia alavancar o discurso de que esse escândalo do Master é, na verdade, um escândalo do Bolso Master, que é uma estratégia que deve ser bastante explorada daqui em diante até as eleições.

Já o pré-candidato Flávio Bolsonaro, ele fez questão de dizer numa nota que ele divulgou publicamente que as denúncias contra o Silvio Nogueira são muito graves e ele até estendeu elogios ali à operação autorizada pelo ministro André Mendonça. Seja de um jeito ou de outro, uma coisa ficou clara. Carol, todo mundo está tratando o escândalo Banco Master com uma batata quente e ninguém quer se queimar nessa história.

E agora, Tiago, quais devem ser os próximos passos da investigação do caso Master? Olha, Nadine, a operação contra o Silvio Nogueira...

ela resolve, pelo menos por enquanto, uma dúvida muito importante, se o caso Master deveria continuar no Supremo ou não. Até então havia um incômodo ali nos bastidores, porque não tinha aparecido uma figura com foro privilegiado, que justificaria o caso continuar no Supremo Tribunal Federal. Isso era especialmente sensível, porque o ministro André Mendonça, em outros julgamentos, defendeu que casos sem autoridades com prerrogativa de foro deveriam tramitar na primeira instância.

Agora, com um senador no centro das investigações, o jogo muda para todo mundo. Para a Polícia Federal, fica muito clara a mensagem de que, se houver indícios de crimes, qualquer figura poderosa da política pode entrar na mira da investigação. Provocar significa que a delação...

vai ser examinado por um ministro que é muito rigoroso e que já avisou que não pretende homologar nada automaticamente. E para o mundo político, como ficou claro hoje,

a gente fica essa percepção de que outras medidas contra normas graúdos de Brasília podem vir no decorrer das investigações. E nesse sentido, a Polícia Federal já tem mapeado todas as mensagens que o Volcaro mencionou supostos pagamentos para figuras políticas, especialmente aquelas mensagens que ele trocava com o cunhado dele, o Fabiano Zettel.

E aí a Polícia Federal está fazendo o que agora? Está começando a mapear o caminho desse dinheiro. E a ideia é verificar se esses diálogos sobre supostos pagamentos correspondem também ao dinheiro efetivamente transferido, seja de forma direta ou por meio de intermediários.

E a Polícia Federal estava esperando, para iniciar outras frentes de investigações, que a delação do Vocar pudesse esclarecer o caminho do dinheiro. Mas como a delação entregou menos, que os delegados já sabem, então ela provavelmente corre o risco de ser descartada.

e a Polícia Federal avançar ali com todas as informações que ela já tem, principalmente no que diz respeito a investimentos do Master feito por meio de fundos de previdências do Estado. E a pergunta agora, Naded, não é mais se o caso Master vai atingir a classe política. A pergunta é até onde essa trilha vai chegar.

O Tiago, na semana passada, depois da derrota do Messias, que teve também um dedo de alguns ministros do Supremo e uma tentativa de fazer uma contenção do caso Master, já se dizia que isso poderia levar o ministro André a ir adiante. Com a facilidade com que ele decretou medidas ali em relação a um ex-colega de ministério, os dois foram ministros juntos.

E ali o grau de informações, detalhamento em relação ao ministro Ciro Nogueira, que ele tornou público, tirou, nem deixou sobre sigilo, eu imagino que esse pavor em relação à independência, entre aspas, dele, em relação ao bolsonarismo deve ter crescido na oposição.

Exatamente, e isso inclusive fez o próprio Flávio Bolsonaro estender esses elogios ao André Mendonça, ressaltando a independência que ele tem para poder investigar. E com isso, o ministro André Mendonça reafirma que ele está disposto a investigar, seja quem for, seja figura expoente do Centrão, como você bem disse, que foi colega dele.

de governo por um dia ali, mas que tinha uma relação de proximidade e afinidade política, ou também figuras centrais na investigação, como os próprios dirigentes partidários que estão para entrar na mira dessas investigações, ou mesmo figuras de ministro supremo, que pode gerar um constrangimento maior para a corte.

É isso, ser colega não vai isentar ninguém. E muitas coisas constrangedoras que havia ali, né? Coisa de, ah, pode liberar o cartão para ele até no sábado, o primo do Vorcaro pergunta em relação ao senador Ciro Nogueira, essa coisa de pode baixar de 500 para 300, a outra coisa ali do pagamento de passagem, então, ficou muito exposto.

É, e é uma história até bizarra, tão bizarra, né, velho? Que até fugir da Polícia Federal com um carrinho de golfe apareceu nessa investigação. Essa é a melhor história, gente. Eu fiquei imaginando a cena, aquela fuga, assim. Só mostrou que o caso Mastra ainda vai render bastante, né? Essa aí nem seriado americano poderia replicar. É isso, Tiago Bronsato com a gente todas as terças e quintas. Obrigada por hoje, Tiago.

Obrigado, uma boa noite, pessoal.

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